domingo, 10 de março de 2013

A Mulher em todo o seu Esplendor


São muitos os dias nacionais e internacionais que ao longo do ano se evocam e festejam, com a pompa e circunstância que são possíveis. Para cada tema, a efeméride celebra-se no dia que, consensualmente, tem sido aceite, embora, também, já se tenham verificado alterações, como por exemplo em relação ao dia da mãe, todavia, a maioria das comemorações, nos respetivos países e/ou em todo o mundo se mantenha em data fixa.
Estabeleceu-se, internacionalmente, o dia oito de Março, para se festejar a importância da Mulher em todo o mundo, para que todos os seres humanos rejubilem e prestem homenagem às Mulheres, elas próprias incluídas nas homenagens que lhes são, justamente, dirigidas, elas mesmas o centro de todas as atenções, naquele dia.
Paradoxalmente, aquele dia não é universalmente vivido, sentido e festejado, porque a Mulher, infelizmente, ainda não ocupa o lugar, no seio da sociedade que, por mérito próprio, tem direito, reconhecendo-se, entretanto, que, ainda que timidamente, tem havido alguma evolução favorável ao reconhecimento da sua dignidade.
Numa visão generalista, e de muito fácil entendimento, pode-se admitir, como regra universal, que a Mulher é a pessoa que primeiro se ama, por quem se tem um grande carinho, a quem se pede refúgio, que dela se recebe amor incomensurável, proteção incondicional, compreensão e tolerância sem limites. Esta Mulher, que a maioria dos seres humanos começa a amar, e por ela a ser amado, é o primeiro porto-seguro, a nossa fonte de alegria, o nosso primeiro e grande amor, é a nossa mãe.
Esta função, este elevado e nobilíssimo estatuto, sublime e inigualável, só a ela pertence, é como que uma bênção divina, uma dádiva do Criador, a notabilíssima missão de ser mãe, por isso, mas não só, se deveria reconhecer, na Mulher, o seu papel insubstituível, a premente necessidade do reconhecimento da sua importância e da sua dignidade, a Mulher que pelo seu “sexto sentido” consegue, quantas vezes, evitar as piores desgraças e resolver, carinhosamente, problemas extremamente complexos, no seio da família e da sociedade.
Dia internacional da Mulher, pelo qual, em todo o mundo civilizado, os valores do amor, do matrimónio, da maternidade, da dádiva total, se festejam, com mais ou menos autenticidade, sinceridade, respeito e reconhecimento. A Mulher-Filha, a Mulher-Esposa, a Mulher-Mãe, afinal, a Mulher, como que glorificada, merecidamente, afirme-se, desde já, porque ela, que gosta e respeita os pais, que ama o seu companheiro, a mãe extremosa, que gerou e transportou o filho no seu ventre, a Mulher-Trabalhadora que, no limite das suas forças, é capaz de dar a vida por aqueles que verdadeiramente ama. A Mulher em todo o seu esplendor.
Mas a Mulher, enquanto filha, é importante para os seus pais, seguramente, para a sua mãe, também esta Mulher, que ouve da filha todos os seus choros, tristezas, alegrias, aspirações, dificuldades. Como esta Mulher-filha ama a sua mãe, como que numa simbiose de amor, a ela está, demiurgicamente, ligada, mesmo quando a vida é adversa, ela procura na mãe, ou esta na filha, uma interpretação, os conselhos, ensinamentos e compreensão, porque esta filha sabe muito bem que um dia também poderá vir a ser mãe e conhece o aforismo popular, segundo o qual: “Filha és, mãe serás, como fizeres, assim receberás”.
Existe, na maior parte das pessoas, uma espécie de cumplicidade entre estas duas mulheres: mãe e filha, e/ou vice-versa. Em oito de Março festeja-se o dia da Mulher, não o dia da mãe, nem o da filha (haverá o dia da filha?), não o dia da esposa, não o dia de avó ou de qualquer outro parentesco, o que se comemora é o dia da Mulher, em todo o seu esplendor, na plenitude das suas capacidades, dos seus valores, dos seus direitos e deveres, dos seus sentimentos, sem dúvida.
É a mulher que está em nossas vidas, mais ou menos profundamente, mais ou menos amada, querida, desejada, protegida, acarinhada, mas também ela protetora, vigilante, trabalhadora, rainha dos nossos corações. Mulher com letra grande, que sabe perdoar, que quando ama se entrega totalmente, sem reservas, com esperança e determinação em conceder a maior felicidade ao ser amado. Mulher que se revela em toda a sua plenitude.
É impossível conceber o mundo sem a mulher, também ela na sua qualidade de esposa, companheira indefetivel e amante do seu marido, cúmplice, na vida externa como na intimidade do leito conjugal, conhecedora das dificuldades mais íntimas do seu cônjuge, compreensiva, tolerante nos fracassos e incentivadora para vencer obstáculos.
Mulher que ao lado do seu amor conjugal, com ele enfrenta as adversidades da vida, com ele soluciona a maior parte dos problemas e com ele tanto vive as alegrias, quanto as tristezas, Mulher que não está atrás nem à frente dos êxitos do seu companheiro, mas está sempre ao seu lado, com os mesmos méritos, com idênticas capacidades, com iguais possibilidades de vitória. Mulher que é capaz de dar a vida por quem ama verdadeiramente.
É esta Mulher, enamorada, esposa, companheira que, ao lado do seu ente amado, enfrenta o mundo, sem medos, com firmeza, com amor e com sentimentos nobres. É esta Mulher que sabe guardar, num “cantinho do seu coração”, os mais profundos, quanto notáveis e sublimes sentimentos, que jamais praticará qualquer ato de deslealdade contra a pessoa que, autentica e intimamente ama ou, ainda, que admira, gosta, acarinha ternamente a quem ela sabe que lhe quer bem, que também aprecia e ama com respeito e preocupação.
A Mulher de sentimentos profundos, de sensibilidade extremamente apurada, que tem o seu próprio e salutar orgulho, para o bem, como também para a sua defesa, quando se sente ou é atacada por quem quer que seja. Mulher que no fundo da sua alma, quantas vezes sofre, em silêncio, ferida no seu próprio amor, na sua dignidade, precisamente por quem não tem quaisquer motivos para a agredir e seja qual for o tipo de agressão.
Admiremos a mulher que, mesmo perante um amor proibido, ou não correspondido, consegue sofrer em sossego ou, quando sabe que é amada, não pode corresponder, contudo, tem a generosidade de sorrir, de compreender, de tolerar, aceitando, mesmo assim, com respeito pelo seu legítimo cônjuge, uma amizade muito sentida, de um amigo muito especial. Que grandeza de alma.
O mundo, na sua componente masculina, parece que ainda não acordou para reconhecer a Mulher como uma pessoa insubstituível, indispensável e presente em tudo o que respeita ao bem-comum, ao amor, à felicidade e à paz. A natureza dotou o mundo com dois seres, feitos para se “encaixarem” um no outro: a fêmea e o macho; o feminino e o masculino; a Mulher e Homem, porque o equilíbrio resultará, precisamente, da harmonia dos contrários.
Dia oito de Março, dedicado, universalmente, à Mulher, em todas as suas dimensões: filha, namorada, esposa, mãe, companheira mas, certamente, trabalhadora incansável, quantas vezes desempenhando diversos papéis, quase em simultâneo, acumulando trabalho, responsabilidades, enfrentando dificuldades que derivam da organização, gestão e conforto do lar, no qual, frequentemente, é ela a única a zelar por tudo e por todos, quase sempre, com um sorriso, com um semblante de alegria, de felicidade e, carinhosamente, auxiliadora.
Qualquer pessoa, minimamente informada sabe que: «Uma das principais dificuldades das mulheres que trabalham é equilibrar a carreira e a família numa escala de interesses e prioridades em que, se uma pode ser mais importante do que a outra, se uma pode em determinado momento exigir maiores atenções do que a outra, sem ambas a realização não é plena.» (DUARTE, in CANHA, 2010:74).
Neste dia mundial, especial e meritoriamente dedicado à Mulher, compete-nos, de uma vez por todas, reconhecer-lhe a grandiosidade dos seus valores, a profundidade dos seus sentimentos, as dimensões em que ela é capaz de se desdobrar, pensando e agindo em favor dos mais carenciados, dos mais frágeis, daqueles que ela verdadeira e intensamente ama.
Hoje, alguém que se preze da sua boa-formação não pode continuar a discriminar, negativamente, a Mulher, independentemente do seu estatuto pessoal, social, profissional e cultural. Hoje, já em pleno século XXI, é tempo de colocar a Mulher ao lado do Homem, reverenciar todas as suas capacidades e esplendor. O mundo seria um espaço de trevas, de insensibilidade e, eventualmente, em certas circunstâncias, de selvajaria, se a mulher não existisse.
Mas a Mulher não se circunscreve, apenas, aos papéis de filha, namorada, esposa, mãe, companheira. A sua intervenção, na sociedade, tem outra vertente, igualmente, essencial à construção de um mundo melhor, mais abastado e confortável, porque ela também produz, contribui para a riqueza da família, da empresa, da instituição, do país.
Ela exerce, atualmente, profissões que, até há pouco tempo, estavam reservadas aos homens e, tanto quanto provam os estudos científicos, com resultados idênticos, aos daqueles, na maioria das atividades em que se envolve. Evidentemente que não há regra sem exceção, mas também é bom recordar que: «A compatibilização da vida pessoal com a profissional é um dos principais desafios que têm de enfrentar as mulheres que apostam numa carreira – e, fruto da alteração de mentalidades, os homens também, justiça lhes seja feita.» (Ibid.:85).
A título, meramente ilustrativo invoquem-se alguns bons exemplos de profissões exercidas por Mulheres, que, inequivocamente, revelam as suas capacidades inteletuais e também físicas, incluindo aquelas atividades que, desde sempre, desde logo na antiguidade, época medieval até, praticamente, aos nossos dias, estiveram reservadas aos Homens, como as Forças Armadas e de Segurança, medicina, magistraturas, construção civil, pescas, entre muitas outras que, agora, seria exaustivo elencar.
Recorramos, então, a algumas reflexões, provenientes de quadrantes profissionais do ensino e formação, embora de domínios do conhecimento diferentes, dos dois sexos, relativamente à igualdade de género para ficarmos com uma ideia sobre a importância da Mulher no mundo atual.
«Analisando a evolução da sociedade portuguesa a situação das mulheres melhorou e muito, globalmente houve mudanças que devem ser consideradas como altamente positivas para a situação das mulheres, mas em comparação com a situação dos homens, em algumas áreas, ainda existe muita desigualdade de oportunidades (quer no género, no acesso ao emprego, na evolução da carreira, igualdade salarial, articulação vida profissional e vida familiar.» FERNANDES, 2010, in http://igualdadegenero2010.blogspot.pt/, consultado em 03.03.2013).
«O grande desafio do século XXI é sem dúvida o estabelecimento do mainstreaming, ou seja, a criação de uma cultura política e administrativa onde os princípios de igualdade sejam colocados em prática e não apenas aceites ou promovidos. É vital promover, defender e resgatar os direitos da mulher, buscando garantia de igualdade no exercício de direitos e deveres, principalmente aumentar os níveis de representatividade política, articulando os meios que favoreçam a inserção da mulher na sociedade civil organizada, elevando a cidadania.» (NASCIMENTO, 2010, in http://igualdadegenero2010.blogspot.pt/, consultado em 03.03.2013).
 «Não só as mulheres maltratadas como, muitas vezes, as/os filhas/os também são maltradas/os. O desrespeito e a humilhação levam à vontade de não ir à escola, levando ao consequente abandono escolar. (…) Estando inseridos numa sociedade que discrimina em termos de igualdade de género, a escola desempenha um papel muito importante na construção de um espaço generalizado para, assim poder acabar com este problema de desigualdade contínua e evolutiva.» (RAMALHOSA, 2010, in http://igualdadegenero2010.blogspot.pt/, consultado em 03.03.2013).

«O futuro do mundo passa, igualmente, pelas mulheres e pelos homens. Ninguém poderá afirmar, com rigor científico, qual dos géneros vai ter mais influência e/ou importância, sabendo-se, contudo, que ambos vão ser decisivos para o bem ou para o mal. As instituições públicas e privadas ao não praticarem a discriminação sexista só terão a ganhar, como de resto já afirmaria ROMÃO, (2000:32): “Ao difundir que a sua empresa pratica uma política de igualdade estará a aumentar as possibilidades de atrair uma gama mais vasta de candidatos/as qualificados/as e de conservar o seu pessoal. Tornar-se-á também mais competitiva, porque reduzirá os custos de recrutamento e formação inerentes a uma grande rotação de pessoal.”» (BÁRTOLO, 2010, in http://igualdadegenero2010.blogspot.pt/, consultado em 03.03.2013).

Hoje a Mulher não se circunscreve, apenas, ao mundo, com todas as suas faculdades e exuberância, em todo o seu esplendor e carisma, cada vez mais acentuado. Podemos considerar, a partir de agora, que a Mulher pertence, efetivamente a uma elite, no sentido em que: «Uma elite é constituída por pessoas que pelo seu valor, pelo seu trabalho, pela sua inteligência, se notabilizam e se diferenciam das restantes. Têm uma autoridade, não um poder.» (BALDAQUE, in CANHA, 2010:214).


Bibliografia.

BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2010). Liderança Feminina Empresarial, in http://igualdadegenero2010.blogspot.pt/, consultado em 03.03.2013.

CANHA Isabel, (2010). As Mulheres Normais Têm Qualquer Coisa de Excepcional, histórias inspiradas de vidas extraordinárias, Lisboa: Bertrand Editora

FERNANDES, Cecília Manuela Gil Carrondo, (2010). Profissões têm sexo?, in http://igualdadegenero2010.blogspot.pt/, consultado em 03.03.2013.

NASCIMENTO, Sílvia Castro Paço, (2010). A Mulher na Política, in http://igualdadegenero2010.blogspot.pt/, consultado em 03.03.2013.

RAMALHOSA, Rui José Gomes, (2010). Educação para a Igualdade de Género, in http://igualdadegenero2010.blogspot.pt/, consultado em 03.03.2013.

ROMÃO, Isabel, (2000). A Igualdade de Oportunidades nas Empresas. Gerir para a Competitividade. Gerir para o Futuro. Lisboa: Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres – Presidência do Conselho de Ministros. Coleção Bem-estar, Nº 1 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

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domingo, 3 de março de 2013

Viver a Vida Filosoficamente


Numa sociedade materialista, consumista e em permanente transformação científica e tecnológica, pode parecer ridículo e objecto de troça o título do presente trabalho: “Viver a vida filosoficamente”. A questão, sempre possível de relativizar, sobre quem vive melhor, exige que se definam, previamente, critérios para o conceito de viver melhor.
A relativização pode-se contornar, admitindo-se que, qualquer que seja o estatuto sócio-profissional, económico, político ou outro, e por muito bem que, materialmente, uma pessoa se sinta na vida, fases existem em que tais pessoas não se consideram felizes, satisfeitas, realizadas, reconhecias, respeitadas e prestigiadas.
Períodos há em que essas mesmas pessoas, que detêm do poder, da riqueza financeira, patrimonial e fama, se sentem sós, solitariamente afastadas do mundo, da vida, da família, dos amigos e dos bens. Momentos de angústia, de tristeza e sofrimento não-físico, de saudade por alguém ou algo que se perdeu e jamais se recuperará. Estas pessoas, provavelmente, têm uma filosofia de vida, uma maneira de viver muito próprias.
Situações contrárias, em que as pessoas pouco possuem de bens materiais, que não têm acesso a determinadas comodidades, serviços e honrarias, que se mantêm toda uma vida no anonimato, sem estatuto social relevante, vivendo de um modesto salário, embora, no seio de uma família consolidada: no respeito, no amor, na harmonia e na paz.
Pessoas nestas situações existem em todo o mundo e também têm as suas dificuldades, de natureza imaterial, cuja explicação também não conseguem elaborar nem desenvolver. Certamente que dirão umas vezes que são felizes, que não precisam de nada mais para além da Graça de Deus, saúde e trabalho e que tudo o resto virá por acréscimo.
Também estas pessoas vivem segundo uma determinada filosofia, dir-se-ia, uma filosofia da simplicidade, da humildade, do respeito e da dignidade, ainda que e legitimamente, sem abdicar dos projectos e ambições. Estão certas nos seus valores, nos seus objectivos e, possivelmente, acreditam numa recompensa extra-vida biológica. Na verdade e ao que parece, existe já um certo desânimo quanto às possibilidades da ciência e da técnica resolverem certos problemas, eminentemente do foro humano mais íntimo, ou provocados pela acção do homem.
A preocupação materialista levou esse mesmo homem, inclusivamente, a esquecer-se de si próprio: «O homem moderno, de tanto se servir da máquina, passou a reflectir o humano pelo mecânico. E assim se criou uma certa mentalidade mecanicista, pragmática, activista que colocou de quarentona o contemplativo. Podemos mesmo dizer que ele perdeu o sentido da contemplação. De tal modo se deixou empolgar pelo fazer, que perdeu a perspectiva do ser. E de tal forma deixou-se apaixonar pela ideia de produção que perdeu o senso da perfeição. Na perspectiva do mais, esqueceu a perspectiva do melhor.» (MENDONÇA, 1996:21).
Analisando a história da humanidade, pelo menos nos últimos dois mil anos, é relativamente fácil, sem necessidade de se recorrer à recolha de elementos estatísticos quantitativos, verificar-se que o modo de vida do homem, quando, predominantemente, suportado no conhecimento positivista, ainda não atingiu a harmonia e o bem-estar geral, pese embora todo o arsenal de equipamentos, instrumentos técnicos, científicos, as facilidades de acesso a novos conhecimentos, porque o mesmo homem, praticamente ilimitado nas suas capacidades, tem vindo a ignorar outras práticas, bem mais simples, relacionadas aos comportamentos característicos do bom senso, da sabedoria, da prudência, da tranquilidade e dos valores imateriais absolutos: paz, justiça, honra, respeito, dignidade.
O homem moderno envergonha-se das suas origens racionais, no sentido de valorizar toda uma cultura milenar, porque tal racionalidade e cultura eram património, então, quase exclusivo, do saber filosófico. Para muitas pessoas, ser filósofo, num contexto materialista, é sinónimo de fraqueza, de utopia, de pobreza material e motivo de ataque por parte de alguns técnico-positivistas e/ou de diversos cientistas, pretensos defensores da humanidade, com a agravante de beneficiarem do apoio de muitos governantes e até da próprias famílias.
 Os resultados estão à vista, certamente para o bem, mas também para o mal. Viver filosoficamente: implica recuperar a filosofia e adaptá-la à vida prática moderna; envolve reconhecer toda uma cultura e civilização ancestrais, porque: «Devemos ser dignos da nossa civilização e das nossas origens. Só por isso a Filosofia tem garantida a sua presença no mundo, à procura do esclarecimento das ideias, como o único e efectivo caminho para a solução dos problemas da vida humana, na sua essência, cumprindo esta missão de ajudar ao homem, em primeiro lugar, a tomar consciência do que seja a força das ideias.» (Ibid.:34).
A posição correta que se pode (e deve) assumir, no atual paradigma técnico-científico, que caracteriza a humanidade deste meados do século anterior, passa, obrigatoriamente, pela interdisciplinaridade, através da qual todas as disciplinas e formas de conhecimento se consideram, necessariamente, importantes para a descoberta do verdadeiro sentido da vida e da condição humana.
Reflectir, profundamente, na misteriosa existência do ser humano, e tentar descobrir os melhores processos para que haja, finalmente, bem-estar para todos, significa conjugar todas as sinergias, conhecimentos, práticas e boas-vontades. O homem vive circundado por imensas realidades, ele próprio uma realidade, talvez das mais complexas. Conhecer as várias realidades não é objecto de uma só disciplina, por mais cientificamente objectiva, rigorosa e quantificada que ela seja, ou por muita subjetividade que se lhe queira imputar e, consequentemente, descredibilizá-la.
 A realidade circundante é constituída de múltiplas naturezas: física, metafísica, inefável, espiritual e sabe-se lá quantas outras. Considerada esta pluralidade de naturezas, que integram a realidade global que rodeia o homem, que se pode denominar por universo, do qual faz parte o planeta Terra, onde habita toda uma humanidade complexa, certamente que a Filosofia não poderá ter a pretensão de tudo saber, tudo esclarecer, tudo conduzir e resolver, logo, nesse sentido: «Filosofia, neste nível, pode então ser definida genericamente como o esforço do espírito humano para compreender a realidade. Como se viu, o senso-comum, o mito, a religião, a arte e a ciência também são, de suas perspectivas, outros tantos esforços de compreensão do real. Com efeito, constata-se à luz de subsídios antropológicos que é uma tendência intrínseca e espontânea do homem, o descobrir o que é o mundo que o circunda, o conhecer e compreender o mundo e a si mesmo, a natureza e a sociedade. (…) Todo o esforço da consciência filosófica na busca do sentido das coisas tem, de facto, a finalidade de compreender de maneira integrada o próprio sentido da existência do homem.» (SEVERINO, 1999:22-23).

Bibliografia

MENDONÇA, Eduardo Prado de, (1996). O Mundo Precisa de Filosofia, 11ª edição, Rio de Janeiro RJ: Agi
SEVERINO, Antônio Joaquim, (1999). A Filosofia Contemporânea do Brasil, Petrópolis RJ: Vozes. 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Cidade Promotora da Educação-Formação


Provavelmente, a partir da sustentação na investigação científica, com alguns critérios de rigor, nomeadamente a objetividade e a verificabilidade, pode-se afirmar que, com exceção de situações extraordinárias, as cidades/localidades que mais investem na educação e formação profissional dos seus cidadãos residentes, e outros que a procuram para diversos fins são, eventualmente, as que mais possibilidades apresentam de prosperar.
A prova paradigmática, segundo a qual a educação/formação promove o desenvolvimento, pode reportar-se às cidades/localidades que possuem estabelecimentos de ensino e de formação profissional a todos os níveis, com destaque para as escolas profissionais do ensino médio, superior universitário e politécnico e, seguramente, as entidades formadoras devidamente certificadas.      
Naturalmente que, por outras razões, também se comprova o desenvolvimento de certas localidades, por estarem dotadas de: atividades extrativas, infra-estruturas industriais, comerciais, empresariais, portuárias, acessibilidades, centros de devoção e peregrinação, entre outras, aparentemente, com menos impacto, embora, mais tarde ou mais cedo, essas localidades sejam procuradas pelas unidades, centros, polos universitários e equivalentes, nacionais e internacionais, de natureza pública e/ou privada.
A planificação estratégica, que qualquer dirigente responsável pelo desenvolvimento e progresso da localidade onde exerce as respetivas funções, designadamente, autarcas e membros do governo, passa, necessariamente, pela inclusão da construção e funcionamento de equipamentos coletivos para a educação e formação profissional, a todos os níveis.
E não se trata apenas de educação e formação científica, técnica e prática, mas também, e com elevada carga horária, das componentes sócio-culturais, com destaque, entre outras, para: as línguas, com forte incidência e aprimoramento na língua materna, mais uma ou duas línguas estrangeiras, certamente o inglês, o francês, o espanhol, matemática, filosofia, antropologia, ética, deontologia, história, direitos humanos, mundo-actual, desenvolvimento pessoal e social, relações humanas e interpessoais, direito, enfim, muitas outras da área das ciências sociais e humanas.
Estabelecimentos de ensino e formação profissional que tenham estas preocupações e estejam preparados para ministrar aquelas e outras disciplinas humanísticas terão, à partida, reforçada a sua credibilidade e correspondente sucesso e, de certa forma, estão a contribuir para uma sociedade mais responsável, porque mais esclarecida e participativa, sem se cair num “iluminismo de aparências duvidosas” ou num intelectualismo ornamental, sem utilidade prática.
Exigir dos poderes públicos para estimular e apoiar a iniciativa privada, na implementação daquelas infra-estruturas é, já e por isso mesmo, um dever de cidadania, que nenhum responsável deve deixar de cumprir, sob pena de estar a conduzir toda uma população para o atraso, para o obscurantismo e para a exclusão social, nas vertentes responsáveis por esta anomalia, como por exemplo, a exclusão no acesso ao emprego, ao conhecimento, à progressão na carreira profissional e à discriminação cultural.
Obviamente que não é possível construir universidades, institutos politécnicos, centros de formação, escolas superiores e secundárias em todas as vilas e pequenas cidades do país, porque também se defende que deverá haver a perspectiva das realidades locais e regionais, no sentido da boa aplicação dos recursos públicos e privados, os primeiros dos quais, à custa da tributação, coercivamente aplicada aos contribuintes e que, atualmente, constitui uma carga anormal para as famílias portuguesas.
Será sempre desejável que nenhum serviço, incluindo a saúde, a educação e a formação profissional, provoque elevados prejuízos, apesar dos seus objetivos eminentemente sociais, para o que se defende a aplicação de taxas proporcionais aos rendimentos verdadeiramente auferidos, declarados e sinais exteriores de riqueza que cada cidadão apresenta.
Cidade que educa para o estudo, para a formação, para trabalho, para a cidadania, com toda a envolvência que esta implica, inclusivamente, participar na vida pública da cidade, vila ou aldeia, certamente que será, a curto e/ou médio prazos, um local de procura e de fixação de pessoas, serviços e empresas, que por sua vez vão contribuir para o sucesso dos indivíduos, das famílias e da comunidade em geral, pela produção e pelo consumo sempre em crescendo, até aos limites que forem tecnicamente possíveis, sem deteriorar outros valores e interesses, desde logo, o ambiente, a segurança, o trânsito fluido e seguro, o atendimento rápido, humano e eficaz dos hospitais, escolas, repartições públicas e privadas.
 A difusão do conhecimento, a partir dos polos universitários de investigação científica e tecnológica, é motivo mais que suficiente para que a prosperidade se instale e desenvolva nas localidades que beneficiam ou venham a receber e apoiar tais infra-estruturas, verdadeiras fontes de progresso bem-estar social, económico e cultural.  

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

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domingo, 17 de fevereiro de 2013

O Prazer da Escrita


Muitas são as possibilidades que a vida oferece, para o exercício das mais diversas atividades, a fim de se alcançarem determinados objetivos e que, em função das expectativas criadas, são mais ou menos conseguidos, proporcionando, a quem se envolve em tarefas a eles inerentes, uma relativa satisfação e realização pessoal o que, quando os resultados são positivos, estes constituem fortes incentivos para se prosseguir, sempre e cada vez melhor.
Escrever é uma atividade complexa porque envolve várias capacidades humanas, para além das funcionalidades físicas, precisamente, da mão que conduz a caneta e/ou o teclado de um computador, tentando acompanhar a espontaneidade e rapidez do pensamento, o que é, praticamente, impossível.
Mas, para além deste “pormenor”, que não é assim tão simples, refletir sobre um tema, organizar, minimamente que seja, o pensamento para que este produza, lógica e adequadamente, um texto que, por sua vez, deve respeitar imensas regras ortográficas, sintáticas, éticas, morais e axiológicas, constitui, na verdade, um trabalho difícil, nem sempre enaltecido e compreendido.
O esforço mental que a escrita pressupõe, raramente é valorizado por algumas pessoas, talvez porque os textos escritos implicam, para a sua compreensão, muita concentração e domínio de um ou outro termo, por parte do leitor, alguns dos quais, nem sequer tem disponibilidade para ocupar um pouco do seu já pouco tempo livre, na análise dos conteúdos e, sobre eles, extrair as ilações que julgarem corretas, independentemente de ficarem, ou não, em sintonia com o pensamento do autor.
A leitura de textos corridos, tal como a reflexão sobre o teor da mensagem que eles transmitem, parece que está “fora de moda”, porque quase ninguém tem tempo para coisa alguma e, nestas circunstâncias, parece tornar-se mais prático, para tais pessoas, uma linguagem telegráfica, superficial e pretensamente objetiva, pragmática, do tipo: “um recado no vão da escada”, mas que nem sempre produz os melhores resultados, afigurando-se que esta situação se tem vindo a agravar, por via do recurso sistemático às mensagens curtas, quase codificadas que, através dos telemóveis, tanto se usa e abusa.
Por outro lado, vem-se comprovando, com muita preocupação, que cada vez se escreve e lê menos. Que a incorreta construção da frase deturpa a fidelidade e correspondência que se deseja existirem entre o pensamento e a escrita, tudo isto agravado pela incapacidade em elaborar um texto, sem erros e com uma pontuação correta esta, todavia, pode ser efetuada de acordo com a intencionalidade, princípios, valores, sentimentos, emoções e objetivos que o autor pretende imprimir ao seu texto.
Com todos os condicionalismos, quer pela parte do autor, quer no que respeita ao leitor, a verdade é que se trata de uma tarefa complexa, mas muito estimulante, porque criativa, inovadora e livre. O leitor tem a possibilidade de recriar o texto, criticá-lo, reinterpretá-lo e, no limite, ignorá-lo, (que também há que o faça), mas é sempre livre para contextualizar a mensagem, como muito bem entender, ainda que o seu entendimento não corresponda ao pensamento do autor, até porque não tem de estar de acordo.
Escrever é um ato que implica grande responsabilidade, exposição permanente, relativamente ao público que vai ler, refletir, criticar, sugerir e, quantas vezes, reformular o texto, suscita, também, incompreensões, mal-entendidos e em certas circunstâncias, procedimentos radicais.
Transpor para um texto, que muitas vezes torna público: um pensamento, uma amizade, um desejo, um sentimento, uma emoção, valores e princípios, uma opinião, um estudo, um êxito, um insucesso, reflexão sobre um qualquer tema, comporta sempre algum risco, confronto e pode deixar sequelas para o resto da vida, se não houver o cuidado, a lealdade e a coragem de se esclarecerem dúvidas, também por isto é que os comentários são muito importantes.
O autor que, mais uma vez se expõe, comemora neste mês de Fevereiro, cinco anos no exercício da escrita regular que, semanal e ininterruptamente, vem publicando o resultado das suas reflexões, sobre os mais diversos temas, com especial preocupação no domínio das ciências sociais e humanas: Filosofia, Axiologia, Sociologia, Psicologia, Antropologia, Religião, Política, História, Economia, Educação, Formação, Trabalho, entre muitos outros domínios.
Ao longo destes últimos cinco anos, são algumas centenas de artigos publicados, em vários meios da comunicação social, desde Revistas, Jornais, blogs, sites e livros. Mas que imenso prazer este trabalho, não remunerado, tem proporcionado ao autor. Que grande satisfação e alegria se experienciam.
As reflexões/artigos publicados e a sua continuação no futuro, em circunstância alguma e sob qualquer pretexto jamais tiveram a mínima e voluntária intencionalidade em prejudicar, injuriar, difamar, denegrir, humilhar ou ofender alguém. Os trabalhos dados à estampa e os que vierem a ser lançados, para o público analisar, não pretendem atingir ninguém, não se deseja com eles exercer quaisquer atos de vingança, nem de desforra, nem de perseguição de nenhuma natureza, nem fazer juízos de valor, objetivamente direcionados à idoneidade e bom nome que assiste a todas as pessoas (não há nenhuma razão para que o autor tenha tais atitudes).
As reflexões/artigos que ao longo de cinco anos e em número superior a quatrocentos têm sido acompanhados, analisados, escrutinados e escalpelizados, sob inúmeras perspectivas isso é sabido através dos retornos que vão chegando ao conhecimento do autor e que, felizmente, têm sido muito positivos, porque a inteligência dos leitores, a sua compreensão, tolerância e generosidade os leva a formular avaliações extremamente amáveis, bondosas, livres, estando, ou não, de acordo com a linha seguida pelo autor.
Nesta difícil arte, a de escrever e publicar, uma outra preocupação central do autor, tem sido a de expressar o seu pensamento acerca das suas próprias experiências, alguns poucos conhecimentos, nunca se eximindo a manifestar princípios, valores, sentimentos e emoções que, realmente, fazem parte, tanto quanto se julga saber, da sua própria personalidade, da sua maneira de estar na vida, da sua solidariedade, amizade e fidelidade para com um ou outro amigo, sendo certo que as circunstâncias e situações da sociedade em que vive, também de uma ou outra pessoa, por vezes o possam levar a alguma incoerência ou mesmo pequenas contradições.
É normal mudar-se de opinião, quando causas profundas impelem as pessoas para a mudança, contudo, apesar de alguma instabilidade emocional, por vezes manifestada, eventualmente devido a relacionamentos que se afigura terem-se desconsolidado, por razões alheias ao compositor, nunca tais circunstâncias conduziram o autor para atitudes incorretas, desrespeitosas, de falta de consideração e estima, para com as pessoas em geral e os leitores em particular. A intervenção literária tem-se pautado por total respeito.
Expor princípios, valores, sentimentos e emoções pode constituir um grande risco, mas vale a pena adotar-se uma postura de verdade, sem reservas, solidária, amiga, leal, com grande gratidão e humildade. Afinal a verdade é sempre a mesma: só uma, com ela se conquista a confiança, o respeito, a amizade e a credibilidade e deve ser retribuída por quem a recebe.
É um privilégio, dir-se-ia, uma bênção divina, ter-se a possibilidade de expor, livremente, o pensamento, num país onde a liberdade de expressão é um direito cívico, constitucionalmente garantido, mas que, por vezes, é mal recebido, porque ainda existe uma certa cultura persecutória, em relação a quem ousa comentar situações que violam os mais elementares direitos humanos.
É uma honra ser lido por tantas pessoas, receber cada vez mais incentivos, ainda que outros tenham sido, ao fim de algum tempo, interrompidos, negados, por razões que o autor desconhece, mas que muito o magoam e julga não merecer tal indiferença, mas um pensador está sujeito a estas vicissitudes, à incompreensão, por vezes alguma ingratidão que, apesar de tudo, tenta superar.
Claro que é muito importante perceber que existem leitores verdadeiramente amigos e sinceros, que apreciam o trabalho do autor, que manifestam total solidariedade, que oferecem as suas ideias para melhorar os artigos. São estes leitores leais, transparentes, que ajudam, com as suas críticas fundamentadas, a melhorar a escrita e as atitudes.
Também é verdade que nem todos os textos agradam a todos os leitores, o que é salutar, porque significa que há opiniões diferentes, o que enriquece as análises e até contribui para soluções mais equilibradas, em relação aos problemas que vão sendo abordados sobre situações do dia-a-dia.
Como é gratificante ouvir e ler comentários sobre os trabalhos que se vão publicando. Como é importante que as análises, diferentes, idênticas ou mesmo divergentes, sejam elaboradas e transmitidas ao autor, porque isso estimula para mais: estudo, investigação, reflexão, cuidado nas abordagens dos temas e, por que não, mais entusiasmo no trabalho.
São essenciais os comentários que os leitores produzem, porque, no limite, revelam consideração, estima, apreço, por vezes carinho pelo autor e, valorizam os trabalhos. Por tudo isto é que a gratidão do autor para com os seus leitores em geral, e em particular, para com aqueles que comentam, sugerem, incentivam a continuação desta caminhada, é infinita.
Qualquer autor aprecia imenso os apoios recebidos dos leitores e, nesta linha de pensamento há, justamente, quem defenda igual desejo: «Vivemos na era em que para nos inserir no mundo profissional devemos portar de boa formação e informação. Nada melhor para obtê-las do que sendo leitor assíduo, quem pratica a leitura está fazendo o mesmo com a consciência, o raciocínio e a visão crítica. Espero que gostem do meu blog e deixem sugestões, comentários ou troca de ideias.» (Disponível em http://oquemevainacabecaagora.blogspot.pt/ consultado em 02.01.2013)
Cinco anos a escrever e a publicar, semana após semana, é uma grande e agradável responsabilidade. O prazer da escrita torna-se mais profundo, mais permanente, mais cuidado e, acima de tudo, mais direcionado e oferecido, com sincera generosidade, a todos os leitores, porque é para eles que todo o trabalho é dirigido, que as preocupações em fazer melhor são constantes e estimulam a não parar, enquanto Deus assim o permitir.
É da mais elementar justiça, trazer para esta reflexão, o inestimável contributo dos órgãos de comunicação e editoras que tem sido postos à disposição do autor, quer a nível local, regional, nacional e internacional. Com efeito, todo este projeto só tem sido possível com o apoio gracioso e sempre disponível dos respetivos diretores dos órgãos de comunicação onde são publicados os trabalhos. Sem esta insubstituível ajuda, os leitores estariam privados de analisar, criticar e incentivar um desígnio que se deseja perdure por muitos anos, essa é a determinação do autor.
O prazer da escrita fica reforçado, porque ao longo de cinco anos, com mais de quatrocentas reflexões/artigos publicados, a nível universal, sem quaisquer intenções materiais e/ou contrapartidas financeiras fica, inequivocamente, recompensado, pela adesão que tem suscitado.
A recompensa é, portanto, gratificante, na medida em que este trabalho criativo, reflexivo e pretensamente inédito, tem gerado, na maior parte das pessoas, grande consenso, muita consideração, estima, carinho e respeito para com o autor que apenas pode proferir um singelo e totalmente sincero: obrigado.
Muito obrigado pela paciência, compreensão e tolerância na apreciação que tem sido feita ao trabalho de um desconhecido. Muito Obrigado prezadas/os leitoras/es e, para finalizar, uma pedido para quem deixou de produzir comentários: que retome essa boa prática, porque isso revela consideração, estima, carinho e uma grande firmeza em ajudar quem tem na escrita um imenso prazer. Obrigado.
 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Amigos, Carinhosamente Enamorados


Associar S. Valentim ao dia dos namorados, ou vice-versa, é inevitável, porque o destaque que aqui se pretende dar contempla o Santo e os Namorados (ou Enamorados), muito embora, o fio condutor do tema, o núcleo central, o objetivo que se pretende, aponte no sentido do amor, não necessariamente o “amor-paixão” que, eventualmente, será efémero.
Pensa-se ser muito importante o amor que fundamenta uma amizade sólida, para toda a vida, entre duas pessoas que se gostam, se respeitam, se cuidam e comungam as alegrias e as tristezas, os sucessos e os fracassos, a cumplicidade, a confiança, a solidariedade e a lealdade, de resto, excelentes bases para um namoro que conduza, justamente, a um casamento feliz, se possível, para sempre.
Num breve resumo da vida de S. Valentim, resulta logo numa análise despretensiosa, sem qualquer manifestação elitista ou hagiográfica, que o padroeiro dos namorados é uma entidade santificada, muito popular e querida no sei da humanidade, independentemente do escalão etário de cada pessoa, porque nunca se é demasiado velho, nem muito novo para as “coisas” do coração, que quantas vezes se sobrepõem à racionalidade calculista.
A história do “Padroeiro dos Namorados” resume-se, neste trabalho, ao seguinte: «Há muitos anos, o Imperador Cláudio pretendia reunir um grande exército pois queria aumentar o império romano. Mas nem todos os homens queriam alistar-se no exército porque já estavam cansados de tantas guerras e de estarem muito tempo sem as suas famílias. O Imperador ficou furioso. Então teve uma ideia: se os homens não fossem casados, nada os impediria de ir para a guerra. Assim decretou que não seriam permitidos mais casamentos. Os jovens acharam aquela lei cruel e injusta.
Um sacerdote chamado Valentim, que também discordava da lei imposta pelo Imperador, decidiu realizar casamentos às escondidas. Uma noite, durante um desses casamentos secretos, ouviram-se passos. O casal que nesse momento estava a casar conseguiu fugir mas o padre foi capturado. Durante o seu cativeiro, jovens passavam pelas janelas da sua prisão e atiravam flores e mensagens onde diziam acreditar também no poder do amor. Entre os jovens que admiravam Valentim, encontrava-se a filha do carcereiro. O pai dela deixou que ela o visitasse na sua cela e ficavam horas a conversar. No dia da sua execução, Valentim deixou uma mensagem à sua amiga agradecendo a sua amizade e lealdade. Dizem que essa mensagem foi o início do costume de trocar mensagens de amizade no dia de São Valentim, celebrado no dia da sua morte, a 14 de Fevereiro do ano 269.» (Disponível em http://www.cybertic.net/images/Hotpotatoes/respostatextos_multipla/saovalentim/saovalentimjogo1.htm, consultado em 20.01.2013).
Namorar, amar, casar, estimar, cuidar, são atitudes e sentimentos que não têm idade e ninguém pode provar que uma amizade, dita tardia, sentida, vivida, oferecida por uma pessoa sénior, seja menos intensa, menos verdadeira e menos sólida do que esse mesmo sentimento, experienciado aos vinte ou trinta anos porque, em boa verdade, há valores, sentimentos e emoções que vivenciados ao longo da vida, poderão ter exuberâncias, causas e consequências diferentes e, cientificamente, parece que ainda não há conclusões sobre qual a faixa etária em que aquelas atitudes e sentimentos são mais autênticos e sólidos.
Partindo-se do princípio de que o namoro poderá ser um período de aprofundamento de uma amizade, ainda na sua fase embrionária, com o objetivo de estreitar o relacionamento, conhecimento mútuo do casal, projetos que serão comuns aos dois e, eventualmente, a união matrimonial, então será necessário que os futuros cônjuges se abram plenamente um ao outro, que confiem, que consolidem os seus propósitos, para estarem preparados para constituírem uma família, iniciarem uma vida a dois, com todas as responsabilidades inerentes.
O namoro, tendo por objetivo projetos sérios, de constituição de família será bem diferente do namoro de ocasião, que visa apenas a conquista fácil, a posse e fruição do corpo, para prazeres erótico/sexuais, enquanto nenhuma das partes se saturar da outra, porque onde não existe amizade sincera, o amor, muito dificilmente, surgirá e vencerá. Importa, por isso mesmo, nesta breve reflexão, dedicada, primeiramente, ao dia dos namorados, abordar o namoro na perspectiva de constituição de uma família honrada, respeitada, em que os futuros cônjuges, para além de se amarem, comportam-se com respeito, consideração, estima e confiança na fidelidade um do outro para, de seguida, abordar o namoro a partir de uma amizade sincera, que se transformará num expoente mais elevado.
Na perspectiva do casamento, o namoro é um período de conhecimento recíproco, de confissão, de gestos, desejos, sucessos, fracassos no passado, portanto e por um lado: «Manter seu namoro moralmente limpo dá evidência clara de que você tem autocontrolo e que o interesse altruísta no bem-estar do outro está acima de seus próprios desejos» e, por outro lado: «O namoro honroso inclui também a comunicação honesta. À medida que seu namoro se encaminha para o casamento, certos assuntos terão de ser considerados francamente. (…) Além disso, é muito justo revelar coisas, talvez do passado um do outro que possam afetar o casamento.» (Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Trados, 1996:24-25)
Culturalmente, em certas sociedades, entre o namoro e o casamento, haverá um outro período em que o casal de namorados experiencia uma nova vivência, que tradicionalmente se pode designar por noivado. Acredita-se que este ciclo já é a antecâmara do casamento, em que se acertam pormenores, se confidenciam situações, se afirmam e clarificam desejos. Também nesta época se deve consolidar o conhecimento recíproco, sem sombras, sem passados duvidosos. É o tempo de tudo clarificar, definitiva e assumidamente.
O noivado é, portanto, o primeiro passo para o casamento e, nesse sentido, é necessário que seja encarado como uma espécie de “ensaio geral”, de resto, ainda  em relação ao noivado admite-se que: «Há quem imagine que vem a ser um jogo romântico ou um passatempo divertido, como qualquer outro, ou uma vaga e ‘sentimentaloide’ aventura para satisfazer a descoberta do coração que se abre para um mundo desconhecido. Nada disso merece o qualificativo de noivado. O que entendemos aqui por noivado é o trato particular, assíduo e sério de um jovem com uma jovem que normalmente costuma acabar em casamento.» (GUERRERO, 1971:31).
Estipulou-se para os namorados um determinado percurso, que culminaria numa situação que, felizmente, ainda é desejada por muitas pessoas, certamente jovens, mas não só, porque se tem entendido o casamento como mais um patamar para a felicidade, para a família, para a responsabilidade conjugal, para a fundamentação da sociedade. Mas nem todos os namoros e noivados se consolidam no casamento, porque uma outra consequência também é possível: a ruptura, quantas vezes com especial dramatismo e violência, ao ponto de se verificar um desfecho fatal, para ambos ou para um dos namorados. Eventualmente, não terá havido total abertura, lealdade e reciprocidade.
É interessante, agora, abordar-se o namoro na perspetiva da amizade íntima, entre duas pessoas, que ao longo de um relacionamento geram uma simpatia salutar, que depois se transforma numa amizade sincera e, finalmente, surge o verdadeiro “Amor-de-Amigo”. Aqui já se pode aceitar, perfeitamente, sem qualquer receio, e neste contexto muito especial, que: «Amar não é apoderar-se egoisticamente. É viver uma atitude de dádiva desinteressada. Amar é também receber. Humildemente, agradecidamente. E isto, às vezes, é mais difícil do que dar. O amor é o intercâmbio de dois seres em tudo. Amar é compreender. Amar é sentir-se responsável pelo outro e conduzi-lo desinteressadamente. É abrir-se ao serviço do outro.» (Ibid.:22-23).
Todos os anos, a catorze de Fevereiro celebra-se o “Dia dos Namorados” e também, todos os anos, a trinta de Julho se comemora o “Dia do Amigo”, da amizade. A conjugação das duas figuras: namorado e amigo, pode resultar numa nova situação intermédia, cujos sentimentos até se enquadram, entre o namoro e o casamento, que não são incompatíveis com os valores do matrimónio, porque este novo sentimento tem a suportá-lo: amor, fidelidade, entrega, respeito, compreensão, tolerância, solidariedade, reciprocidade, companheirismo, doação.
Aceite-se, portanto, sem reservas nem preconceitos, uma nova noção  de namorados, na perspetiva de uma amizade sincera, solidária, leal, recíproca, em que tal afeição se transforma num genuíno “Amor-de-Amigo”, que realmente é possível cultivar e consolidar e, com base neste sentimento tão nobre: regular as relações de quem realmente se quer muito bem; de quem se gosta sem reservas; com respeito pela honra e dignidade pelo outro; de quem nos orgulhamos e com quem partilhamos alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, projetos, desejos, aflições na vida, dificuldades familiares, profissionais e sociais.
Este dia dos namorados, que S. Valentim, pelo seu exemplo, apadrinha, é, perfeitamente, extensível aos amigos que se enamoram no âmbito de uma amizade íntima, em que o respeito prevalece, a consideração, a estima, o carinho, o estar do lado do amigo, incondicionalmente, em quaisquer circunstâncias, é o denominador comum aos dois e o limite para este amor muito especial é balizado pelo respeito e pela felicidade do outro.
Ser e ter um amigo, nestas condições, é maravilhoso. Pode-se afirmar que um amigo assim é um privilégio que não está acessível a qualquer pessoa, é uma dádiva divina, que se deve preservar, com total carinho, preocupações pelo bem-estar desse amigo, cumulando-o, sempre de atenções, gentilezas, amabilidades sem fim. É, comparativamente com muitas situações de namorados e matrimónios, muito mais sólido, mais genuíno, mais sublime.
É pertinente, incluir aqui, algumas frases, tão célebres quanto dignas de reflexão, a propósito da amizade e dos amigos: «Quando defendemos os nossos amigos, justificamos a nossa amizade.» (MARQUÊS DE MARICÁ); «Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.» (CONFÚCIO); «A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro.» (PLATÃO); «Ter muitos amigos é não ter nenhum.» (ARISTÓTELES); «Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos.» (SÓCRATES); «Dos amores humanos, o menos egoísta, o mais puro e desinteressado é o amor da amizade.» (CÍCERO); «A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.» (MILLÔR FERNANDES).
É fundamental e condição indispensável para o reforço de uma felicidade, oriunda da família nuclear: esposos e filhos, cultivar-se um “Amor-de-Amigo” pelo qual se possa ser, ainda mais feliz, porque a felicidade, não tendo medida nem dimensão, ela é sentida e tanto pode ser prejudicada, por fatores externos à família, como beneficiada e ampliada, justamente, pelo amor que os verdadeiros amigos se dedicam reciprocamente.
O sentimento que se designa por “Amor-de-Amigo” não é nenhuma traição ao matrimónio, não constitui nenhuma infidelidade por parte de quem o dá e recebe e, neste “Amor-de-Amigo” os comportamentos e gestos carinhosos só vêm demonstrar o quanto se pode gostar de uma pessoa, na qual se confia, com quem se deseja partilhar, desabafar, encostar a cabeça num ombro amigo, saber que se tem um rumo para um porto seguro, em quaisquer circunstâncias.
O dia dos namorados também se pode aplicar a todas as pessoas de quem verdadeiramente se gosta, de quem se recebe permanentes manifestações de amizade, de consideração, de estima, de ajuda, enfim, de genuíno, inédito e infalsificável “Amor-de-Amigo”. Adapte-se o dia dos namorados, também, aos “Amigos, Carinhosamente Enamorados”, porque os sentimentos destes, em certas situações, até se podem considerar bem melhores do que aqueles. Em bom rigor vale muito mais um amigo solidário, leal, companheiro, carinhoso e cuidador do que alguns namorados, noivos ou cônjuges, apenas interessados numa conquista e/ou manutenção de comportamentos meramente sexuais, onde o corpo de um não passa, de facto, de um objeto de prazer, quantas vezes efémero, em função da vitalidade do outro.
Entretanto, o percurso da vida ensinará, numa fase mais adiantada, no período em que os valores, princípios, sentimentos e emoções se destacam sem complexos, estão consolidados e proporcionam momentos de autêntica felicidade, um amor nobre que prevalece, além dos aspetos físicos, dos prazeres eróticos passados, quantas vezes esquecidos ou, então, esgrimidos como troféus de caça mansa e indefesa, de pessoas desorientadas na vida.
É nesta perspectiva que também se pode celebrar este dia, como sendo o de um outro tipo de namorados, que aqui se conceptualiza como sendo o dia dos “Amigos, Carinhosamente Enamorados”, cujo objetivo final será sempre uma amizade íntima, no seu sentido mais notável, mais eloquente, puro, que por sua vez proporcionará legítima felicidade, que será acrescida à felicidade que, por via do casamento, por exemplo, já se adquiriu ou, então, uma felicidade que no matrimónio se chegou a ganhar ou já se perdeu.
A felicidade complementar, ou paralela, que se pode obter através do “Amor-de-Amigo” é um direito pelo qual todas as pessoas podem (e devem) lutar, procurando uma amizade sincera, incondicional e duradoura, de uma pessoa que se deseja, que seja sempre nossa verdadeira amiga, que nos dê provas permanentes do seu sincero “Amor-de-Amigo”.
Fica aqui, portanto, um novo conceito de namorados, numa dimensão nobre, consolidado pelos valores da solidariedade, da amizade, da lealdade, da cumplicidade, da confiança, da reciprocidade, do companheirismo. Namorados para um “casamento” de amizade íntima, de confidencialidade, de ombro amigo, que navega para o porto seguro da estabilidade deste sentimento tão necessário, quanto maravilhoso e supremo.
Enalteçam-se os “Amigos, Carinhosamente Enamorados”, para além da família, do casamento, da sexualidade, dos “amigos de ocasião”. Defendam-se amigos para a proteção recíproca, para a entre-ajuda, para a consolidação do sentimento mais puro, mais desejado, como é o “Amor-de-Amigo”, que acompanha para todo o sempre quem tem a felicidade de o sentir, de dá-lo e recebê-lo, sem reservas. “Amigos, Carinhosamente Enamorados”, resguardados num cantinho do coração de cada um dos amigos, guardados a sete chaves, para todo o sempre.

Bibliografia.

GUERRERO, José Maria, (1971). O Matrimónio Hoje, à Luz do Vaticano II, Trad. José Luís Mesquita, Braga: Editorial Franciscana.
SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, (1996). O Segredo de uma Família Feliz, Edição Brasileira, São Paulo: Cesário Langue

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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