As
lideranças modernas, humanistas e competentes, na verdade, vão muito além do
material, do concreto. Elas absorvem e aplicam uma base inefável, mística, por
isso: «O novo modelo – que chamamos de
modelo de liderança administrativo/espiritual – diz que as funções de líderes e
gerentes são diferentes, e que a própria base da liderança é espiritual. Isso
não significa que a administração não continue sendo legítima, nobre ou
necessária.» (HAWLEY, 1995:206).
A
liderança terá, portanto, de se colocar num plano superior, por forma a
conseguir um clima de trabalho e de relacionamento entre colaboradores,
verdadeiramente excecional, porque os trabalhadores, os clientes, os
fornecedores e quaisquer outros intervenientes na atividade da instituição, são
pessoas humanas.
Na
verdade: «Nós sabemos que a boa
administração, como há muito conhecemos, é a “administração das pessoas”, a
administração do esforço humano; mas os líderes trabalham no nível mais
abstrato da energia, do coração e do espírito das pessoas. Também vemos que os
gerentes lidam com a forma da empresa e com o trabalho de equipe (estruturas e
sistemas para a realização do trabalho); ao passo que os líderes lidam com a
cultura e o senso de comunidade da empresa.» (Ibid).
O
bom líder não pode, nem deve, exercer as suas funções de forma unipessoal e,
quando integrado numa equipa diretiva colegial, é incorreto e antiético, tomar
decisões sem primeiro as comunicar, e obter o apoio dos restantes membros do
colégio diretivo, de resto, ninguém é dono da verdade, e quantas mais opiniões
existirem acerca de uma determinada situação, melhores poderão ser as soluções
a adotar para a corrigir, melhorar e assim, ficar bem resolvida.
O
líder preocupado com os utentes da instituição, com a própria empresa, com os
seus colaboradores, certamente terá uma visão de conjunto, o que não significa
que seja a melhor, e muito menos a única, apesar de lhe caber a ele a decisão
final, em conjunto com os seus colegas, quando existe uma direção.
Na verdade: «Como
líder, você traz sua visão para o local de trabalho e, muito importante, você
permite que os outros tragam as deles. Você compartilha suas ideias, suas
previsões e sua visão de longo alcance; e permite que os outros sigam as visões
especiais que possuem. Você usa a imaginação disciplinada para ver, ler, ouvir
e sentir o maior destino da empresa – e apresenta-o, para que os outros façam o
mesmo.» (Ibid.:210).
Afinal, o líder é mais um servidor da empresa, que
tem responsabilidades acrescidas perante a instituição, seus colaboradores
internos e externos. Ele, em certas circunstâncias é o “espelho” da organização
e, enquanto tal, todos os seus atos devem ser escrutinados, para poderem ser
melhorados e com esta metodologia, todos os intervenientes beneficiarem.
O líder tem de dar o exemplo, no melhor sentido do
termo, porque a boa administração começa nele, no relacionamento que ele tem
para com os seus colaboradores. Ele tem a obrigação de se “entregar”, incondicionalmente,
à instituição, zelar pelos superiores interesses dos utentes e colaboradores da
mesma.
Com efeito a: «Boa
administração é o ato de conseguir, o máximo das pessoas: mais orçamento, mais
lucros, mais produtividade. A estrutura mental da administração, corretamente,
é conseguir alguma coisa em troca de cada coisa que você dá. A liderança, por
outro lado, é um ato de doação. Este é o grande segredo da boa liderança. Dar é
uma mudança gigantesca no modo como os gerentes pensam, agem e são. Esta é a
diferença entre gerentes e líderes. Esta é a diferença que faz a diferença, uma
diferença ao nível do ser.» (Ibid.:212).
Qualquer liderança, preocupada, apenas, com normas
regulamentares, punitivas dos colaboradores, que facilitam suspensões,
despedimentos e desgraça, é uma governação cruel, desumana e condenável perante
os mais elementares princípios da ética, da moral e dos valores que dignificam
a pessoa humana.
Pode-se, portanto, afirmar que: «A doação vem naturalmente quando você se
envolve profundamente. É outra face do amor, e isso torna a liderança
espiritual um ato de amor. É simples.» (Ibid.:213). Num contexto
organizacional, importa valorizar as lideranças que pautam a sua atuação por
uma doação espiritual, no sentido de considerar os seus colaboradores iguais ao
líder, enquanto pessoas de deveres, de direitos, com identidade e dignidade
próprias.
Poderá parecer utópico, inexequível e desvantajoso
para a empresa, que nela se tente implementar lideranças espirituais, mas no
caso concreto de instituições de base essencialmente religiosa, já se
compreende muito bem, e deseja-se que as lideranças tenham uma componente
espiritual muito acentuada e, nesse sentido, os responsáveis ajam com bom senso,
com tolerância, com benevolência e compreensão das dificuldades dos seus
colaboradores.
