domingo, 27 de outubro de 2024

A ESSÊNCIA ASCÉTICA DA LIDERANÇA.

A administração das pessoas, nos tempos que correm, primeiro quarto do século XXI, em diversas organizações, nem sempre corresponde às boas práticas que visam: por um lado, o alcance de objetivos empresariais, associativos ou de qualquer outra natureza; por outro lado, a garantia dos deveres, direitos e dignidade das pessoas que colaboram com tais instituições.

As lideranças modernas, humanistas e competentes, na verdade, vão muito além do material, do concreto. Elas absorvem e aplicam uma base inefável, mística, por isso: «O novo modelo – que chamamos de modelo de liderança administrativo/espiritual – diz que as funções de líderes e gerentes são diferentes, e que a própria base da liderança é espiritual. Isso não significa que a administração não continue sendo legítima, nobre ou necessária.» (HAWLEY, 1995:206).

A liderança terá, portanto, de se colocar num plano superior, por forma a conseguir um clima de trabalho e de relacionamento entre colaboradores, verdadeiramente excecional, porque os trabalhadores, os clientes, os fornecedores e quaisquer outros intervenientes na atividade da instituição, são pessoas humanas.

Na verdade: «Nós sabemos que a boa administração, como há muito conhecemos, é a “administração das pessoas”, a administração do esforço humano; mas os líderes trabalham no nível mais abstrato da energia, do coração e do espírito das pessoas. Também vemos que os gerentes lidam com a forma da empresa e com o trabalho de equipe (estruturas e sistemas para a realização do trabalho); ao passo que os líderes lidam com a cultura e o senso de comunidade da empresa.» (Ibid).

O bom líder não pode, nem deve, exercer as suas funções de forma unipessoal e, quando integrado numa equipa diretiva colegial, é incorreto e antiético, tomar decisões sem primeiro as comunicar, e obter o apoio dos restantes membros do colégio diretivo, de resto, ninguém é dono da verdade, e quantas mais opiniões existirem acerca de uma determinada situação, melhores poderão ser as soluções a adotar para a corrigir, melhorar e assim, ficar bem resolvida.

O líder preocupado com os utentes da instituição, com a própria empresa, com os seus colaboradores, certamente terá uma visão de conjunto, o que não significa que seja a melhor, e muito menos a única, apesar de lhe caber a ele a decisão final, em conjunto com os seus colegas, quando existe uma direção.

Na verdade: «Como líder, você traz sua visão para o local de trabalho e, muito importante, você permite que os outros tragam as deles. Você compartilha suas ideias, suas previsões e sua visão de longo alcance; e permite que os outros sigam as visões especiais que possuem. Você usa a imaginação disciplinada para ver, ler, ouvir e sentir o maior destino da empresa – e apresenta-o, para que os outros façam o mesmo.» (Ibid.:210).

Afinal, o líder é mais um servidor da empresa, que tem responsabilidades acrescidas perante a instituição, seus colaboradores internos e externos. Ele, em certas circunstâncias é o “espelho” da organização e, enquanto tal, todos os seus atos devem ser escrutinados, para poderem ser melhorados e com esta metodologia, todos os intervenientes beneficiarem.

O líder tem de dar o exemplo, no melhor sentido do termo, porque a boa administração começa nele, no relacionamento que ele tem para com os seus colaboradores. Ele tem a obrigação de se “entregar”, incondicionalmente, à instituição, zelar pelos superiores interesses dos utentes e colaboradores da mesma.

Com efeito a: «Boa administração é o ato de conseguir, o máximo das pessoas: mais orçamento, mais lucros, mais produtividade. A estrutura mental da administração, corretamente, é conseguir alguma coisa em troca de cada coisa que você dá. A liderança, por outro lado, é um ato de doação. Este é o grande segredo da boa liderança. Dar é uma mudança gigantesca no modo como os gerentes pensam, agem e são. Esta é a diferença entre gerentes e líderes. Esta é a diferença que faz a diferença, uma diferença ao nível do ser.» (Ibid.:212).

