domingo, 14 de julho de 2019

Instrução Comunicacional

A comunicação humana, no sentido em que produz reações, quer no emissor, quer no recetor, constitui uma capacidade única e exclusiva do homem, embora ensinada, aprendida, sempre melhorada e exercida desde a mais tenra idade.
A sociedade humana não teria atingido os elevados níveis de desenvolvimento, em todos os domínios da sua intervenção, se não tivesse criado e aperfeiçoado toda a estrutura linguística verbal e não-verbal. O conhecimento, a ciência, a técnica, e até os domínios mais esotéricos, não teriam progredido até ao ponto em que atualmente se encontram.
Naturalmente que a comunicação aqui entendida, também, no sentido da resolução de problemas, principalmente através do diálogo interpessoal, constitui um instrumento poderosíssimo, que urge saber manusear.
O processo comunicacional pelo diálogo interativo, deverá iniciar-se logo no início da vida humana extra-uterina, reunidas que estejam, ainda que minimamente, as condições biopsicológicas da criança e que, um pouco mais tarde, será melhorado com o concurso da família, da escola e da vida ativa da própria pessoa, integrada numa sociedade, onde diversos meios de comunicação a podem ajudar a melhor compreender toda a envolvência, com destaque para alguns agentes intervenientes no processo de socialização, importando aqui evidenciar a linhagem, a Igreja, a empresa, os órgãos de comunicação social, os vizinhos, a comunidade e diversas outras instituições.
Obviamente, caberá ao sistema educativo, apoiado na sua principal estrutura, a Escola, ensinar a usar corretamente uma determinada língua, na circunstância, a língua oficial em vigor no respetivo país.
Esta estrutura, por enquanto ativa e insubstituível, para além de transmitir todo um conjunto de técnicas, regras e significações, compete-lhe, também, promover, dinamizar e aferir os resultados do ato comunicacional, incentivando os elementos essenciais: emissor-recetor para o desenvolvimento e aprofundamento do diálogo, com recurso aos métodos que, em cada situação, se considerem os melhores, de imediato, entre professores e alunos, na medida em que: «Para haver um processo de intercâmbio que propicie a construção coletiva do conhecimento, é preciso que a relação professor-aluno tenha como base o diálogo. É por meio do diálogo que professor e aluno juntos constroem o conhecimento, chegando a uma síntese do saber de cada um.» (HAYDT, 1997:59)
É possível, a partir do exercício persistente, e de boas práticas, a nível da comunicação educacional, preparar o uso da língua com correção, elegância, naturalidade e eficácia, naturalmente, sem menosprezo por uma segunda ou terceira línguas que, indiscutivelmente, hoje se reconhece como necessário, no desenvolvimento das relações humanas internacionais e na concretização dos projetos transfronteiriços, nos vários setores das atividades humanas.
Em todo o caso, o domínio da língua materna, e/ou da língua oficial de uma determinada sociedade, é fundamental, para nela, e a partir dela, a pessoa e as organizações se expandirem e se relacionarem da melhor forma e, igualmente necessário, para melhor se aprender uma língua estrangeira.
Neste contexto, a noção operatória de comunicação assume uma importância vital nas relações humanas, considerando que: «Comunicação é a situação em que é possível estabelecer-se uma relação entre pessoas, de tal modo que as iniciativas intencionais de uma possam chegar ao conhecimento das outras.» (TRINDADE, 1990:33)
Atualmente, reveste-se de capital interesse dispor de mecanismos, e formação suficientes, para os utilizar, na resolução de conflitos, através do processo argumentativo, o que implica o domínio de algumas técnicas argumentativas, que são, teoricamente, adquiridas em escolas da especialidade, e também nos sistemas educativos normais, designadamente quando se estudam os princípios fundamentadores da Comunicação Humana.
É evidente que a acompanhar a exposição verbal dos argumentos, se utiliza uma outra linguagem, não-verbal, que, na resolução de conflitos, desempenha um papel fulcral, porque ao se desenvolver, verbalmente, um ou vários argumentos, estes podem ser confirmados, ou negados, por gestos que, intencionalmente, ou imprudentemente, vão sendo manifestados pela pessoa que argumenta, a qual deverá ter todo o cuidado com a sua postura.
O domínio da linguagem não-verbal é decisivo para o êxito ou fracasso, de uma comunicação que visa resultados conciliatórios, na resolução de um conflito, por isso e uma vez mais, se recorda a linguagem assertiva, sincera, transparente, verdadeira, justamente para não se cair em contradições, entre o que é pensado, o que é dito e o que é gesticulado.

