domingo, 27 de maio de 2012

A Criança e a Sociedade Contemporânea

Se as pessoas adultas são consideradas como um dos mais valiosos e rentáveis recursos naturais, ao serviço de quase todos, e de cada qual em particular, então as crianças são a garantia desses recursos, a reserva mundial, com a vantagem de que ainda poderão ser muito melhores, em todos os sentidos, do que as atuais gerações mais velhas.
As crianças são um tesouro de valor inestimável que, devidamente utilizadas, em todas as suas capacidades, contribuirão para a riqueza das nações, justamente, através da sua educação e formação.
A sociedade contemporânea, pela atuação dos seus máximos representantes: políticos, empresários, familiares, religiosos, terão um papel preponderante na defesa das crianças que, como se sabe, são vítimas das maiores atrocidades físicas, psicológicas e morais.
As crianças de hoje, em muitas partes do mundo, tal como ocorreu durante a Revolução Industrial, continuam a ser exploradas, para diversas finalidades, incluindo o enriquecimento material de indivíduos sem valores ético-morais, sem escrúpulos. São milhões de crianças a sofrer abusos de toda a ordem, vítimas inocentes: da pedofilia, da prostituição, da guerra, da fome, do analfabetismo, da falta de cuidados de saúde, de habitação, de educação e formação.
Crianças que são um estorvo para muitos progenitores, uma despesa para certos governantes, um negócio, quando ainda sob a forma de feto, sem culpa formada, são assinadas, a troco de intervenções clínicas, bem pagas. Mas afinal, o que se pode afirmar com segurança é que nenhuma criança: a) pediu para nascer; b) escolheu os seus pais; c) cometeu qualquer crime. Então porque se condenam as crianças às penas mais degradantes, incluindo o castigo capital – a morte –?
Apesar de existir um quadro negro, felizmente, não generalizado, acerca da situação de milhões de crianças, na sociedade atual, também é verdade que, em muitos países, muito se tem feito pela dignificação da criança, pela sua valorização moral e espiritual e pela sua preparação para a vida ativa, no futuro. É verdade que, em geral, existe uma forte sensibilidade para a proteção dos superiores interesses da criança.
Os países mais desenvolvidos têm, desde há várias décadas, apostado tudo na educação e formação das crianças e dos jovens (também nos adultos) e o que se verifica, sem grande esforço científico, é que nesses países o nível e qualidade de vida da população são de excelência.
O investimento nas crianças é a melhor estratégia para um mundo melhor, um futuro promissor que pode beneficiar a humanidade em geral e muitos dos atuais responsáveis, aqueles que pertencem a gerações novas mas já no poder, que se tiverem uma visão estratégica para a construção de uma humanidade mais afetivista, investem numa educação com objetivos diferentes.
 “Entretanto a escola deverá e muito rapidamente sofrer grandes transformações para redefinir sua missão, hoje tão voltada exclusivamente para transformar crianças e jovens em eficientes prestadores de qualidade de mão-de-obra para o mercado do trabalho, hoje tão erroneamente endeusado, para concomitante e eficazmente ensinar um humanismo prático e direto, de forma que em poucas gerações comece a surgir um novo homem e uma nova mulher, mais afetivamente equilibradas e distanciadas dos pontos extremos e exacerbados que foram levados a viver, em decorrência de ensinamentos falhos e incompletos …” (COLETA, 2005:19):
A sociedade contemporânea não pode perder mais tempo, deverá iniciar o processo de recuperação de todas as crianças, a começar por aquelas que estão sendo vítimas dos maiores atropelos aos seus direitos, consagrados em numerosos documentos, subscritos pelas mais altas instâncias internacionais.
Olhar as crianças como um futuro mais promissor e humano, porque elas estão na idade de tudo receberem, qual recipiente vazio que se pode encher com o que se desejar, sem prejuízo do exercício da sua criatividade, espontaneidade e liberdade.
As crianças, devem ser preparadas para o seu próprio futuro e também do dos seus descendentes, podendo, eventualmente, beneficiar os próprios progenitores. A sociedade atual é responsável pela degradação de milhões de crianças, pelo que deve assumir um novo comportamento, no sentido de as resgatar da humilhação a que elas vêm sendo submetidas.

Bibliografia

COLETA, António Carlos Dela, (2005). Primeira Cartilha de Neurofisiologia Cerebral e Endócrina, Especialmente para Professores e Pais de Alunos de Escolas do Ensino Fundamental e Médio, Rio Claro, SP – Brasil: Graff Set., Gráfica e Editora

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
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domingo, 20 de maio de 2012

Cultura: Memória e Desejo

A Hermenêutica que vem do grego “hermēneuein”, que significa interpretar, era um termo inicialmente teológico que indicava a metodologia própria da interpretação da Bíblia, dependendo da exegese linguística e histórica.
O vocábulo transitou depois para o domínio laico, para designar o esforço de interpretação científica e, se possível, exaustiva de um texto difícil, tendo sido retomado contemporaneamente, por Paul Ricoeur, entre outros.
Certamente que a interpretação da Bíblia, ou de um texto difícil, ou mesmo de uma cultura, constitui, eventualmente, um obstáculo intransponível se se considerar a ausência de investigação científica, profunda, exclusiva e longa no tempo, situação que se verifica, com muita frequência, entre estudantes, investigadores e académicos. Não é fácil, nem levianamente encarada a obrigação de elaborar um trabalho sobre qualquer tema hermenêutico, como bastante espinhoso se torna o estudo desta matéria.
Neste contexto hermenêutico, a cultura é, portanto, a base fundamental, a partir da qual o homem se projeta para um horizonte de esperança, porque conhecedor do seu passado, ciente dos erros que a História lhe narra e das virtudes que lhe ensina.
Tradição e Cultura são aspectos do mesmo enquadramento humano no mundo, porque, efetivamente, a cultura acumula-se pela tradição, pela experiência, pelo intercâmbio entre os povos, ela é, afinal, o modo de ser, agir e pensar de um povo e, só na posse desse conhecimento, tão rico e profundo, é que a compreensão se torna possível. A cultura é, acima de tudo, um estudo prolongado, sempre renovado, sempre atualizado aos seus temas, no contexto histórico-social.
Como ser no mundo, o homem tem, forçosamente, um comportamento perante esse mundo e que inclui diálogo. É este diálogo que faz para além do ambiente, o mundo do homem. Em consequência, o homem encontra-se numa relação de pertença para com a sua experiência originária do mundo: não é sem o que já foi, sem o que já viveu e experimentou, não é sem a experiência acumulada por si e seus antepassados.
Ele pode captar, perfeitamente, o seu sentido último, compreender a sua posição no mundo e explicar aos vindouros os factos do presente, interpretando com segurança os Projetos que deseja para o futuro, não numa atitude dedutível nem puramente lógica, mas numa postura de entendimento dos valores que lhe estão subjacentes, os quais deve aplicar e desenvolver no sentido positivo, depois de corretamente assimilados.
A cultura é memória e desejo, uma recapitulação do mundo antigo em projeção para o futuro. A cultura é mais uma formação de carácter do que transmissão de saber, uma valorização total do homem, no sentido da sua otimização humana, pelo que não há cultura sem um certo conceito de humanismo, que lhe sirva de suporte e de orientação permanentes
É neste âmbito que se pode defender o investimento na cultura, não como uma forma de intelectualismo encapuzado, não numa perspectiva de sucessocracia material e faustosa mas, bem pelo contrário, numa estratégia antropológica, direcionada para o desenvolvimento do homem, para o seu apalavramento com o mundo e com os outros, seus iguais, justificando-se como pessoa de direitos e deveres, como “animal de cultura”, enfim, como Homem, como Pessoa Humana.
Um projecto de futuro, que leve consigo a ousadia da Esperança, o atrevimento da Utopia, mas que assente sobre a racionalidade e a tradição dos valores fundamentais do homem, nomeadamente nas ideias de Amizade, de Justiça, de Lealdade, de Fraternidade, de Solidariedade, de Bondade e de Verdade, entre tantas outras que se mantêm atuais.
Em Hermenêutica, nenhum texto fica concluído sob o ponto de vista da interpretação, completamente fechado, até porque, a abertura que nas suas entrelinhas se revela seria suficiente para se continuar nova interpretação, novos ensaios. O Homem, com todo o peso da sua cultura, será indefinidamente um ser aberto, incompleto e sempre em busca da verdade da sua condição.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

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domingo, 13 de maio de 2012

Deus, Fé e Ciência


O Homem vive no mundo, movendo-se no espaço e existindo no tempo. E, se por um lado, o espaço o situa no meio natural que o rodeia; o tempo, dá-lhe um passado histórico, constituindo ambos uma espécie de estrutura dialética que, logicamente, vai ditando o futuro desse mesmo Homem.
Esse mundo concreto, histórico-linguístico, onde a experiência e a compreensão têm papéis relevantes, constitui o horizonte no qual o Homem se realiza, e se compreende a si mesmo, no mundo.
Note-se, porém, que pelo fato de o Homem se realizar como um todo no horizonte do ser, o seu mundo é um mundo humano e a sua história, uma história humana. Por outras palavras, a sua realização, como Homem, em todo o horizonte do ser, só é possível porque o Homem está aberto ao ser que, por sua vez, se lhe revela em todas as coisas e sucessos do seu mundo histórico.
O ser é, portanto, o supremo, incondicionado e ilimitado horizonte, para o qual nos dirigimos continuamente, mas sem jamais o podermos alcançar plenamente. Como condição do horizonte do mundo está o supremo e incondicionado horizonte do ser que, além de penetrar o mundo, transcende-o, abrindo-se à autorrealização do Homem no mundo.
O Homem vê-se, assim, envolvido no seu quotidiano, com o problema hermenêutico da intelecção da existência humana no mundo, e com o problema metafísico do ser como horizonte global: do perguntar e do saber; do querer e do operar humanos; horizonte esse supremo e incondicionado, onde a diversidade histórica dos diferentes mundos de experiência e compreensão, vai buscar o seu condicionamento e entendimento.
Por mais que o Homem se debruce sobre o seu mundo humano de experiência e compreensão, jamais o abarcará na sua “Totalidade do Ser”. Cada pergunta que faz sobre a realidade do mundo, só obtém respostas parciais e limitadas, a ponto de se poder afirmar que todo o saber revela ignorância ou, se quisermos, todo o saber é “ignorância que sabe”.
É, todavia, a consciência dessa ignorância que leva o Homem a ulteriores perguntas, permitindo-lhe não só ampliar o nosso mundo mas ainda, transcende-lo. Com isso, o nosso mundo não deixará de ser limitado. No entanto, a irrequietude da inteligência humana, traduzida nas perguntas que continuamente se sucedem, sobre o nosso mundo de experiência e de compreensão, leva-nos à conclusão de que esse mesmo mundo não pode constituir, fundamentalmente, o último horizonte do perguntar e do entender humanos. É assim que o condicionado nos leva ao incondicionado, o relativo nos revela o absoluto. Chegamos, então, a Deus.
Qual Deus? O Deus da Fé Cristã? No mundo da compreensão do Homem atual ainda fará sentido falar de Deus? Não terá esta palavra perdido todo o seu significado? Repare-se que não se trata aqui de aduzir provas a favor ou contra a existência de Deus, nem muito menos de esclarecer se com este ou aquele argumento se pode demonstrar a existência de Deus. Trata-se do próprio conceito de Deus. É, portanto, uma questão muito anterior e muito mais fundamental.
No passado, quando se falava de Deus, entendia-se, imediatamente, o Deus da fé cristã, que a Teologia e a Filosofia Cristãs apresentavam num horizonte comum de inteleções. Mesmo quando os protestos se erguiam contra Deus se entendia, univocamente, num horizonte comum de compreensão, em sentido cristão.
No entanto, é forçoso reconhecer que, pouco a pouco, o tal horizonte comum de compreensão foi-se dissipando: ora envolto nas diferentes formas de ateísmo; ora esbatido em conceções que apresentam alterações muito concretas e determinadas. Note-se, porém, que não se trata, muitas das vezes, de meras invenções arbitrárias, nem tão pouco de uma má intenção dos adversários da fé cristã.
Creio mesmo ser honesto reconhecer que, muitos dos filósofos, que a história nos aponta como adversários do Deus do Cristianismo, feita uma análise profunda das suas obras, constata-se, sem grande dificuldade, que eles não eram “contra Deus”, nem tão pouco, bem vistas as coisas, contra a fé em Deus, mas somente contra um Deus que “escravizava o Homem, humilhando-o e privando-o dos seus direitos”.
Numa palavra, eram contra um Deus que privava o Homem da sua liberdade e, portanto, da sua dignidade. Afinal, bem visto o problema, eram contra Deus que não era O do Evangelho, pois sabemos bem que Esse Deus não é despótico, mas, pelo contrário, respeita a liberdade do Homem.
Um Deus de Amor, diz-se. É, certamente, forçoso reconhecer que muitas críticas dos adversários ao Deus da fé cristã, resultam de representações e modos de expressar a fé em Deus, demasiadamente ingénuas, sendo tais críticas uma sequência racional da própria ingenuidade com que se vive essa mesma fé.
Por outro lado, também sabemos que, nos primórdios da humanidade, o Homem para explicar os fenómenos da natureza, por mais simples que fossem, recorria a Deus, não propriamente no sentido de última causa do ser, mas como causa física, embora suprema.
Quando a Ciência no século XVII tomou um impulso decisivo, que parecia fazer prever a resolução de todos os problemas do Homem, à medida que se iam descobrindo as leis da natureza, deixava de ser necessário recorrer a Deus, como uma causa, entre outras causas, que no mundo atuavam imediatamente.
Não admira, por isso, que em nome da Ciência, se negasse Deus. É que se confundia Deus com uma causa entre outras causas. Deus era, então, uma mera hipótese suplementar, a que se continuava a recorrer sempre que a explicação do mundo, por meras causas naturais, já não era suficiente. E isto, com uma agravante, uma vez que tal hipótese suplementar não era verificável, com os meios de que dispunha a investigação empírica.
Apesar disso, e por isso mesmo, sempre que devido ao avanço da Ciência e dos seus métodos, essa hipótese caía por terra, aí se levantava o coro daqueles que, em nome da Ciência, refutavam a crença em Deus. Quem não tem presente a polémica surgida com a teoria da evolução de Darwin? Não é possível a evolução das espécies, porque Deus tudo criou, dizia a fé cristã, baseada na Bíblia. Mas se há evolução, então Deus nada criou e até é inútil, dizia-se em nome da Ciência.
Quem teria Razão? A Ciência ou a Bíblia? Falar da Razão, aqui, seria, talvez, falar dum vencido perante um vencedor. Mas, afinal, a Bíblia e a Razão têm, no mundo da compreensão do Homem, o seu lugar próprio, bem definido, que faz com que, longe de se contradizerem ou excluírem, antes se completam, se encontram no horizonte aberto do ser, que faz com que o estar do homem no mundo seja um estar de tensão contínua em Deus, e para Deus, com realização plena do seu ser.
Não há dúvida que a constituição essencial metafísica da existência humana, no mundo, se enquadra no acontecer da salvação que Deus faz no mundo e na história. Não fora assim e teríamos o sobrenatural como uma realidade que se acrescentaria, em plano secundário, à essência natural do homem. Mas não.
Pelo contrário, a vida do homem é uma realidade concreta, abarcada pela obra salvífica de Deus, porque Ele falou e a sua revelação significa abertura da Sua ação através da Palavra. Se por um lado, o Homem está aberto para ouvir a Palavra de Deus, por outro lado, essa mesma Palavra só poderá ser entendida dentro do contexto de salvação em que foi pronunciada, tendo em conta o Homem concreto, o Homem Histórico, bem definido no espaço e no Tempo.
Para uma interpretação correta da Sagrada Escritura, é preciso ter em conta que a Palavra fala ao Homem, numa palavra simultaneamente humana e histórica. Daí resulta que a questão teológica acerca do sentido salvífico da mensagem da Bíblia está, intimamente, ligada ao rosto humano do autor material, histórico, das palavras.
Por isso mesmo, a doutrina da Bíblia terá que ser vista à luz duma relação alternante que: por um lado, numa retrospetiva, nos conduza à sua origem histórica; e, por outro lado, dê resposta ao problema da salvação pessoal de cada um de nós.
Temos, assim, aquilo que alguns autores classificam de “arco hermenêutico” em que a palavra de Deus, revelada no passado, atinge a proclamação atual de fé, mediante a tradição da Igreja e a reflexão teológica. A palavra de Deus penetra na fé e na vida do homem de hoje, através duma interpretação histórico-linguística.
Pode-se, portanto, afirmar que entre a Fé e a Ciência não há contradição. Nem pode haver. É que, sob prismas, embora diversos, ambas se conjugam para uma compreensão total do ser. Apesar disso, por ironia do destino, essa meta da compreensão total do ser não passará duma meta ideal, que nunca será atingida, uma vez que o Homem só dispõe da medida do finito, do relativo, para abarcar o infinito, o absoluto.
Por isso mesmo, quando o homem põe toda a sua realização pessoal na ciência humana, fica atolado na sua ignorância. É que a Ciência é um círculo fechado, constituída por leis e princípios que o Homem descobre, constrói e utiliza, para compreender e explicar a realidade, mas não é a própria realidade.
Portanto: para uns, a evolução da matéria orgânica revela perfeição nos princípios porque se rege; para outros, como o biólogo Jacques MONOD, (Jacques Lucien MONOD, 1910-1976, foi um biologista francês. Foi agraciado com o Nobel de Fisiologia/Medicina de 1965, por descobrir atividades reguladoras no interior das células) ela é fruto de programação genética.
Dando um salto do finito para o infinito, do relativo para o absoluto, será caso para se afirmar: que Ser é esse que até de erros faz brotar a perfeição e a beleza doutros seres? Será Deus? Se sim, então vale a pena pensar Nele

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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domingo, 6 de maio de 2012

Como Governar a Cidade Educadora


Governar com liberdade, responsabilidade e democracia, exige princípios e atitudes éticas, atos e ações moralmente aceitáveis e meritórios. As cidades, vilas, freguesias ou bairros, devem avocar esta nobre missão, que consiste em preparar a sua comunidade local para, sempre que possível, cada cidadão esteja à altura de desempenhar as tarefas próprias do cargo, para o qual, democraticamente e de boa-fé, foi eleito.
A ética do governante não é compatível com os seus interesses particulares, se estes ofenderem ou prejudicarem os direitos coletivos. Operacionalizado o princípio em toda a comunidade, então todos têm a obrigação e o dever ético-moral de participar no desenvolvimento e consolidação do bem-estar público.
Se se partir do individual, com objetivos pessoais, também se verifica existir uma relação com o coletivo, porque se todos os indivíduos estiverem bem, então a comunidade será a soma de todos os bens individuais, isto é: “O objetivo último da atividade humana é a felicidade, a qual, pensem o que quiserem os juízes superficiais, consiste no exercício ativo das virtudes do intelecto e do carácter; ou, em termos mais concretos, numa tendência fixa para desejar o bem, associado a um habitual ajuizar correto daquilo que é bom em geral e em particular.” (ALLAN, 1970: 161)
Como assertiva nuclear, pode-se aceitar a exigência, segundo a qual, a comunidade deve estar preparada para exercer livre e responsavelmente os cargos inerentes à governação da cidade, vila, freguesia ou bairro, na perspectiva educativa, de tal forma que os cidadãos possam sentir o desejo permanente, e terem a disponibilidade necessária, para a participação competente, democrática e responsável na vida ativa da comunidade.
Para além das habilidades técnicas, dos conhecimentos científicos e de outras capacidades positivistas, todas indispensáveis ao bom governo, principalmente, no domínio das respetivas especialidades, exige-se, ao mesmo nível e simultaneamente: sensibilidade para os assuntos sociais; sabedoria e prudência na resolução deste tipo de situações, problemas e conflitos, o que pode ser conseguido, pelo menos na forma tentada, pelos conhecimentos fornecidos pelas ciências ditas subjetivas e pela própria Filosofia, porque: “Só por isso a Filosofia tem garantida a sua presença no mundo, à procura do esclarecimento das ideias, como o único e efetivo caminho para a solução dos problemas da vida humana, na sua essência, cumprindo esta missão de ajudar ao homem, em primeiro lugar, a tomar consciência do que seja a força das ideias.” “MENDONÇA, 1996: 34)