Qualquer liderança, preocupada, apenas, com normas regulamentares, punitivas dos colaboradores, que facilitam suspensões, despedimentos e desgraça, é uma governação cruel, desumana e condenável perante os mais elementares princípios da ética, da moral e dos valores que dignificam a pessoa humana.

Pode-se, portanto, afirmar que: «A doação vem naturalmente quando você se envolve profundamente. É outra face do amor, e isso torna a liderança espiritual um ato de amor. É simples.» (Ibid.:213). Num contexto organizacional, importa valorizar as lideranças que pautam a sua atuação por uma doação espiritual, no sentido de considerar os seus colaboradores iguais ao líder, enquanto pessoas de deveres, de direitos, com identidade e dignidade próprias.

Poderá parecer utópico, inexequível e desvantajoso para a empresa, que nela se tente implementar lideranças espirituais, mas no caso concreto de instituições de base essencialmente religiosa, já se compreende muito bem, e deseja-se que as lideranças tenham uma componente espiritual muito acentuada e, nesse sentido, os responsáveis ajam com bom senso, com tolerância, com benevolência e compreensão das dificuldades dos seus colaboradores.

Comunga-se da ideia, segundo a qual: «Os bons líderes são: incessante, invariável e regularmente cônscios do Espírito. E toda verdadeira liderança é espiritual, porque o líder busca liberar o melhor nas pessoas, e o melhor está sempre ligado ao nosso Eu superior. Portanto, isso implica a criação de um estado coletivo de constante consciência espiritual, uma fusão contínua entre coisas elevadas e o mundo.» (Ibid.).

O líder que interiorizou em si próprio valores espirituais, para os aplicar na instituição que dirige, normalmente é uma pessoa boa, otimista e grata. A gratidão do líder para com os utentes, colaboradores internos e externos da empresa, é uma mais-valia para o sucesso da mesma, um conforto para todas as pessoas que com ela têm de se relacionar.

Em bom rigor: «A verdadeira liderança traz uma energia oposta (aquela em que o espírito atua, sublinhado nosso). Há luminosidade nela, brotando da gratidão e do otimismo. A tarefa do líder é a criação de nada menos do que uma versão coletiva do “pensamento correto”. Isso traz de novo uma forma de energia para a empresa.» (Ibid.:219).

Como em quaisquer outras circunstâncias, de facto a gratidão é um valor, um sentimento, uma atitude que qualifica muito bem as pessoas com o mais elevado e íntegro caráter: «A gratidão é uma das faces mais brilhantes do amor. É uma apreciação altíssima que inclui muitas ideias espirituais. Livros inteiros, e até mesmo vidas inteiras, foram dedicados a observar o poder imenso da gratidão.» (Ibid.).

É claro que o líder que conduz a sua equipa, que ajuda a enaltecer a instituição, recorrendo aos valores espirituais, também se orienta e comporta como um autêntico defensor dos valores, desde logo, os morais, até porque: «Em última instância, a liderança torna-se moral no sentido de que eleva o nível da conduta humana (…) do líder e do liderado, e assim transforma a ambas.» (James McGregor Burns, in: HAWLEY, 1995:220).

E se a autoridade democrática e benevolente, assim como os valores espirituais e morais, são fundamentais, entre outros que integram uma axiologia humanista, para uma liderança verdadeiramente justa, também há algumas caraterísticas que revelam a superior condição de toda a pessoa e que é a sua faculdade pensante e hoje, primeiro quarto do século XXI, sabe-se que: «O mundo está cheio de gente que parou de pensar por si mesma.» (Joseph Campbell in: HAWLEY, 1995:221).

Hoje, mais do que nunca, as pessoas procuram incessantemente: a saúde, o amor, a ventura, a solidariedade, a lealdade e a gratidão. É obrigação de qualquer líder, tudo fazer para promover, e conseguir, que aqueles desejos legítimos e justos se realizem nos seus colaboradores, porque estes não são, não poderão ser, em circunstância alguma, meros objetos descartáveis que, depois de servirem a instituição, com zelo, lealdade, competência, às vezes durante uma vida, acabam por ser votados ao ostracismo, à indiferença, atirados para a dor, para o sofrimento, e até para a morte.

