quinta-feira, 25 de setembro de 2025

PROGRESSO COLETIVO PELO TRABALHO.

A participação de cada pessoa, na edificação de uma sociedade mais próspera, mais justa e mais fraterna é uma condição essencial, também para o desenvolvimento, para o progresso e para a paz, quer em termos individuais, quer na perspetiva coletiva.

 

A cooperação formal, ou informal, entre indivíduos, grupos, povos e nações: seja ao nível institucional público, ou entre entidades privadas, bem como entre aquelas e estas; faça-se no domínio da cultura, da investigação, das tecnologias; exista, ainda, por razões humanitárias, tem sempre grandes possibilidades de produzir resultados positivos para os intervenientes.

 

A intervenção que estará mais acessível, às pessoas individuais, ocorre pela via do trabalho produtivo, competente, honesto, no respeito pelos direitos de cada interventor, e na exigência dos correspondentes deveres.

 

Quanto mais desenvolvida estiver a sociedade, nos seus aspetos materiais, culturais e espirituais, tanto mais oportunidades terão os cidadãos em obter sucesso na vida, não só para os próprios, como para os familiares e comunidade em geral.

 

O contributo que profissional, e civicamente, é exigível a cada cidadão, para o bem-geral, é compatível com o direito individual de melhor estatuto socioprofissional, e económico-patrimonial, do próprio e de sua família, desde que não interfira nem prejudique idênticas oportunidades, que aos seus semelhantes são igualmente concedidas, observando-se o respeito, e a reciprocidade, de cada pessoa ter o direito de, com liberdade e responsabilidade, desenvolver uma actividade profissional, preferencialmente no quadro das suas capacidades, competências, habilidades, atitudes e prazer. O trabalho com prazer será, certamente, bem executado, mais produtivo, para o próprio e para a sociedade. É essencial gostar-se do que se faz, com uma perspectiva de vida de sucesso:

 

«A vitória é a consequência de uma atitude diante da vida.» (SHINYASHIKI, 2000:177).

 

Revelar a atitude correta perante a vida, o trabalho e o mundo, no sentido de fazer com que as coisas aconteçam, é fundamental para o progresso do indivíduo e da comunidade. Deseja-se, portanto, uma atitude: moderna, no sentido em que cada um deverá ser competente na sua profissão, independentemente do estatuto que a sociedade atribui a determinadas atividades; competitiva, em ordem a produzir em qualidade, quantidade, preço (hoje o preço é relativo, porque:

«Não existe, pois, “caro” nem “barato”. Existe o “valor” que o cliente dá ao produto ou serviço» (MARINS,2005:137) e garantia; entusiástica, envolvendo sentimentos do dever cumprido e sensações de prazer, autoconfiança e auto-estima.

 

A vida deveria ser um prazer permanente, em que cada pessoa tivesse a oportunidade de se realizar nas diversas dimensões, entre estas e pelo menos: profissional, familiar, política, religiosa, social, económica e cultural.

 

O dever de trabalhar, competente e responsavelmente, é exigível a todos os cidadãos válidos, independentemente da sua idade, situação profissional – ativo ou aposentado –, que se pretendem livres, participantes de todo o processo de desenvolvimento, sucesso pessoal e da comunidade em que se inserem, e aspiram à concretização máxima das suas legítimas ambições e projetos de vida.

 

Reconhece-se, portanto:

 

«Através do trabalho torna-se real o princípio do “destino universal dos bens”. Através do trabalho torna-se real “a legitimidade da propriedade privada, como condição indispensável de autonomia pessoal e familiar. É na valorização do trabalho – de todos os trabalhos -, como fonte de onde surgem todos os bens que permitem a vida da sociedade, que radica a conceção dos deveres e direitos que o Estado deve regular e se clarifica o próprio papel do Estado como promotor e tutor do bem comum.» (BERGOGLIO, 2013:304).

 

Ao longo da história, certas teorias têm denunciado o trabalho como um processo que humilha e escraviza o homem, pelo menos em certas épocas e contextos. Hoje, porém, parece mais curial defender-se uma ocupação, na medida em que:

 

a) Todo o trabalho é digno e eleva a pessoa, quando exercido no total respeito pelas regras estabelecidas, produzindo resultados concretos para o bem-estar individual e colectivo;

b) Não se compreende que possa haver profissões mais dignas do que outras, atento o conceito de profissão, enquanto atividade legítima, legal, produtiva, necessária e aceite na comunidade, face aos valores, princípios e regras instituídas e praticadas pela maioria, no respeito pelas culturas minoritárias, segundo o princípio pelo qual: as minorias acatam as decisões das maiorias e estas respeitam os direitos, liberdades e garantias daquelas.  

 

Além do mais, cada cidadão tem o direito a aceder ao mercado de trabalho, em condições de igualdade com os seus semelhantes e, nesse sentido, terá todo o interesse: em primeiro lugar, apresentar-se bem preparado técnica e culturalmente; segundo, o conceito moderno da formação integral – saber-ser, saber-estar e saber-fazer –; por fim, revelar-se disponível para evoluir na sua carreira profissional, através do bom desempenho, da atualização, da especialização, da fidelidade à cultura da empresa e aos valores profissionais da competência, assiduidade, pontualidade, espírito de equipa, entre outros.

 

É importante considerar, que, sem qualquer dúvida:

 

«O exercício de uma profissão não é apenas fonte de sobrevivência. A profissão é como o casamento: se com amor já dá tanto trabalho, imagine sem amor como fica complicado. Evolua, mas respeite sua vocação. (…) A profissão é o instrumento de realização da vocação do ser humano. É algo que dá sentido à vida, que lhe dá a certeza de que está fazendo e construindo algo bom, de que a vida vale a pena.» (SHINYASHIKI, 2000:169).

 

Estabelecida a premissa fundamental para o progresso – trabalho competente, entusiasta e assíduo –, importa evidenciar o trabalhador, de forma que ele ocupe o lugar que merece, no seio da sociedade, como elemento essencial de produção de riqueza, não só para ele, seus familiares e quaisquer outros dependentes, como também para toda a comunidade.

 

A riqueza das nações passa por três intervenientes cruciais: Estado, Empresários e trabalhadores.

 

O progresso coletivo depende da harmonia e da cooperação entre aqueles três elementos, sem os quais a vida seria impossível, em termos de desenvolvimento e bem-estar sociais.

 

Investir na valorização do trabalhador, pela educação, formação profissional de qualidade, salários justos e pagos em tempo útil, regalias e benefícios empresarias e apoios sociais na doença, no desemprego e na velhice, será o mínimo que se deverá conceder a quem trabalha, e se dedica com lealdade e permanente colaboração, para com a instituição, fornecedores e clientes.

 

A sociedade, nos seus diversos constituintes e agentes interventores, deverá ter sempre uma atitude de respeito e palavras de gratidão, para com todos aqueles que trabalham, que produzem, nas diferentes áreas de atividade, por isso, valorizar o trabalhador e o trabalho por ele desenvolvido revelar-se-á, também, como um estímulo, um apoio ético-moral, que será tanto mais eficaz quanto mais sincero e oportuno se revelar.

 

Em bom rigor:

 

«O trabalho humano que se exerce na produção e na troca dos bens econômicos e na prestação de serviços, sobreleva aos demais factores da vida econômica, que apenas têm valor de instrumentos. Este trabalho, empreendido por conta própria ou ao serviço de outrem, procede imediatamente da pessoa, a qual como que marca com o seu selo as coisas da natureza, e as sujeita ao seu domínio. É com o seu trabalho que o homem sustenta de ordinário a própria vida e a dos seus. Por meio dele se une e serve aos seus irmãos, pode exercitar uma caridade autêntica e colaborar no acabamento da criação divina.» (CONCÍLIO VATICANO II, 1966:95).

 

O mundo do trabalho atravessa tempos complexos, devido ao avanço, sem precedentes, da ciência, da técnica e da tecnologia que, em conjunto, e em todas as atividades humanas, estão: por um lado, a aliviar o homem dos trabalhos mais penosos, violentos e perigosos, obrigando-o, porém, a um esforço de mais aprendizagem, mais atualização, mais concentração e elevação dos níveis de produtividade, em qualidade e quantidade; por outro lado, originam-se novas situações de desemprego, por substituição do elemento humano pela máquina, tendo como objetivo enfrentar a concorrência, possibilitar maiores lucros e com estes haver condições de manutenção do maior número possível de postos de trabalho.

 

Neste quadro de acelerada globalização, de crescente competitividade e de sustentabilidade das empresas, em consonância com a estabilidade laboral, justifica-se uma intervenção mais cuidada e pertinente, a desencadear pelos outros dois elementos do sistema, o Estado e o Empresário, justamente com a adoção de medidas institucionais, que visem promover as condições sociais adequadas, como a formação ao longo da vida, a modernização permanente, os apoios pecuniários, e outros benefícios ao nível da saúde, da habitação e manutenção da estrutura familiar de qualidade, verdadeiramente digna.

 

Quanto melhores forem o bem-estar e a estabilidade socioprofissional do trabalhador, maior será o seu empenhamento no processo produtivo.

 

O Estado, a empresa, as organizações, quaisquer que estas sejam, que investirem na satisfação dos seus colaboradores, terão, seguramente, o sucesso garantido. Uma boa estratégia para o êxito dos três elementos constituintes – Estado, Empresário e Trabalhador –, pode ancorar-se no princípio da máxima responsabilidade, para o maior benefício, numa perspetiva de carreira profissional ascensional, por mérito próprio, devidamente avaliado e atempadamente reconhecido.

 

A máxima responsabilidade, num contexto de ampla liberdade, possibilita que o trabalhador possa ser: ele mesmo, criativo, inovador, original e cumpridor das regras, normas e orientações superiores, no respeito pelos valores e cultura instituídos na organização, até porque:

 

«Os conquistadores silenciosos escolhem modelos úteis e adotam valores nítidos como guias de orientações para seu progresso. Eles sabem que o caminho mais simples e mais curto para o sucesso é o de tentar igualar ou exceder as características que funcionam para outras pessoas bem-sucedidas.» (POLE, 1998:32).

 

BIBLIOGRAFIA

 

BERGOGLIO, Jorge, Papa Francisco, (2013). O Verdadeiro Poder é Servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Tradução, Maria João Vieira /Coord.), Ângelo Santana, Margarida Mata Pereira. Braga: Publito.

CONCÍLIO VATICANO II (1966). Gaudium et Spes. Constituição Pastoral o Concílio Vaticano II sobre a Igreja no Mundo de Hoje. II Edição. São Paulo: Edições Paulinas

GREENER, Mark, (2004). Tempo para Tudo. Organização e Gestão Pessoal. Tradução, Alexandra Lemos, revisão e adaptação técnica: Osvaldo Santos, psicoterapeuta, 1ª edição portuguesa, Dezembro/2004, Lisboa: Edideco, Editores para a Defesa do Consumidor.

MARTINS, Vera Lúcia Franco, (2005). Seja Assertivo – como ser direto, objetivo e fazer o que tem de ser feito: como construir relacionamentos saudáveis usando a assertividade. Rio de Janeiro: Elsevier

POLE, Timothy, (1998). Ser Você. Tradução, Arlete Dialetachi. São Paulo: Editora Angra, Ltda.

SELECÇÃO DE TEXTOS (2000). “Educação em Matéria de Direitos Humanos”, in: Noesis. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional – Ministério da Educação, (56), Outubro-Dezembro-2000, Págs.18-21

SHINYASHIKI, Roberto T., (2000). Os Donos do Futuro. 31ª Edição. S. Paulo: Editora Infinito

  

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domingo, 21 de setembro de 2025

LIBERDADE.

A pessoa humana nasce livre, qualquer que seja o regime político-cultural do local de nascimento, quanto mais não seja porque ela, nesse momento de primeiro contacto com o mundo extrauterino, é inimputável, na perspetiva de lhe serem atribuídas quaisquer responsabilidades, embora seja um ser com direitos, que lhe devem ser facultados pela sociedade em geral; e pelos pais em particular.

A Liberdade é um desses direitos que nenhum sistema, nenhuma pessoa, nenhuma lei lhe podem negar, muito embora, com o percurso de vida que ela vai efetuar, algumas restrições, deveres e diferentes condicionalismos lhe vão sendo impostos que, de alguma forma, reduzem a Liberdade que à nascença desfrutava, obviamente, sem o saber e sem a capacidade de a exercer. A Liberdade absoluta vai ser exercida num quadro específico, que transcende o homem.

O conceito que mais se tem divulgado, ao nível popular, sobre a Liberdade: aponta no sentido de cada um fazer e dizer o que muito bem entende, principalmente no que ao próprio respeita, quando se assume a correspondente responsabilidade inerente à Liberdade; outros, consideram-na ilimitada, pensando que tudo o que pretendem realizar o podem fazer, independentemente de iguais direitos dos seus concidadãos, e aqui assiste-se a uma Liberdade irresponsável, que se torna em egoísmo, prepotência, ditadura e opressão. Nenhum de tais conceitos de Liberdade interessa à sociedade civilizada, democrática e humanista.

A Liberdade não é um privilégio individual, em prejuízo do interesse coletivo, mas poderá ser uma faculdade humana, no sentido de cada indivíduo ser capaz de se autodeterminar, na perspetiva dele próprio escolher os valores que, num determinado sistema social, lhe estão acessíveis, evidentemente, não contrários a esse sistema ou, no mínimo, que não violem, não ofendem, nem minimizem os valores aceites e praticados na comunidade, onde o indivíduo está integrado ou pensa fazê-lo.

Num sentido mais profundo e transcendente, o conceito de Liberdade que, eventualmente, a maioria desejaria, seria aquele que se prende à conceção, segundo a qual: «A Liberdade mais como capacidade para nos governarmos a nós próprios do que como desejo de que o governo nos deixe em paz. (…) Garantir um espaço onde a Liberdade possa surgir – Liberdade mais uma vez entendida como participação individual e completa nos assuntos públicos. (…) Gradualmente, a própria Liberdade, como o direito do indivíduo buscar a sua própria felicidade.» (BAUMAN, 1989:152-155).  

A Liberdade, contudo, está circunscrita por diversos condicionalismos que impedem: a tendência para os excessos quando se viola, dificulta ou embaraça a Liberdade do outro; balizada por princípios e valores que não podem ser ofendidos, como o princípio da boa-conduta, compatível com as normas sociais da boa-convivência humana, em harmonia, racionalmente desenvolvida e responsavelmente assumida; limitada pelos valores do respeito pelo próximo, pelas normas jurídicas, de cumprimento obrigatório para todos, pelas crenças e fé religiosas, pelos direitos cívico-políticos, socioculturais, económico-profissionais.

No âmago da questão, estará sempre a assunção das responsabilidades, pelos atos cometidos por cada um, com preocupações ético-morais, cuja grande máxima kantiana se poderia adaptar, afirmando-se o seguinte: “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.”

Este valor universal, a Liberdade, que nasce com a pessoa humana, pela qual ao longo dos séculos muito se tem lutado, com sacrifícios da própria vida daqueles que a quiseram usufruir até às últimas consequências, merece uma atitude muito especial, por parte de todos aqueles que, hoje, a exercem, numa amplitude que não permite desenvolver pensamentos, expressar opiniões, concretizar projetos político-sociais, assumir-se como um ser superior, ainda que no respeito pela natureza, pelos valores universais e pelo Criador. O homem dispõe de um bem inestimável que deve saber usá-lo com magnanimidade, com moderação e equidade entre todos os seus concidadãos.

Pergunte-se à maioria dos reclusos o que significa para eles a Liberdade? Averigúe-se junto dos povos oprimidos a importância que teria para eles a Liberdade? Investiguem-se os processos utilizados pela censura na repressão à Liberdade de pensamento, de expressão, de religião e política, o sofrimento que os censurados têm por não poderem expressar-se de acordo com o seu próprio pensamento? Estude-se o drama de muitos imigrantes que não têm Liberdade para poderem fixar-se e trabalhar num determinado país?

A Liberdade, qualquer que seja a sua natureza, a sua amplitude e os seus fins, constitui uma prerrogativa do ser humano, por isso nenhum outro ser humano, por mais poderoso que seja, organização ou sistema têm o direito de a retirar, ou impedir o seu exercício responsável, por outro ser humano.

Com efeito: «A Liberdade é mais que simples condição, é o todo do homem moral: ser homem é ser livre, ser livre ao nível da auto-consciência é ser homem. A Liberdade é um direito da pessoa própria e direito da pessoa alheia. Mas, com ser um direito e para mais o ser, a Liberdade é uma virtude e uma obrigação.» (GOMES, in: Dicionário Político, 1974:197).

A Liberdade, nas suas múltiplas dimensões, constitui um sistema complexo de direitos e garantias e, não havendo, propriamente, uma hierarquia das Liberdades que possa ser universalmente aceite por todos os países, culturas e civilizações, afigura-se interessante, por exemplo, partir da Liberdade Política para se tentar progredir no sentido de se usufruírem todas as outras e, a comprová-lo, pode-se invocar os regimes políticos ditatoriais, onde os Direitos Liberdades e Garantias, são ferreamente controlados ou mesmo proibidos.

A construção do corpo jurídico de um país é realizada pelo Poder Político, que decreta, através da Lei Fundamental, quais os Direitos, Liberdades e Garantias que são concedidos à população abrangida por esse corpo jurídico, logo, não havendo Liberdade política, todas as demais Liberdades ficam prejudicadas ou são suprimidas.

Numa determinada perspetiva: «A mais profunda lição da nossa época é o facto de que sem Liberdade política não pode haver outras Liberdades, mas apenas um exercício incerto e constrangedor de privilégios que podem acabar subitamente sem que ninguém, tenha de explicar aos que são afectados por essa decisão.» (HOOK, 1966:54).  

Pese embora o rigoroso controlo sobre as diversas Liberdades, pelos regimes políticos ditatoriais, ainda assim, será possível, na intimidade de cada pessoa, exercer algumas Liberdades, desde logo a Liberdade religiosa, no sentido de se entregar a uma Divindade, ao seu Deus, na privacidade do seu pensamento crente. Distintas Liberdades, de natureza axiológica, que permitem praticar certas ações, como ser solidário, amigo, leal, grato, justo, tolerante, carinhoso, praticar o bem, respeitar o próximo, entre outras.

 Significa isto que, mesmo numa situação de grandes constrangimentos, haverá sempre uma oportunidade para a Liberdade e, nessa ótica: «Um dos valores mais preciosos do homem é a Liberdade. Só em Liberdade o homem se pode converter ao bem. A Liberdade verdadeira é sinal privilegiado da imagem divina no homem.» (COMUNICAÇÃO DO CONSELHO PRESBITERIAL DO CLERO DA GUARDA, 06-09-1975, in: Dicionário Político, 1974:198).

 

Bibliografia

 

BAUMAN, Zygmunt, (1989). A Liberdade. Tradução, M. F. Gonçalves de Azevedo. Lisboa: Editorial Estampa, Ltdª.

DICIONÁRIO POLÍTICO, (1974). Os Bispos e a Revolução de Abril, Lisboa: ISPAGAL, Apud. Carta Pastoral do Episcopado Português: in: O contributo dos cristãos para a vida social e política, 16-07-74)

HOOK, Sidney, (1966). Política e Liberdade, Tradução, Luciano Miral, Rio de Janeiro: Zahar Editores.

 

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sexta-feira, 5 de setembro de 2025

A PARTICIPAÇÃO CÍVICA ATIVA, IMPLICA INTEGRIDADE E APTIDÃO.

 O candidato a um cargo político, desculpando-se com a situação que não conhecia, mas que devia saber minimamente, portou-se incorretamente perante aqueles que nele acreditaram e, sendo assim, começa logo por revelar alguma incompetência e imaturidade, demagogia e irresponsabilidade, não vai ser compreendido. Pessoas desta natureza não interessam à boa governação, e muito menos, aos proveitos legais, legítimos e justos de um povo.

A participação ativa, competente, responsável, íntegra e eficaz é desejável, a todos os níveis, sem dúvida. Nesse sentido poder-se-á afirmar que não será qualquer pessoa, por muito boa vontade que tenha, que reunirá condições satisfatórias para assumir com: dignidade, credibilidade e transparência o exercício de um cargo público, porquanto, outros requisitos, aliás, já mencionados são, igualmente, importantes, e decisivos para a boa gestão.

 É por isso que aqui se invoca, como boa-prática, que um candidato a um determinado cargo passe, primeiro, por outras tarefas, imediatamente inferiores àquela a que se está a candidatar e, se possível, no âmbito de um mesmo poder, por exemplo, o poder local, para o qual existem três eleições: Assembleia de Freguesia (de cuja lista vencedora, sai o Presidente da Junta de Freguesia); Assembleia Municipal e Câmara Municipal. Este poderia ser o percurso aconselhável, não, necessariamente, obrigatório e muito menos carreirista.

Realmente, a experiência é importante, a idade também, todavia, não serão critérios exclusivos, nem eliminatórios, até porque, por vezes, muito traquejo num determinado cargo, poderá conduzir ao aparecimento de vícios, em quem exerce um cargo público, durante muitos anos: acomodação, estagnação, rotina, favorecimentos, influências, entre outros.

O ideal seria sempre a conjugação da idade com a experiência; a inovação, a criatividade e o entusiasmo dos mais novos, até para: por um lado, não haver quebras de qualidade e eficiência na governação; por outro lado, colocar em prática novas ideias, projetos mais desafiadores e objetivos mais arrojados. De igual forma, a paridade de género é fundamental.

A participação na vida pública não pode, portanto, ser um ato isolado, de uma só pessoa, por muito inteligente, experiente e madura que ela possa ser. O envolvimento na vida política (e/ou institucional), através de equipas bem constituídas, que saibam trabalhar por objetivos, claramente definidos, aplicáveis e realizáveis no tempo, e no espaço será, porventura, a melhor solução, a que servirá com mais sucesso os interesses de um povo, independentemente das ideologias que possa defender.

Claro que em qualquer equipa haverá um líder, que para o efeito terá de possuir caraterísticas muito especiais, qualidades acima da média, valores consentâneos com uma democracia participativa, mas também com uma cultura, com usos, costumes e tradições, que devem ser apoiados e respeitados.

Caberá a este líder constituir a sua equipa, e aqui destaca-se uma primeira qualidade, que deve possuir e exercer: escolher pessoas que pelo seu perfil possam dar credibilidade e segurança à equipa, e transmitir uma ideia de confiança, competência, empenhamento e tolerância. Uma equipa de pessoas moderadas, educadas, consensuais, leais para com as restantes equipas, na circunstância, para com as oposições.

Depois, o líder deverá ser realmente democrático, despojando-se, liminarmente, de todo e qualquer preconceito negativo, resistir às tentações da repressão, da perseguição e da vingança, contra os adversários, todavia, será legítimo, e mesmo desejável, que não ignore os seus apoiantes, vencedores e vencidos, porque foi pelo somatório das partes que ele chegou ao poder, além de lhe terem sido solidários, terem “dado-a-cara”: por ele, e pelo seu projeto.

 

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