Com efeito: «A dificuldade com a comunicação não-verbal, ou expressão corporal, como é mais vulgarmente designada, não consiste em observá-la nem em interpretá-la. É preciso ter o cuidado de não deduzir em vez de ler. (…) Para se ser um utilizador eficaz da comunicação não-verbal você precisa, em primeiro lugar, de afinar os seus poderes de observação. À medida que começar a notar que algo sucede, pode construir a sua perceção de quando sucede. (WILSON, & LODGE, 1993:129)


HAYDT, R. C. C. Curso de Didática Geral, 4ª ed. São Paulo: Ática. 1997
TRINDADE, A. R. Introdução à Comunicação Educacional, Lisboa: Universidade Aberta. 1990.
WILSON, G. & LODGE, D. Resolução de Problemas e Tomada de Decisão: Inovação, Trabalho de Equipa, Técnicas Eficazes. Trad. Isabel Campos. Lisboa: Clássica. 1993.


Venade/Caminha – Portugal, 2019

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal


COMENDADOR das Ciências da Educação, Letras, Cultura e Meio Ambiente Newsmaker – Brasil



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sábado, 6 de julho de 2019

Comportamentos Comunicacionais.

O relacionamento interpessoal provoca, necessária e inevitavelmente, determinados comportamentos comunicacionais: uns, eventualmente, premeditados, estudados e treinados; outros, espontaneamente.

