domingo, 28 de abril de 2013

Educação/Formação: Estratégia para o Sucesso


A vida moderna, nos seus diferentes contextos, exige cada vez mais um empenhamento das pessoas, para que todas as atividades desempenhadas sejam da melhor qualidade, e se realizem no tempo com a duração mínima, principalmente quando estão em causa situações de produtividade, competitividade, qualidade, preço e prazos.
Acompanhar este ritmo, no exercício das inúmeras tarefas que levam àqueles requisitos é muito importante, designadamente, para se conseguir atingir objetivos previamente definidos: quer materiais; quer de realização pessoal.
A disponibilidade de cada pessoa para se manter atualizada em todos os domínios da sua vida, em sociedade é, portanto, um desígnio para o  qual deve estar preparada e lutar para alcançar objetivos pessoais, profissionais e organizacionais.  O sucesso é sempre uma situação que poderá estar ao alcance de cada pessoa e não tem de ser, necessariamente, material. O êxito é algo que realiza o ser humano, que lhe dá uma dimensão superior, que o distingue e o estimula para novas iniciativas, eventualmente, cada vez mais complexas, mas também mais vantajosas.
Na caminhada para o sucesso, seja em que domínio for, existem, normalmente, algumas variáveis que se deve ter em conta, atendendo a que umas podem ser mais facilmente controladas do que outras, considerando-se, desde logo, a determinação em avançar com o projeto no qual se acredita.
Certamente que o trabalho, o estudo, o conhecimento e a experiência são vertentes essenciais, às quais se pode adicionar a sorte, os apoios externos, as normas jurídicas, a educação e formação permanentes, de quem deseja estar na sociedade a desempenhar funções de reconhecido interesse para a pessoa envolvida e para a comunidade que serve.
Está sobejamente provado que já não existem empregos para toda a vida; que as habilitações literárias definitivas são uma utopia e que o conhecimento humano cada vez fica mais obsoleto, precisamente porque a ciência e a tecnologia evoluem a um ritmo vertiginoso, de tal forma que o que ontem era verdade, hoje poderá não o ser. Para combater esta situação, uma das soluções possíveis passa pela aprendizagem ao longo da vida.
É importante interiorizar que a necessidade de atualização permanente, nos mais variados domínios das atividades humanas é fundamental. O veículo que conduz a desempenhos eficazes e cada vez mais compensador assenta nos recursos adequados ao projeto que se deseja concretizar. Com esta preocupação, aceite-se, desde já que: «A formação é o processo, seja ele formal ou informal, planeado ou não, através do qual as pessoas aprendem novos conhecimentos, capacidades, atitudes e comportamentos relevantes para a realização do seu trabalho.» (CUNHA, et. al., 2010:382).
O investimento na formação das pessoas: seja nos contextos pessoal, cívico ou profissional, constitui uma estratégia em que organizações públicas e privadas, grupos profissionais ou pessoas individualmente consideradas, devem apostar e investir grande parte do tempo e dos recursos financeiros. Formar ao nível do Saber-ser, Saber-estar, Saber-fazer, Saber-aprender e Saber-conviver-com-os-outros, podem ser as grandes linhas de preparação e orientação para um futuro cada vez mais competitivo e instável.
Com efeito, num mundo extremamente exigente e complexo, quanto competitivo poder-se-á afirmar que a aprendizagem ao longo da vida permitirá, ainda que parcialmente, uma preparação para enfrentar a escassez de trabalho e, correlativamente, combater o desemprego.
Nesta perspetiva, um outro conceito de formação se coloca numa vertente extraordinariamente importante, porque: «A formação permite aprender a saber, a fazer e a ser. No extremo das suas possibilidades, permite também aprender-a-prender – e esse é porventura o seu mais elevado desígnio, na medida em que assegura a prossecução dos restantes domínios da aprendizagem. Nas organizações onde o lema é “todos devem aprender-a-prender, sempre”, as possibilidades competitivas são seguramente maiores -, não apenas para lidar com as contingências competitivas atuais, mas também para aproveitar oportunidades e enfrentar desafios futuros.» (Ibid.:384).
Entretanto, e por si só, de facto, a formação não resolve todos os problemas, porquanto ela visa preparar a pessoa para objetivos relacionados com o trabalho, no prosseguimento de uma carreira que exige preparação técnico-funcional, sempre atualizada mas, por outro lado, a educação pretende transmitir conhecimentos de natureza geral, desenvolver capacidades que facilitam a integração no meio ambiente, à autonomia e avanço da sociedade de uma forma geral. (cf. GLASER, 1962, in CUNHA, et al., 2010:385). Numa abordagem mais objetiva: «A educação visa o indivíduo em si, sem ligação a um contexto específico ou particular.» (BUCKLEY & CAPLE, 2003, in Ibid.).
Se se analisar a pessoa humana nas suas múltiplas dimensões e exercício de diversos papeis, no contexto da sociedade em que está inserida, pode-se defender que não existe nenhuma dicotomia entre educação e formação, bem pelo contrário, a convergência é uma realidade.
Na verdade, o que ocorre é uma saudável e até indispensável complementaridade, porque em bom rigor: «Uma sociedade do conhecimento não pode existir sem cidadãos com elevado nível de educação e sem uma força de trabalho bem treinada e qualificada. A educação e a formação são, deste modo, pilares cruciais para alcançar os ambiciosos objetivos económicos e sociais que a Europa estabeleceu para si própria para o ano 2010.» (http://europa.eu.int/ acesso em 24 de Novembro de 2009, in Ibid. 386).
 O sucesso individual das organizações, das sociedades e da humanidade em geral é indissociável da educação e da formação que, ao longo da vida, as pessoas vão adquirindo. O investimento nestes dois pilares da preparação da pessoa verdadeiramente humana e tecnicamente profissional, deve ser considerado em todas as circunstâncias, independentemente das crises que ao longo da história vão afetando pessoas, povos e nações.
Cabe às instâncias da governação política e às administrações empresariais, dotar os seus orçamentos com os recursos técnicos, financeiros e humanos para que a educação e a formação estejam sempre na primeira linha das preocupações e dos investimentos para o desenvolvimento e progresso dos seus concidadãos e colaboradores, respetivamente.
Uma sociedade poderá ser tanto mais justa e feliz quanto melhor for a preparação dos seus cidadãos. A participação cívica e profissional das pessoas é essencial para o desenvolvimento harmonioso e sustentável da humanidade. A educação e a formação colocam a pessoa humana na verdadeira dimensão da sua superior dignidade, e faz interiorizar a noção de responsabilidade na vida ativa em que ela se insere.
A pessoa humana não pode ser tratada como um mero objeto ou máquina de produção de “coisas” e por isso: «A qualificação é, hoje, o factor-chave dos processos de modernização, constituindo a base indispensável para os processos sustentados de inovação, assentes no conhecimento. (…) Prosseguir na qualificação de jovens e adultos ao nível do secundário, valorizando a dupla certificação escolar e profissional; lançar um novo ciclo das Novas Oportunidades e alargar o acesso ao ensino superior são prioridades essenciais a prosseguir.» (http://www.portugal.gov.pt/pt/gc18/documentos/programa_Gc18.pdf, acesso em 22 de Novembro de 2009, in Ibid.:388).
O projeto da educação e formação jamais estará concluído, porque as exigências da sociedade complexa, de um mercado extremamente competitivo e de um mundo que ainda se procura descobrir, incentivam à melhoria contínua da preparação da pessoa para enfrentar e resolver problemas que, diariamente, se colocam, e para cuja solução são necessários conhecimentos, experiências, prudência e sabedoria, o que se adquire, efetivamente, ao longo da vida, numa aprendizagem permanente, sempre em atualização e posta ao serviço da comunidade global.
Para além das instâncias públicas e privadas, também cada pessoa de “per si”, tem a obrigação de cuidar da sua educação e formação, de resto: «Na realidade, conforme ambicionado pela Comissão Europeia, a ALV (Aprendizagem ao Longo da Vida) deverá ser o motor principal não apenas da competitividade e empregabilidade na Europa, mas também da inclusão social, de uma cidadania activa e do desenvolvimento pessoal.» (CUNHA, 2010:387).

Bibliografia.

CUNHA, Miguel Pina e, et. al., (2010). Manual de Gestão de Pessoas e do Capital Humano. 2ª Edição. Lisboa: Edições Sílabo, Ldª.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
 
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domingo, 21 de abril de 2013

Conflitos e sua Caraterização


A dificuldade sentida pelas pessoas para interpretarem corretamente palavras, frases, gestos, atitudes e comportamentos estará, seguramente, na origem de muitos conflitos. Como primeira preocupação, para compreendermos os outros, é necessário conhecer-se a si próprio porque: «só então se pode compreender porque razão determinados outros tipos de personalidade nos são difíceis. Neste sentido é essencial sabermos submetermo-nos à nossa própria avaliação para determinação da nossa personalidade e assim estaremos em condições de compreender a um nível mais profundo as nossas preferências e desagrados nas outras pessoas. Colocarmo-nos no papel do outro, com as suas perspetivas e fundamentos, pode ajudar a melhor resolver conflitos e a lidar com pessoas difíceis.» (BELL, & SMITH, 1991:16-21).
É interessante ter-se presente que: «cada um de nós está predisposto para determinadas tendências de personalidade», sendo certo que: «alguns indivíduos são por natureza mais extrovertidos, alguns mais introvertidos; uns despendem a energia trabalhando com pormenores, outros tentam compreender o quadro inteiro; por outro lado, há os que são predominantemente lógicos e os que revelam emoção e outros, ainda, preferem reunir dados e finalmente há os que preferem tirar conclusões. Assim é fundamental compreender como um indivíduo determinado a tomar decisões pode ficar frustrado pelos esforços de um colega em esclarecer cada vez mais pormenores. Aqueles que trabalham em paradigmas lógicos e objetivos, dificilmente se compatibilizam com os que atuam por intuição e emoção.» (Ibid).
«O conflito é inevitável nas organizações, porque os objetivos, os valores e as necessidades de grupos e pessoas nem sempre coincidem. O conflito pode ser um sinal de que a organização é saudável. Um acordo sistemático em tudo seria pouco natural e enervante. Deveria haver choques de ideias sobre tarefas e projetos e os desacordos não deveriam ser eliminados. Os conflitos, por outro lado, devem surgir à luz do dia, pois essa é a única forma de garantir que as questões são exploradas e os assuntos resolvidos.
Pode sempre surgir um conflito criativo – ideias novas ou modificadas, perspetivas, abordagens e soluções podem ser geradas por um novo exame de diferentes pontos de vista, desde que baseado numa troca objetiva e racional de informações e ideias. Contudo, o conflito torna-se contraproducente sempre que se baseia em choques de personalidade, ou sempre que é tratado como uma nódoa a limpar o mais rapidamente possível, em vez de ser encarado como um problema a resolver.» (ARMSTRONG, 2005:26).
A maioria dos conflitos tem a sua origem no comportamento de pessoas difíceis que, tecnicamente, se designam por “Fontes-de-Dor (FDD)” e que, constituindo grande parte dos contactos humanos diários, provocam muitas frustrações.
As pessoas difíceis podem encontrar-se em quaisquer circunstâncias, locais e tempo. Qualquer pessoa que premeditada e intencionalmente se assuma como “Fonte-de-Dor”, sabe conduzir-se de forma a provocar o desgaste, a desorientação e até a humilhação da (s) pessoa (s) que pretende atingir.
Gerir a conflitualidade de forma imperturbável, alimentar uma situação de permanente mal-estar, através de argumentos e atitudes, aparentemente corretos e legais, são técnicas que as pessoas difíceis utilizam muito bem.
Como tratar com pessoas difíceis é uma tarefa que envolve procedimentos e atitudes diversificadas perante cada caso complexo mas, ainda assim, algumas regras se podem tentar adotar: «a) Compreender o que fazer em resposta às ações ou atitudes da FDD (Fonte de Dor/Pessoa Difícil); b) Colocarmo-nos numa relação pro-activa, não reativa, com a pessoa difícil, atuando no nosso melhor interesse, sem a influência ofuscante da reação emocional; c) Resistir à tentação de caluniar a pessoa difícil, porque se vai prejudicar uma fonte potencial de objetividade, equilíbrio e bom-senso: as opiniões sinceras, livremente expressas, sem que as peça ou influencie, d) Em vez de comparações, é preferível partir de uma posição limpa, perguntando à pessoa difícil porque atua de tal maneira e esta posição interrogativa permite flexibilidade e a possibilidade, pelo menos em 50%, de saber as motivações dessa pessoa.» (BELL, & SMITH, 1991:16-21).
No dia-a-dia a comunicação interpessoal assume aspectos entre ideias, princípios, valores, pensamentos, emoções e práticas com bastante influência. A luta entre opositores, cujo objetivo é derrotar o adversário, é um tipo de conflito muito frequente. O que define a situação de confronto é o querer “ganhar a discussão” a todo o custo e não querer discutir e resolver um determinado problema. Assim, criam-se, à partida, problemas que resultam em conflitos interpessoais.
Torna-se necessário objetivar os problemas, encará-los de frente, retirando-os do domínio emocional e trazê-los para o domingo racional, tratá-los desapaixonadamente e sem quaisquer tipos de complexos, sejam estes quais forem. Naturalmente que para cada situação em concreto se desenha um potencial tipo de conflito: religioso, político, laboral, económico, pessoal, axiológico, relacionamento interpessoal, sentimental, emocional. Enfim, seria exaustivo elaborar uma taxionomia hierarquizada dos conflitos que preenchem as relações humanas num mundo tão complexo.

Bibliografia

ARMSTRONG, Michael (2005). Como ser Ainda Melhor Gestor. Guia completo de técnicas e competências essenciais. Trad. Geraldine Correia e Raquel Santos. Lisboa: Atual Editora
BELL, Arthur H., & SMITH, Dayle M. (1991). Como Lidar com Pessoas Difíceis. Trad. Ana Rabaça. Mem Martins: Europa América. 
 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

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domingo, 14 de abril de 2013

O Paradigma Comunicativo


A comunicação é uma inevitabilidade cultural e antropológica, sempre acompanhada de atitudes e expressa por uma linguagem verbal e/ou não verbal. O relacionamento interpessoal provoca, necessária e inevitavelmente, determinados comportamentos comunicativos: uns, eventualmente, premeditados, estudados e treinados; outros, espontaneamente.
É possível, a partir do exercício persistente e de boas práticas a nível da comunicação educacional, preparar o uso da língua com correção, elegância, naturalidade e eficácia.
A instituição de um paradigma comunicativo impõe-se, hoje, à sociedade universal, sendo urgente implementar todos os recursos possíveis para que o relacionamento humano intercultural, interreligioso, intergrupos, interplanetário seja uma regra e não uma exceção.
Quaisquer que sejam as atividades profissionais, com os apoios das disciplinas, técnicas, estratégias e metodologias que as estruturam, bem como os recursos utilizados, o objetivo fundamental é atingir-se um “resultado”, cientificamente expresso numa quantidade, revelando qualidade e rigor, sempre em contextos de crescente competitividade, num espaço cada vez mais globalizado.
Hoje, a par das preocupações académicas, teorizações e muita ilustração, exige-se, também, uma valência que vem assumindo uma qualidade que é avassaladoramente valorizada pelos empregadores, porque indispensável ao sucesso das empresas, sejam públicas, privadas ou cooperativas, sejam instituições da mais diversificada natureza e com os mais diferenciados objetivos. A valência a que se alude, denomina-se por “Competência”.
A necessidade, determinação, imposição e/ou urgência de se alcançarem objetivos materiais, morais, políticos, religiosos, éticos e quaisquer outros previamente definidos, em todas as atividades humanas, sugere e aconselha uma atitude cada vez mais pragmática no sentido de uma intervenção prática, enquadramentos sócio-profissionais corretos e uma abertura mental para a competitividade.
O avanço da ciência, da tecnologia e da globalização impõe comportamentos de rigor, de produtividade, de concorrência. Para vencer este surto desenvolvimentista e consumista, pessoas, organizações e sistemas têm de ser competentes. Vários serão, certamente, os conceitos de competência, destacando-se, entre outros:
«Capacidade de quem é capaz de apreciar e resolver certo assunto, fazer determinada coisa.»;
«Atributos pessoais que distinguem pessoas de altas performances de outras, num mesmo trabalho.»;
«Pessoas competentes são aquelas que obtêm resultados no trabalho, nos empreendimentos, utilizando conhecimentos e habilidades adequados.»;
«Competência é a transformação de conhecimentos, aptidões, habilidades, interesse, vontade, etc., em resultados práticos. Ter conhecimentos e experiência e não saber aplicá-los em favor de um objetivo, de uma necessidade, de um compromisso, significa não ser competente, no sentido aqui destacado.» (RESENDE, 2000:30-32).
Nunca como agora as organizações sociais e as pessoas precisaram de ter e desenvolver competências, porque se trata de um requisito essencial para o bom desempenho de uma atividade, mesmo que tal atividade seja comunicar e manter relações interpessoais corretas, civilizadas e produtivas no sentido de se alcançarem objetivos, ainda que circunscritos a uma comunicação e relacionamento agradáveis.
Por isso se justifica a valorização da competência, porque terá profunda influência nos destinos das organizações, nas carreiras profissionais das pessoas e, neste contexto, o conceito paradigmático de competência assume uma nova dimensão e significação, cujas consequências se evidenciam no relacionamento humano permanente.
Atualmente, o paradigma que se insinua em diversos meios e organizações aponta para noções objetivamente positivistas:
a) «A competência será tanto mais prestigiada do que a erudição»;
b) «A competência será o atributo mais importante das pessoas»;
c) «As referências mais importantes para a remuneração ou promoção das pessoas nas organizações não serão mais tempo de casa ou escolaridade, mas sim competências e habilidades»;
d) «As expressões competência emocional, competência espiritual e competência da cidadania, por exemplo, são novas formas de ver e conceituar estas maneiras de ser, manifestar e agir das pessoas.» (RESENDE, 2000: 7-8)
A inferência que parece adequada é começar a interiorizar-se que a competência será cada vez mais um atributo que se impõe às pessoas e organizações, num mundo complexo, competitivo e por vezes conflituoso.
Logicamente, a primeira conclusão que se pode extrair é que também na comunicação e no relacionamento interpessoal, as pessoas e as organizações têm de ser competentes, aqui no conceito prático de obtenção dos melhores resultados, isto é, fazer passar as mensagens verbais e não-verbais que se vão transmitindo no exercício dos múltiplos papéis que diariamente são desempenhados pelas pessoas e organizações, numa sociedade que se deseja, competentemente, civilizada, tolerante, justa, solidária e fraterna. Exija-se, pois, competência.

Bibliografia

RESENDE, Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Auto-Ajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
 
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domingo, 7 de abril de 2013

Educação Estética

 
Das reflexões que foram efetuadas e que tiveram por base a obra de Friedrich Schiller, denominada “Cartas Sobre a Educação Estética da Humanidade”, creio poder pensar que tal obra está ao serviço da Humanidade, porque ela revela o espírito sofredor, que encontra na educação estética um lenitivo e motivo para a luta por um bem supremo.
O autor pretende que o estado natural atinja o moral pelo empreendimento do estado estético, isto é, do “Terceiro Carácter”, já que as sociedades são conflituosas, por interesses antagónicos e neles, o homem ideal não pode viver pelo situacionismo material reinante.
Na perspectiva Schilleriana, o homem deve autoconstruir-se como obra de arte, a fim de poder reaver a humanidade que possuía, e perdeu pelas constantes investidas de uma civilização que o pretende destruir, ou pelo menos reduzir a um ser impessoal, pelo que para voltar a um estado puro deve libertar-se do material e subir ao ideal, onde o espírito se sobressai da matéria.
O homem é, na sua essência originária, uma obra de arte, um modelo de Beleza porque integra uma unidade perfeita, em todos os seus elementos constituintes, é uma obra inacabada, porque em constante relacionamento com o seu Criador, seja ele apelidado desta ou daquela maneira, porque, efetivamente, o artista desta obra suprema, que é o homem, foi apenas um, Deus Criador, Deus Artista.
É por isso que a educação estética do homem deve iniciar-se o mais cedo possível, em ordem à chamada para as realidades belas e, desde logo, aquela que à sua volta se coloca, ou seja, a Beleza Natural, seja a Beleza mineral, vegetal ou animal, e isto porque todos os elementos que integram o nosso mundo têm o toque do seu Criador, que foi o mesmo para todos e n’Ele todos devemos ir buscar a inspiração necessária à compreensão de toda a obra de arte, desde o conhecimento da obra de arte, que é a linguagem, até ao entendimento do gesto e da intenção do nosso homólogo dialogante.
Entre outras formas de a humanidade se cultivar, se compreender, se auxiliar é, naturalmente, pela leitura que cada um faz da obra de arte, é através do aperfeiçoamento do juízo do gosto que nós aprendemos a amarmo-nos em respeito, em tolerância e em harmonia, na medida em que todos somos uma obra de arte produzida pelo mesmo Artista.
Ao finalizar esta minha análise sobre a Educação Estética, creio ser meu dever afirmar a necessidade imperiosa de, tal como outras matérias, designadamente a ética, a educação cívica, a mundividência, também a Estética deveria ser implementada ao nível do ensino preparatório.
 Isto porque só bem cedo na vida de uma pessoa, que se pretende digna e titular dos seus direitos, e responsável pelos seus deveres, se conseguirá alterar o curso de uma mentalidade fortemente afetada pelo “ideal do belo material”, ou seja, o ideal do ter, a troco da degradação do nosso semelhante, terá de ser erradicado da humanidade e, nada melhor do que na comunhão do homem com a Beleza Natural para se elevar ao nível do Supremo Belo Absoluto.

Bibliografia

DUCASSÉ, P., (s.d.). As Grandes Correntes da Filosofia. 5ª Ed. Lisboa: Publicações Europa-América
HADJINICOLAOO, N., (1978). História das Artes e Movimentos Sociais. Lisboa: Edições 70
MARCUSE, H., (s.d.). A Dimensão Estética. Lisboa: Edições 70
PLAZAOLA, Juan, (1973). Introdución a la Estética. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos
SCHILLER, Johann Christoph Friedrich von, (s.d.). Cartas Sobre a Educação Estética da Humanidade. Buenos Aires: Ed. Aguilar.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

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domingo, 31 de março de 2013

Páscoa: Ressuscitar a Dignidade


Ainda no início do século XXI, mas já na segunda década, numa Europa milenar de cultura, tradições, valores e detentora de uma civilização, que se tem pretendido humanista, assente nos pilares da Democracia, do Direito e do Cristianismo vive-se, todavia, uma situação preocupante, pelo menos em alguns países, nestes se incluindo Portugal que, apesar de pobre, é constituído por um povo humilde, trabalhador, honesto e educado, uma população frequentemente sacrificada, submetida às mais cruéis desfeitas, a principal das quais, a perda de quase tudo o que ao longo de vidas de trabalho, poupanças, impostos em cima de impostos, acaba por ser despojada de direitos e até do próprio património material, se não cumprir as leis injustas que lhe estão a ser, insensivelmente, impostas, reconhecidas como tais, pelas mais altas instâncias dos Poderes.
Os crentes católicos vivem uma quadra festiva, festejam a Ressurreição de Cristo, cuja vida de sofrimento, de bem-fazer, de amor pelo seu povo, pela intransigência na defesa dos mais fracos O levou à morte, desumana e violenta.
A vida de Cristo, ainda que interpretada no contexto simbólico, não deixa de ser um exemplo, pelo padecimento a que esteve sujeito, pelas humilhações por que passou e, não obstante a crueldade dos seus adversários e algozes, a todos perdoaria e ressuscitaria em glória, com dignidade e com uma mensagem de esperança, na salvação da humanidade.
O exemplo de Cristo, hoje mais do que nunca, deverá constituir uma referência universal, independentemente de quaisquer ideologias políticas, religiosas, económicas, financeiras e tantas outras. A filantropia que a sua vida demonstrou, deveria ser um incentivo para toda a humanidade, no sentido da recuperação da dignidade, que é um valor essencial de toda a pessoa humana.
Com efeito, a dignidade em muitos setores da atividade humana, mais parece um valor utópico, que terá sido ignorado pela enormidade e colossal humilhação, que tem vindo a ser infligida aos cidadãos e, por isso mesmo, é tempo de ressuscitar a dignidade que foi brutalmente afastada dos principais valores, direitos e deveres cívicos.
Páscoa, tempo de reflexão, de realinhamento de políticas, de dignificação das pessoas, de instituir um pouco mais de humanismo, porque há muito mais vida para além de mercados, de dívidas públicas, de sacrifícios desumanos, de negação de direitos, pagos e adquiridos. Muitos Portugueses já percorreram o longo e espinhoso calvário da austeridade, já foram mortos nos seus direitos, já perderam muitos dos seus bens e passaram a viver na rua e têm dificuldade em manter a esperança na ressurreição da própria dignidade humana.
É tempo de se enaltecer a simbologia deste período que, justamente, nos transmite uma mensagem de alegria, de possibilidade de recuperação de princípios, valores e direitos perdidos, ignorados e/ou, simplesmente, retirados, injustamente. É um tempo em que permite pensar-se, adequadamente, sobe o papel que cada pessoa tem de desempenhar neste mundo, e nesta vida, porque, tal como Cristo, um dia, eventualmente, mais depressa do que se pensa, tudo acaba, ficam apenas as memórias das boas e más ações que se praticaram.
E se o Natal é tempo de Família, de união, de uma vida diferente, justamente, a partir do nascimento de Cristo; a Páscoa é o significado dessa mesma vida, de uma Pessoa que a colocou ao serviço dos seus discípulos, do seu povo, da humanidade; que a ofereceu, generosa e sofridamente a esse mesmo povo, sabendo, contudo, que a recuperaria com esplendor, glória e dignidade. Os Portugueses querem, também, ressuscitar da morte que lhes foi imposta, qual condenação por crimes que não cometeram. Querem recuperar a alegria de viver com dignidade.
Acreditando que Jesus Cristo ressuscitou ao terceiro dia, então e por analogia, devem os Portugueses regressar à vida digna, rapidamente, porque há alguns anos que vêm sendo mortos, paulatinamente, nas suas mais elementares condições de vida, como sejam a proteção à saúde, ao emprego, à educação/formação, à segurança social, em todas as fases da vida, enfim, recuperar um verdadeiro e justo Estado Social, com qualidade, imparcialidade e em permanência, porque os Portugueses, na sua esmagadora maioria, já deram, ao longo das suas vidas e continuam dar o que, praticamente, já pouco lhes resta, para alguns, porque para outros, a miséria é o que têm para oferecer.
No meio de tanta desgraça, de tanta injustiça, de tanto desemprego, miséria, fome, doença e suicídio, os Portugueses, solidariamente, ainda resistem, desarmados, à mercê de um adversário insensível, desumano, poderoso e violador de direitos adquiridos.
Acreditam, ainda, numa ressurreição da sua dignidade, pelo menos enquanto pessoas humanas, de deveres e direitos, e acreditam que, mais tarde ou mais cedo, o seu próprio “Domingo de Aleluia” há-de chegar, que os responsáveis por esta morte lenta, terão de prestar contas, e vão ser sancionados, cívica e democraticamente, dando, ainda e generosamente, mais uma oportunidade de arrependimento de quem está envolvido e tem culpas nesta calamidade nacional. Esse dia, o da Redenção, chegará se Deus e as pessoas assim o conseguirem e, certamente, a vitória dos oprimidos será o resultado final.
Parece inadmissível que filhos de um mesmo povo se coloquem contra os seus progenitores, contra os seus concidadãos, que por eles tudo deram, para os elevar aos estatutos que hoje possuem. Como é possível que se decretem tão injustas e desumanas medidas contra avós, pais, irmãos, parentes, amigos e cidadãos em geral, por obstinação, por teimosia, por avidez de demonstração de um poder que, generosamente, foi entregue, confiando em promessas que pareciam sinceras, agora se confrontem com a deslealdade?
Páscoa, tempo de Ressurreição, de alegria, de libertação de uma morte lenta que conduziu ao túmulo da brutal austeridade. Tempo para uma nova esperança, para se acreditar nas potencialidades de cada pessoa humana, digna, verdadeiramente humilde, honesta e trabalhadora.
Confie-se, portanto, nas capacidades morais, éticas, intelectuais e físicas de cada Português, de cada família, das empresas e das instituições de solidariedade social. Acredite-se que o dia da libertação poderá estar próximo, que será possível a reconciliação, porque é isso o que mais importa.
O mundo e a vida vão continuar, sem dúvida. Apesar do muito mal que alguns têm vindo a fazer a um povo obediente, democrático, respeitador da legalidade, pacífico, esse mesmo povo, saberá perdoar generosamente, sem contudo abdicar das sanções que democraticamente devem ser aplicadas a quem, intencional e persistentemente, prevaricou contra esse mesmo povo humilde, não com qualquer intenção vingativa, nem sob nenhum sentimento de ódio, apenas como exemplo para situações futuras a evitar.
É fundamental continuar a resistir, até ao último “cêntimo”, até ao último sopro de vida, porque é decisivo acreditar em melhores dias, em muitas e alegres Páscoas que, seguramente,  vão continuar a existir, porque é um direito de toda a pessoa humana, ser feliz, digna, respeitada e ter uma vida confortável, protegida por um Estado Social verdadeiramente justo e humano, também moderno e sustentado nos valores da democracia, do direito e da religião.
Confie-se nas novas gerações, também elas tão sacrificadas, humilhadas, sem garantia de um futuro promissor. A ressurreição da sociedade será impulsionada por estas gerações talentosas, generosas, solidárias com os mais fracos, na circunstância, com os seus pais e avós, tão mal tratados por um Estado insensível às situações mais degradantes, de tantos milhares de pessoas.
A Páscoa alegre e feliz avizinha-se, certamente apoiada por milhares de jovens que transportam nos seus corações a bondade, a determinação de proporcionar às gerações mais iodosas o conforto, a tranquilidade, a segurança a que legal e legitimamente têm direito, porque a classe etária sénior já não tem força, poder e meios para lutar contra tantas arbitrariedades, injustiças: para a maioria; exceções para algumas minorias. O capital humano mais valioso será utilizado, brevemente, ao “terceiro dia”.
Por isso, as gerações que se aproximam do fim das suas vidas, apostam na educação/formação, no emprego, na preparação cívico-democrática dos seus filhos e netos, porque é nestes que se acredita, é nestes que reside uma nova Páscoa, alegre, feliz, igual para todos, onde muitos dos valores serão, também ressuscitados, em novos e mais justos conceitos. Espera-se uma Páscoa Redentora, a curto prazo, porque para isso as gerações mais antigas têm vindo a investir tudo o que possuem e os frutos vão surgir, com intenso esplendor.
Para esta nova geração que, pela sua inteligência, preparação e generosidade, está disponível, apela-se para que não adote os procedimentos que ultimamente, também, uma outra geração, tem vindo a aplicar, impavidamente, aos seus concidadãos.
A esta promissora geração pede-se sensibilidade, carinho, respeito e medidas que protejam, justamente, os velhos avós, pais e todas aquelas gerações que contribuíram para uma sociedade melhor. A esta nobel geração pede-se que aproveite a sabedoria, a prudência, a humildade e a gratidão dos seus progenitores, dos seus antepassados, até à enésima geração.
 É na reconciliação de gerações, na solidariedade entre elas, enfim, no respeito e no amor que são devidos àqueles que, à sua maneira e com os recursos que possuíam, conduziram as novas gerações a um novo poder democrático, justo e solidário. Ressuscite-se, rapidamente, a dignidade da pessoa humana. Viva-se uma nova Páscoa da Libertação Redentora.
 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
 
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domingo, 24 de março de 2013

Pensamento e Ação em António Sérgio


Decorreu, em 1983, o centenário do nascimento de António Sérgio, (1883-1969). No dia 10 de Junho, desse ano, foi condecorado, a título póstumo. Na ocasião foi denominado como ensaísta, crítico e filósofo.
Mas seria de facto, António Sérgio, um filósofo? O seu pensamento será genuinamente original ou apenas uma boa teoria, assente numa boa construção eclética? E terá a sua Filosofia algum sentido? Certamente que para alguns autores, Sérgio não será um filósofo, pois não teria construído qualquer sistema; outros, porém, reconhecem-lhe características filosóficas, se se considerar o ecletismo como uma corrente do pensamento reflexivo.
De facto, referencia-se António Sérgio como um grande admirador e, por que não, um seguidor, de alguns temas, dos mais notáveis racionalistas e iluminados estrangeiros, sem descurar o clássico e antigo Platão, passando para a Idade Média com Santo Agostinho, S. Tomas e na Idade Moderna com Descartes, Espinosa, Kant. Possivelmente, tantas e tão importantes influências, não lhe permitiram elaborar e sistematizar, de forma estruturada, uma teoria filosófica sobre o mundo e sobre o homem, o que, apesar disso, não lhe retira o mérito noutras áreas.
Tem sido referido, ao longo da História do Pensamento, que os problemas fundamentais da Filosofia são, em qualquer época, muito semelhantes. Abordar tais problemas, situações e temas implica um repensar retrospetivo. Neste particular, diz-se que António Sérgio não foge à reflexão sobre a problematicidade dos assuntos, anteriormente analisados por outros pensadores. Talvez resida aqui uma grande dignidade a par da sua atitude humilde.
Sabendo ele que o filósofo não é, somente, um homem ilustrado e pensador, mas antes de mais, uma pessoa que repensa a Filosofia. Assumindo atitudes radicais quanto tais se justificam. Postura crítica e problemática, de tal sorte que, qualquer que seja a questão, esta possa continuar aberta a toda a discussão e suscetível de opiniões e soluções diferentes.
Considere-se, então, António Sérgio, um filósofo, talvez diferente daquele conceito em que por vezes se interiorizou, ou seja, no sentido especulativo, que nada resolve e tudo questiona.
Aceite-se entender António Sérgio como um filósofo da ação, porque a sua filosofia será, primeiramente, uma teoria do conhecimento, uma epistemologia, um pragmatismo, estimulando o progresso em ordem a beneficiar a comunidade: quer o bem material, quer a emancipação económica, eram simples instrumentos do bem moral, a partir, justamente, da emancipação moral, da pedagogia do ser humano, o qual, deveria ser ativo e culto, numa sociedade modificada.
António Sérgio agia porque pensava. A ação articulava-se com o seu pensamento, no sentido de contribuir para a formação do homem, precisamente, a partir de uma educação cívica que proporcionasse à sociedade uma vida de respeito e cumprimento de valores, de princípios, de direitos e deveres humanos. É assim que ação e pensamento adquirem um carácter ético.
Além de racionalista, Sérgio é também um idealista, embora reconhecendo que o racionalismo clássico é abstracto, porque os seus defensores negam a possibilidade de o homem se fazer a si mesmo, através de atos de liberdade absoluta.
O seu racionalismo, não impedia de idealizar projectos concretos, porque, segundo ele: «A inteligência como eu a concebo, não minora a tal realidade: inteleccionar ao que me tem parecido, é perceber o real, o concreto, o particular.» (SÉRGIO, 1976:205).  
É com esta simples e primeira reflexão que se parte para a abordagem do caso exemplar de António Sérgio, analisando a sua obra sobre educação cívica, afinal tão necessária para melhor se entender a importância de certos valores: estudo, educação, trabalho. Assim podem-se cumprir e fazer respeitar os direitos humanos, hoje – 2013.

Bibliografia

SÉRGIO, António, (1976). Obras Completas: Ensaios, 2ª edição, Tomo I, Lisboa: Sá da Costa.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

                                                                                                  E-mail: bartolo.profuniv@mail.pt
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domingo, 17 de março de 2013

Educação Cívica para os Direitos Humanos


Todos os dias, nos meios de comunicação social, muita gente fala dos direitos humanos, denunciando ou omitindo como eles são ignorados, quando não espezinhados, violados e deturpados em muitos países do mundo, todavia, ainda assim, vale a pena evocar o que tem sido ao longo do último século, a luta pelos direitos, pelas liberdades e garantias fundamentais da pessoa humana.
Esta luta não é só do século passado, ela já se passou para o atual, além de mergulhar as suas raízes na mais remota antiguidade, mesmo quando os costumes, a mentalidade e a organização política de então, aceitavam, como fatalidade histórica, a tirania, a escravidão, a morte.
Esta problemática continua a ser uma questão educacional que, não é por acaso, está bem referenciada em documentação internacional, nomeadamente na Declaração Universal dos Direitos do Homem, «1.Toda a pessoa tem direito à educação. (...); 2. A educação deve visar a plena expansão da personalidade humana e o esforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos...» (ONU 1948: Artº 26º).
Muitas são as instituições/associações que, ao longo dos tempos, lutam contra a violação dos Direitos Humanos: Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Comissão Europeia, Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, Liga Francesa para a Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, Amnistia Internacional, entre outras.
Estas instituições devem a sua credibilidade à força moral e à coragem de não pouparem qualquer país, onde estão em perigo os Direitos Humanos, porém, os apelos, as investigações e as sugestões que tais associações divulgam, pouco são ouvidos e, muito menos seguidos por uma, ainda significativa, parte dos países.
A dicotomia que na verdade parece existir em muitos países, leva a que: uns, deem importância aos direitos civis e políticos; outros, aos direitos económicos, sociais e culturais, produzindo, afinal, duas conceções políticas diferenciadas que bipolarizam as nações e que se conexam com a própria definição de democracia.
 Sem plagiar a etimologia grega, dir-se-ia que as democracias ocidentais, felizmente, defendem o pluralismo político, a liberdade de expressão, o direito de associação e de reunião, a ausência de polícia política e a garantia de liberdades individuais, plasmadas nas Constituições Políticas, livremente votadas pelos representantes dos cidadãos, através dos seus representantes.
Não foi inocente a escolha do tema, porque ninguém pode ficar indiferente, neste novo século, aos valores protegidos pelas diversas Declarações de Direitos Humanos, quando se conhecem situações de: a) Conflitos – Que conduzem a que uma oposição consciente, entre sujeitos, ou nações, perseguindo objetivos incompatíveis, originam, muitas vezes, agressividades, que estão na origem de confrontos sangrentos, de consequências irreparáveis; b) Violência – Que entre outras definições, optar-se-ia, genericamente, como: «a causa da diferença entre o potencial e o efectivo», pois ela está «presente quando os seres humanos são influenciados de tal maneira que as suas realizações/anseios/esperanças afectivas, somáticas e mentais estão abaixo das suas realizações potenciais.» (GALTUNG, 1985:30).
 A razão do presente artigo é, portanto, a apologia de uma Pedagogia para a Paz, que se pode resumir num conjunto de enunciados ou regras, dirigidos à educação dos indivíduos, para que atuem de modo a criar a base de um espírito mais humanista, inspirado no respeito e exercício dos Direitos Humanos, no trabalho, em prol da proteção do meio ambiente, nas práticas sociais para o fortalecimento da convivência, da solução pacífica dos conflitos e da violência, quaisquer que sejam: físicos, materiais, psicológicos ou outros.
Uma educação para a paz, modernamente, deve apresentar as seguintes características, entre muitas outras, possíveis e, quiçá, melhores: “a) Aceitar, e implementar um processo de socialização, por valores que aumentem o progresso social e pessoal, num contexto de desenvolvimento global; b) Questionar o acto educativo, desligando-se do ensino meramente transmissivo, em que o aluno é um mero recetor, isto é, o acto educativo como processo activo-criativo, em que os alunos são agentes vivos de transformação”; (cf. SÉRGIO, 1984); “c) Enfatizar, tanto na violência directa como na estrutural, facilitando o aparecimento de estruturas pouco autoritárias, não autistas, que possibilitem o espírito crítico, a obediência, o autodesenvolvimento e a harmonia pessoal dos participantes; d) Procurar coincidir fins e meios, a fim de se chegar a conteúdos distintos, através de meios diferentes, fazendo do conflito e da aprendizagem da sua resolução, não-violenta, o ponto central da sua atuação; e) Combinar certos conhecimentos substantivos com a criação de uma nova sensibilidade, de um sentimento empático que favoreça a aceitação e compreensão do outro.” (cf. APDME-CIP, 1990).
Refletir-se-á sobre a visão geral da Filosofia em Portugal no séc. XIX, e tenta-se, a partir da análise à posição de António Sérgio, com a necessária abordagem à sua obra “Educação Cívica”, uma rápida incursão sobre a educação cívica em Portugal no ensino.
Certamente, ficará uma opinião muito pessoal, seguramente discutível, porque não se trata de uma verdade dogmática. O resto, seria impossível e pretensioso, emitir a receita miraculosa para a observância dos Direitos Humanos, quando, decorridos mais de sessenta e quatro anos, depois da adoção da D.U.D.H, em 1948, a indiferença, e o desrespeito por tais valores continuam a ser uma realidade.
 Segundo a opinião pública: a) Metade dos países do mundo continua a deter pessoas pelas suas convicções políticas, ou ideológicas, origem étnica, sexo ou religião; b) Um terço dos Governos mundiais tortura os seus cidadãos; c) O número de refugiados em busca de proteção contra as violações dos direitos humanos elevou-se, na última década, para mais de 15 milhões; d) A pena de morte é aplicada em mais de meia centena de países.

Bibliografia

APDME - CIP, (1990). Seminário de Educação para la Paz, Educar para la Paz. Una propuesta posible, Madrid: APDME - CIP
GALTUNG, Johan, (1994). Direitos Humanos – Uma Nova Perspectiva. Trad. Margarida Fernandes. Lisboa: Instituto Piaget.
ONU – Organização das Nações Unidas, (1948). Declaração Universal dos Direitos Humanos, Nova York: Assembleia-geral das Nações Unidas 10/12/1948, in AMNISTIA INTERNACIONAL – Secção Portuguesa, s.d.
SÉRGIO, António, (1984). Educação Cívica. Lisboa: ICLP/ME.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
 
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