Sim, é verdade que: «As pessoas devem viver em liberdade e felicidade, como acontece na casa dos pais. A própria essência de seu papel é proteger as pessoas e sua felicidade. Não é fácil garantir a felicidade das pessoas. Você precisa usar vários métodos. Habilidade, inteligência e verdade, todos os três são importantes.» (HAWLEY, 1995:225).

Há líderes que pensam que a vida física nunca mais acaba e, com essa ideia fixa, vivem “infernizando” os seus colaboradores esquecendo-se que: «A cada instante a morte se aproxima de cada criatura. O que você planejou fazer amanhã deve ser feito hoje, de manhã! A morte é implacável. Nunca esperará para ver se seus projetos serão realizados. É importante estar pronto para ela. O mundo é apenas um cortejo que passa.» (Ibid:227).

Por tudo o que fica exposto, pode-se afirmar que o líder não pode, nem deve utilizar o seu cargo para satisfação das suas vaidades, do seu egocentrismo, para domínio e humilhação dos seus colaboradores. Ele tem de ser o primeiro a compreender as dificuldades, a ajudar os que mais precisam, a respeitar as pessoas em toda a sua dignidade, porque ele próprio, seguramente, também exigirá e gostará que os seus superiores, os seus iguais e os seus subordinados o considerem, o estimem e tenham por ele o apreço e admiração que realmente pretende para ele, enquanto pessoa digna.

 

Bibliografia.

 

HAWLEY, Jack, (1995). O Redespertar Espiritual no Trabalho. O Poder do Gerenciamento Dharmico. Tradução, Alves Calado. Rio de Janeiro: Record

  

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domingo, 20 de outubro de 2024

DHARMA: ATUAÇÃO CERTA. CORAGEM. MISTICISMO.

Em princípio, toda a pessoa humana vive, em simultâneo, com as muitas normas: sociais, jurídicas, usos, costumes, tradições e a Lei da sua própria vida que, embora, por vezes, tente refrear, ocultar ou simplesmente, “domesticar”, nem sempre o consegue. Pode-se afirmar que esta Lei é o seu “Dharma”, a dimensão que sustenta, que mantém”, “o que está estabelecido, lei, dever, direito”, a maneira de ser da sua “Natureza Interior”.

Se recordarmos o estudo da integridade, segundo o que já foi investigado: «Integridade é ter a coragem e a autodisciplina para viver segundo sua verdade interior. Imagine uma vida humana assim. Existe nela uma grande honra. (…) É um grande sentimento.» (HAWLEY, 1995:167), fácil será conectarmos o “Dharma” ao caráter da pessoa verdadeiramente Humana.

Integridade, Caráter, Dharma, realmente são: qualidades, virtudes humanas com um elevado nível, que nem todas as pessoas possuem. Assim, ao que tudo indica: «Para todos os objetivos, dharma e integridade são a mesma coisa. As pessoas com verdadeira integridade são dharmicas. Poderíamos usar as duas palavras de modo intercambiável e acabar com o assunto, exceto por três acréscimos: Espírito, Retidão e Destemor.» (Ibid.:177).

O ser humano, na sua inefável interioridade, tem dimensões que nenhum outro ente conhecido possui. Ainda haverá muito por desvendar na pessoa humana, mas uma certeza parece irrecusável: a existência de um mundo Dharmico, no seu interior, constituído por três grandes componentes: Espiritual, Retidão e Destemor. É de todo o interesse ficar-se com o conceito de cada um daqueles elementos.

Componente Espiritual: «O dharma brota diretamente do Espírito. Está enraizado lá. No dharma não há timidez quanto à espiritualidade – nem relutância, nem separação. Nesse sentido, dharma é Espírito. Por outro lado, a integridade, enraizada como é em nossa sociedade ocidental ferozmente secularizada, não abraça abertamente a espiritualidade.» (Ibid.).

Segue-se-lhe o elemento Retidão: «Dharma costuma ser traduzido como “ação correta”. O provérbio Dharma chara significa “faça a coisa certa”. A tradução está certa, mas o ocidental, vindo de uma cultura tão orientada para a ação, naturalmente enfatiza a palavra faça e tende a desenfatizar a palavra certa. (…) No dharma, o ponto de partida é a retidão, e não o fazer. Fazer o que é certo é mais importante do que simplesmente fazer.» (Ibid.:178).

Finalmente, um terceiro fator, o Destemor: «Há outra diferença sutil entre integridade e dharma, e que também decorre do contraste entre ocidente e oriente. Integridade pede coragem; dharma pede destemor. É a mesma coisa? Não. Coragem, lembre-se, é ir em frente e fazer alguma coisa embora tenha medo. Destemor é o que a palavra significa: não-temor – é um estado interior que surge do profundo conhecimento espiritual da natureza do Eu.» (Ibid.:178-179).

Quando se invoca a coragem, pelo menos neste trabalho, pretende-se que ela seja consciente, não aquela coragem cujas consequências não se conhecem bem, precisamente porque ela interfere no caráter das pessoas, a par de outras qualidades, exclusivamente próprias da pessoa humana.

Obviamente: «A coragem, a autodisciplina, a bondade e fazer a coisa certa (outra vez com ênfase no certa, e não no fazer) são marcas do caráter coletivo, assim como do individual. Cada empresa também deve seguir seu coração coletivo e sua alma coletiva.» (Ibid.:181).

No relacionamento humano, sejam quais forem os contextos, sempre será indispensável a coragem adequada: enfrentar situações, resolver problemas, apoiar quem precisa quando as dificuldades “batem à porta” dessas pessoas. É claro que a coragem que aqui se prefigura, é consciente, se necessário, com risco calculado, agora na sua dimensão de salvar vidas, ou de correr perigo para quem é corajoso. A razão, a realidade, as consequências e, eventualmente, outras vítimas, resultantes de um ato inconscientemente corajoso, são aspetos a ponderar.

Ainda no âmbito das relações humanas, inclusivamente, ao nível profissional, e no contexto de uma organização, seja qual for a sua natureza, também há valores que não podem ser descurados, e que até devem de ser praticados diariamente, para que se consigam atingir os objetivos previamente traçados.

Os Valores Espirituais que se pretende divulgar, e conceptualizar, podem resumir-se ao seguinte: «” Serviço Nacional”, está ligado a ideia de fazer algo maior do que nós mesmos, de nos comprometermos com algo maior. “Justiça” estão as ideias de justiça humana, equidade e imparcialidade ao lidar com pessoas. “Harmonia e Cooperação” estão a paz interior, a unidade e a amizade – qualidades que todo o mundo busca. “Luta e Melhoria” estão as noções de aceitar um mundo menos-do-que-perfeito, de jogar bem, de auto-aperfeiçoamento, de heroísmo e de vitória. “Cortesia e Humildade” estão as ideias de respeito, dignidade, decência e abandono do ego. “Ajuste e Assimilação” estão o altruísmo, o trabalho de equipe e fazer parte da família. “Gratidão” está o imenso poder pessoal da apreciação.» (Ibid.:185).

Coragem, Valores Espirituais a que se soma o Caráter, compõem um trio verdadeiramente caraterístico do ser humano, cada vez mais superior, mais sublime, mais distinto de tudo o resto que existe no mundo terreste conhecido.