Apesar de tais limitações, é possível caracterizar os diversos comportamentos comunicacionais, a partir de critérios definidos:
a) Afirmatividade do comunicador (transparência da linguagem);
b) Respeito pelo interlocutor (respeito pelo outro. A partir destes dois critérios e como posicionamento prévio, aceitam-se quatro grandes tipos de comportamento comunicacional, a indicar:
O comportamento assertivo manifesta-se pelo seu elevado poder influenciador, sustentado em três fatores:
a) Transparência da linguagem;
b) Força exemplar da afirmação pessoal;
c) Resolução de conflitos através da negociação.
A comunicação assertiva é, por isso mesmo: simples, direta e económica em palavras; pauta-se pela afirmação rigorosa; os conflitos resolvem-se pela negociação, sempre numa atitude de “ganhar-ganhar”, ou seja, ganham as partes conflituantes.
A afirmação pessoal pela comunicação, sustenta-se na autoestima, na determinação e na consciência do direito à autoafirmação. A assertividade recorre ao comportamentalismo e ao humanismo psicológico; trata-se de um tipo comunicacional cuja utilização pressupõe coragem, frontalidade e firmeza por parte dos interlocutores envolvidos. Há, portanto, um longo caminho a percorrer.
2) PASSIVO – Manifesta-se na baixa transparência da linguagem e no alto respeito pelo outro. Evita-se expressar opiniões, vontades e sentimentos próprios, submetendo-se facilmente aos dos outros. Opta-se pela fuga, pela submissão e dependência em relação aos outros. Sentido de subordinação e fuga.
Utilizam-se frases vagas, ambíguas, de indiferença e rejeição, de envolvimento, do tipo: “Não vale a pena dizer nada”; “Não tem importância”; “Desculpe, lamento muito”; “Não gosto de criar problemas”. Também pelos gestos e certas atitudes: riso nervoso e forçado; ombros descaídos; voz sumida.
O comunicador passivo: aceita tarefas insignificantes que oprimem e humilham; manifesta sentimentos de desvalorização pessoal; não provoca nos outros comportamentos assertivos, mas pode contribuir para o aumento da agressividade no outro interlocutor. A médio prazo, não conduz à realização pessoal.
3) AGRESSIVO – Evidencia-se pela alta transparência da linguagem e baixo respeito pelo interlocutor. Utilizado para se defenderem direitos à custa dos direitos dos outros, com agressividade, muitas vezes de prazer e de ofensa. Pressiona-se o interlocutor e obriga-se a reagir contra a vontade dele.
Exerce-se intensamente uma pressão que, rapidamente, surge a ameaça de castigo e/ou de retaliação. Utilizam-se frases imperativas, prepotentes, ameaçadoras: “quero este trabalho concluído rapidamente”; recorre-se, também, ao menosprezo e desvalorização das capacidades do interlocutor e exibição do poder do agressor, pela intimidação e ofensa: “Se não percebeu, tivesse percebido”, “Quem manda aqui sou eu”.
Diversos gestos são feitos pelo agressor, como apontar o dedo em riste, rosto tenso, olhos fulminantes. O comportamento comunicacional agressivo, em certas circunstâncias excecionais, pode funcionar com plenos resultados positivos, como quando é necessário atuar rapidamente e bem, mesmo que seja preciso reduzir à total subordinação o interlocutor. No limite da análise, a comunicação agressiva empobrece a inteligência do próprio agressor, reforça a vontade de mais agressividade, se esta tiver sido recompensada e pode aprofundar o sentimento do mal-amado;
4) MANIPULADOR – Define-se pela baixa transparência da linguagem e pelo baixo respeito pelo outro. A linguagem é utilizada como disfarce, no interesse próprio e em prejuízo dos outros. O manipulador não se afirma abertamente, escondendo-se numa cândida generosidade e pureza, levando as pessoas de boa-fé a fazerem o que ele pretende, quase sem darem por isso.
A bajulação e lisonja (falsas) são armas eficazes para o manipulador: “estou a dizer-lhe isto para seu bem”, “não confessaria isto a mais ninguém”. O recurso à insinuação é outra estratégia utilizada: “diz-se muita coisa a seu respeito, mas eu não acredito”.
Outro recurso que funciona para o manipulador é a chantagem, através do apelo aos sentimentos, opiniões e vontades do interlocutor, para o influenciar e convencer, violentando, se necessário, embora disfarçando a violência, dando à comunicação uma aparência de contrato. Pode utilizar uma linguagem redonda, do tipo: “penso que gostaria de poder ter a oportunidade de…”.
Também pelo sarcasmo e pela ironia o manipulador pretende alcançar os seus objetivos. O comportamento comunicacional manipulador, pode funcionar muito bem para os manipuladores em determinados contextos políticos, que são permeáveis à bajulação, ao elogio e à demagogia. Finalmente, pode-se utilizar a manipulação por puro prazer de representação. (Cf. AZEVEDO, 1999:19-24)

Bibliografia

AZEVEDO, L. (1999). Comunicar com Assertividade. Lisboa: Instituto do Emprego e Formação Profissional/Ministério do Emprego e Formação Profissional.


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Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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sábado, 29 de junho de 2019

Habilidade para uma boa Relação Humana

Todas as comunicações humanas apresentam dificuldades que os interlocutores procuram, por vezes, resolver e, outras vezes, complicam:
a) Um primeiro problema, que se coloca, é que em todas as comunicações humanas ninguém imagina que há dificuldade quer se esteja a conversar com uma pessoa, ou com um grupo, porque todos pensam, com demasiada frequência, que as pessoas não só ouvem o que se diz, mas também entendem, concordam e agem de acordo com o que ouviram, exatamente da maneira que se pensa que o deviam fazer;
b) Uma outra dificuldade é que os indivíduos, de uma maneira geral, não são muito bons ouvintes, realmente a escutar, quando alguém fala com eles e depois a entender, corretamente, o que ouvem;
c) É importante, e contribui para o êxito comunicacional, o domínio e compreensão de três técnicas das comunicações: «Audição eficiente; interpretação da linguagem corporal – a arte de ver o que as outras pessoas estão a pensar; apresentação eficiente». (LIDSTONE, 1994:16).
É pela fala que se procura afirmar a vontade individual, os pontos de vista de cada um e a própria autoridade, enquanto que a audição é, geralmente, considerada uma atitude passiva, e/ou de concordância e, como refere o adágio: “Quem cala, consente”.
Em geral, as pessoas que são boas a ouvir, tendem a ser boas a comunicar com eficiência, por exemplo, nos contactos com a Comunicação Social, é fundamental utilizar-se uma comunicação eficaz, justamente, através de uma escuta ativa, até porque: «Quando falamos sentimos que controlamos os acontecimentos ou situações. Todavia, quando falamos, embora possamos satisfazer as nossas próprias necessidades, não consideramos as necessidades dos outros. Na verdade, quanto mais falamos menos aprendemos». (Ibid.:18).
a) A velocidade com que o ser humano fala;
b) Distrações exteriores, tais como: fadiga, desconforto pessoal, ruídos diversos, demasiado conforto, mensagens indecifráveis;
c) Interpretação e distorção – ambiente cultural e educacional de quem fala e, na mente do ouvinte, a linguagem pouco precisa de quem a usa, ideias preconcebidas, suposições sobre o que ouvimos;
d) Barreiras pessoais, desde logo a partir dos próprios preconceitos, conversas e vocabulário que desinteressa o ouvinte ou provocam neste, irritação e sentimentos de repulsa;
e) Má audição, por razões de interferência das barreiras enunciadas, pode provocar graves danos, como por exemplo: erros ortográficos, de construção e de sentido da frase.
A importância dada ao ouvinte atencioso, significa um grande contributo para que a comunicação humana seja proveitosa, para os interlocutores envolvidos. Em certas situações, bem específicas, mais importante do que falar é ouvir, todavia, nem todas as pessoas têm bem apurada esta faculdade, não no sentido patológico, antes na perspectiva cultural, educacional e técnica.
Afigura-se, portanto, necessário, indicar algumas técnicas para uma boa audição, tais como:
a) Domínio completo sobre a atenção consciente e concentrada no assunto que se está a abordar;
b) Evitar distrações, principalmente, em relação a outras conversas, barulhos de trânsito, propaganda sugestiva, toques e conversas telefónicas, no local onde decorre o diálogo;
c) Prestar atenção fisicamente à pessoa que fala, permanecendo-se de frente para ela, mantendo-se um bom contacto visual;
d) Prestar atenção psicologicamente a quem fala, o que se está a dizer, procurar ouvir bem o tema central de quem fala, manter um espírito aberto e não tirar conclusões precipitadas, ignorar o vestuário de quem fala, a voz, o penteado, o sexo, a etnia e a apresentação, eventualmente pobre; prestar atenção aos filtros emocionais;
e) O que está e como está a ser dito determinado tema, atendendo ao modo como a pessoa fala, e transmite as suas ideias, incluindo os movimentos físicos que faz enquanto fala;
f) O que não está a ser dito, procurando-se ler/entender o sentido do que está omisso, e descodificar a designada «Agenda Escondida».
A boa estratégica sugere alguns cuidados a observar: «Como os nossos hábitos de audição se desenvolvem mais por acaso do que por treino, muitos de nós somos ouvintes pouco ou nada eficientes. Encontros bem-sucedidos com a imprensa dependem do domínio que possuirmos sobre os factos. Quando estivermos a ouvir é preciso: estar atento fisicamente; estar atento psicologicamente ao que se está a dizer, à maneira como se diz e ao que não se está a dizer». (Ibid.:25)

Bibliografia

LIDSTONE, J. (1994). Como Lidar com os Media: Como Gerir as Entrevistas para a Televisão, Rádio e Imprensa. Tradução, Francisco de Oliveira Faia, Mem Martins: CETOP – Centro de Ensino Técnico e Profissional à Distância.

