domingo, 31 de maio de 2020

. Sedução Política

Aceita-se, pacificamente, que a política deveria ser uma atividade humana, das mais nobres e solidárias, entre muitas outras, que toda a pessoa desempenha ao longo da vida. A política justificar-se-ia pela dignidade, solidariedade e lealdade dos seus agentes diretos, isto é: por aqueles, que no terreno, a exercem, suposta e desejavelmente, para resolver problemas que afetam a honra, a respeitabilidade e o bem-estar de toda a comunidade, onde se exerce esta dimensão da pessoa verdadeiramente humana.
Ao longo da história da humanidade, e recuando à Polis grega, a política tem merecido uma atenção especial, e tem sido objeto de uma apetência muito significativa, se comparada com outras atividades humanas. Enquanto possibilidade de intervenção na sociedade, talvez se possa admitir que a sua influência, para o bem e para o mal, é sentida de forma bem acentuada, por quem a vive, ou beneficia, ou sofre os seus efeitos.
Se se comparar a atividade política com outras que a pessoa exerce, durante a sua vida, nomeadamente: religiosa, filosófica, económica, financeira, empresarial e profissional, no limite, poder-se-á comprovar que pelas medidas que os políticos tomam, democrática legítima e legalmente, ela pode afetar todas as demais atividades, a partir do poder legislativo, que depois é implementado pelo poder executivo e sancionado pelo poder judicial, ou seja: todos aqueles poderes são, de alguma forma, controlados pelo poder político em geral.
A política é, por isso mesmo, irresistível e quem se envolve nela fica tocado para o resto da vida, por diversas razões: pelo poder que confere aos seus agentes ativos; pela rede sociopolítica que se cria; pelas influências que, em diversas áreas da sociedade, se desenvolvem e pela capacidade que ela proporciona, no sentido de resolver situações, desde logo, em relação a quem mais precisa, justamente, pela possibilidade que existe em legislar e intervir diretamente no terreno, para resolver problemas concretos das populações. Assim deveria acontecer sempre; aqui reside a nobreza da política.
Mas será que a política atual está ao serviço efetivo das populações, especificamente das camadas mais carenciadas: crianças, jovens, desempregados, idosos, pensionistas e reformados, minorias de diferentes origens, estatutos e convicções diversas? Ou, pelo contrário, a política estará cada vez mais ao serviço de minorias económicas, financeiras e profissionalmente poderosas? A quem serve e quem se aproveita, afinal, da política?
Um pouco por todo o mundo, assiste-se a um certo descrédito da política, pelo menos em determinadas intervenções setoriais, e também de alguns políticos! Porquê? Será que já não é uma atividade nobre, ao serviço do bem-comum? Estará a política a transformar-se num instrumento de subjugação, de prepotência, de violência sobre os mais fracos, sobre aqueles que já não têm capacidade de fazer greves e parar um país?
A política será uma forma de proteger e orientar aqueles que pertencem a determinados grupos/famílias? Que têm certas afinidades, a quem a política, por via legislativa, até pode favorecer, generosamente, à custa de quem não tem conhecimentos, amigos e familiares, num determinado setor político-partidário e governamental?
Chegar ao poder político não será assim tão fácil, porque pela via democrática, com o apoio numa determinada força política, o sistema está permanentemente controlado pelos movimentos e partidos políticos, por isso é com muita dificuldade que as organizações de cidadãos independentes chegam ao poder, muito embora se reconheça que os movimentos autónomos das forças políticas estão a surgir cada vez mais, no contexto do Poder Local.
Por outro lado, pela via não democrática, tipo golpe de estado, este processo, praticamente está acessível, apenas, às forças que possuem meios bélicos e humanos, em quantidade e qualidade, ou a grupos civis organizados, porém, sempre apoiados pelas forças militares, e/ou de segurança. Tem sido, quase sempre assim, na maioria das situações em que se verificou mudanças de governos e até de regimes.
Importa, aqui e agora, refletir sobre a chegada ao poder, pela via democrática, que implica eleições livres, universais, justas e transparentes, em que os cidadãos, organizados em forças e movimentos políticos, ou listas de pessoas independentes, para algumas eleições, disputam o poder para um determinado órgão, ou seja: eleições para a Assembleia da República, a partir da qual se constitui (ou deveria formar) o Governo; para a Presidência da República; para as Autarquias Locais e para o Parlamento Europeu. Estas são as eleições que ocorrem, ciclicamente, em Portugal.
Chegados a este ponto, é aqui que o regime político-democrático se evidencia. É aqui que a política começa a credibilizar-se, ou não, tudo dependendo do que se seguir após um ato eleitoral, isto é: entre o que se afirma e promete, numa campanha eleitoral, e o que depois se cumpre.