Quanto ao Caráter e segundo os especialistas é possível, através de: «estratégias, táticas, estados mentais, atitudes, posturas e rotinas, ajudar as pessoas e as empresas a fazer sua recaracterização.1. No Sistema, mas Não o Sistema. (…) Desligue deliberadamente seu pensamento da maldade, e ligue-se apenas à bondade que há no sistema. 2. Força Pessoal, Poder Empresarial. Quando você precisa ir contra o sistema, seja corajoso, bravo, firme, amigável, sensato – e seja cuidadoso. Vá passo a passo, e ande com inteligência, a partir de uma plataforma de poder pessoal. As pessoas acham que são fracas e que o sistema é forte, mas geralmente é o oposto (…). 3. Credo Pessoal. As maiores decisões da vida são tomadas diariamente no silencioso jardim da alma. Cultive e alimente esse lugar privado. Crie um manifesto pessoal que reflita a luz e a bondade de sua própria ética e moralidade (…). 4. O Poder de Aceitação. A maioria das pessoas não cria o hábito de afirmar, de reconhecer ou abraçar a vida. Assim, nunca se sentem afirmadas, reconhecidas ou abraçadas pela vida (…) Estar com raiva, frustrado por causa de alguma coisa (ou alguém) acaba com a nossa força. Mas reconhecer isso e perdoar traz uma tranquilidade – e a força retorna. (…) Aceitação é uma atitude. É um clima, um estado mental (…) “A aceitação é uma face do amor” (…) 5. Ser o Chefe. As decisões duras e difíceis ainda precisam ser tomadas. Você é responsável. Você precisa ser o chefe (…) tome as atitudes de chefe a partir da verdade interior. (…) Faça o seu trabalho, mas não viole o caráter, nunca. O caráter deve sempre vir no alto. 6. Audição Interna. A verdade interior é a essência destilada do caráter. Afinal de contas a integridade é viver segundo a verdade interior. (…) Existem cinco chaves para a audição interna: Silenciar, Acreditar, Perguntar, Ouvir e Confiar (…). 7. Não Prejudicar. “Bom, Inteligente, Esperto, Astuto e Malicioso” parecem qualidades de um advogado, mas não são. São paradas na linha que vai do caráter ao mau-caráter (…) Na vida escolhemos um comportamento dentre muitos. A questão é nunca ir tão longe ao ponto de prejudicar os outros ou você mesmo. Aqui a palavra-chave é prejudicar, porque é aí que ocorre a violação do caráter. (…). 8. Pagar Sempre. (…) Refere-se a um estado mental, a uma política de vida sem dívidas, mentais ou materiais. Ela nos aconselha a não sermos presos a ninguém e a nada, e assim sermos sempre fortes. É uma postura de guerreiro espiritual. (…) 9. Ame-o, Mude-o ou Deixe-o. Não fique preso. Ficar parado e culpar o sistema por seu mau humor é fazer sua felicidade depender do modo como a empresa o trata. Isso é dar o seu poder à empresa. Não faça isso. (…) 10. Colocar um Teto nos Desejos. Você está se sentindo preso na busca das posses, possuído pelas coisas que possui? Está sofrendo a doença comum do “Mais”. E agora você sabe que “mais” nunca é o bastante. (…) O corcel da cobiça mordeu o freio e galopa arrastando nosso planeta. Quanto mais os países e as pessoas consomem, mais pensam que precisam consumir. O luxo de ontem torna-se a necessidade de hoje. Termina sendo impossível voltar a consumir menos. (…) 11. Dar Poder à Pureza. Quando sentir-se contaminado (e é você que deve fazer essa chamada) você precisa se limpar – e quanto antes melhor mesmo que a causa da sujeira não seja muito importante. (…) Dê poder à sua pureza (sua verdade, honestidade e assim por diante) para que ela possa dar para você. Trazer tão claramente a pureza para dentro da consciência torna essa verdade a parte mais forte de você. O objetivo é reforçar-se, erguer-se. (…) 12. Pense no Caráter. Já ouvimos dizer, vezes sem conta, que as pessoas “simplesmente não pensam”. Bem, Não-pensar também é um programa automático. Quando surge algo contrário ao nosso caráter, é ligado o Não-Pensar (também é chamado de defensividade e evitação). 13. Fazer Crescer de Novo a Totalidade. Torne-se inteiro outra vez. Não importa o que você tenha perdido – abertura, coração, coragem, pureza –, faça com que cresça de novo. Será necessário persistência (…). 14. Recaraterizar Sistemas Humanos. Quando o caráter da empresa precisa ser trabalhado, seja através de uma pequena afinação ou uma grande virada, é seu dever de gerente fazer com que esse reparo seja realizado. (…) Você recarateriza a empresa: (a) assumindo liderança, (b) sendo claro como cristal sobre os valores e a integridade da empresa, (c) dando espaço e voz a outros, para que eles possam chegar com clareza aos padrões éticos, e (d) conferindo caráter.» (Ibid.:189-198).