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sábado, 22 de junho de 2019

Comunicação

A comunicação é uma daquelas atividades humanas que todos conhecem, mas poucos conseguem definir, pelo menos no seu sentido mais abrangente, desde logo, porque, e simplesmente, a comunicação: é falar uns com os outros; é televisão, rádio, imprensa, internet; é divulgar informação; é o próprio penteado; é a obra de arte, qualquer que seja o seu estilo e época; é a crítica literária.

Se se partir da premissa, segundo a qual, o comportamento não tem oposto, porque não existe o não-comportamento, isto é, um indivíduo não pode não-se-comportar, e se se aceitar que todo o comportamento tem valor de mensagem, ou seja, é comunicação, então é impossível o indivíduo não comunicar, porque: atividade ou inatividade; palavra ou silêncio; tudo possui um, valor de mensagem, influencia outros e estes outros, por sua vez, não podem não-responder a essas comunicações e, portanto, também estão comunicando.
A mera ausência de falar ou de observar não constitui exceção e, deste modo, uma pessoa que se encontre, por exemplo, de olhos fechados, silenciosa e quieta, poderá estar a comunicar que não quer falar com ninguém, nem que falem com ela.
Pode-se ficar com a ideia de que o ser humano está sujeito à inevitabilidade de comunicar, que consiste no facto de ninguém ser capaz de não-comunicar, porque a simples presença de um indivíduo envolve a emissão de mensagens, com significados determinados, para os seus intérpretes. Voluntária ou involuntariamente, o comportamento humano tem sempre um valor de mensagem para quem o lê.
Tomando por base a etimologia, a palavra comunicação deriva do latim “communis”, que significa comum e comunicar poderá, então, significar, tornar comum, inaugurando a passagem do individual ao coletivo, entendido como condição de toda a vida social.
E se inicialmente o termo significava troca de palavras, de coisas, de bens e serviços, hoje, assume um sentido não material, porque se trata de uma troca de mensagens significativas, e que envolve determinados elementos: emissor; recetor; código; mensagem; canal e ruídos.
Também se invoca um outro conceito da palavra comunicação humana, como sendo um processo bidirecional, que relaciona, pelo menos, dois indivíduos, envolvendo diversos fatores ou elementos, estes já antes indicados.
Neste conceito a palavra comunicação: «deriva do verbo latino communicare – conversar, trocar ideias, expor e consultar. Relaciona-se, ainda, com a ideia de commnunitas – comunidade ou comunhão. Partilhamos e trocamos conhecimentos, sentimentos as experiências de modo a alterarmos reciprocamente os nossos comportamentos.» (cf. MARQUES; RAPOSO, s.d.:3).
Também poderemos perspetivar uma outra noção de comunicação, segundo a qual: «Em qualquer projeto, a comunicação entre as pessoas é fundamental. É no ato comunicativo que partilhamos ideias/propostas, analisamos a situação atual e delineamos as fases seguintes. Segundo os dicionários portugueses, a palavra comunicação deriva do latim comunicare, que significa “tornar comum”, “partilhar”. A comunicação pressupõe, deste modo, que algo passe do individual ao coletivo. Os seres humanos são obrigados a cooperar uns com os outros, formando grupos/redes para alcançar certos objetivos que a ação individual isolada não conseguiria alcançar.» (FERNANDES, 2014).
Os indivíduos agem e comportam-se socialmente: uma conduta individual toma as outras pessoas como objeto e, essas pessoas, são interlocutoras e parceiras, respondem às ações do indivíduo considerado, embora, as relações não sejam sempre desta forma.
À comunicação corresponde um determinado efeito social, já que dela resulta a modificação do comportamento ou da convicção do recetor, porque misturando elementos intencionais, e devidamente calculados, com elementos espontâneos e, até certo ponto, involuntários, a comunicação produz mudanças variadas nos comportamentos.
Por isso se pode aceitar que a primeira forma de interação humana, a estudar, é a comunicação, que se pode entender como sendo um mecanismo que sustenta a existência, desenvolvimento e transmissão das significações entre as pessoas.