O que se tem verificado é que, muitas vezes, existem duas realidades diferentes: a sedução que através das mais deslumbrantes promessas políticas que os candidatos/forças políticas fazem durante a campanha eleitoral, para a captação do voto; e o que acontece depois das eleições.
Infelizmente: a sedução passa a ilusão; a utopia, a descrédito; à mais atrevida inverdade, ao sofrimento e morte lenta da maioria que acreditou na palavra de quem prometeu o que, afinal, não foi capaz de cumprir. É justo e legítimo que, sempre que necessário, e justificadamente, se ponha em causa a credibilidade da política, e dos que dela se servem para atingir certos fins que não o bem-comum.
Perdeu-se o respeito por quem, de boa-fé, e acreditando, piamente, nos projetos que, em campanha eleitoral, eram apresentados, depois são executados, precisamente, em sentido e com medidas legislativas opostas, por exemplo: “prometo-te trabalho, depois dou-te desemprego”; “anuncio-te menos impostos, depois aplico-te uma carga brutal de taxas, sobretaxas, cortes salariais, redução das pensões e reformas e tudo o mais”, “que nem ao Diabo lembra”; “asseguro-te que manterás os direitos adquiridos”, alguns deles desde há mais de quarenta anos, mas depois reduzo, ou elimino tais direitos.
Enfim, “garanto-te o paraíso, mas quando eu chegar ao poder vais parar ao inferno”, completamente desapossado de tudo o que, com tanto sacrifício, conseguiste juntar, durante uma longa e pensosa vida de trabalho, na Terra, cumprindo sempre com os deveres que te impunham.
A questão que se coloca é muito simples, objetiva e direta: pode-se confiar na política e em alguns políticos que vão governando as comunidades, os países e o mundo? Pode-se acreditar numa política de pura sedução, de simpatias, de promessas e aparentes afetividades, quando, pelos exemplos mais recentes, o povo é atraiçoado e atacado, tão violenta, ilegítima e ilegalmente?
Sim, porque é sabido que algumas medidas são: violentas e dolorosas, que provocam o sofrimento, pela penúria a que as pessoas e famílias passam a viver, pelo desemprego, pela fome pela exclusão e, finalmente, pelo suicídio; ilegítimas, porque quando se depositou o voto na urna, e se confiou num projeto, este não é executado como apresentado; ilegais, porque são as mais altas instâncias dos Órgãos de Soberania que assim o declaram, embora por alegada “emergência nacional” e, com tal argumento, até se suspendem as mais elementares e sagradas normas constitucionais, ressalvando-se, contudo, o caráter temporário e excecional.
É este poder político que serve as justas aspirações do povo? Esta é que é a nobreza da política? São tais políticos merecedores da confiança dos seus eleitores? Onde está a Democracia? Onde está a lealdade política? Onde está a solidariedade para com os mais carenciados e desprotegidos?
Enquanto se continuar a tratar as pessoas como meros números fiscais; enquanto a política de sedução não se converter em política de dignificação do regime democrático; enquanto não se colocar as pessoas em primeiro lugar; enquanto não se respeitarem os direitos adquiridos; enquanto se atacarem as pessoas, famílias, grupos, empresas com cargas brutais de impostos, taxas, impostos sobre impostos; enquanto não houver cidadãos que tenham a coragem de colocar a política ao serviço do bem comum, dos mais fracos e necessitados e enquanto não se cumprir com a palavra dada, caminhar-se-á para o abismo, para o desmantelamento das classes produtivas.
Certamente, o rumo será no sentido de se colocar aqueles que já deram tudo ao país, (que ajudaram a formar quem governa), no monte, envolvidos numa manta rota, com uma côdea de pão duro e uma garrafa com alguma água inquinada; passar-se-á para a morte lenta, sem honra nem glória, para quem se deixou seduzir por promessas enganadoras.
A política, e especialmente uns tantos políticos, também algumas instituições, quaisquer que elas sejam, devem ser urgentemente reabilitados, principalmente quem caiu no descrédito total, aqueles e estas, que durante muito tempo, não tiveram a possibilidade de cumprir com o que prometeram a um povo humilde, trabalhador, honesto e confiante, a um povo que, de boa-fé, acreditou nos seus concidadãos, nos seus ”filhos e outros parentes”, que os preparou, talvez mal, para agora exercerem um poder “democraticamente despótico”.
Que todos metam a mão na consciência e, com humildade, recuem nas medidas que impõem de forma brutal, ilegítima e, eventualmente, ilegal. Ainda estão a tempo para mostrarem sensibilidade social.
O povo merece respeito, porque é digno e constituído por pessoas humanas de bem. Não pode ser tratado como mero instrumento para se alcançarem objetivos que apenas têm provocado miséria, fome e morte. Dignifiquem-se a política, os políticos e o regime democrático.

Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

NALAP.ORG



domingo, 24 de maio de 2020

Construir a Paz

Na verdade, o Papa Paulo VI, em sua primeira mensagem para o dia de Ano Novo, dizia: «Dirigimo-nos a todos os homens de boa vontade, para os exortar a celebrar o Dia da Paz, em todo o mundo, no primeiro dia do ano civil, 1 de Janeiro de 1968. Desejaríamos que depois, cada ano, esta celebração se viesse a repetir, como augúrio e promessa, no início do calendário que mede e traça o caminho da vida humana no tempo que seja a Paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processar-se da história no futuro.» (in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Mundial_da_Paz   (22.04.2020).
Muitas são as dimensões que acompanham a existência humana, ainda que as culturas, histórias, civilizações tenham, e exerçam, os valores que consideram próprios de cada povo. Praticamente, é impossível conseguir adaptar-se valores, e as respetivas boas-práticas, comuns a todas as pessoas, e embora se deseje acreditar, que haverá valores que toda a gente gostaria de possuir, e usufruir plenamente, como por exemplo: Saúde, Trabalho, Família, Solidariedade, Justiça, Felicidade e Paz, o certo é que não é seguro que assim seja.
A Paz não é, apenas e/ou necessariamente, a ausência de guerra. Ela envolve, por si só, outros valores, outras práticas, de tal forma que se não existirem e não forem fruídos, então a Paz será, tão só, uma condição em que se vive, mas que não traz à pessoa humana, a tranquilidade para viver feliz, com entusiasmo, dinamismo e projetos de vida. A Paz, no conceito de ausência de guerra, é muito pouco. A Paz tem de comportar outras exigências, dimensões e realizações, para que contribua para a dignidade humana.
É rigorosamente verdade que o mundo é um aglomerado de seres, de fenómenos, de mistérios. O ser humano é, porventura, no campo do que já se conhece, o mais evoluído de todos, aquele que, verdadeiramente, constrói, destrói, desenvolve e desfruta de uma cultura, desde logo, na sua própria educação, formação ao longo de toda a vida, sem que alguma vez se sinta plenamente realizado, feliz, todavia, poderá encontrar alguma tranquilidade, uma sensação de bem-estar, de conforto material e espiritual.
Se assim for, então, parta-se da aceitação de que a Paz deve começar em cada pessoa e depois, qual vento circulante, expandir-se para as outras pessoas, cada uma destas, igualmente se esforçando por construir a sua própria Paz, continuando a envolver sempre mais pessoas, povos e nações. Resulta que a grande estratégia será a soma das “Pazes” individuais para se erigir a Paz Mundial, porque é necessário o contributo de todos, em liberdade e com responsabilidade.
Com efeito: «A Paz é a prática da consciência plena, a prática de estar ciente dos nossos próprios pensamentos, das nossas ações e das consequências das nossas ações. A consciência plena é simultaneamente simples e profunda. Quando somos plenamente conscientes e cultivamos a compaixão da nossa vida diária, diminuímos a violência a cada dia que passa. Temos um efeito positivo na nossa família, nos amigos e na sociedade» (HANH, 2003:11).
Este valor inestimável, procurado pela esmagadora maioria das pessoas, povos e nações, encontra sempre imensos obstáculos, porque a Paz tem de começar a existir no espírito de cada indivíduo, é ele que tudo deve fazer para “contaminar” os outros, qual bola de neve ou, no pior dos sentidos, qual “pandemia”.
Enquanto não forem erradicados objetivos individuais de puro egoísmo, do poder-pelo-poder, de domínio arrogante, prepotente, ditatorial e desumano; enquanto predominar o Ter sobre o Ser; a perseguição sobre a reconciliação; a vingança sobre o perdão; a hipocrisia sobre a lealdade; a ambiguidade sobre a solidariedade, a Paz é, praticamente, uma utopia.
Claro que toda a utopia, mais tarde ou mais cedo, ao longo da História da Humanidade, pode-se tornar realidade, tudo dependendo da determinação de cada pessoa em “lutar” pela sua própria utopia, pela Paz e ajudar os seus semelhantes a conquistar e praticar este supremo bem.
É fundamental que se tenha a coragem, e também a humildade, de se autoavaliar, reconhecer que se errou, corrigir tudo o que intencionalmente, ou não, foi realizado para prejudicar outras pessoas, para humilhar, desconsiderar, magoar e desgostar. Enquanto esta situação perdurar em cada pessoa, ela não terá Paz consigo própria, logo, não está em condições de contribuir para uma verdadeira Paz alargada a toda a gente.