Bibliografia

ALLAN, D. J., (1970). A Filosofia de Aristóteles. Trad. Rui Gonçalo Amado. Lisboa: Editorial Presença

MENDONÇA, Eduardo Prado de, (1996). O Mundo Precisa de Filosofia, 11ª edição, Rio de Janeiro RJ: Agir
  
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
 
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domingo, 29 de abril de 2012

O Dilema Humano


A Ética, como ciência da praxis humana, que visa dirigir a vida no respeito pelos direitos e deveres de todos e de cada um, tem de estar presente na consciência das pessoas. A Ética como a disciplina dos deveres, principalmente no que a cada pessoa tem a obrigação de fazer, de se comportar, enfim, de contribuir para um relacionamento humano mais saudável, em todos os contextos.
A importância da família não deve, portanto, ser menosprezada pelos seus próprios elementos, os quais devem, eles próprios, isso sim, procurar por todas as formas admissíveis, a melhor harmonia e progresso. Na verdade, muitos são os problemas que afetam a estabilidade familiar, podendo citar-se, entre os que mais contribuem para a discórdia, no seu seio e que, inexoravelmente, passam à sociedade e provocam nesta, desequilíbrios mais ou menos profundos.
Numa sociedade cada vez mais complexa, e tendo em conta uma determinada orientação filosófico-religiosa, ao nível do matrimónio legal e religiosamente celebrado, os atos sexuais naturais, praticados em comunhão recíproca dos cônjuges, com amor, afetividade e respeito, são aceitáveis pela Ética e pela Lei Divina, contribuindo, com a sua quota-parte, de forma eficaz, para a harmonia e felicidade conjugais, para a estabilidade e progresso da família, para o equilíbrio e tolerância da sociedade.
A Ética assume, na vida sexual, uma importância fundamental, tanto mais decisiva quanto mais vincula o indivíduo a uma praxis verdadeiramente humana, consentânea com os valores mais profundos que todos devem desejar reativar, agora que se iniciou um novo século, do qual se espera uma era de paz, de prosperidade, de amor e de progresso controlado, vocacionado para a supressão da fome, do ódio e da guerra.
A família, como é sobejamente conhecido, constitui a primeira e a mais significativa estrutura organizado, como construto de uma sociedade, de resto, a família é a célula a partir da qual se formaram os clãs, as tribos, as comunidades, as sociedade, as nações e o mundo humano, em que as gentes deste universo vivem, com as suas tradições, culturas e civilizações.
A Ética é, portanto, a base normativa da tarefa do Homem-ser-Homem, inviolável, intimamente pessoal, a que nenhuma autoridade terrena tem acesso. A Ética como disciplina normativa, do foro íntimo de cada ser humano, subordina a si todas as demais disciplinas práticas, e tanto mais quanto mais íntima e direta é a relação destas com o humano.
O homem é um “ser-com-os-outros”, numa atitude dialógica permanente e, como tal, palco de inúmeras atividades, especificamente humanas. A atividade política é, neste contexto heterogéneo, uma vertente ou dimensão do homem que não o globalizando ou substancializando, não deixa, porém, de ser um componente importante, na caraterização do seu todo.
Nos dias atuais, coloca-se, também, a questão de se saber se o progresso moral e espiritual acompanham o progresso técnico-material. Com efeito, a descoberta de técnicas que ainda há bem poucas décadas seriam uma utopia, e a consequente aplicação de práticas, revelam até que ponto pode a grandeza do homem chegar, todavia, tal dimensão será ela, por si só, dignificante do homem como pessoa humana, ou conduzirá, pelo contrário, à escravidão e humilhação do mesmo homem, que a desenvolveu?
Atualmente a Ética terá de ser a disciplina nuclear em todos os currículos escolares, sejam de natureza técnica, cultural ou científica. Há que ressuscitar a moral fundamental de há dois milénios. Urge dinamizar as Igrejas no mundo, no sentido da concretização da mais íntima união da Igreja com toda a família humana, porque ela é a vocação do homem, porque o homem é criado à imagem de Deus e Este é Supremo Bem, cúpula celestial de todas as cúpulas terrenas.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo


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domingo, 22 de abril de 2012

Amizade Incondicional

Os verdadeiros e sinceros princípios, valores, sentimentos e amigos são inegociáveis porque, de contrário, faltar-se-á ao que de mais autêntico deverá prevalecer nas pessoas que, reciprocamente, se desejam bem.
Efetivamente, a comunhão daquelas dimensões, nas pessoas genuinamente humanas, constitui a superior e sublime diferença entre o ser humano e as restantes criaturas que habitam este planeta. A amizade pura, sem restrições, é o sentimento que consolida todas relações entre pessoas que se gostam, dir-se-á, que se amam, aqui na grandeza e generosidade de um genuíno “Amor-de-Amigo”.
Ao longo da vida, nas diferentes situações, papéis e intervenções que surgem a cada ser humano, os sentimentos perduram, com maior ou menor intensidade, de acordo com os níveis de lealdade, reciprocidade e confiabilidade da pessoa por quem eles se manifestam.
A amizade não pode ficar prisioneira de conjunturas circunstanciais e, muito menos, de oportunismos e conveniências pessoais, sociais, profissionais e estatutárias. A amizade é um bem supremo, pelo qual se deve pautar toda a relação que se deseja sincera, permanente e fidedigna. A amizade, quando se pauta pela reciprocidade, deverá ser eterna. Ela só é conciliável com a lealdade, com a solidariedade, com a cumplicidade, com a reciprocidade e com a firmeza de atitudes.
É praticamente impossível conceber a amizade sem algum sofrimento. A pessoa que verdadeiramente alimenta um autêntico “Amor-de-Amigo”, ao longo de uma relação, enfrentará situações complexas, por desinformação, por dificuldades de explicação, por incorreta interpretação de uma ou das duas pessoas envolvidas e porque estas se querem bem, preocupam-se, reciprocamente, com o bem-estar de cada uma, e tudo o que contrarie aqueles objetivos, causa dor.
Tais desentendimentos, temporários, possibilitam, depois, um reforço da amizade, justamente, pelo esclarecimento e pela reconciliação. É nesta dialética relacional que os amigos atingem, com frequência, a felicidade de se ser um verdadeiro e incondicional amigo.
O amigo será sempre um conselheiro, um confidente, um cúmplice, no qual se pode acreditar, desabafar, pedir ajuda, dar apoio. O amigo não vira as costas, em nenhuma circunstância, à pessoa de quem verdadeiramente gosta, que por ela luta incansavelmente, procurando, a todo o custo, tê-la sempre do seu lado. Os amigos são para se ouvirem, para se solidarizarem, para partilharem tudo, sem restrições, nos bons e nos maus momentos. Amigos incondicionais, para a vida e para a morte.
Há um princípio na vida das relações pessoais e da amizade que reza o seguinte: “Quem convive, confraterniza e se relaciona bem, para lá do estritamente profissional, com pessoas que  ofendem, a nós e/ou aos nossos amigos, então quem continua a conviver com tais pessoas, não pode ser nossa verdadeira e sincera amiga”. Há como que uma incompatibilidade sentimental, afinal e se se quiser, uma inconfortável “flexibilidade” que, quantas vezes, magoa o verdadeiro amigo.
Pode-se transformar aquele princípio na seguinte fórmula: “Se “A” é amigo de “B”; “B” é amigo de “C”; mas “C” é detractor de “A”; então “B” não pode ser amigo verdadeiro de “A” e vice-versa. Se assim não for e todos se fazem amigos de todos, então talvez esteja aberto o caminho da hipocrisia, da falsidade, da desconfiança.
Dito de forma mais direta: “O amigo do meu adversário/inimigo, e/ou que com este convive,  não será, certamente, meu amigo”. Se assim não for, então, as pessoas envolvidas numa relação desta natureza, fingem que são amigas, elas cuidam das suas aparências, pretendem fazer passar a ideia de que são “boazinhas”, quais “lobos vestidas de cordeirinhos”. Infelizmente, a sociedade, está repleta de “cordeirinhos”.
Outras há que colocando, acima de tudo e de todos, os seus próprios interesses, egoísmos e ganâncias, do tipo: “primeiro eu, depois eu e sempre eu”, dando, depois, para os outros, com falsa generosidade, o que já não podem e/ou não querem “comer”, também não parece que possam ser amigas sinceras, do coração.
Estas pessoas, enquanto a vida corre para o seu lado, tudo fazem para ganhar as simpatias, convivendo com “Deus e com o Diabo”, porém, quando as suas ambições e ganâncias se frustram, são as primeiras a “abandonar o barco”, leia-se, os presumíveis “amigos”, disso não parece existir  as menores dúvidas. De resto, até se vão aproveitando de quem  está de boa-fé, com bons sentimentos e sinceridade.
Desmacaradas tais “falsas amizades”, então vão ficar aquelas/es pessoas que realmente nos “amam”, como amigas leais, cúmplices e em quem se pode continuar a confiar, até ao resto da vida.
Por vezes, menosprezam-se amizades que provêm de pessoas simples, humildes, generosas, que não sabem mentir, nem disfarçar, que dizem, com coragem, mas lealmente, o que lhes vai na alma. Os sentimentos destas pessoas nem sempre são apreciados e respeitados.
Pessoas leais, quantas vezes não conseguem transmitir os verdadeiros e puros sentimentos,  e quando pensam que esse valor, o da lealdade,  é apreciado, confrontam-se, incompreensivelmente, com atitudes de menosprezo, de rejeição, precisamente, por parte de quem esperavam amizade sincera, carinho e ternura.
Vive-se, em muitas circunstâncias, em meios sociais e profissionais de cinismo, de falsidades, enfim, de “sorrisos e falinhas mansas”. Infelizmente não se acredtia nesta realidade, enquanto é tempo. Algumas pessoas, como que se deixam “seduzir” por estes estilos de relacionamento,  em que  os  “punhos de renda” enebriam, produzem como que uma “tranquilidade paradisíaca” e, assim, sem aparentes problemas, preferem esta relação balofa e hipócrita. Uma “Paz Podre”.
O receio de assumir, inequivoca e publicamente, valores como a lealdade, a solidariedade, a cumplicidade, a confiabilidade, a reciprocidade, entre outros, que conduzem a uma amizade firme e duradoura,  é evidente em muitas pessoas, porque temem perder algum tipo de benefício, situações, interesses e pessoas de que julgam necessitar. Afinal, ficam cada vez mais prisioneiras dos falsos amigos.
Compreende-se esta posição, mas duvida-se que ela possa vir a ser a solução para a elevação da auto-estima, para a afirmação da própria dignidade, para a caracterização de uma personalidade bem definida, pela positiva. O verdadeiro amigo nunca poderá ficar passivo perante tais comportamentos e, certamente, pedirá, generosamente, ao seu amigo, para abanodnar este rumo de insegurança.
Com efeito, por vezes, pensamos que precisamos de certos favores, de determinadas pessoas, colocamos de lado as  nossas próprias capacidades, eventualmente, um saudável orgulho que podemos e devemos defender.
Recorremos a tais pessoas, mesmo que elas, num passado recente, nos tenham ofendido, a nós ou a amigos nossos, ou então, que continuem a pactuar e a conviver com quem nos faz mal.  Estamos a humilharmo-nos.
Outras vezes, exaltamo-nos com os verdadeiros amigos, só porque estes têm a lealdade e a coragem de nos alertar para certos perigos e, como que castigando aqueles amigos, redobramo-nos em amabilidades e subserviências para com aquelas pessoas que, disfarçadas de “amigas” cuidam primeiro dos seus interesses, ainda que à nossa custa, ou ignorando-nos.
Não se pode hipotecar a dignidade, a competência e a  superior qualidade da nossa inteligência, em troca de uns favores casuísticos, de umas “esmolas” intelectuais/profissionais. A quem nos ofende e aos que pactuam, convivem e confraternizam com tais pessoas, nada devemos pedir, nenhum favor, nenhuma ajuda, porque a nossa firmeza, os nossos sentimentos, o nosso carácter são bem mais importantes e abonatórios das nossas personalidades.
Por tudo o que aqui fica reflectido, e que cada pessoa, seguramente, já tem experienciado ao longo da vida, o corolário mais lógico vai no sentido de que: construir, alimentar e consolidar uma amizade, para a vida e, até, para além desta, não depende, apenas, da racionalidade de cada pessoa, nem está acessível a mentes influenciáveis e/ou impressionáveis. Exige verdade, amor e firmeza.
Uma amizade leal, suportada num sincero “Amor-de-Amigo”, entre duas pessoas, independentemente do sexo, raça, confissão e estatuto, tem todas as condições para frutificar e perdurar, para todo o sempre.
Dois amigos assim, jamais se deixarão envolver em falsas aparências, em relações pretensamente amigáveis, em compromissos alegadamente honestos, com quaisquer pessoas que utilizam  estratégias inconfessáveis. A Amizade verdadeira é transparente e objectiva.
São os  gestos simples, as gentilezas, a boa educação e correcção em todos os papéis da vida, as preocupações pelo bem estar do amigo, a solidariedade sempre reiterada, a lealdade, a cumplicidade, a confiabilidade e a reciprocidade que sutentam, para sempre, uma amizade pura e superior, porque, em boa verdade: “Das pequenas coisas e gestos simples, se fazem as grandes amizades da vida”.
Para se conquistar um amigo pode-se demorar dias, meses ou anos. Para se perder um amigo, são suficientes alguns segundos. Por isso, quando se têm provas irrefutáveis, segundo as quais, uma determinada pessoa é nossa verdadeira amiga e se queremos a sua amizade, o caminho a seguir é só um: retribuirmos, incondicionalmente, tal amizade, estarmos, inequivocamente ao lado desse amigo, rejeitarmos, liminarmente, os “cordeirinhos” e todas as atitudes de quem pretende fazer-se passar por nosso amigo.
Adaptando o adágio popular, segundo qual. “vale mais um pássaro na mão do que dois a voar”, também se poderá dizer que vale mais um amigo fiel e solidário, em todas as circunstâncias e durante toda a vida, do que muitos pseudo-amigos em situações pontuais e, quantas vezes, para exclusivo interesse deles próprios. É importante referir que este trabalho tem por objectivo levar os leitores a reflectir sobre este inestimável sentimento que é a Amizade e, neste sentido, apelar para a felicidade que um amigo verdadeiro pode proporcionar.
Hoje, ter um amigo confiável, leal, solidário, disponível para nos ouvir, aconselhar e apoiar, que por nós é capaz de tudo fazer, só para nos ver bem na vida, e realizados e felizes, pode-se considerar uma verdadeira dádiva, uma autêntica ventura.
A amizade incondicional de um amigo assim, é uma das  maiores riquezas a que uma pessoa pode aspirar na vida. Com efeito, a relação pessoal mais pura e nobre entre dois amigos, só é possivel quando estes se entregam sem reservas, confiando, totalmente, na força, honestidade e respeito de um sincero “Amor-de-Amigo”.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

domingo, 15 de abril de 2012

Cooperação Cultural Lusófona

O mundo, através dos povos, abre-se à humanidade: primeiramente, pelos processos virtuais; numa fase posterior, pela cooperação institucional, empresarial e individual. O intercâmbio de conhecimentos, de tecnologias, de recursos, os mais diversos, de pessoas e bens é uma inevitabilidade salutar que beneficiará as nações e as pessoas.
É impossível viver-se, desenvolver-se e alcançar padrões de vida mais elevados numa atitude de isolamento individual, institucional e técnico. A livre circulação de pessoas, mercadorias e capitais, dentro de regras bem definidas e fiscalizadas, poderá constituir uma estratégia que conduza a um melhor bem-estar geral.
Impõe-se com grande acuidade a implementação, desenvolvimento e consolidação de uma política de Educação para uma Cultura da Cooperação que, na circunstância, atendendo às perspectivas da lusofonia, se iniciaria na família, na escola e prosseguiria ao longo da vida profissional e social dos indivíduos, bem como no funcionamento das instituições.
Nenhum dos países constituintes da CPLP – Comunidade de Povos de Língua Portuguesa, independentemente do seu maior ou menor potencial em recursos naturais, científicos e tecnológicos, é totalmente autónomo, aliás, a autonomia absoluta será difícil de se obter, até mesmo ao nível do pensamento individual, na medida em que o Tribunal da Consciência Ética e Moral, sancionará quaisquer desenvolvimentos intelectuais contrários aos valores essenciais da vida verdadeiramente humana e digna.
Interiorizar uma genuína cultura de cooperação lusófona, sem prejuízo dos diversos acordos internacionais já existentes ou a celebrar, sem deslealdade para com as parecerias que se estabeleceram entre países, e aproveitando, justamente, todas as experiências e sinergias já adquiridas, poderá melhorar, enriquecer e consolidar os níveis de vida dos povos envolvidos, reduzindo tensões, eliminando barreiras físicas e artificialmente construídas, possibilitando, afinal, a irmanação no desenvolvimento das causas nobres, como a paz, a justiça, a saúde, a educação, o bem-comum, obviamente, no respeito por legítimos, legais e justos interesses das instituições e das pessoas.
Não se trata de uma educação para a cultura da cooperação miserabilista, pela qual toda a humanidade deveria ser pobre, bem pelo contrário, deseja-se que os povos de todos os lugares do mundo vivam cada vez melhor, cooperando entre si, precisamente em todos os aspectos que sirvam para aprender, desenvolver e pacificar.
Um projeto lusófono de educação para uma nova cultura da cooperação poderá iniciar-se a vários níveis da intervenção geral: a) para resultados a curto prazo, os governos conseguem implementar medidas que conduzam ao exercício real de práticas de cooperação; b) para resultados a médio prazo, a escola é essencial; c) para resultados a longo prazo, as gerações atuais mais novas devem ser mentalizadas, apoiadas e encaminhadas para atividades de intercâmbios internacionais de investigação, contacto direto com outras culturas e construção de novos e estimulantes paradigmas, para a importância da cultura, do trabalho no respeito pelos valores nacionais e universais, no cumprimento dos deveres, igualmente nacionais e universais.
A cooperação cultural, científica e tecnológica será um primeiro e grande passo no sentido da harmonização dos povos cooperantes, de resto, e a título de bom exemplo, o Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre o Brasil e Portugal, assinado em 2000, é um instrumento que deveria ser potencializado à exaustão: «Essa cooperação poderá assumir, nomeadamente, a forma de intercâmbio de informações e de documentação científica, técnica e tecnológica; de intercâmbio de professores, estudantes, cientistas, pesquisadores, peritos e técnicos; de organização de visitas e viagens de estudo de delegações científicas e tecnológicas; de estudo, preparação e realização conjunta ou coordenada de programas ou projectos de pesquisa científica, no território de uma das partes …» (2000: Artº 28º)

Bibliografia

TRATADO AMIZADE E COOPERAÇÃO E CONSULTA ENTRE BRASIL E PORTUGAL, (2000), Resolução da Assembleia da República Portuguesa, nº 83/2000, Aprova para ratificação o Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre a República Portuguesa e a Republica Federativa do Brasil, assinado em Porto Seguro, em 22 de Abril de 2000, publicado no Diário da República, I Série-A, Nº 287 de 14 de Dezembro de 2000 pp. 7172 a 7180.
 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)