A comunicação humana não pode pré-existir às relações entre os indivíduos, pois consiste em criar um estado de espírito comum entre aquele que comunica e aquele que recebe a comunicação, o que supõe relações anteriores. Reciprocamente, uma sociedade não funciona se não existir a comunicação.
Os homens não são máquinas, e toda a interação humana subentende a mediação de ideias que são comunicadas. Daqui podem extrair-se conclusões interessantes, no quadro das relações humanas quotidianas, como por exemplo: a relação professor-aluno pode levar a pensar em bases segundo as quais o aluno, sujeito-alvo, atribui poder ao professor, agente-influenciador e, certamente, reconhecer-lhe poder de competência; por sua vez, o professor poderá reconhecer ao aluno poder de recompensa e de punição, através da simpatia ou antipatia que o aluno demonstra.
Quando se abordam as questões da comunicação, um dos tipos que se discute, coloca-se ao nível da comunicação verbal, diretamente conotado a uma língua, esta considerada indispensável na produção de documentos, que transmitem informação diversa, conforme a sua origem, destinatários e objetivos, comportando em si mesmo significações, que o leitor terá de interpretar corretamente, no sentido que o remetente pretende dar à informação produzida.
O que, imediatamente, se infere desta reflexão, é a importância de dominar muito bem a língua que se utiliza na comunicação verbal, porque: «Falar uma língua é adotar uma forma de comportamento regido por regras, sendo estas regras de uma grande complexidade. Aprender e dominar uma língua é (interaliar) aprender e dominar estas regras. Este é um ponto de vista familiar à filosofia e à linguística, mas dele nem sempre se tiraram todas as consequências.» (SEARLE, 1981:21).
Naturalmente que existem algumas orientações para se introduzirem regras (há quem lhes chame truques), simples e acessíveis à linguagem popular, para melhorar a transmissão dos comunicados humanos, de que se podem destacar algumas delas:
a) Pronunciar as palavras corretas e claramente;
b) Falar distintamente, com boa dicção, nem muito alto, nem muito baixo;
c) Concentrar-se na sua mensagem e levar os interlocutores a fazerem o mesmo;
d) Não usar maneirismos, nem palavras complicadas e os termos técnicos apenas, e quando, for absolutamente necessário e, se possível, perante um auditório especializado no tema;
e) Ser breve, conciso, preciso, estruturante quanto aos objetivos a atingir;
f) Manter uma postura correta, gestos comedidos que acompanham a palavra, controlo de voz, que evite os sons excessivamente agudos ou graves;
g) Mostrar um rosto aberto, interessado e convicto, sobre o assunto que está a expor.
O relacionamento humano seria impossível sem o ato comunicativo, entendido este como uma interação entre pessoas, que desejam a convivencialidade societária, seja em contexto familiar, profissional, social, político, religioso ou outro.
As relações humanas pressupõem diálogo, troca de ideias, transmissão de conhecimentos, divulgação de factos, manifestação de sentimentos e tantas outras intervenções, só possíveis pela comunicação, verbal, e/ou, não verbal.
Qualquer dos tipos de comunicação (verbal e não verbal) quando utilizado um, este será tanto mais enriquecido quanto mais se recorrer, adequada e complementarmente, ao outro, imprimindo sempre naturalidade, sinceridade e entusiasmo na apresentação do tema, independentemente do auditório a quem se dirige a comunicação.
A comunicação forçada, simulada, afetada e muito sofisticada pode, em certos contextos, dificultar a compreensão da mensagem que se pretende divulgar e, consequentemente, os efeitos pretendidos e objetivos a alcançar ficam prejudicados porque: «Todos nós admiramos os oradores que conseguem dar naturalidade às suas alocuções, que não têm medo de se expressar, nenhum receio de utilizar a única, individual, imaginativa maneira de dizer o que têm a dizer ao auditório.» (CARNEGIE, 1962:188).

Bibliografia

CARNEGIE, D. Como Falar Facilmente, 6ª edição. Tradução, Mário Domingues, Porto: Livraria Civilização. 1962
FERNANDES, Cecília Manuela Gil Carrondo, (2014). Dissertação de Mestrado: “Turismo, Inovação e Desenvolvimento”, Viana do Castelo: IPVC-Instituto Politécnico de Viana do Castelo.
MARQUES, R. & RAPOSO, R. Comunicação I. Lisboa: IEFP/Núcleo de Apoio à Aprendizagem – Departamento de Formação Profissional para o Sector Terciário. S. Data.
SEARLE, J. R. Os Actos de Fala – Um Ensaio de Filosofia da Linguagem. Tradução, Coordenação de Carlos Vogt. Coimbra: Livraria Almedina. 1981


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domingo, 16 de junho de 2019

Conflito versus Decisão


A maioria dos conflitos tem a sua origem no comportamento de pessoas difíceis que, tecnicamente, se designam por “Fontes-de-Dor (FDD)” e que, constituindo grande parte dos contactos humanos diários, provocam muitas frustrações.
As pessoas difíceis podem encontrar-se em quaisquer circunstâncias, locais e tempo. Qualquer pessoa que, premeditada e intencionalmente, se assuma como “Fonte-de-Dor”, sabe conduzir-se de forma a provocar o desgaste, a desorientação e até a humilhação da (s) pessoa (s) que pretende atingir.
Gerir a conflitualidade de forma imperturbável, alimentar uma situação de permanente mal-estar, através de argumentos e atitudes aparentemente corretos, e legais, são técnicas que as pessoas difíceis utilizam muito bem.
Tomar boas decisões dá trabalho. Exige dispêndio de tempo, de energia e de recursos. As pessoas podem ter um elevado grau de controlo sobre as suas vidas, e sobre o que lhes acontece através de um constante e consciencioso uso da tomada de decisão. Para tal é necessário que seja conscientemente assumida a responsabilidade de tomar decisões.
Existe um processo para tomar boas decisões, que pode ser aprendido e praticado. Como qualquer outra competência, a capacidade para tomar decisões torna-se mais simples e mais efetiva com a prática.
Uma boa decisão é formada através da utilização do processo de tomada de “Decisão Planeada”, mesmo se as suas consequências não correspondam às que são sempre as desejadas. O uso do processo de tomada de “Decisão Planeada”, não significa, necessariamente, que as consequências sejam as melhores.
Quando um pai ensina o seu filho, está a prepará-lo para que tome decisões, tendo em conta valores que lhe foram incutidos, ou aprendidos ao longo da vida. Os valores não dizem como tomar uma decisão, nem mesmo qual a melhor alternativa a seguir, são apenas guias, que mostram como chegar ao objetivo final, através de linhas condutoras. São faróis que iluminam um determinado caminho.
Para se compreender melhor todo o mecanismo da negociação, importa reter alguns conceitos. Com este objetivo, pode-se aceitar que a Negociação será: a) Uma forma conjunta de resolução dos problemas contidos numa relação de interesses; b) Processo onde duas ou mais partes tentam concordar sobre o que cada uma deve dar e receber, ou fazer e receber em uma transação; c) Os agentes ativos da negociação ou transação são os próprios detentores da relação de interesses; d) São eles os negociadores e não terceiros.


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