Portanto, é condição “sine qua non” que se comece por avaliar o grau de culpabilidade na ausência da Paz individual porque: «A verdadeira culpa é o remorso que sentimos quando magoamos aqueles que amamos; ela nos faz ter vontade de corrigir as coisas no nosso relacionamento com os outros. A falsa culpa é o medo da punição que está mais ligada à necessidade de nos protegermos depois que fazemos algo errado. A falsa culpa raramente beneficia o nosso relacionamento com os outros. Na verdade, ela em geral nos prejudica e nos torna pessoas de convivência mais difícil.» (BAKER, 2005:79).
No início de cada ano, mais concretamente, no dia 01 de janeiro, dia de Ano Novo comemora-se uma efeméride relativa ao “Dia Mundial da Paz”, os apelos à Paz vêm de todos os quadrantes: religiosos, políticos, económicos, empresariais. Considera-se, então, naquele dia, a Paz como um desígnio universal, a alcançar e consolidar.
A realidade é bem diferente porque: «Todos nós sonhamos com uma vida melhor, uma sociedade melhor. Contudo, tornou-se difícil passar um dia que seja sem nos desiludirmos, sem nos sentirmos desapontados, sem nos sentirmos sugados pelas pessoas mesquinhas e egoístas que nos rodeiam. Parece que uma grande maioria das pessoas só está interessada nos seus ganhos pessoais. Tornaram-se rudes e arrogantes, críticas e insensíveis. As suas acções não só nos deprimem, como também nos fazem sentir que não podemos fazer nada para mudar este estado de coisas e que apenas os que estão no poder têm capacidade de fazer a diferença.» (BRIAN, 2000:138).
Seguramente que a Paz é um bem supremo, um valor, um desígnio, enfim, eventualmente, o bem último a que o ser humano aspira e que persegue, incessantemente, até nas expressões mais simples como: “Deixem-me em Paz” se confirma este desejo universal. Mas a Paz é um objetivo difícil de alcançar, não necessariamente porque o ser humano não tenha inteligência, e meios para dela se aproximar, mas porque os conflitos internos em cada pessoa, estão sempre latentes.
Evidentemente que nenhuma das posições individuais – pessimismo – otimismo – quando exageradas poderá conduzir, com segurança, à Paz, mas, provavelmente, um otimismo moderado, realista, racional e também com um pouco de sentimento e emoção, ajuda imenso, pelo menos a acreditar, a ter fé na possibilidade da Paz, com todos os outros valores, e oportunidades que ela proporciona no mundo.
Seguramente, não um otimismo santificado, ingénuo e “cor-de-rosa”, porque este pode levar ao desespero, na medida em que o mundo, indiscutivelmente, não é fácil, nem imutável e, muito menos, girando à volta de cada pessoa, de cada interesse. O mundo tem “esquinas muito pontiagudas”, “espinhos venenosos”, e “alçapões sem fundo”, por isso é importante ter-se em atenção esta e outras realidades.
A estratégia para a Paz passa, portanto, pelo otimismo racional, realista, com emoção, sentimento e entusiasmo e, nesse sentido: «Não nos detenhamos na imagem Épinal (Épinal é uma cidade situada no nordeste da França, capital do departamento de Vosges, na região Lorena. A cidade é atravessada pelo rio Mosela. Épinal é a cidade de nascimento de Émile Durkheim e de Marcel Mauss) do otimismo beato. Por trás desse cliché de que gostamos de troçar esconde-se um grande número de qualidades: a esperança, a determinação, a faculdade de adaptação, a lucidez, a serenidade e a força de caráter, o pragmatismo, a coragem e até a audácia, outras tantas qualidades que se encontra no soukha, a verdadeira felicidade». (RICARD, 2003:180).
Está identificado, a partir da determinação da pessoa, o rumo a seguir para se chegar ao bom porto da Paz. Um rumo que será estimulante de se perseguir, desde já com a força da solidariedade entre todas as pessoas de boa-vontade, porque, afinal, a solidariedade dever ser: «Entendida como sentimento de fraternidade, de adesão, de felicidade e de compreensão que nos impele a cuidar, apoiar e animar mutuamente, é uma força natural que incute confiança, segurança, esperança e fomenta uma perspectiva mais comunitária do mundo menos individualista.» (MARCOS, 2011-122). Sim, a Paz é possível, assim a queiramos todos unidos. Mãos à obra e Paz para todos.

Bibliografia

BAKER, Mark W., (2005). Jesus o Maior Psicólogo que já Existiu. Tradução, Cláudia Gerpe Duarte. Rio de Janeiro: Sextante.
BRIAN L. Weiss, M.D. (2000). A Divina Sabedoria dos Mestres. Um Guia para a Felicidade, alegria e Paz Interior. Tradução, António Reca de Sousa. Cascais: Pergaminho.
HANH, Thich Nhat, (2004). Criar a Verdadeira Paz. Cascais : Pergaminho
MARCOS, Luís Rojas, (2011). Superar a Adversidade, O Poder da Resiliência. Tradução, Maria Mateus. Lisboa: Grupo Planeta.
RICARD, Matthieu, (2005). Em Defesa da Felicidade. Tradução, Ana Moura. Cascais: Editora Pergaminho, Ld.ª
Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
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domingo, 17 de maio de 2020

Argumentos para o Sucesso

Regras, princípios, valores, sentimentos e comportamentos, são alguns dos ingredientes para se tentar ultrapassar metas, conseguir objetivos e traçar novos projetos. Àqueles se adicionam determinadas faculdades pessoais como: criatividade, capacidades físicas, cognitivas, confiança, determinação, fé e, por que não, alguma sorte. O sucesso na vida está sempre ligado a tais ingredientes e faculdades, sem o que, não parece possível que seja alcançado.
Desde já se considera importante uma atitude interior e também exterior de confiança, na medida em que: «Confiar implica abrir mão das nossas defesas e controlos, colocar os nossos recursos à disposição do outro e acreditar que ele não se utilizará disso para levar vantagem sobre nós, nem nos prejudicar. Significa acreditar nos discursos e promessas que nos fazem e isso é tudo o que não queremos (…). A desconfiança isola as pessoas, impede que experimentem e arrisquem, restringe a sua expansão (…). No âmbito individual, a confiança predispõe a sonhar com objetivos mais elevados, ousar, enfrentar desafios, assumir riscos, desenvolver-se, expandir-se.» (NAVARRO e GASALLA, 2007:15).
O êxito, qualquer que seja a dimensão humana, é um bem que se adquire através da tomada de consciência de cada pessoa em particular, no sentido de ela própria se saber autoavaliar. Para o efeito: «Devemos entender a consciência como um processo de conhecimento, opção e ação que implica melhoramento e aprendizagem contínuos (…). Hoje exige-se de todos nós uma maior consciência do que somos e do que acreditamos.» (NAVARRO, 2000:114).
A responsabilidade da consciência bem-formada é, portanto, fundamental para o sucesso da existência humana em geral, e de cada pessoa em particular. Por exemplo: uma consciência cívica nacional, relativamente ao exercício de deveres e direitos, no desempenho de cargos públicos ou privados, estes, porém, ao serviço das comunidades e das pessoas, é condição para um desenvolvimento sustentável que conduz à felicidade, na perspectiva, e no conceito, de uma melhor qualidade de vida para a sociedade.
Neste “caldo” de ingredientes para o sucesso, também se deverá incluir a dimensão ética do ser humano, desde logo para um comportamento verdadeiramente digno da condição da pessoa humana. Com efeito, torna-se necessário refletir e agir em conformidade, nomeadamente: «Sei quem sou …, respeito-me. Essa consciência de mim mesmo resulta, inevitavelmente, numa maior consciência do outro e num comportamento definido pela ética.
Se quero ser ouvido, consultado, aceite, reconhecido, preciso, antes de mais devo ouvir, consultar, aceitar e reconhecer o outro. Essa é a base do diálogo e das parcerias bem-sucedidas. Se estou efetivamente determinado a conseguir melhor qualidade de vida para mim e para aqueles que amo, certamente terei um comportamento ético, de respeito pelo mundo em que vivemos e pelos seus habitantes. Nesse sentido a ética associa-se à cidadania.» (ibid.:115).
Convém não ignorar que o êxito é tanto mais reconhecido e aceite, quanto mais humilde e grato for quem o alcança. Humildade e Gratidão andam sempre de “braço-dado”, são duas virtudes, das maiores, que só dignificam quem as possui e, sem complexos nem vergonhas, as exterioriza e aplica na sociedade.
É pela humildade que melhor se compreendem certas situações. Esta magnífica virtude, também conduz à solidariedade, à amizade e à lealdade, e que, em “cúmulo axiológico” fortalecem as atitudes de gratidão, e proporcionam ensinamentos de vida, que não se aprendem em nenhuma escola.
Na verdade, e a partir daqueles valores, constata-se que: «Por trás das nossas perdas estão ganhos e lições de valor incalculável, que as nossas deceções e frustrações propiciam crescimento, que as pessoas que mais nos prejudicam são os nossos melhores mestres e que diante de cada situação devemos sempre perguntar: o que tenho de aprender com isto?» (Ibid.:116).
Muitas são as virtudes, os valores e até os sentimentos que podem contribuir para o sucesso, porque o ser humano constrói-se ao longo da vida das pessoas, dos povos e das nações. O sucesso é transversal a toda a sociedade, e quanto maior ele for, em todas as dimensões da pessoa humana, tanto melhor se viverá num mundo tão complexo, quanto difícil. O sucesso mundial passa pelos êxitos individuais e, neste sentido, cada pessoa terá de saber exercer, com rigor, com honestidade e com determinação as respetivas funções, desde logo, no quadro do relacionamento interpessoal.
Na relação pessoal entre pessoas, que se respeitam, se consideram e se estimam, é necessária uma atitude de cada uma delas saber colocar-se no lugar da outra, para assim melhor compreendê-la e ajudá-la. Com efeito: «Desde o princípio dos tempos, todos os grandes mestres da humanidade pregaram o amor e a compreensão nas nossas relações e nas nossas comunidades. Não desperdiçaram o seu tempo a instruir-nos sobre o modo de acumularmos um excesso de bens materiais; não nos ensinaram a sermos maldosos, egoístas, rudes e arrogantes.» (BRIAN, 2000:139).
As manifestações e boas práticas de sentimentos nobres, como o amor, a compaixão, a caridade, entre outros, só dignifica quem os possui e, indiscutivelmente, ajuda quem deles precisa, o que vai contribuir para o sucesso das partes assim envolvidas, porque quando se fala em êxito, em ganhar, em vencer, pode-se considerar que neste resultado final, também entram elementos de natureza imaterial, como os princípios, os valores, os sentimentos e as relações interpessoais, que à voltam deles giram.
Na caminhada para o sucesso, que toda a pessoa deseja fazer e atingir bons resultados, um requisito é fundamental: ser-se honestamente competente. É necessário que tudo o que tiver de ser perfeito, para se alcançar o sucesso, deve pressupor exigência, rigor, afinal, competência: seja na execução de funções práticas, concretas, mensuráveis; seja na aplicação assertiva, íntegra e firme de valores e sentimentos, considerando que estes se enquadram em contexto abstrato, próprios de cada pessoa, ou seja: os valores e os sentimentos não são mensuráveis, nem iguais em duas pessoas, mas são determinantes para o êxito.
Como nota final, talvez meditar um pouco sobre a influência de determinadas atitudes no alcance, ou não, do sucesso: «O Dinheiro, faz homens ricos; o Conhecimento, homens sábios; e a Humildade, faz grandes homens. Existem pessoas que não tem absolutamente nada, mas porque ocupam um determinado cargo em alguma grande, média ou pequena empresa, acham-se no direito de se sentirem superiores aos demais.
Em bom rigor são pequenos e só conseguem sentir-se grandes, humilhando, pisando, ridicularizando o seu semelhante, isso está sendo plantado em muitas empresas e o que colhem são pessoas amargas, doentes e determinadas a vencer a qualquer preço. Na verdade, se tornam pessoas infelizes e incapazes de realizações simples. "Não é riqueza ou o dinheiro que nos trazem felicidade, e sim a interpretação da vida.» (Autor Desconhecido, 2012).

Bibliografia.

BAKER, Mark W., (2005). Jesus o Maior Psicólogo que já Existiu. Tradução, Cláudia Gerpe Duarte. Rio de Janeiro: Sextante.
BRIAN L. Weiss, M.D. (2000). A Divina Sabedoria dos Mestres. Um Guia para a Felicidade, alegria e Paz Interior. Tradução, António Reca de Sousa. Cascais: Pergaminho.
NAVARRO, Leila e GASALLA, José Maria, (2007). Confiança. A Chave para o Sucesso Pessoal e Empresarial. Adaptação do Texto por Marisa Antunes. s.l., Tipografia Lousanense
NAVARRO, Leila, (2000). Talento para Ser Feliz. 10ª Edição. S. Paulo: Editora Gente. Direitos Cedidos para Edição portuguesa à Editora Pergaminho, Ldª., 1ª Edição. Cascais, 2002

Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

sábado, 9 de maio de 2020

10 DE MAIO. DIA DA MÃE NO BRASIL.


O Estatuto Sublime e Dignificante da Mãe

O “Dia da Mãe”: para muitas pessoas, até passa despercebido; para outras, é mais um dia em que os órgãos da comunicação social dão algum destaque; e para outras, é um dia que dedicam à Mãe, com algum convívio, uma possível “prendinha” e, finalmente, há aquelas pessoas que, realmente, este dia apenas culmina outros trezentos e sessenta e quatro de amor, de dedicação e carinho à sua Mãe, não lhes sendo necessário este dia para mostrar que amam aquela que lhes deu a vida.

A condição de Mãe, contudo, por si só, é superior a quaisquer iniciativas para atribuir à “Mulher-Mãe” um dia por ano, para ser recordada, sendo certo que de nada vale tal evento, cerimónias alusivas, discursos muito bem elaborados, com grande eloquência, se depois, ao longo do ano, essa mesma Mãe não tem recursos mínimos para alimentar, educar, agasalhar e proteger os seus filhos.

Quando se interroga uma pessoa, sobre o que pensa, o que faz, o que deseja, relativamente à sua Mãe, as respostas, invariavelmente, e na sua maioria, vão no sentido de se defender o melhor do mundo para a ela, de revelar que se ama aquela Mulher, como a nenhuma outra, e que ela representa o que de melhor pode haver no universo, para aqueles filhos. Claro que não se duvida que ter a Mãe como nossa protetora, confidente e companheira, será o máximo a que talvez possamos (e devamos) aspirar.

Apesar do estatuto de Mãe, provavelmente, entre muitos outros, ser o mais sublime e dignificante para a Mulher, convém não ignorar que, nem todas as mães (como nem todos os filhos), poderão ser motivo de tão distinta honra, porque também existem aquelas (felizmente muito poucas, que são a exceção) que, perante um conjunto de alegadas “razões”, abandonam os seus filhos e, no limite extremo, talvez no desespero, de uma situação complexa, os abandonam ou assassinam

A verdade, porém, é que descontadas aquelas terríveis exceções, a mãe é um fator de estabilidade, de fiel da balança, de moderadora no seio da família, assumindo-se, carinhosamente, como a defensora dos filhos e até do marido, quando a razão está de um dos lados, admitindo-se que, por vezes, se incline um bocadinho mais, na defesa dos filhos, principalmente, dos mais frágeis, o que até é bem compreendido pelo marido, especialmente, quando este ama, sem reservas a esposa e os filhos, quando a coesão, o amor, o respeito e a felicidade da família, são valores consistentes e a preservar.

A todas as Mães do mundo, em geral e, particularmente, às Mães Brasileiras, deixo aqui uma palavra de amizade, também de admiração profunda, pela forma como elas enfrentam a vida, quais GUERREIRAS, numa guerra sem fim. Uma palavra de profunda GRATIDÃO para todas as mães lusófonas. Um Beijinho com muito carinho e respeito, para todas vós.

Continuemos a acreditar: na Fé, na Medicina, na Ciência, na Tecnologia e profissionais, porque são compatíveis. Reforcemos, também a nossa capacidade de resiliência. Tenhamos confiança nestes cinco pilares da existência humana, e naqueles que estão a esforçar-se ao máximo para nos salvar a vida. Boa semana seguindo as Recomendações da Direção Geral de Saúde Portuguesa e acate as instruções legais do Governo para o Estado de Emergência em que nos encontramos. «VAMOS VENCER O VÍRUS. CUIDE DE SI. CUIDE DE TODOS». Festejemos a Saúde, a Vida, o Trabalho e o Amor com alegria e Esperança. Com a ajuda recíproca de todos nós, venceremos

«As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da 
Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte»
CAMÕES, Os Lusíadas, Canto I»


Venade/Caminha – Portugal, 2020
Com toda a minha FÉ, peço a Deus para que possamos sobreviver, a esta PANDEMIA.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal


domingo, 3 de maio de 2020

Mãe: eu te glorifico

Respeitando-se algumas opiniões, segundo as quais todos os dias são dias comemorativos, de um qualquer evento, a verdade é que, na realidade, tal nem sempre se verifica, ou seja: por exemplo, quando se aborda a efeméride relacionada com o “Dia da Mãe”, isso representa ,que para além de todos os dias serem, ou que deveriam ser, dias da Mãe, ainda assim, haverá um, em todo o ano, que se destaca, com  maior relevância  e dignidade merecidas: o tributo que é devido às Mães; e a importância que elas têm nas nossas vidas, independentemente da sua natureza: biológica, adotiva ou aquela que nos cria, educa, protege e defende com amor e carinho.

Quem está minimamente informado, e tem uma formação familiar, assente em bons princípios, valores e sentimentos, sabe muito bem que o papel da Mãe, nesta sociedade pós-moderna, complexa e algo materialista, é fundamental: para orientar os filhos; natural e desejavelmente em conjunto com o Pai; para o casal enfrentar aquela mesma sociedade que, atualmente, é muito pouco tolerante, e bastante fingida, designadamente para algumas pessoas, que não olham a meios para obterem determinados fins, quantas vezes injustos, ilegítimos e até ilegais.
Ser Mãe, neste emaranhado de interesses, conflitos e dificuldades sem fim, é muito complicado, por isso nunca será demais amarmos as nossas Mães, a quem devemos a vida, o maior ou menor conforto, dependendo das possibilidades económico-financeiras que ela possui e, que no dia que lhe é consagrado, a possamos abraçar, beijar e agradecer-lhe o amor que sempre nos dá, não olhando a sacrifícios, inclusive, privando-se, ela própria, quantas vezes, de bens que tanto gostaria de ter, mas que para ajudar os filhos, deles abdica generosa e amorosamente.
A Mãe, muitas vezes, mais do que o Pai, é, quase sempre: o grande baluarte da família; aquela que, à mínima dificuldade não abandona os seus filhos, salvo raras e excecionais situações; a mulher que para além de Mãe é amiga, companheira, parceira, confidente, protetora e cúmplice, por isso, as instâncias governamentais, em vez de retirarem os filhos às respetivas Mães, deveriam avaliar muito bem, ao nível técnico-científico, económico-financeiro e ainda psicossocial, a situação, e só depois tomarem decisões, evitando medidas drásticas, como tantas a que se tem vindo a assistir.
É preciso mais humanismo na análise das circunstâncias em que se encontram muitos agregados familiares. É fundamental dar dignidade à pessoa humana, (veja-se o que já se vem fazendo com os animais, e muito bem, em que o Estado disponibiliza cerca de dois milhões de euros para um projeto de acolhimento de animais abandonados, medida que se aplaude, sem quaisquer reservas mentais), todavia, não se queira colocar ao mesmo nível a pessoa humana, desde logo a Mãe, o Pai os Filhos, enfim, a família, por muito respeito e amizade que tenhamos para com os animais, sejam de companhia ou selvagens até porque nem é isso que está em causa.
         O mundo, quase sem exceções, vive semanas de grande aflição, de medo, de desorientação, porque a pandemia COVID-19 nos apanhou de surpresa, sem estarmos suficientemente preparados. Os infectados e os óbitos são às dezenas de milhares por dia, mas em muitas situações, as nossas mães estão a morrer sem que nos possamos “despedir” delas ou vice-versa. Muitos de nós, que poucas vezes, ou nenhumas, soubemos valorizar a nossa protetora, hoje choramos de saudades ou, quem sabe, de remorsos. Resta-nos pedir a Deus que junto das nossas mães, interceda para que nos perdoe os nossos erros, talvez demasiado egoísta.
Neste “Dia da Mãe”, é nossa obrigação refletir em todas estas conjunturas, acabar com todas as situações humilhantes, em que cerca de dezoito a vinte por cento da população portuguesa vive, estatística e tecnicamente, no denominado “limiar da pobreza”. As pessoas não podem ser colocadas em níveis de indigência, em que têm de lutar por alguma sobrevivência e, em muitos casos, efetivamente, abaixo do conforto e proteção que são concedidos aos restantes animais.

Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

domingo, 26 de abril de 2020

Confiança na Felicidade

As sociedades, que atualmente compõem o mundo contemporâneo, vivem em situações difíceis, independentemente dos estatutos sócio-profissionais e económico-financeiros dos seus membros, excetuando-se, certamente, algumas minorias, detentoras de um qualquer poder influenciador no decurso das vidas das maiorias, embora, e por vezes, tais minorias privilegiadas, também acabem por cair no mundo das muitas desgraças, normalmente: ou por um determinado tipo de abuso do poder; ou porque a ganância as levou a arriscar demasiado, ou, ainda, porque perderam a confiança em valores que sustentavam os seus poderes e intervenções.
A confiança é, portanto, um sentimento ou uma convicção que fortalece as pessoas, para desenvolverem os seus projetos, desempenharem com segurança os diversos papéis que a vida lhes exige ou, ainda, o autoconhecimento das suas próprias capacidades. Sem confiança naquilo em que se acredita, nada se consegue na vida. Sem a confiabilidade recíproca, as pessoas dificilmente se entendem.
O sucesso individual, organizacional, comunitário, societário e universal, pressupõe sempre uma grande participação do elemento confiança. Confiar é uma atitude difícil, num mundo em permanente tensão, mas na verdade, sem esse espírito, pouco ou nada se consegue, inclusivamente ao nível das relações interpessoais, em todos os contextos da vida. A confiança, seguramente que implica outros valores, igualmente fundamentais na boa ligação entre pessoas.
As relações humanas, desejando-se assertivas, pressupõem que as partes envolvidas num qualquer relacionamento, confiem suficientemente, uma na outra, porque sem um tal espírito de abertura, de sinceridade, de lealdade, de reciprocidade, de confiabilidade mútua, de dádiva e de cumplicidade, jamais se conseguirá atingir uma boa relação.
Por vezes: «Aprendemos a confiar em quem demonstra gostar de nós ou estar aberto para nós; é um fenómeno emocional, baseado em empatia, sensações e sentimentos (…). Que bom seria se o mundo fosse assim tão simples; confiar nas pessoas amorosas, não cofiar nas mal-encaradas … o facto é que a realidade é bem mais complicada. Aqueles em quem confiamos às vezes se mostram indiferentes, ou irritados, negam o que queremos, não agem de acordo com a nossa vontade (…). A partir do relacionamento com as pessoas mais próximas, testamos e desenvolvemos um conjunto de comportamentos que geram os retornos desejados.
Conforme crescemos, entendemos cada vez melhor que a confiança não está apenas relacionada com os nossos instintos e sentimentos, mas também com as nossas atitudes em relação aos outros e às dos outros em relação a nós. Entendemos que a confiança se conquista, se inspira e se constrói num plano de interesses em comum, objetivos compartilhados, afinidades de valores, respeito e consideração. É a confiança baseada na razão.» (NAVARRO e GASALLA, 2007:19-20).
Abordar a Felicidade, como uma possibilidade de sucesso para uma vida digna, é uma tarefa árdua, porém, aliciante e que se torna gratificante pelo facto de se tratar de um tema que a toda a pessoa interessa. Quem não deseja ser feliz, à sua maneira, é claro? Até porque: «Todo o homem quer ser feliz; mas para o conseguir, seria necessário começar por saber o que é a felicidade.» (ROUSSEAU, in: RICARD, 2003:11).
Numa abordagem conceptual muito simples a Felicidade poderá considerar-se que existe quando: «Uma Pessoa sente-se em harmonia com o mundo que a rodeia e consigo própria. Para quem vive tal experiência, como passear numa paisagem de neve, os pontos de referência habituais desvanecem-se: além do ato simples de caminhar, nada espera de particular: está, simplesmente aqui e agora, livre e aberto.» (in: RICARD, 2003:14). Claro que a ideia bucólica de Felicidade é interessante, todavia, torna-se necessária uma abordagem mais profunda, sentimental e vivida intensamente.
Refletir sobre a Felicidade revela-se de grande dificuldade, mas viver a Felicidade será algo que transporta a pessoa que a experiencia, para um mundo que se poderia aproximar do transcendental, ou mesmo do sobrenatural porque, provavelmente, a Felicidade pura, que também se desconhece, não existirá, além de que cada pessoa tem o seu conceito deste supremo bem, não havendo, por isso mesmo, uma definição fechada, e ainda bem, porque se houvesse, tal seria redutora para outras concepções e até para uma dimensão supra-universal.
Apesar das dificuldades em conceptualizar a Felicidade, é necessário acreditar que ela existe, é importante confiar nas suas virtualidades, que muitas pessoas dizem ser felizes. É essencial crer na felicidade que, de diversas formas, cada pessoa vive. Sim, porque se há quem se considere infeliz, então, nesta afirmação, está implícito o oposto: a Felicidade existe.
É possível, no meio de tanta indefinição, dúvidas e incertezas, encontrar uma ideia pacífica para descrever a Felicidade, como por exemplo: «A verdadeira felicidade provém da bondade essencial que deseja, do fundo do coração, que cada um descubra um sentido para a sua existência. É um amor sempre disponível, sem ostentação nem cálculo. A simplicidade imutável de um coração bom.» (RICARD, 2003:30).
Há quem defenda que, por um lado: «Não é possível viver feliz se não se levar uma vida bela, justa e sábia, nem levar uma vida bela, justa e sábia sem se ser feliz» (EPICURO, in: RICARD, 2003:242) e, por outro lado: «A ética nasceu como a ciência da felicidade. Para ser feliz vale mais ocupar-se dos outros ou pensar exclusivamente para si?» (LUCA e CAVALLI-SFORZA, in: Ibid.), ou ainda: «Portanto, deve-se renunciar a todo o prazer egoísta – a que não se poderia dar o nome de felicidade – que só se pode conseguir em detrimento de outrem. Em contrapartida convém realizar um ato que contribua para a felicidade de outrem, ainda que no momento o sintamos como desagradável. É certo que por fim ele concorrerá igualmente para a nossa verdadeira felicidade, isto é, para a satisfação de ter agido em conformidade com a nossa natureza profunda.» (RICARD, 2003:243).
Na linha axiológica-racional que se tem vindo a seguir, poder-se-á inferir que a Felicidade é um bem partilhado, na medida em que ela só é possível numa pessoa quando isenta de egoísmo e sempre que envolva, igualmente, a Felicidade de outra ou outras pessoas, ou seja, não se pode desejar a Felicidade própria à custa da infelicidade de outrem e, quando se pugna pela Felicidade, deve-se ter o cuidado, se possível, ajudar que outra ou outras pessoas consigam também ser felizes, sem quaisquer sentimentos ou atitudes de inveja.
Como corolário e ideia central estatística pode-se admitir, como primeira hipótese de trabalho que: «A felicidade aumenta com a intervenção social e a participação em organizações beneficientes, a prática do desporto e música e a pertença a um clube que proponha actividades diversas. Está estreitamente ligada à presença e à qualidade das relações privadas. As pessoas casadas ou que vivem maritalmente são quase duas vezes mais felizes do que os solteiros, os viúvos ou os divorciados que vivem sós.» (Ibid.:217


NAVARRO, Leila e GASALLA, José Maria, (2007). Confiança. A Chave para o Sucesso Pessoal e Empresarial. Adaptação do Texto por Marisa Antunes. s.l., Tipografia Lousanense
RICARD, Matthieu, (2005). Em Defesa da Felicidade. Tradução, Ana Moura. Cascais: Editora Pergaminho, Ldª.

Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal