domingo, 9 de junho de 2019

Estratégias de Negociação e de Assertividade

Para se compreender melhor todo o mecanismo da negociação, importa reter alguns conceitos. Com este objetivo, pode-se aceitar que a Negociação será: a) Uma forma conjunta de resolução dos problemas, contidos numa relação de interesses; b) Processo onde duas ou mais partes tentam concordar sobre o que cada uma deve dar e receber, ou fazer e receber em uma transação; c) Os agentes ativos da negociação ou transação são os próprios detentores da relação de interesses; d) São eles os negociadores e não terceiros.
Partindo do princípio que algumas das causas do conflito se situam ao nível: a) Dos “mal-entendidos entre as partes (da situação ou problema); b) Do desacordo sobre a natureza do assunto e sua solução; c) Ameaça as necessidades e interesses pessoais; e que tanto pode ser negativo (quando toma a atenção de outras atividades importantes; mina a moral, a ética e a autoimagem; polariza pessoas e grupos, reduzindo a cooperação; aumenta ou aguça as diferenças; conduz a um comportamento irresponsável e danoso); e abordando o conflito pelo seu lado positivo (quando: i) resulta no esclarecimento de importantes problemas e assuntos; ii) redunda na solução de problemas; iii) causa comunicação autêntica; iv) ajuda a canalizar, positivamente, emoções, ansiedades e stress; v) facilita a cooperação entre as pessoas, através do conhecimento recíproco; vi) ajuda a desenvolver compreensão e habilidades), importa ter capacidade para colocar o conflito, no seu estágio inicial, num modelo de escalada que revele maturidade das partes, através do bom-senso, da prudência, em suma, da sabedoria.
O grau de desenvolvimento emocional, no âmbito de um modelo onde prevalece a maturidade, organiza-se a partir das seguintes características: a) Relações interpessoais normais; b) Alguns momentos de conflito; c) Resolução baseada em grande cuidado e mútua empatia; d) Ampla troca de informações relevantes; e) Interesses prevalecem em detrimento de posições; f) As partes buscam soluções objetivas de forma cooperativa; g) Defesa obstinada de um ou mais pontos de vista, por uma ou ambas as partes, faz o conflito mudar para o próximo estágio (o da imaturidade, que, no limite, conduz o processo até à exaustão financeira ou física e o conflito será decidido na Justiça)
Uma das estratégias de negociação possíveis, no domínio da resolução de conflitos, passa por diversas técnicas e/ou atitudes a saber:
a) Cooperar: i) As partes necessitam e aceitam trabalhar em conjunto para atender interesses comuns, associados a causas dos conflitos; ii) A continuidade do relacionamento for importante; iii) Aprender e compartilhar conhecimentos, forem fatores críticos; iv) Obter o comprometimento das partes com os objetivos e soluções;
b) Desenvolvimento de Competências Essenciais: i) Entendendo os valores, necessidades e motivações humanas; ii) Fundamentos da negociação, Ganha-Ganha; iii) Competências interpessoais fundamentais; iv) Lidando com pessoas difíceis;
c) Decidindo por Consenso: i) Construir confiança. Não é uma competição, todos devem expressar suas ideias e opiniões, sem medo; ii) Durante o processo, assegurar-se de que todos estão contribuindo para a obtenção do consenso desejado, bem como ouvindo, com atenção, e mantendo um elevado nível de entendimento; iii) Todos devem contribuir com ideias e conhecimentos relacionados ao assunto abordado, mantendo o grupo concentrado no assunto; v) Deve-se admitir a discordância, contudo, a pessoa que discorda deve manter-se flexível e contribuir para o alcance dos objetivos desejados; vi) Separar os assuntos das pessoas; vii) Estar disposto a gastar um bom tempo neste processo. A rapidez não é um sinal de qualidade. O pensamento necessita ser extraído para fora.” (Cf. CAVAGNOLI, 2004)
Na comunicação e relacionamento interpessoal, ao utilizar-se um comportamento comunicacional assertivo, é necessário considerar que existem regras, consubstanciadas nos “Direitos de Assertividade”, estes, exercidos de igual modo pelas partes, que os devem aceitar reciprocamente, sem que isso, minimize a importância dos interlocutores.
Destacam-se alguns desses direitos: «1) Tenho o direito de exprimir as minhas opiniões, os meus sentimentos e as minhas vontades, sem me sentir a violar os direitos dos outros; 2) Tenho o direito de ser escutado; 3) Tenho o direito de não utilizar nem entender subentendidos; 4) Tenho o direito de não dar explicações que justifiquem os meus comportamentos; 5) Tenho o direito de solicitar informação sempre que não compreender algo; 6) Tenho o direito de dizer “não sei” sem, por isso, me considerar estúpido; 7) Tenho o direito de mudar de opinião sem, por isso, me considerar incoerente; 8) Tenho o direito de não ser lógico; 9) Tenho o direito de estabelecer as minhas prioridades; 10) Tenho o direito de ter aquilo por que paguei, ou o direito ao reconhecimento e à reclamação; 11) Tenho o direito de não ser assertivo; 12) Tenho o direito de não ser perfeito; 13) Tenho o direito de cometer erros ou ter falhas sem me sentir culpado ou sofrer, por isso, controlo mais apertado; 14) Tenho o direito de ser independente, isto é, de não gostar de toda a gente e de não me responsabilizar pelos problemas dos outros; 15) Tenho o direito de dizer “NÃO” à cooperação com os outros sem, por isso, me sentir egoísta.» (AZEVEDO, 1999:54-64)
Construir, desenvolver e sustentar um discurso assertivo, implica dominar algumas técnicas e que, na circunstância, por se considerar pertinente, aponta-se, como viável a denominada “Técnica dos 5 Eu” que: «fornece um esquema básico de organização da comunicação assertiva. (…); Ajudará melhor a combater comportamentos passivos, onde os houver. (…); “Serve tanto para elaborar o guião prévio dum diálogo como para o pilotar, isto é, utiliza-se tanto antes como durante. (…) Na prática, agrupa-se tudo o que se quer transmitir, seja de carácter cognitivo, volitivo ou emocional, debaixo de cada uma das 5 posições do Eu.” (Ibidem, 69). A “Técnica dos 5 Eus, desenvolve-se por cinco atitudes assertivas, a saber:
«1) EU VEJO – Descrevo, sem dar opiniões e da maneira mais objetiva e desapaixonada possível, a situação. Refiro o que os meus sentidos veem, ouvem, tocam, provam e cheiram. Por exemplo, “vejo que a sua mesa está cheia de papéis e livros” e não “vejo que a sua mesa está em completa desordem”, porque desta forma estou a interpretar. (…) ou: “Ouvi, esta manhã, o seu telefone a tocar 5 vezes” em vez de “Esta manhã o seu telefone não parou de tocar”. O interlocutor, com uma tal base objetiva e neutra dificilmente será levado a defender-se, a negar os factos ou a retaliar;
2) EU PENSO – Apresenta a interpretação da situação. Esta é a interpretação de um dos interlocutores e, por isso, deve aparecer sempre como “Eu”, para que o outro tome a afirmação como opinião e não como verdade absoluta e definitiva. Poder-se-á substituir por “suponho que”, “imagino que” ou “creio que” para, em certas circunstâncias, dar um tom mais opinativo; (…) De resto, quando se diz: “Eu penso que”, depois de se ter descrito uma situação, quer-se dizer que se está disponível para novas interpretações, se houver mais informação e se os outros interlocutores trouxerem novas luzes para a questão.
3) EU SINTO – Permite a expressão do que realmente está a sentir. Trata-se de uma emoção específica. Estou alegre; estou satisfeito; estou zangado; estou aborrecido; sinto-me desapontado; sinto-me preocupado (…) Deve, por isso, evitar-se, embora nem sempre seja possível (…) porque estas expressões acabam por se centrar, sobretudo, na pessoa do interlocutor em vez de se centrarem em quem fala;
4) EU QUERO – Na comunicação operativa, quem fala quer sempre algo, no mínimo mostrar satisfação, desagrado ou outra emoção, por palavras ou atos, que o afetam e em que o interlocutor interveio. No caso do exemplo do telefone, já referido em 1), poderá dizer-se, ainda: “Quero que tome alguma iniciativa para o telefone não tocar”. A decisão pode ser cooperativa, mas não tem que ser necessariamente, porque, como se viu, os seres humanos têm o direito a optar pela cooperação ou pela não-cooperação, de acordo com as expectativas, as regras estabelecidas e aceites e de acordo com o juízo particular de cada circunstância;
5) EU PRETENDO – Quer-se exprimir, deste modo, a finalidade dos atos e dos sentimentos, de modo a que o interlocutor veja só o que está no diálogo e não crie biombos à comunicação. (…) Se não exprimir as minhas finalidades (creio que é preferível falar de finalidades a falar de intenções, porque as intenções são geralmente tidas como finalidades escondidas e manipuladoras, e por isso se diz que de “boas intenções está o inferno cheio”, corro o risco de vir a provocar congeminações estéreis no interlocutor. A assertividade implica antecipação. (…)
Nesta técnica é fundamental: “Não omitir qualquer posição. Como se vê, esta técnica assenta em princípios de comunicação conhecidos. Distinguem-se factos de opiniões e vontades de finalidades. O que é eventualmente típico da assertividade é a aplicação destes princípios à comunicação corrente e a importância reconhecida à afirmação explícita dos sentimentos. Efetivamente os sentimentos são, com frequência, o elemento que provoca a confusão entre factos e opiniões, e entre vontades e finalidades.
Ao reservar-lhes tratamento autónomo e relevante, a assertividade evita a contaminação dos outros elementos e a própria, porque os sentimentos degradam-se se não forem libertados. (…) A comunicação só lucrará se os comunicadores distinguirem perfeitamente opiniões, constatações, sentimentos, vontades e finalidades.» (Ibidem, 69-72).
Para se compreender melhor todo o mecanismo da negociação, importa reter alguns conceitos. Com este objetivo, pode-se aceitar que a Negociação será: a) Uma forma conjunta de resolução dos problemas contidos numa relação de interesses; b) Processo onde duas ou mais partes tentam concordar sobre o que cada uma deve dar e receber, ou fazer e receber em uma transação; c) Os agentes ativos da negociação ou transação são os próprios detentores da relação de interesses; d) São eles os negociadores e não terceiros.

Bibliografia

AZEVEDO, Lemos, (1999). Comunicar com Assertividade. Lisboa: Instituto do emprego e Formação Profissional/Ministério do Trabalho, do Emprego e Segurança Social

CAVAGNOLI, Irani, (2004). Mediação e Arbitragem. São Paulo: Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo

Venade/Caminha – Portugal/Brasil, 2019

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
NALAP.ORG

TÍTULO NOBILIÁRQUICO DE COMENDADOR, condecorado com a “GRANDE CRUZ DA ORDEM INTERNACIONAL DO MÉRITO DO DESCOBRIDOR DO BRASIL, Pedro Álvares Cabral” pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística  http://www.minhodigital.com/news/titulo-nobiliarquico-de

DOCTOR HONORIS CAUSA EN LITERATURA” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos.


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domingo, 2 de junho de 2019

Fatores que Influem na Conquista da Resolução

A situação ideal quando se toma uma decisão, passa por não existir intervenção de qualquer fator externo. Essa seria a forma mais pura de decidir, sem pressões, nem condicionalismos de qualquer espécie, onde o que prevalece é a melhor das alternativas encontradas para a resolução do problema.
Mas o ser humano é muito complexo, as suas necessidades, incertezas, valores, desejos, etc., individualmente, ou em conjunto, influenciam o processo de tomada de decisão, levando, por vezes, a uma decisão de qualidade inferior em prol de uma necessidade ou desejo. Neste contexto, é de salientar a envolvente que rodeia o indivíduo e, como tal, a tomada de decisão, isto é, a cultura organizacional e/ou social presente.
As necessidades fazem alterar os comportamentos, quer seja uma necessidade básica ou não. Maslow construiu uma pirâmide que representa as necessidades dos indivíduos, defendendo que o indivíduo satisfaz as suas necessidades da base para o topo da pirâmide, e esta é constituída da base para o topo pelas seguintes necessidades: fisiológicas, de segurança, de amor, de estima e de autorrealização.
Toda e qualquer decisão é afetada por uma ou mais necessidades do decisor. A incerteza e o risco são dois fatores que, normalmente, “andam de mãos dadas”. Muitas decisões têm um elevado grau de incerteza, normalmente acontecem em situações que o indivíduo não está familiarizado, nestes casos, a escolha entre as alternativas disponíveis tem grau de risco associado, porque na fase de análise, o auxílio de uma matriz ocorrência/nível de impacto, pode ser uma mais-valia na elaboração de decisões de contingência, na eventualidade da decisão primária falhar.
A matriz tem como “output” dois resultados possíveis, risco baixo ou elevado, consoante o impacto e a probabilidade de ocorrência. Caso a decisão se situe nos quadrados cinzentos, existe uma probabilidade elevada da decisão falhar, o que implica escolher uma estratégia de contingência, caso não se queira alterar a decisão.
A tomada de decisão tem por base a existência de um conjunto de critérios, de entre os quais se encontram os valores do próprio decisor e o peso que cada um adquire, em cada momento, ou em cada situação. Desde pequenos que os indivíduos são ensinados: o que, como e o porquê, executar uma tarefa de determinada forma.
Quando um pai ensina o seu filho, está a prepará-lo para que tome decisões, tendo em conta valores que lhe foram incutidos, ou aprendidos ao longo da vida. Os valores não dizem como tomar uma decisão, nem mesmo qual a melhor alternativa a seguir, são apenas guias, que mostram como chegar ao objetivo final, através de linhas condutoras. São faróis que iluminam um determinado caminho.
Na tomada de decisão, considerando, unicamente, os valores e não tendo em conta todos os outros fatores inerentes ao processo que podem influenciar a decisão, quando se fazem opções, os pesos que representam os valores fazem pender a balança para um dos lados.
Os valores são adquiridos ao longo do tempo. Para que se possa entender como os valores influenciam o pensamento e as decisões, apresenta-se um exemplo extremo, mas simples: “Hitler desenvolveu um programa de segurança e bem-estar para o seu povo, tendo uma clara consciência do que queria, a criação de uma raça pura.
 Acompanhado por valores na busca do seu objetivo, não tinha problemas em chacinar um povo em prol da concretização do seu ideal, o seu bem-estar, o bem-estar do povo germânico. No entanto, os valores de Hitler não eram valores aceitáveis para outras sociedades e culturas, gerando-se assim um conflito de valores.”
Quando os valores dos indivíduos estão bem definidos, a tomada de decisão torna-se mais simples, as possíveis alternativas que não satisfaçam os valores do decisor, nunca chegam a ser uma alternativa, tornando a tomada de decisão mais rápida, e com menos incertezas.
A cultura é um outro fator que influencia a tomada de decisão. O poder que um indivíduo possui, no meio que o rodeia, deve convergir com os valores do poder instituído. Quando inserido numa determinada cultura, seja ela social ou organizacional, existem linhas orientadoras que identificam essa comunidade.

Bibliografia

ARMSTRONG, Michael (2005). Como ser Ainda Melhor Gestor. Guia completo de técnicas e competências essenciais. Trad. Geraldine Correia e Raquel Santos. Lisboa: Atual Editora


Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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sábado, 1 de junho de 2019

A Criança e a Comunidade Hodierna

Se as pessoas adultas são consideradas como um dos mais valiosos e rentáveis recursos naturais, ao serviço de quase todos em geral, e de cada qual em particular, então as crianças são a garantia desses recursos, a reserva mundial, com a vantagem de que poderão ser muito melhores, em todos os sentidos, do que as atuais gerações mais velhas.

As crianças são um tesouro de valor inestimável que, devidamente instruídas, em todas as suas capacidades, contribuirão para a riqueza das nações, justamente, através da sua educação e formação. A sociedade contemporânea, pela atuação dos seus máximos representantes: políticos, empresários, familiares, religiosos, terá um papel preponderante na defesa das crianças que, como se sabe, são vítimas das maiores atrocidades físicas, psicológicas e morais.
As crianças de hoje, em muitas partes do mundo, tal como ocorreu durante a Revolução Industrial, continuam a ser exploradas, para diversas finalidades, incluindo o enriquecimento material de indivíduos sem valores ético-morais, sem escrúpulos. São milhões de crianças a sofrer abusos de toda a ordem, vítimas inocentes: da pedofilia, da prostituição, da guerra, da fome, do analfabetismo, da falta de cuidados de saúde, de habitação, de educação e formação, enfim, de amor.
Crianças que são um estorvo para muitos progenitores, uma despesa para certos governantes, um negócio, quando ainda sob a forma de feto, sem culpa formada, são assassinadas, a troco de intervenções clínicas, bem pagas. Mas, afinal, o que se pode afirmar com segurança é que nenhuma criança: a) pediu para nascer; b) escolheu os seus pais; c) cometeu qualquer crime. Então porque se condenam as crianças às penas mais degradantes, incluindo o castigo capital – a morte –?
Apesar de existir um quadro negro, felizmente, não generalizado, acerca da situação de milhões de crianças, na sociedade atual, também é verdade que, em bastantes países, muito se tem feito pela dignificação da criança, pela sua valorização moral e espiritual e pela sua preparação para a vida ativa, no futuro. É verdade que, em geral, existe uma forte sensibilidade para a proteção dos superiores interesses da criança.
Os países mais desenvolvidos têm, desde há várias décadas, apostado tudo na educação e formação das crianças e dos jovens (também nos adultos), e o que se verifica, sem grande esforço científico, é que nesses países o nível e qualidade de vida da população são de excelência.
O investimento nas crianças é a melhor estratégia para um mundo melhor, um futuro promissor que pode beneficiar: a humanidade em geral; e muitos dos atuais responsáveis, aqueles que pertencem a gerações novas, mas já no poder, que se tiverem uma visão estratégica para a construção de uma humanidade mais afetivista, investem numa educação com objetivos diferentes.
Na verdade e: «Entretanto a escola deverá e muito rapidamente sofrer grandes transformações para redefinir sua missão, hoje tão voltada exclusivamente para transformar crianças e jovens em eficientes prestadores de qualidade de mão-de-obra para o mercado do trabalho, hoje tão erroneamente endeusado, para concomitante e eficazmente ensinar um humanismo prático e direto, de forma que em poucas gerações comece a surgir um novo homem e uma nova mulher, mais afetivamente equilibradas e distanciadas dos pontos extremos e exacerbados que foram levados a viver, em decorrência de ensinamentos falhos e incompletos …» (COLETA, 2005:19).
Olhar as crianças como um futuro mais promissor e humano, porque elas estão na idade de tudo receberem, qual recipiente vazio, que se pode encher com o que se desejar, qual tábua rasa de cera, onde se pode escrever tudo, sem prejuízo do exercício da sua criatividade, espontaneidade e liberdade.
As crianças devem ser preparadas para o seu próprio futuro e também do dos seus descendentes, podendo, eventualmente, beneficiar os próprios progenitores. A sociedade atual é responsável pela degradação de milhões de crianças, pelo que deve assumir um novo comportamento, no sentido de as resgatar da humilhação a que elas vêm sendo submetidas.
Esta nossa sociedade, tão avançada científica e tecnologicamente, não se deve envergonhar de assumir as responsabilidades do estado degradante em que se encontram milhões de crianças por esse mundo, de resto, em todas as nações há “pingos sujos” a mancharem o lençol branco da inocência destas crianças.


Bibliografia

COLETA, António Carlos Dela, (2005). Primeira Cartilha de Neurofisiologia Cerebral e Endócrina, Especialmente para Professores e Pais de Alunos de Escolas do Ensino Fundamental e Médio, Rio Claro, SP – Brasil: Graff Set., Gráfica e Editora
  
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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domingo, 26 de maio de 2019

Métodos de Tomada de Deliberação para Resolver Dúvidas


Tomar decisões é uma tarefa complexa, que nem sempre está ao alcance de qualquer pessoa, na medida em que são vários os fatores, circunstâncias e causas que estão na origem de uma dada situação, que é necessário conhecer e resolver.
Uma das condições para se tomar uma Decisão é dominar, ainda que minimamente, o respetivo processo, depois as concernentes técnicas a aplicar na resolução do problema, conflito ou situação. Aliás, a tomada de Decisão implica fazer uma análise de uma situação, ou de um problema, identificar possíveis ações, a sua avaliação e escolha do percurso a seguir.
Assim, por uma questão metodológica e também para melhor compreensão de todo o processo, importa conceptualizar o termo Decisão: «Uma decisão é um juízo que leva a uma escolha entre alternativas. Raramente se trata de escolher entre o que está certo e o que está errado. Na melhor das hipóteses, é uma escolha entre o quase certo e o provavelmente errado –, mas, em geral, é uma opção entre duas ações possíveis, nenhuma das quais sendo mais correta do que a outra.» (DRUCKER, Peter, 1967, in: ARMSTRONG, 2005:58).
Convém salvaguardar alguma prudência, no sentido em que não se deve esperar, ou mesmo desejar chegar, com facilidade, a um consenso, porque muitas e boas decisões emergem, por vezes, de pontos de vista conflituosos, e sabe-se que na maioria das situações, não se tomam deliberações sem desacordos, porque a unanimidade, nem sempre é possível.
Numa perspectiva diferente, ainda, e, se se quiser, complementar, também se pode aceitar que a Decisão é uma escolha consciente de um modo particular de ação, sobre outras alternativas, no sentido de resolver um determinado problema.
Entre muitas teorias sobre esta temática, consideram-se os seguintes tipos de Decisão: a) Decisão Impulsiva – Tomada, geralmente, sob a influência emocional, não ponderando a ação e suas consequências: b) Decisão, com Certeza – Os corolários de cada alternativa são, claramente, conhecidos; c) Decisão, com Incerteza – Os efeitos de cada alternativa são quase completamente desconhecidos; d) Decisão de Risco – Os desfechos de cada alternativa não são completamente conhecidos, mas conhece-se alguma coisa quanto à probabilidade de ocorrência de um dado resultado, e) A não-decisão ou a indecisão leva a pessoa a não querer, a não ser capaz ou não saber, respetivamente, como escolher uma alternativa viável para atingir o que inicialmente tinha previsto.
Tomar boas decisões dá trabalho. Exige dispêndio de tempo, de energia e de recursos. As pessoas podem ter um elevado grau de controlo sobre as suas vidas e sobre o que lhes acontece através, de um constante e consciencioso uso da tomada de Decisão. Para tal é necessário que seja conscientemente assumida a responsabilidade de tomar decisões.
Existe um processo para tomar boas decisões, que pode ser aprendido e praticado. Como qualquer outra competência, a capacidade para tomar decisões torna-se mais simples e mais efetiva com a prática, mesmo que por vezes se cometam erros, porque equivocar-se, corrigir e não repetir o engano, também é um processo de aprendizagem.
Uma boa Decisão é formada através da utilização do processo de tomada de “Decisão Planeada”, mesmo se as suas consequências não correspondam às que são sempre as desejadas. O uso do processo de tomada de “Decisão Planeada”, não significa, necessariamente, que as consequências sejam as melhores, porque pode surgir algum imponderável.
Assim, a forma mais eficaz de tomar uma Decisão é planear essa mesma Deliberação, adotando uma metodologia que se pode denominar como o “Processo de Tomada de uma Decisão Planeada” o que implica que: se reconhece a existência de um problema; se deve defini-lo correta e realisticamente; e responder-lhe como agir.
Uma outra abordagem, eventualmente mais complexa, é possível para se tomar decisões, resumindo-se os dez principais passos a observar: «1) Tomar decisões mais rápidas; 2) Evitar protelar; 3) Preparar para o inesperado; 4) Pensar antes de agir; 5) Cuidado com os pressupostos; 6) Aprender com o passado; 7) Ser sistemático; 8) Falar no assunto; 9) Esperar algum tempo antes de pensar no assunto; 10) Prever potenciais consequências.» (ARMSTRONG, 2005: 59-60)

Bibliografia

ARMSTRONG, Michael (2005). Como ser Ainda Melhor Gestor. Guia completo de técnicas e competências essenciais. Tradução, Geraldine Correia e Raquel Santos. Lisboa: Atual Editora

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domingo, 19 de maio de 2019

O Docente e a Democracia

A democracia não foge à regra e como tal, também utiliza os sistemas educativo e a formação profissional para divulgar e implementar os seus princípios e valores humanistas. Uma vez mais se relacionam aqui três elementos essenciais: escola, professor e aluno, para se compreender que eles se inter-justificam: «Coloca-se não apenas a questão quantitativa de assegurar o acesso dos cidadãos à educação, mas é mister, além disso, garantir educação de boa qualidade a todos. Ora, se é verdade que a boa escola é imprescindível para o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade, é certo também que são indispensáveis bons professores, pois sem eles não há boa escola.» (GOERGEN & SAVIANI, 1998:14)
Acontece que, a influência do professor na formação dos cidadãos, invade também o domínio político, porque a cidadania pressupõe, no indivíduo, as condições mínimas para o exercício da atividade política democrática, fundamentalmente na assunção de direitos e deveres.
Vislumbram-se algumas condições para admitir: por um lado, a indispensabilidade e importância do professor; por outro lado, as dificuldades e responsabilidades que sobre ele impendem.
Por isso, para alguns estratos da sociedade, a profissão de professor nem sempre é justamente reconhecida e recompensada. Situações menos favoráveis ao professor devem ser por ele tidas em atenção, mas jamais desmotivado para continuar no exercício da sua nobre profissão porque: «só uma sociedade subdesenvolvida não reconhece no professor um profissional de primeira linha para melhorar todo o contexto de vida. Os países desenvolvem-se por causa da educação.» (WERNECK, 1996:13)
O cidadão por cuja formação se desenvolve o presente trabalho, há-de ser uma pessoa dotada com sensibilidade, para refletir sobre a escola, sobre a educação, sobre o professor, e este será tanto melhor quanto mais disponível estiver para as atividades investigativa e  meditativa, direcionadas para o ensino, o que implica: «abertura de espírito (…) para ouvir e examinar pontos de vista diferentes; responsabilidade perante as decisões tomadas e suas consequências e entusiasmo para romper com rotinas e acomodações.» (GRILLO, 2000:77)
Apesar disso, a Filosofia, na sua dimensão educacional, nunca se eximiu a colaborar com todas as áreas disciplinares, submetendo-se, inclusivamente, à discussão de assuntos difíceis, hoje em dia tão difundidos: aborto, pena de morte, eutanásia, testamento vital, clonagem, bioética, sentido para a vida, toxicodependência, prostituição, tráfico de órgãos humanos, ecologia, e tantos outros.
A educação não poderia ficar de fora de uma profunda reflexão, sendo a principal interveniente no sistema educativo, como igualmente são importantes a escola, os professores, os alunos, os formandos, os encarregados de educação e a sociedade em geral. Ninguém pode fugir ao debate porque: «o papel da filosofia no planejamento educacional é pensar, a partir dos problemas levantados pelas outras disciplinas, numa perspectiva global.» (FURTER, 1973:11)
Esta humildade filosófica será a marca distintiva do bom professor, do bom aluno, do bom cidadão, ou seja, abertura para aceitar opiniões diferentes da própria. O cidadão que se está a construir, será tocado por esta dignificante virtude, precisamente porque a dimensão educacional do homem constitui um património inigualável e impossível de quaisquer outros seres o possuírem, pelo menos de forma consciente e com objetivos bem definidos.
É inadiável, para a pessoa humana, dar um sentido e dignidade à sua própria vida, porque não pode existir mais tolerância numa sociedade onde o homem continue a ser humilhado, torturado e assassinado. O cidadão que se deseja será suficientemente esclarecido para impedir que prossigam os atos de puro terrorismo, a diversos níveis e atividades humanas.

Bibliografia

FURTER, Pierre, (1973). Educação e Reflexão, 7ª Ed., Petrópolis, Rio de Janeiro - Brasil: Editora Vozes.
GRILLO, Marlene Carrero, (2000). “O Lugar da Reflexão na Construção do Conhecimento Profissional”, in: Marília Costa Marosini (Org), Professor do Ensino Superior: Identidade, Docência e Formação, Brasília-Brasil: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais.

Venade/Caminha – Portugal, 2019

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domingo, 12 de maio de 2019

Formação de Professores/Formadores


Para alcançar tal antídoto, pode-se concordar que a formação dos professores, formadores e educadores, deve abarcar vários domínios, aos quais é necessário aplicar uma pedagogia/andragogia adequadas, o que implica novos currículos e conteúdos programáticos na formação destes profissionais da educação e da formação, que já terão revelado quais as necessidades que pretendem ver satisfeitas: «Os educadores levaram em conta três circunstâncias: o modelo de sociedade, as condições estruturais da universidade e o processo de desvalorização do profissional de educação». (BRZEZINSKI, 2000: 223)
As circunstâncias acima indicadas podem, pelo menos as duas primeiras, aplicar-se a Portugal porque, em boa verdade, ainda se assiste a práticas docentes que valorizam mais a memorização de saberes e teorias retóricas, avaliadas pela melhor ou pior reprodução que o aluno faz, em vez de se lhe pedir que, sobre elas, reflita e analise a possibilidade da sua aplicação prática, a situações concretas da vida real na sociedade, o que se agrava com alguns modelos rígidos ritualistas e excessivamente formais, ainda em vigor em diversos estabelecimentos de ensino, aprendizagem e formação profissional.
A terceira circunstância apontada, e no que a Portugal respeita, não se verifica uma desvalorização significativa do professor, haverá, eventualmente, uma discriminação entre professor do ensino básico, secundário e superior que, proporcionalmente às exigências: de formação, de investigação de investimento intelectual e financeiro, os professores do ensino superior estarão insuficientemente recompensados mas, também, nesta análise, não se vai discutir tal matéria porque parece extravasar os objetivos do trabalho.
O exercício da atividade docente não pode pactuar com interesses meramente casuísticos: de mais uma ‘ocupação parcial’ para formar currículo; ou, porque, tratando-se de uma figura pública, isso traz notoriedade ao estabelecimento de ensino, que admite tal personalidade para professor.
Por exemplo um político, um empresário, e outras profissões, podem ter muitos conhecimentos e experiências na sua área, mas, eventualmente, sem qualquer preparação para o exercício docente. São convidados, por certas instituições, só porque são considerados notáveis e pessoas de sucesso.
Com efeito: «Querendo atacar radicalmente o fracasso escolar, deve-se levar o corpo docente ao nível de formação do corpo dos engenheiros ou dos médicos. Não de um corpo de teóricos, ou de pesquisadores fundamentais, mas de um corpo de práticos ponderados, que baseiam a sua ação e a análise da sua ação sobre uma cultura científica e sobre o conhecimento de pesquisas e dos saberes profissionais coletivamente capitalizados. Por essa razão é importante: repensar a natureza das formações iniciais, não para correr atrás das reformas, mas para tornar possíveis as mais ambiciosas, fazer com que se voltem cada vez mais para um corpo docente que exista, ao menos em parte; fazer da formação contínua um vetor de profissionalização mais do que um simples aporte de conhecimentos, de métodos ou de novas tecnologias: …» (PERRENOUD, 2000:165-6).
A formação do cidadão defendida no presente trabalho depende, de facto e em parte significativa, do desempenho dos professores e formadores que, ao longo da vida, vão tendo na sua educação e formação.
Confirma-se, e por isso mesmo se justifica, a importância que se atribui aos professores e formadores, à sua preparação científica, pedagógica e prática. Ao conjunto de conhecimentos e técnicas que lhe permitem aplicá-los na vida real, com benefícios evidentes para a sociedade de cidadãos livres, competentes, solidários e tolerantes. Professores/Formadores para as realidades e vida concreta da sociedade.
Na formação do professor, muitas são as disciplinas que ele é obrigado a estudar. Nessa perspectiva: «o desenvolvimento de competências interpessoais pressupõe, da parte do candidato a professor, um aprofundamento do seu auto-conhecimento e o desenvolvimento de capacidades relacionais.» (RAPOSO, 1996:30).
A Psicologia pode proporcionar ao educador, muitos e diversificados conhecimentos teóricos e práticos, já testados e validados. Apesar disso, não se pretende, por manifesta impossibilidade intelectual, e de tempo, que se transforme o professor e o formador numa enciclopédia, sempre atualizada, ou numa máquina sempre modernizada e reprogramada. Ele, como pessoa, é limitado, finito e, dessa condição, deve dar conhecimento e discuti-la com os próprios alunos e formandos. A humildade do professor é já uma boa prática pedagógica
A formação de professores deverá ser um assunto da maior importância em todo mundo e, nesse sentido, os responsáveis pelos sistemas educativos e de formação profissional, nem sempre têm considerado prioritário este objetivo. A educação dos cidadãos, do ponto de vista político-ideológico, de um dado regime, é crucial para a manutenção desse mesmo regime.

Bibliografia


BRZEZINSKI, Iria, (2000). Pedagogia, Pedagogos e Formação de Professores: Busca e Movimento, 3ª Ed. Campinas - S.P. - Brasil: Papirus. (Colecção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico). P. 223
PERRENOUD, Philippe, (2000). Pedagogia Diferenciada: das intenções à acção, Tradução, Patrícia Chittoni Ramos, Porto Alegre: Artes Médicas Sul.
RAPOSO, Nicolau de Almeida Vasconcelos, (1996). “O Contributo da Psicologia para a Formação de Professores”, in: Arquipélago, Ciências de Educação – 1, Ponta Delgada: Universidade dos Açores, pp. 13-37
  
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
  
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal 

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

DOCTOR HONORIS CAUSA EN LITERATURA” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos.
  
TÍTULO NOBILIÁRQUICO DE COMENDADOR, condecorado com a “GRANDE CRUZ DA ORDEM INTERNACIONAL DO MÉRITO DO DESCOBRIDOR DO BRASIL, Pedro Álvares Cabral” pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística.
  

domingo, 5 de maio de 2019

Mãe: Eu Te Glorifico

Respeitando-se algumas opiniões, segundo as quais todos os dias são dias comemorativos, de um qualquer evento, a verdade é que na realidade, tal nem sempre se verifica, ou seja: por exemplo, quando se aborda a efeméride relacionada com o “Dia da Mãe”, isso representa que para além de todos os dias serem, ou que deveriam ser, dias da Mãe, ainda assim, haverá um, em todo o ano, que se destaca, com a maior relevância  e dignidade merecidas: o tributo que é devido às Mães; e a importância que elas têm nas nossas vidas, independentemente da sua natureza: biológica, adotiva ou aquela que nos cria, educa, protege e defende com amor e carinho.

Quem está minimamente informado, e tem uma formação familiar, assente em bons princípios, valores e sentimentos, sabe muito bem que o papel da Mãe, nesta sociedade pós-moderna, complexa e algo materialista, é fundamental: para orientar os filhos; obrigatória e desejavelmente em conjunto com o Pai; para enfrentarem aquela mesma sociedade que, atualmente, é muito pouco tolerante, e bastante fingida, designadamente para algumas pessoas, que não olham a meios para obterem determinados fins, quantas vezes injustos, ilegítimos e até ilegais.
Ser Mãe, neste emaranhado de interesses, conflitos e dificuldades sem fim, é muito complicado, por isso nunca será demais amarmos as nossas Mães, a quem devemos a vida, o maior ou menor conforto, dependendo das possibilidades económico-financeiras que ela possui e, que no dia que lhe é consagrado, a possamos abraçar, beijar e agradecer-lhe o amor que sempre nos dá, não olhando a sacrifícios, inclusive, privando-se, ela própria, quantas vezes, de bens que tanto gostaria de ter, mas que para ajudar os filhos, deles abdica generosa e amorosamente.
A Mãe, muitas vezes, mais do que o Pai, é, quase sempre: o grande baluarte da família; aquela que, à mínima dificuldade não abandona os seus filhos, salvo raras e excecionais situações; a mulher que para além de Mãe é amiga, companheira, parceira, confidente, protetora e cúmplice, por isso, as instâncias governamentais, em vez de retirarem os filhos às respetivas Mães, deveriam avaliar muito bem, ao nível técnico-científico, económico-financeiro e ainda psicossocial, a situação e só depois tomarem decisões, evitando medidas drásticas, como tantas a que se tem vindo a assistir.
É preciso mais humanismo na análise das circunstâncias em que se encontram muitos agregados familiares. É fundamental dar dignidade à pessoa humana, de resto como se vem fazendo já com os animais, em que o Estado disponibiliza cerca de dois milhões de euros para um projeto de acolhimento de animais abandonados, medida que se aplaude, sem quaisquer reservas mentais, todavia, não se queira colocar ao mesmo nível a pessoa humana, desde logo a Mãe, o Pai os Filhos, enfim, a família.
Neste “Dia da Mãe”, infelizmente, assiste-se por este país a: situações vergonhosamente degradantes, de autêntica desumanidade; crianças a serem retiradas aos pais, porque estes, alegadamente, não têm uma habitação, dita condigna, e por este facto, são entregues a instituições para, posteriormente, em muitos casos, serem encaminhadas para a adoção; idosos a habitarem  autênticas barracas (pardieiros) a cair de podre, onde o frio, a chuva, o vento e todo a espécie de intempéries entra; pessoas a viverem nas ruas, sem abrigo, doentes, esfomeadas e descartadas por uma sociedade insensível às virtudes da compaixão e do amor ao próximo.
Saibamos, também, amar, respeitar e dignificar todas as Mães, porque: são elas que sentem, verdadeiramente, o pulsar das nossas dificuldades; são elas que mais se preocupam com as nossas carências; são elas que intransigentemente nos defendem, quantas vezes, em situações em que elas próprias estão a sofrer violências, justamente para nos defender e proteger. Amar as nossas Mães em vida, ou a sua memória, é um tributo que lhes devemos prestar, hoje e sempre.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo


PRESIDENTE do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
  
TÍTULO NOBILIÁRQUICO DE COMENDADOR, agraciado com a “Grande Cruz da Ordem Internacional do Mérito do Descobridor do Brasil Pedro Álvares Cabral” pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística, organizada pelo Governo do Estado de S. Paulo – Brasil

DOCTOR HONORIS CAUSA EN LITERATURA, pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos