sábado, 30 de novembro de 2024

PRIMEIRO DE DEZEMBRO. DIA DA RESTAURAÇÃO.

 NOBRES CONFREIRAS/DES. ILUSTRES AUTORAS/RES. ESTIMADAS/OS LEITORAS/RES. PREZADAS/OS AMIGAS/OS.

Antes de mais, espero e desejo que se encontrem de boa saúde, na companhia dos vossos familiares, colaboradores, leitores e amigos verdadeiros. Um excelente domingo, igualmente ambiciono para todas as pessoas e seus familiares. Abraço

«A Restauração da Independência em Portugal comemora-se anualmente no dia 1 de dezembro.

Esta data relembra a ação de nobres portugueses, que a 1 de dezembro de 1640 invadiram o Paço Real e mataram Miguel de Vasconcelos, o representante da Espanha em Lisboa, aclamando D. João, duque de Bragança, como rei de Portugal.

A Restauração da Independência foi o culminar de um período de grande descontentamento por parte da população portuguesa. A população estava descontente com a União Ibérica, entre Portugal e Espanha, que teve a duração de 60 anos (de 1580 a 1640).

A União Ibérica originou problemas à população portuguesa, com sobrecarga de impostos e envolvimento de Portugal nos conflitos de Espanha.

Com a morte do jovem D. Sebastião na batalha de Alcácer-Quibir, Portugal enfrentou um problema de sucessão. Após o insucesso do Cardeal D. Henrique no comando da monarquia, Portugal foi regido por três reis D. Filipes de Espanha, durante 60 anos, período que ficou conhecido por Domínio Filipino.

Feriado Nacional da Restauração da Independência

O dia da Restauração da Independência, 1 de dezembro, é um feriado nacional.

A partir de 2013, como parte de um pacote de medidas que visavam aumentar a produtividade, o governo português tinha decidido eliminar o feriado de 1 de dezembro.» (in:https://www.calendarr.com/portugal/restauracao-da-independencia/


Aproveito a oportunidade desejar um Santo e Feliz Natal, bem como um próspero Ano Novo de 2025, rogando a Deus Saúde, Família, Trabalho, Paz e a proteção Divina.


(in:https://www.calendarr.com/portugal/restauracao-da-independencia/

 

Aproveito a oportunidade desejar um Santo e Feliz Natal, bem como um próspero Ano Novo de 2025, rogando a Deus Saúde, Família, Trabalho, Paz e a proteção Divina.

ILUSTRES AUTORAS/RES. ESTIMADAS/OS LEITORAS/RES. PREZADAS/OS AMIGAS/OS.

Antes de mais, espero e desejo que se encontrem de boa saúde, na companhia dos vossos familiares, colaboradores, leitores e amigos verdadeiros. Um excelente domingo, igualmente pretendo, para todas as pessoas e seus familiares. Abraço

«Sabias que…

no ia 1 de dezembro é feriado nacional, porque se comemora o dia da Restauração da Independência Portuguesa?

Tudo começou em finais do século XVI, com a subida ao trono de D. Sebastião, que em 1578, morreu na batalha de Alcácer Quibir, sem deixar herdeiro para ocupar o trono. Subiu ao trono o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que apenas governou dois anos e em 1580, Filipe II de Espanha foi dentre os pretendentes ao trono, netos de D. Manuel I, o escolhido para rei de Portugal.

Durante 60 anos, viveu-se em Portugal, um período que ficou conhecido na História como «domínio Filipino». Depois do reinado de Filipe I (II de Espanha), veio a governação de Filipe II e Filipe III, que governavam os dois países (Portugal e Espanha), como se fossem um só.

Descontentes, os nobres portugueses (muito embora toda a sociedade se revoltasse contra o jugo espanhol com revoltas e motins que sucediam por todo o país) preparam uma revolta que levam a cabo com sucesso no dia 1 de dezembro de 1640. Com um golpe palaciano prendem a regente, a duquesa de Mântua e matam Miguel de Vasconcelos que atiram pela janela.

Aclamam o duque de Bragança que sobe ao trono como D. João IV, a 15 de dezembro. Terminam desta forma 60 anos de domínio espanhol e Portugal recupera a sua independência.

Podes visitar a exposição de trabalhos, elaborados na disciplina de História pelo 8.º B, na Biblioteca da EB Dr. º Abranches Ferrão.)

in: https://www.aeseia.pt/index.php/escolas/eventos/550-1-de-dezembro-restauracao-da-independencia-portuguesa

 

 

 

 

domingo, 24 de novembro de 2024

CAMINHOS DA LUSOFONIA

Encetar, desenvolver e concluir um diálogo, entre pessoas de culturas diferentes, utilizando, embora, o mesmo idioma, nem sempre é fácil, inclusive, dentro de um mesmo território, na medida em que a significação da palavra, da frase e do texto, no seu todo, terá interpretações e repercussões diferentes, logrando proporcionar reações igualmente diversas, o que, em algumas situações, poderá conduzir aos denominados “mal-entendidos” e, até, a um ou outro conflito.

As relações entre povos de latitudes diferentes, que comungam princípios, valores, e mesmo sentimentos muito específicos, não necessariamente idênticos, de uns em relação a outros, por vezes não produzem os resultados desejados, designadamente, quando o diálogo utiliza uma linguagem excessivamente técnico-científica, ou sub-reptícia ou, ainda, sofismática, isto é, vocabulário que determinadas classes socioprofissionais, político-religiosas, económico-financeiras recorrem, por vezes, para confundirem, ou então, negarem o que lhes convém.

Da experiência recolhida, aquando da passagem por S. Tomé e Príncipe, Angola, Brasil e Moçambique, das investigações realizadas, e das opiniões auscultadas, penso que as relações lusófonas, no seu dia-a-dia, designadamente entre os povos colonizadores e colonizados, na sua esmagadora maioria, entendem-se melhor nos estratos sociais mais baixos, do que nas altas esferas dos diversos poderes.

Em toda a parte do mundo sabe-se que, em geral, o povo anónimo, não será conflituoso, nem agressivo, pelo contrário, é brando, humilde e respeitador, naturalmente, defensor dos seus princípios, valores, sentimentos e dos pergaminhos da sua História, território, língua e cultura. É legítimo e justo.

Os problemas, quase sempre, partem de algumas altas instâncias, por razões de domínio, estratégias, quantas vezes obscuras, para atingirem objetivos e interesses, eventualmente, inconfessáveis, sem que com isso o povo beneficie, do que quer que seja, de resto, em algumas situações, é a parte maioritária da população que mais sofre em muitos aspetos: integridade física, desemprego, doença, fome e morte.

Importa referir que: quer os colonos do século XX; quer os povos colonizados, os quais, na maioria das situações conhecidas, viviam em paz, com abundância de bens de primeira necessidade, acasalamentos por amor, miscigenação, trabalho conjunto, de que resultava um desenvolvimento equilibrado e sustentável, para este povo anónimo que se relacionava, com os alegados invasores, com respeito, sendo, igualmente, considerado e honrado.

Obviamente que esta reflexão não pretende, em circunstância alguma, “branquear” eventuais excessos, que se tenham cometido, durante o período colonial porque, e desde logo, a escravatura, a exploração do homem pelo homem, os maus tratos físicos e psicológicos, certamente ocorreram em muitas partes dos territórios ocupados, todavia, e ainda durante a permanência dos colonos portugueses, um processo revanchista, também terá sido implementado, não pelo povo anónimo, humilde e sacrificado que, entretanto, já suspirava de saudade e receava por piores dias, como de facto veio a acontecer, no pós-descolonização, em algumas ex-colónias, devido às guerras civis, entre os movimentos políticos, a situação piorou radicalmente.

Portugal, graças à iniciativa dos “Capitães de Abril”, e o apoio incondicional do povo anónimo, desencadeou uma Revolução para derrubar um regime ditatorial que, durante quase cinquenta anos, mais exatamente, quarenta e oito anos: oprimiu os portugueses e os povos colonizados; perseguiu, prendeu, condenou, quantas vezes sem julgamento, nem direito a defesa, milhares de cidadãos; obrigou, praticamente, todos os jovens em idade militar, a irem combater para as então designadas colónias, “defender” interesses e objetivos que não eram os do povo simples e humilde.

Posteriormente à “Revolução dos Cravos”, em 25 de abril de 1974, iniciou-se o processo conhecido pelos “3-D’s”: Descolonizar. Democratizar. Desenvolver, agora no plano nacional. Quanto à primeira fase deste projeto – Descolonizar -, o que hoje, se julga saber, passados mais de quarenta e nove anos, é que a esmagadora maioria do povo: ex-colonos e ex-colonizador, ficou a perder. Os primeiros, porque nunca nenhum Governo os ressarciu dos prejuízos sofridos; os segundos, porque à época, o desenvolvimento, praticamente, estagnou.

Entretanto, instalou-se a guerra civil entre os Movimentos de Libertação. A destruição de bens como: infraestruturas, serviços e projetos em curso, foi quase total. A morte de pessoas, inocentes e indefesas atingiu proporções alarmantes; durante mais de uma década, principalmente em Angola, Moçambique e Timor. O povo anónimo, padecia na pele, o que nunca tinha sofrido durante a vigência do colonialismo, de resto, ainda hoje a miséria, a fome, o subdesenvolvimento, a violência e o atraso estrutural, continuam a grassar nessas ex-colónias, para uma parte significativa das respetivas populações.

Por outro lado, os Portugueses, da então denominada Metrópole, começaram a ser perseguidos, saqueados e muitos foram mortos, porque cometeram os crimes de: serem colonos brancos; investirem nesses territórios o que venderam em Portugal; contribuírem para o desenvolvimento das colónias. As nossas Forças Armadas, cada vez tinham menos poder, acabando por se retirarem, digamos que à pressa, dos territórios coloniais, como que a fugirem para não serem massacradas, uma debandada que, em certas situações, teria sido humilhante.

O retorno à ainda então Metrópole, dos civis nacionais e africanos autóctones, que desejaram vir, e tornarem-se portugueses, tinham esse direito, indiscutivelmente, foi uma vergonha, pese embora as “pontes aéreas” e a navegação marítima, que proporcionaram a fuga, quase desordenada, de centenas de milhares de pessoas, estimando-se que mais de meio milhão tenham sido obrigadas a fugir, daquele “inferno” da guerra civil, saques e assassinatos.

Milhares de Portugueses, oriundos da então Metrópole (Portugal Continental) venderam todos os seus bens que possuíam, para investirem nas então províncias ultramarinas, porque governos irresponsáveis, demagógicos e prepotentes, afirmaram, ao longo dos séculos, que aqueles espaços eram território nacional, parte integrante de um alegado Império, que se desmoronaria como um castelo de areia.

Em boa verdade, alguns governantes tinham a obrigação de saber que, mais cedo ou mais tarde, Portugal seria pressionado a entregar as suas ditas colónias, aos povos que nelas nasceram e habitavam, de resto, isto mesmo já tinha acontecido com a independência do Brasil, em 07 de Setembro de 1822, porém, pacificamente, sem derrame de sangue, e sem que fosse necessário expulsar os Portugueses, pelo contrário, o povo Brasileiro, e muitos dos seus governantes, ainda acolheram milhares de Lusitanos, que desejavam fazer vida e futuro naquele maravilhoso país.

Considero da mais elementar justiça ético-moral, publicar uma referência elogiosa ao Brasil, na medida em que nunca abandonou o idioma de Camões, ao qual imprimiu uma melodia que a todos, ainda hoje, nos encanta. Povo humilde, hospitaleiro e culto. No âmbito da Lusofonia, poder-se-á afirmar que o Brasil, com 200 anos de independência, tem sido um irmão leal e amigo do seu “mano mais velho”.

A propósito, Camões convida-nos a manter esta união literária, idiomática e cultural e o que verificamos hoje, no primeiro quarto do século XXI, no que respeita à emigração de brasileiros para Portugal, o mesmo já aconteceu no passado, de forma inversa, por isso, os Portugueses têm a obrigação moral, fraterna, ética e legítima, de receber os seus irmãos do Atlântico Ocidental.

Outras grandes potências colonias: Inglaterra, França, Espanha, Holanda, cedo verificaram que os territórios que também tinham ocupado, ilegitimamente, não lhes pertencia e, inteligentemente, concederam as respetivas autonomias, sem grandes conflitos. Portugal, nada aprendeu com os bons exemplos do passado, e dessas potências.

Obviamente que se sabia que Portugal não tinha condições para: por um lado, manter um Império com territórios tão vastos, longínquos e distantes uns dos outros; por outro lado, as cúpulas dos Movimentos de Libertação, organizavam-se e lutavam pela autonomia, apoiados pelas grandes potências mundiais, principalmente: Rússia, China e América.

A independência dos povos africanos era, portanto, aos olhos do mundo democrático, justa, legítima e legal, para além de desejada pelos mais altos dirigentes, apesar do povo anónimo, ao que se julgava, não estar bem esclarecido quanto ao futuro que os poderia esperar e que, como se viria a verificar, durante longos anos, foi de uma autêntica tragédia humana, social, económica e cultural.

Decorridos mais de quarenta e nove oito, no que aos então rotulados de “Retornados” diz respeito, a sua integração no território nacional fez-se paulatinamente: com bastantes dificuldades para uns e, também, muitas facilidades para outros, em função das atividades que desempenhavam no alegado “Ultramar”, porque se verificou a colocação de muitos em bons empregos; a instalação de milhares de pessoas em hotéis e pensões; outros, porém, junto com familiares, recebendo algum apoio monetário; finalmente, havia aqueles que, devido à idade e a terem vendido tudo em Portugal, valeu-lhes a família e amigos.

Quanto aos africanos autóctones, que decidiram permanecer nas suas terras, a esmagadora maioria, não terá beneficiado, rigorosamente nada, com a descolonização e correspondente independência dos seus países. Os conflitos, mais ou menos latentes, entre os Movimentos de Libertação e altas individualidades, civis, políticas e militares continuaram, a miséria aumentaria exponencialmente, fora das grandes cidades: a subnutrição, a fome, o analfabetismo e o inerente obscurantismo, ainda grassam.

Tive a oportunidade de conhecer quatro países que foram colonizados por Portugal: S. Tomé e Príncipe, Angola, Brasil e Moçambique. Os três últimos detentores de imensas riquezas: petróleo, gás natural, ouro, diamantes, madeiras, produção agropecuária desenvolvida, contudo, o fosso entre os extremamente ricos e os imensamente pobres é, quase, infinito, inaceitável, injusto, imoral, provavelmente, ilegal.

É claro que sempre houve, em todo o mundo, e ao longo dos tempos: ricos, remediados e pobres, todavia, quando se faz uma revolução é para melhorar as condições e qualidade de vida do povo, em todos os sentidos. Isso não se conseguiu, ainda, nas ex-colónias, nem em Portugal, embora no território de Camões, tenha havido melhorias significativas, mas ainda insuficientes.

Portugal, um recanto tranquilo da Europa Ocidental, “à beira-mar plantado”, como dizia o poeta, em plena terceira década do século XXI, ainda há cerca de 17 por cento da população, a maioria, idosa, a viver no limiar da pobreza, com pensões e reformas equivalentes a menos de quinze euros por dia, em milhares de situações, isto para não invocar as ainda centenas de milhares de desempregados, sem quaisquer apoios, e milhares de jovens e adultos que tiveram de emigrar.

Corresponderá toda esta situação, em Portugal e nas ex-colónias, aos projetos que os nossos “Capitães de Abril” de 1974 e o Povo anónimo de então, tanto desejavam, e que acalentou esperanças na realização do programa apresentado à época: “3-D’s”: Descolonizar, Democratizar e Desenvolver”? Continuemos, contudo, a acreditar que, mais cedo ou mais tarde, um “D. Sebastião” surja no horizonte, que, finalmente, as mulheres e os homens responsáveis pela condução dos países, sejam iluminados e lutem pelo bem-comum!

Acreditamos que a situação, em vários domínios da vida nacional, está a melhorar, paulatinamente apesar de cada vez haver mais ricos e a pobreza não descolar de elevadas taxas na população. Apesar de tudo, nota-se que a partir do ano de dois mil e dezasseis, as estatísticas com repercussões no tecido empresarial e social, têm vindo a revelar alguns sinais de uma recuperação económico-financeira realista, que permitirá encarar o futuro com mais otimismo.

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

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Venade/Caminha – Portugal, 2024

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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domingo, 17 de novembro de 2024

AMOR, IMPLICA HONORABILIDADE.

 É, provavelmente, um dos sentimentos mais nobre, altruísta, rigoroso e exigente, que importa construir, alimentar, consolidar e preservar, principalmente, quando é verdadeiramente sincero, vivido com entusiasmo, alegria e felicidade total, entre aqueles que se amam, independentemente do estado civil, sem, contudo, se abdicar das convicções mais profundas, princípios, valores e outros emoções que, todavia, não colidam com os superiores desígnios, a que pode conduzir o amor, que, afinal é uma inebriante ventura para os apaixonados.

Quando duas pessoas se amam, ou até mesmo se gostam, verdadeira e incondicionalmente, é óbvio que devem adotar comportamentos recíprocos: de solidariedade, amor e/ou amizade, lealdade, cumplicidade, respeito, confiança mútua e comunhão de objetivos, para conseguirem uma vida feliz a dois, por isso, todos os cuidados serão poucos para garantir uma estabilidade duradoura, numa relação amorosa, ou de amizade, sem reservas nem complexos.

Um amor sincero, e/ou uma amizade verdadeira, entre duas pessoas, que realmente nutrem um desses sentimentos, uma pela outra, devem colocar a respetiva relação no topo das suas prioridades, eliminando tudo o que a possa prejudicar, incluindo, se necessário, determinado tipo de contactos, companhias, convívios, ou simples encontros de alegada cortesia e insinuada boa-educação.

Com efeito, a Probidade é uma arma poderosa para proteger uma relação de amor, ou de amizade, por exemplo, no matrimónio, de tal forma que: tanto a mulher como o homem, devem evitar, ou mesmo afastar-se de certas companhias, ou até de antigos e “prestáveis” amigos, principalmente quando tais pessoas têm um comportamento duvidoso, nos domínios da ética, da moral, da reputação pessoal, profissional e social, no seio da comunidade em que se integram.

O amor, também a amizade, quando verdadeiramente incondicionais, impõem regras, que por vezes originam: dor, mágoa, sofrimento e desilusão, mas também proporcionam imensa felicidade, bem-estar espiritual e uma grande serenidade, por isso, e quando assim é, vale a pena abdicar de certas situações que, determinadas pessoas nos podem causar, levando a um desconforto e comprometimento difíceis de explicar, perante a pessoa que nos ama, ou que gosta de nós e que, retribuímos com idêntica sinceridade e intensidade.

A título, meramente ilustrativo, elabore-se uma breve história: «Um homem ou uma mulher, casados, responsáveis por uma família, com filhos, que na ausência do outro cônjuge se encontra, em local fechado, na penumbra do espaço de uma casa, aí permanecendo horas e horas, sendo que um dos dois, poderá ser uma pessoa solteirona, supostamente muito “vivida” mas com reputação duvidosa.»

Numa situação destas, a pessoa que é casada, que diz amar o seu cônjuge, de certa forma estará a cometer uma grande leviandade, eventualmente, a colocar em perigo o seu próprio casamento, a envergonhar a sua família e, se tiver filhos, a humilhá-los e a estigmatizá-los, talvez para o resto da vida.

O amor inequívoco de uma mulher para com outra pessoa, como também a amizade, são incompatíveis com determinadas atitudes e situações, com o relacionamento com alegados “amigos” que, no seio da sociedade, e não só, têm uma vida depravada, de pornografia, talvez também de pedofilia, noitadas, prostituição, álcool, drogas e tudo o mais que uma “criatura-bestial”, possa adquirir ao nível dos maus hábitos e vícios. O mesmo vale para o homem casado, quando acompanha uma mulher com aquelas caraterísticas. Seguramente que o fim, a curto, médio ou longo prazos, não poderá ser bom

A sociedade de hoje é extremamente vulnerável e, simultaneamente, exigente e crítica, desde logo com o recurso às redes sociais, onde as pessoas colocam, indiscriminadamente, todo o tipo de imagens, frases, comentários, insinuações, “entrelinhas”, malevolamente direcionadas, atingindo, assim, valores essenciais da dignidade humana.

É possível, atualmente, através de rápidas investigações, ter-se uma ideia dos “gostos” e “preferências” das pessoas, mesmo que elas afirmem o contrário, isto é: quando declaram que o que escrevem, comentam e fotos que inserem, não corresponde ao que realmente elas são; outras dizem que as redes sociais servem para se divertirem, não para revelarem as suas personalidades, princípios, valores e sentimentos.

Então, se assim é, trata-se de pessoas “exibicionistas”, “engraçadinhas”, “levianas” “machistas” ou “feministas”, talvez uma tentativa de afirmação, porém, infelizmente, pela negativa, pelo nível educacional e cultural mais baixo que existe, pela falta de civismo e formação, por uma ausência de um carater reto, o qual implica respeito por quem frequenta tais redes e, principalmente pelos familiares e amigos, porque afirmar que só me “visita no meu perfil quem quiser” é um argumento de quem se julga no direito de divulgar tudo o que lhe apetece, porque as redes sociais são públicas, logo, o acesso é livre.

Ninguém ignora que nas pequenas comunidades, há um conhecimento, naturalmente, relativo: da vida de cada pessoa; dos lugares que frequenta; dos hábitos/vícios que tem; das companhias com quem se relaciona; os amigos que lhe são mais próximos; enfim, muitos outros aspetos da vida privada e pública.

Ora, acontece que quando se ama, se tem amizade, se gosta de alguém, isso implica a maior Respeitabilidade possível que, no limite, pode levar ao corte de contactos e convivência com pessoas que, de alguma forma, prejudicam a relação com a pessoa que amamos, ou por quem temos amizade. No fundo, trata-se, até, de um comportamento de solidariedade, de lealdade, de estar do lado certo, porque, em boa verdade, é desaconselhável, e não parece coerente, estar-se “com Deus e com o Diabo” ao mesmo tempo.

Quando queremos afirmar, claramente, o nosso amor, ou amizade para com outra pessoa, que também temos a certeza que nos ama, ou gosta de nós, e temos conhecimento que determinadas relações, pela sua natureza, comportamento, hábitos, vícios, falta de idoneidade e caráter, dessa outra pessoa, não são do agrado daquela que efetivamente amamos ou gostamos, devemos afastarmo-nos, porque, de contrário, estamos a ser desleais, a negar o amor ou amizade que dizemos ter pela primeira, podendo esta sentir-se traída, ofendida e humilhada.

Saber escolher os amigos, as companhias que nos ajudam a ser felizes, é uma exigência que o amor verdadeiro para com o nosso cônjuge, ou uma amizade sincera para com um amigo autêntico, nos impõe, por isso, é necessário avaliarmos muito bem a vida, as ocupações, os gostos, a formação ético-moral de quem desejamos para amigo, para nos acompanhar, para tomarmos uma bebida, em público ou em privado, sem que isso afete a nossa dignidade e reputação pessoais.

O amor e/ou a amizade, para serem genuínos, requerem, permanentemente, uma assumida Probidade, a rejeição firme, de tudo e de todos, que possam prejudicar a relação amorosa e/ou de amizade porque, tal como diz o adágio secular: “À mulher de César não basta ser séria; também tem de o parecer”, ou ainda: “Diz-me com quem andas; dir-te-ei quem és”. Esta filosofia popular, com as devidas adaptações, vale, igualmente, para o homem

Atualmente, a sociedade é composta, aliás, como sempre, apesar de hoje, parecer mais do que nunca, por jogos de interesses, relações fáceis, cínicas e dissimuladas, quantas vezes com objetivos inconfessáveis e, neste contexto, é relativamente simples a um indivíduo, ou a uma mulher, prosseguir fins que visam a satisfação de “apetites naturais”, destruindo relações matrimoniais, conduzindo à estigmatização da família, com repercussões negativas irreparáveis nos filhos, à violência doméstica e não só, no limite, ao homicídio ou suicídio,

Amor autêntico, amizade genuína, ambos incondicionais: envolvem grande reserva de comportamento, de atitudes; impõem Probidade total, porque não haverá muitas mais formas de se alcançar a felicidade e/ou o afeto a dois, a proteção, a cumplicidade, a solidariedade e a lealdade, porque são muitos os valores e sentimentos em jogo, para se trocarem por uma simples relação, quantas vezes com predadores/as, que é o que melhor sabem fazer, normalmente com pessoas fragilizadas, imprudentes ou que não têm respeito por quem as ama ou delas gosta.

A vida é demasiado curta para a desperdiçarmos com relações de oportunismo, com pessoas para as quais temos importância enquanto lhes proporcionamos um qualquer benefício e, quando já não temos a “utilidade”, nem a influência, nem o poder, que no passado ostentávamos, aquelas que se diziam nossas amigas, rapidamente nos viram as costas.

Por isso, os autênticos e incondicionais amigos, hoje em dia, são muito poucos, são aqueles que nos manifestam a sua Honorabilidade, que a colocam, sem reservas, ao nosso inteiro dispor, nada exigindo em troca, para além da solidariedade, amor e/ou amizade, lealdade, reciprocidade, cumplicidade e estar sempre do nosso lado, sem quaisquer “jogos duplos” com aqueles que, de alguma forma, já nos ofenderam, humilharam ou se serviram de nós, para satisfação de interesses mesquinhos e inconfessáveis. 

  

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

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Venade/Caminha – Portugal, 2024

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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domingo, 10 de novembro de 2024

SABER E PODER, NUMA POPULAÇÃO A CRESCER.

O desenvolvimento científico e tecnológico em curso parece não ter limites e a velocidade com que avança é impressionante. Por exemplo: o que ontem parecia duradoiro, ou até mesmo definitivo; hoje, está ultrapassado, o que coloca em causa uma pretensa e reiterada verdade, sobre um qualquer assunto, acontecimento, equipamento, descoberta, entre muitas outras situações.

Atualmente afirmar-se que se tem uma cultura atualizada, pode revelar uma posição muito presunçosa que convém evitar, nomeadamente a nível tecnológico, porque não se pode ignorar que se por detrás da tecnologia estará a ciência, não é menos verdade que aquela facilita a investigação, portanto, uma e outra, afinal, complementam-se.

Há quem afirme, com convicção: «A cultura tecnológica, que de forma tão radical mudou o nosso ambiente, tem as suas origens nas pesquisas científicas. Essas pesquisas têm sido e são, ainda, o que de mais importante e de mais completo e de mais larga visão se fez em matéria de atividade pensadora, entre todas a que nos dedicamos até hoje. Primeiramente as pesquisas serviram para alargar nossos conhecimentos. Em segundo lugar, para reformar o nosso ambiente.» (KERSTIN e ALFVÉN, 1969:125).

O binómio “Ciência-Tecnologia” existe desde há milhares de anos, desde as formas mais rudimentares do passado até às mais sofisticadas do presente. O homem sempre pesquisou, sempre procurou saber mais, não só para melhorar as suas condições de vida, como também para obter poder e domínio sobre os demais concidadãos, porque o adágio popular refere precisamente: “Saber é Poder”.

É sabido que, por exemplo: «uma descoberta que ameaça toda a humanidade dá muitas vezes grandes vantagens ao descobridor, ao seu laboratório e ao seu país. Essas vantagens, a curto prazo, em regra, sobrepõem-se aos efeitos negativos a longo prazo, uma situação que envolve um dos perigos mais fundamentais para o nosso futuro. Compram-se vantagens pessoais, locais ou nacionais, e por elas paga-se um preço que é uma situação de perigo cada vez maior para todos.» (Ibid.:134).

É claro que é impossível que uma só pessoa tenha total capacidade para dominar, com profundidade e atualidade, todos os saberes, mas outro tanto não acontece com os grandes grupos e organizações diversas, que possuem meios financeiros, laboratoriais, científicos e técnicos para assumirem um poderio local, nacional e mundial, através do qual conseguem atingir objetivos: seja para o bem; seja para o mal, porque, em bom rigor: «O saber, na realidade, está à disposição dos poderosos, e só uma pequena dose poderá servir para nos defender do abuso de poderes. Não é por incapacidade e ignorância nossa que a natureza sofre devastações e é mártir da poluição. (…) Durante a Idade Média, chamava-se à filosofia “ancilla fidei”, “servidora da fé”. Hoje, a pesquisa científica é fiel ao poder e, em regra, é uma servidora silenciosa.» (Ibid.:136).

Aplicar conhecimentos para dominar pessoas, grupos, comunidades, países e o mundo, será cada vez mais difícil, por muitos meios que o detentor do saber e do poder possua, embora se lhe reconheça uma certa vantagem em relação a quem não dispõe de tais recursos. Controlar e dominar uma população terrestre cada vez maior, constitui, eventualmente, uma grande dificuldade, por isso, o melhor caminho a seguir será sempre pelo diálogo, pelo bom senso e pela paz entre os povos anónimos e os dirigentes mundiais

Se houvesse possibilidades económicas e financeiras, situações estáveis de trabalho, serviços de saúde, educação, formação e habitação nas melhores condições de acesso, para todas as pessoas, certamente que neste primeiro quarto do século XXI, o mundo estaria bem melhor e se não houvesse dirigentes que apenas se preocupam com o poder e o domínio sobre os seus concidadãos, então poderíamos ter o “paraíso na terra”, embora este quadro possa parecer uma utopia.

Ao longo da história da humanidade, o ser humano sempre desejou ter, e/ou pertencer a uma família numerosa: «Por isso, nos grandes povos da Actualidade, existe uma longa tradição de fecundidade. Tanto os dirigentes como o povo têm um sentimento profundamente enraizado de que é importante aumentar a população. Esse sentimento existe até mesmo em unidades menores: a família e a seita veem com bons olhos o seu crescimento e consideram como um desastre a sua extinção. Ainda o mesmo sentimento existe entre raças, em escala maior. A maioria deseja que a raça a que pertence aumente em número de indivíduos e em poder.» (Ibid.: 139-140).

Em muitos países, nomeadamente da Europa, Portugal incluído, é importante que haja condições para a formação de famílias estáveis, numerosas, porque a pirâmide etária começa a inverter-se no sentido de cada vez haver mais idosos e menos crianças e jovens, o que, a curto/médio prazo, poderá trazer consequências gravíssimas em vários domínios: sustentabilidade das reformas e pensões; cuidados básicos e especializados de saúde mais solicitados e especializados para uma população muito específica e fragilizada; mão-de-obra cada vez mais escassa e cara, entre outras situações complexas.

A complexidade da sociedade humana é, possivelmente, implica uma gestão muito exigente, rigorosa, humanista e consensual, porque não se ignora uma realidade existente: «O problema da convivência não é apenas uma questão de estabilidade. Se acharmos uma solução estável no sentido de poder evitar as catástrofes da guerra e da fome, nem mesmo assim teremos resolvido o problema. Há uma exigência tão importante quanto essa: a de dar a todo o homem, dentro do quadro geral da organização, um ambiente digno de seres humanos. É preciso parar com a atual desumanização da vida.» (Ibid.:155).

O ser humano é das espécies que, tanto quanto a ciência e a técnica nos informam, mais tem evoluído no mundo, todavia, tal progresso nem sempre é direcionado para a melhoria das condições de vida das pessoas, para a valorização permanente e consolidação da sua dignidade e, em muitas situações, o desenvolvimento tem sido a mola real para a destruição de seres pessoas inocentes.

O diálogo entre as diferentes comunidades, políticas, religiões, interesses vários, tem de ser permanente e assente nos princípios do respeito, da confiança e da boa-fé: «Os seres humanos dispõem da capacidade de pensar, uma capacidade suficiente para eventualmente despertar o bom senso da espécie.» (Ibid.:156).

É certo que todas as pessoas têm a sua quota-parte de responsabilidade: seja nos sucessos; seja nos fracassos da humanidade, porque é sempre um dever e um direito, nas suas diferentes dimensões e contextos, pugnarmos por uma sociedade mais justa, tranquila, humanizada, tolerante e cooperante, porque o resultado final beneficiará toda a população em geral.

Imputar responsabilidades culposas, a uma determinada camada da sociedade quando os projetos correm mal e conceder a outros estratos os louvores quando tudo corre bem, não será justo nem ética e moralmente aceitável, porque afinal, cada pessoa, com as suas competências e oportunidades tem oportunidade para colaborar no sentido do maior e melhor bem para todos, ou seja, para o bem comum.

É claro que, em função das profissões e cargos que as pessoas desempenham e ocupam, respetivamente, na sociedade, assim as poderemos responsabilizar com mais ou menos ênfase, todavia, conceda-se o benefício do mérito a quem de alguma forma revela, por palavras, atos e comportamentos, querer um mundo melhor e, com este desiderato, todos seremos chamados a envolvermo-nos com entusiasmo e determinação.

Admitamos com toda a humildade: «Seria, contudo, injusto atirar a culpa da atual situação mundial na incompetência dos políticos. Todos nós desejaríamos que os principais políticos fossem mais brilhantes que tivessem perspectivas mais largas e que, acima de tudo, desse ao bem-estar de toda a humanidade a mais lata prioridade. Do mesmo modo desejaríamos que todas as pessoas nos cargos de responsabilidade fossem mais sábias e esclarecidas do que são.» (Ibid.:158).

 

Bibliografia

 

KERSTIN e ALFVÉN, Hannes, (1969). Aonde Vamos? Realidade e destinos da humanidade. Tradução. Jaime Bernardes da Silva. S. Paulo: Círculo do Livro S.A.

 

 

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

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Venade/Caminha – Portugal, 2024

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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domingo, 3 de novembro de 2024

HARMONIZAR O INCOMPATÍVEL: MAS COMO?

Numa sociedade em que as preocupações: pelo PODER, pelo TER e pela DESLEALDADE, estão cada vez mais acentuadas, as dimensões opostas: do SERVIR, do SER e da SINCERIDADE são, frequentemente, relegadas para um plano inferior, precisamente porque aqueles princípios e valores não facilitam a ascensão, a qualquer custo, a um determinado e alegado estatuto político-social e estatutário-profissional.

Com alguma frequência, verifica-se que muitas pessoas iniciam e mantêm um relacionamento, durante um certo tempo, designadamente, enquanto conseguem retirar algum tipo de proveito da pessoa com quem mantiveram tal relação para, mais tarde, paulatina e deslealmente, se afastarem, humilhando, magoando e provocando sofrimento, afinal, a quem, até então, esteve solidário e foi amigo verdadeiro e incondicional.

Realmente, é difícil, hoje em dia, “abrir” a consciência, o “coração”, confiar, entregar-se a alguém, com total segurança e receber a indispensável reciprocidade e, por que não, o muito apreciado e de “marca” portuguesa do “muito obrigado”, e, mais difícil ainda, a muito esperada GRATIDÃO. Infelizmente, uma parte, talvez até muito significativa, da sociedade, vai ignorando os mais fundamentais princípios, deveres, direitos, valores e sentimentos para com os seus semelhantes.

A harmonização entre a solidariedade, amizade, lealdade e gratidão para com uma pessoa e a manutenção de diversos relacionamentos, convívios e outros contactos, com outras criaturas, por vezes incompatibilizadas entre estas e aquelas, verifica-se que do ponto de vista intelectualmente honesto, tal não poderá ser possível, porque: ou se agrada a “gregos e troianos”; ou a opção terá que ser para uma das partes, falseando a amizade e a lealdade para com a outra.

As dificuldades em fazer escolhas não são, de facto, custosas, principalmente para quem tem um caráter ambivalente. Na verdade, quando se decide conviver, hipocritamente, com todas as pessoas, interesses e situações, caminha-se, a curto ou médio prazo, para o descrédito. Em contrapartida, para uma personalidade reta, trata-se de uma questão de bom senso, de maturidade, de equilíbrio de princípios, valores e comportamentos a ele inerentes.

É impossível manter, durante uma vida inteira: a máscara da imposturice, do cinismo, o verniz da aparente boa educação e da cortesia bajuladora. Mais tarde ou mais cedo: a “máscara de cera derrete-se”, o “verniz estala” e então surgem: a verdadeira personalidade; o caráter embusteiro; a inautenticidade da pessoa que, durante um certo tempo, se disfarçou para poder enganar tudo e todos, e assim alcançar objetivos inconfessáveis.

Caída a máscara, estalado o verniz, ficam expostas as verdadeiras “mazelas” da pessoa que, enquanto pôde, tentou e, nalguns casos, até conseguiu ludibriar a solidariedade, a amizade e a lealdade de quem nelas acreditou, quantas vezes a família, os amigos e os colegas. As pessoas, assim enganadas, vão ter muita dificuldade em voltar a confiar, a acreditar e a apoiar, quem até então se fazia passar por amigo.

Como é possível, por exemplo, que durante determinado período de tempo, duas pessoas que se diziam amigas especiais, uma delas, todavia, decide manter relações muito estreitas, com outras que sabe serem do desagrado do alegado amigo, até então, considerado especial, íntimo? Afinal, de que lado estará aquela pessoa? Ao lado do amigo especial, solidário, leal, grato, cúmplice, apoiante, ou fazendo uma espécie de jogo duplo, entregando-se às amizades de outros?

É claro que em situações desta natureza, a reação mais provável, compreensível e honesta, é uma grande indignação por parte de quem se considera amigo especial da pessoa que, entretanto, continua a pactuar com outras criaturas, que, de alguma forma, ou por qualquer motivo, não são das amizades, nem do agrado do amigo especial.

Importa referir que as amizades não se “medem” pela antiguidade. Igualmente não se afigura plausível que, por uma questão de gerações próximas, tenha de se manter uma relação amigável, perturbando e prejudicando, injusta e cruelmente, outras amizades verdadeiramente sólidas, solidárias e leais embora de gerações diferentes!

Como também não parece obrigação que, pelo facto de há vinte, trinta ou quarenta anos, ter-se recebido algum “favor”, que se fique em dívida “ad aeternum”, muito embora se aceite que, não havendo prejuízo para outras amizades, inequivocamente solidárias, amigas, leais e cúmplices, com provas dadas, aquelas não possam continuar a existir, desde que não tenham interferido, ofensivamente, nestas últimas.

Cabe aqui a sabedoria popular: “Que Deus nos dê a serenidade e a tolerância suficientes para aceitarmos que não se consegue mudar o que as pessoas obstinadas não querem alterar”. É injusto, e de muita impiedade, afastarem-se amizades autênticas, para manter outras que, em relação a diversas pessoas, interesses e instituições, deixam muito a desejar.

A amizade autêntica, especial e incondicional é, realmente, solidária, leal, agradecida, conivente, confiável e não pode ser substituída, rejeitada, desvalorizada, em favor daquelas outras que são “antigas”, “geracionais” ou de “favores”. Não, quando uma pessoa se entrega, inteiramente a outra, já num contexto, por exemplo, de “Amor-de-Amigo”, com profunda intimidade, ofertando-lhe os seus mais nobres sentimentos, ela não pode ser penalizada, humilhada, magoada e ofendida.

E se tal acontecer, então poder-se-á pensar que, afinal, a pessoa por quem se tinha uma amizade tão profunda, por vezes muito íntima, não haveria aquela amizade sincera, superior a outros interesses, pessoas e situações. Na vida há que tentar fazer escolhas acertadas. Os amigos, ao contrário dos familiares, realmente escolhem-se, justamente a partir de determinadas caraterísticas, princípios, valores, sentimentos, emoções, honestidade intelectual e moral.

A sociedade tem vindo a menosprezar determinados princípios, valores, sentimentos e emoções. Muitas pessoas não se assumem com verdade, preferem o jogo da deslealdade, do oportunismo mediático e, quando se julgam numa posição superior: profissional, social, afetiva e/ou sentimental, como que “espezinham” alguns dos seus semelhantes; ou “encostando-se” às alegadas “velhas amizades”; ou às companhias de idêntica geração, ou a pessoas de estatuto social dito importante, ou, ainda, a quem lhes alimenta o egocentrismo.

Como refere o adágio popular: “Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”, por isso resta, sempre que a justiça “mística” funcione, ou quaisquer outras situações negativas surjam na vida de quem humilhou os seus amigos em geral, e o amigo especial em particular, assim como de igual modo, novas possibilidades positivas aconteçam na existência de quem foi, entretanto, rejeitado, magoado e por vezes ofendido na sua autoestima e dignidade.

Quando se reflete sobre o comportamento de muitas pessoas, não se tem qualquer intenção de ofender, nem revelar indícios de ressentimentos, mas tão só, pensar nas injustiças que, por vezes, uma pessoa é alvo, depois de, constantemente, ter sido solidário, amigo incondicional, leal, apoiante e grato.

Naturalmente que toda a gente é livre de: escolher as suas amizades; conviver com quem muito bem entende; como, quando e onde deseja visitar-se, relacionar-se; mas não é justo, nem moralmente correto, que seja desleal para com outros amigos, que até já teriam sido especiais, porque íntimos, incondicionais e leais. É essencial ser-se humilde e, simultaneamente, GRATO a quem sempre tem estado do nosso lado, nas mais adversas circunstâncias.

É preciso estar-se preparado para enfrentar as desventuras que as pessoas nos provocam. Por vezes confiamos demasiado, entregamo-nos, apoiamos, defendemos e somos autenticamente amigos, todavia, não raro, recebemos, em troca, a desconsideração, o afastamento, a rejeição da pessoa pela qual demos praticamente tudo na vida.

Quando um amigo que consideramos especial, íntimo, solidário e leal, tem comportamentos que nos magoam, ou até nos ofendem, a dor, o sofrimento, o desgosto, a desilusão e a tristeza infinita e profunda, não nos abandonam mais na vida e, a partir desta situação, tudo pode acontecer, inclusive a morte física.

Compreende-se muito bem que um amigo que se considera traído por outro amigo, que o tinha como verdadeiro, especial e incondicional, reaja, aparentemente, de forma abrupta, desabrida, porque, uma vez mais, como destaca a filosofia popular: “Quem não se sente, não é de boa gente” a que se segue, uma outra afirmação: “Quem tem génio, tem bondade e quem tem bondade não cultiva o rancor, nem o ódio”. É assim que em certas pessoas e circunstâncias, se deve entender as suas reações.

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Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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