Comunga-se da ideia, segundo a qual: «Os bons líderes são: incessante, invariável
e regularmente cônscios do Espírito. E toda verdadeira liderança é espiritual,
porque o líder busca liberar o melhor nas pessoas, e o melhor está sempre
ligado ao nosso Eu superior. Portanto, isso implica a criação de um estado
coletivo de constante consciência espiritual, uma fusão contínua entre coisas
elevadas e o mundo.» (Ibid.).
O líder que interiorizou em si próprio valores
espirituais, para os aplicar na instituição que dirige, normalmente é uma
pessoa boa, otimista e grata. A gratidão do líder para com os utentes,
colaboradores internos e externos da empresa, é uma mais-valia para o sucesso
da mesma, um conforto para todas as pessoas que com ela têm de se relacionar.
Em bom rigor: «A
verdadeira liderança traz uma energia oposta (aquela em que o espírito
atua, sublinhado nosso). Há luminosidade
nela, brotando da gratidão e do otimismo. A tarefa do líder é a criação de nada
menos do que uma versão coletiva do “pensamento correto”. Isso traz de novo uma
forma de energia para a empresa.» (Ibid.:219).
Como em quaisquer outras circunstâncias, de facto
a gratidão é um valor, um sentimento, uma atitude que qualifica muito bem as
pessoas com o mais elevado e íntegro caráter: «A gratidão é uma das faces mais brilhantes do amor. É uma apreciação
altíssima que inclui muitas ideias espirituais. Livros inteiros, e até mesmo
vidas inteiras, foram dedicados a observar o poder imenso da gratidão.»
(Ibid.).
É claro que o líder que conduz a sua equipa, que
ajuda a enaltecer a instituição, recorrendo aos valores espirituais, também se
orienta e comporta como um autêntico defensor dos valores, desde logo, os
morais, até porque: «Em última instância,
a liderança torna-se moral no sentido de que eleva o nível da conduta humana (…)
do líder e do liderado, e assim transforma a ambas.» (James McGregor Burns,
in: HAWLEY, 1995:220).
E se a autoridade democrática e benevolente, assim
como os valores espirituais e morais, são fundamentais, entre outros que
integram uma axiologia humanista, para uma liderança verdadeiramente justa,
também há algumas caraterísticas que revelam a superior condição de toda a
pessoa e que é a sua faculdade pensante e hoje, primeiro quarto do século XXI,
sabe-se que: «O mundo está cheio de gente
que parou de pensar por si mesma.» (Joseph Campbell in: HAWLEY, 1995:221).
Hoje, mais do que nunca, as pessoas procuram
incessantemente: a saúde, o amor, a ventura, a solidariedade, a lealdade e a
gratidão. É obrigação de qualquer líder, tudo fazer para promover, e conseguir,
que aqueles desejos legítimos e justos se realizem nos seus colaboradores,
porque estes não são, não poderão ser, em circunstância alguma, meros objetos
descartáveis que, depois de servirem a instituição, com zelo, lealdade,
competência, às vezes durante uma vida, acabam por ser votados ao ostracismo, à
indiferença, atirados para a dor, para o sofrimento, e até para a morte.
Sim, é verdade que: «As pessoas devem viver em liberdade e felicidade, como acontece na
casa dos pais. A própria essência de seu papel é proteger as pessoas e sua
felicidade. Não é fácil garantir a felicidade das pessoas. Você precisa usar
vários métodos. Habilidade, inteligência e verdade, todos os três são
importantes.» (HAWLEY, 1995:225).
Há líderes que pensam que a vida física nunca mais
acaba e, com essa ideia fixa, vivem “infernizando” os seus colaboradores
esquecendo-se que: «A cada instante a
morte se aproxima de cada criatura. O que você planejou fazer amanhã deve ser
feito hoje, de manhã! A morte é implacável. Nunca esperará para ver se seus
projetos serão realizados. É importante estar pronto para ela. O mundo é apenas
um cortejo que passa.» (Ibid:227).
Por tudo o que fica exposto, pode-se afirmar que o
líder não pode, nem deve utilizar o seu cargo para satisfação das suas
vaidades, do seu egocentrismo, para domínio e humilhação dos seus
colaboradores. Ele tem de ser o primeiro a compreender as dificuldades, a
ajudar os que mais precisam, a respeitar as pessoas em toda a sua dignidade,
porque ele próprio, seguramente, também exigirá e gostará que os seus
superiores, os seus iguais e os seus subordinados o considerem, o estimem e
tenham por ele o apreço e admiração que realmente pretende para ele, enquanto
pessoa digna.
“NÃO,
ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”
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Venade/Caminha – Portugal, 2024
Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras
e Artes de Portugal
http://nalap.org/Directoria.aspx
http://diamantinobartolo.blogspot.com