No quadro de uma empresa, por exemplo, é importante que as mensagens publicitárias que a distinguem sejam divulgadas com clareza, rigor e verdade, designadamente, revelando: «Sermos justos, sensíveis, honestos, confiantes e confiáveis em todas as nossas relações entre nós, com os clientes, com os vendedores e com a comunidade em geral. Obedeceremos todas as leis, de fato e em espírito, e faremos sempre a coisa certa, em todas as situações, no máximo da nossa capacidade. E se fracassarmos, faremos todo o necessário para consertar.» (Ibid.:198).

 

Bibliografia.

 

HAWLEY, Jack, (1995). O Redespertar Espiritual no Trabalho. O Poder do Gerenciamento Dharmico. Tradução, Alves Calado. Rio de Janeiro: Record. 

 

 

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domingo, 13 de outubro de 2024

VIVER SEGUNDO A VERDADE INTERIOR.

 Para muitas pessoas é muito difícil viver com a verdade, independentemente de ser a sua própria versão, ou estranha a si mesma. Por vezes, a verdade dói muito, quer a quem a sente, quer a quem tem de a divulgar e, também acontece, que quando é necessário afirmar-se a realidade que se tem no interior, que não traz alegria, a uma pessoa de quem gostamos muito, essa atitude provoca um sofrimento atroz, que só quem gosta genuinamente de outrem, sabe o quanto custa suportar.

Seria excelente se fosse possível viver-se com a verdade benevolente que cada pessoa tem no seu íntimo. Talvez que a “construção” do caráter individual beneficiasse com a certeza autêntica: «É o caráter que faz funcionar a receita da vida, determinando se engasgamos com ela ou se a saboreamos» (HAWLEY, 1995:161).

Quando se aborda o conceito “caráter”, tenta-se identificar um conjunto de qualidades e/ou defeitos para definir uma pessoa. Igualmente, nas empresas, esta enunciação, é muito importante para se avaliar um trabalhador. Afirma-se que o colaborador tem bom caráter, ou mau caráter, imputando-se boas ou más particularidades.

Com efeito: «O caráter é o elemento que distingue, a essência, o ingrediente básico do novo paradigma administrativo. Ele pode dar à vida da empresa um calor e uma especialidade que hoje em dia estão muito comprometidos. As pessoas têm fome de caráter. A palavra caráter refere-se a um conjunto de ideias e virtudes sociais interligadas, dentre as quais estão a moralidade, a ética, a honestidade e os valores humanos. No trabalho administrativo o caráter consiste em integridade e dharma.» (Ibid.:163).

Se não houver encenações, nem falsidades, nem impostorices, nem hipocrisias, o nosso comportamento funciona muito na base do nosso caráter, da nossa verdade interior, com todos os defeitos e qualidades, apesar de em certos contextos, as regras sociais, jurídicas, tradições, usos e costumes nos imporem atitudes que, muitas vezes, estão em oposição ao nosso caráter.

Em determinadas circunstâncias, quando não se torna pertinente obedecer às normas da sociedade, e estamos perante pessoas que nos merecem a mais elevada solidariedade, amizade, lealdade, estima, consideração e gratidão, isto é, quanto convivenciamos com pessoas que, independentemente de qualquer laço parental, temos a obrigação de sermos sinceros, verdadeiramente amigos, então a nossa verdade interior, através dos nossos princípios, valores, sentimentos e emoções, deve ser manifestada, porque só assim estaremos a respeitar a dignidade de tais pessoas, bem como a amizade que temos por elas.

Novamente, numa versão diferente, aceita-se perfeitamente que: «O caráter é o ingrediente fundamental que provoca a singularidade e a totalidade da vida. A falta de caráter é uma doença de deficiência, uma falta da quantidade mínima da vitamina C necessária à vida. Quer ou não as pessoas viabilizem isso ou pensem, elas sabem que a ausência de caráter significa que são menos do que eram, menos do que deveriam ser, e menos do que se destinavam a ser.» (Ibid.:166).

É certo que o caráter envolve integridade nos vários sinónimos que esta palavra possa assumir: probidade, honradez, retidão, virtude, inteireza, entre outras possíveis. Portanto: «Integridade é ter a coragem e a autodisciplina para viver segundo sua verdade interior. Imagine uma vida humana assim. Existe nela uma grande honra. (…) É um grande sentimento.» (Ibid.:167).

A integridade, talvez o alicerce essencial e mais sublime do caráter, comporta em si mesma cinco ideias básicas a saber: «(1) inteireza, (2) bondade – duas coisas implícitas na palavra integridade – (3) coragem, (4) autodisciplina e (5) viver de acordo com a verdade interior.» (Ibid.).

Aceite-se, ou não, que a sociedade coloca-nos muitos obstáculos, para podermos ser totalmente verdadeiros, porque em certos ambientes, com pessoas complexas e fingidas, no jogo dos interesses quantas vezes inconfessáveis, quando se deseja agradar a “gregos e troianos”, não há caráter para agirmos em conformidade com a verdade interior, recolhemo-nos numa covardia social, e até nos insurgimos quando alguém tem a audácia de usar connosco a sua verdade interior. Tais pessoas preferem a “flexibilidade” da perfídia para ficarem bem “fotogénicas” no quadro dos valores sociais mais quixotescos e inacreditáveis.

Mas é possível, ao longo da vida, e na maior parte das circunstâncias, contextos e pessoas, manifestarmos a nossa integridade, nas suas cinco principais ideias que se transcrevem: «1. Inteireza implica totalidade, perfeição e completude – uma espécie de integridade ou força estrutural forjada. Essas ideias são atraentes em nossas culturas ocidentais (…). 2. A bondade fornece a honestidade e a moralidade em que pensamos ao usar a palavra integridade. Incluídos na bondade estão a decência humana, a justiça, a gentileza, a polidez e o respeito. (…). 3. Coragem não é ausência de medo; é seguir em frente a despeito dele. (…), decidir não guardar alguma coisa que você sabe que precisa ser dita. É dizer a verdade diante do perigo e do abismo. É ser cândido quando isso pode ser perigoso. É fazer ou dizer coisas mesmo quando sejam desconfortáveis. 4. Autodisciplina (…) é ganhar forças para agir de acordo com suas instruções interiores. É disciplina no sentido positivo (…) Autodisciplina é autodesenvolvimento. É o cultivo de capacidades internas (…). 5. Viver de acordo com a verdade interior é o mais importante. A verdade interior comunica-se através de fracos sussurros, pensamentos, imagens e sentimentos profundamente enterrados em nós. Todo o ser humano nascido neste planeta possui esta verdade e tem capacidade de conjurá-la. É uma capacidade aprendida, e exige trabalho. É uma descoberta de nossa percepção sutil, porém verdadeira.» (Ibid.:167-169).

Depois do que se acaba de investigar e divulgar, é provável que muitas pessoas entendam que não se consegue viver em sociedade com a “Verdade Interior”, manifestando-a em todos os contextos, circunstâncias e com quaisquer pessoas e que, portanto, eventualmente, não estão preparadas para assumir, em público, e/ou em privado, tão grande quanto importante responsabilidade.

Por outro lado, será que a maioria das pessoas está preparada para ouvir, concordando ou discordando, as “verdades Interiores” de outras, se tais verdades não forem “agradáveis” para elas? Será que estas pessoas preferem informações fabricadas a gosto, para ficarem satisfeitas no seu ego? E até onde se podem alimentar tais atitudes que não correspondem à Verdade Interior?

 

Bibliografia.

 

HAWLEY, Jack, (1995). O Redespertar Espiritual no Trabalho. O Poder do Gerenciamento Dharmico. Tradução, Alves Calado. Rio de Janeiro: Record

 

 

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terça-feira, 8 de outubro de 2024

Filosofia Social e Política, especialização: Cidadania Luso-Brasileira, Direitos Humanos e Relações Interpessoais, pela FATECBA – Faculdade Teológica e Cultural da Bahia – Brasil.

TESE DE DOUTORAMENTO – CURSO LIVRE

(Não está reconhecido em Portugal)


Sinopse

 

“Filosofia para a Cidadania Luso-Brasileira: Um Projecto de Formação ao Longo da Vida”, pretende ser um trabalho que motive a sociedade em geral e cada pessoa em particular para uma nova postura, face aos valores da cidadania e o correlativo exercício dos competentes deveres e direitos do cidadão.

 

O fio condutor desta reflexão será constituído pelo cidadão investido da dignidade da pessoa humana, responsável e competente, tolerante e solidário inspirado no autor luso-brasileiro, enquanto referência modelar e sempre atual, pelos valores que defendeu e praticou: lealdade, integridade, tolerância, solidariedade e justiça.

 

Na primeira parte descrevem-se algumas das dimensões do homem: religiosa, cultural, axiológica, política, inserido numa sociedade onde intervêm vários agentes seus constituintes, desde logo o próprio homem, a família, a igreja, a escola.

 

A segunda parte do trabalho será totalmente dedicada a Silvestre Pinheiro Ferreira: vida e obra, seguindo-se a relevância do seu pensamento e a influência da sua filosofia, numa perspectiva educacional e formativa, aplicada aos vários domínios da vida real, na sociedade luso-brasileira dos séculos XIX e XX, respetivamente destacando-se o seu envolvimento social, educacional, político e nos direitos do homem e do cidadão.

 

A importância da Filosofia da Educação e da Ciência, na formação do cidadão, abrem a terceira parte, com o enquadramento destes domínios nos séculos XX e XXI, com reflexões pertinentes e evolução para uma ideia de multiculturalismo, no qual se abordam a religião e os valores culturais, o Estado democrático e seus problemas.

 

Analisaremos uma Filosofia da Educação para os direitos humanos e para a cidadania plena, fechando-se esta parte com uma reflexão acerca dos benefícios do progresso da Ciência na melhoria dos direitos humanos.

 

Aproximamo-nos da necessidade de tentarmos caracterizar este novo cidadão, o que ocorrerá nesta quarta parte: formação ético-moral, valores e princípios, capacitação para o trabalho e preparação cívico-política com o apoio de alguns intervenientes nesta formação, com relevo para a família, igreja, escola, comunidade, empresa, Estado e o próprio Homem-cidadão.

 

Esta parte termina com uma alusão à cidadania luso-brasileira, que se considera pertinente, face às relações amistosas que cada vez mais devem unir portugueses e brasileiros.

 

O trabalho concluir-se-á recuperando-se a referência Silvestrina, na Filosofia e na Educação para uma genuína cidadania luso-brasileira como ponto de partida, na cultura, na vida social, na educação e formação profissional e na política institucional, desenvolvendo-se a seguir o projecto de preparação do novo cidadão luso-brasileiro do século XXI e quais os intervenientes neste processo.

 

Finalizaremos este nosso esforço com algumas sugestões para formar este cidadão que, é nossa convicção profunda, certamente, terão alguma aplicação prática e resultados evidentes no médio prazo, eventualmente, ao fim de uma ou duas gerações. Assim o queiramos todos nós; assim o apoiem os dirigentes institucionais com responsabilidades públicas e privadas.

 

Boas leituras neste mês e seguintes com os meus votos de muita saúde, trabalho, amor, felicidade, paz e a Graça de Deus, para vocês, familiares, amigos e colegas.

 

 

“NÃO, à violência das armas; SIM, ao diálogo criativo. As Regras, são simples, para se obter a PAZ”

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Venade/Caminha – Portugal, 2024

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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