domingo, 28 de janeiro de 2024

Cidadania: modelo de discriminação positiva.

Inevitavelmente, numa fase da sua vida, toda a pessoa busca uma determinada forma de Poder, que faz parte da própria evolução biossocial do indivíduo, porém, nem todos conseguem exercer, condignamente, esse mesmo poder, no respeito pelos deveres e pelos direitos da pessoa humana. O exercício de um qualquer Poder, como forma de realização pessoal e/ou de grupo, nem sempre obedece a regras claras, com isenção, com espírito de missão e objetivos nobres.

 É bem sabido que diversas atividades são mais propícias ao exercício do Poder do que outras, e que algumas delas ainda proporcionam privilégios que até são pagos pelos vulgares cidadãos, mesmo acabando estes por serem, em grande parte das situações, os mais prejudicados, na medida em que contribuem com os seus impostos e donativos para alimentar determinados Poderes, onde se pode incluir, entre outros, concretamente, alguns níveis do poder político, pese, embora, o facto de a política ser uma atividade genuinamente humana, por vezes altruísta, e se considerar fundamental para a resolução dos problemas da humanidade.

Inequivocamente, defende-se, aqui, a necessidade da atividade política, contudo, respeitando princípios, valores e normas, compatíveis com a dignidade humana e na igualdade objetiva perante leis que contemplem todos os cidadãos de igual forma, porque, em boa verdade, numa democracia verdadeira, não é aceitável quaisquer discriminações ou classificações do tipo: cidadãos de primeira e de segunda categorias. Quem quiser privilégios, deve pagá-los do seu próprio bolso.

Qualquer filosofia: política, social, cultural, educativa, saúde, associativa, lazer, humanitária empresarial, emprego, entre outras, carece de valores universais, princípios formais, metodologias claras, objetivos concretos e resultados que possam ser distribuídos, equitativamente, pela população-alvo, a que tal filosofia se dirige.

A política, enquanto atividade governativa pública, democrática, exercida por uma classe bem específica, identificada por aquele grupo minoritário de cidadãos, eleitos, ou nomeados politicamente, a que vulgarmente se designa por políticos, nem sempre cumpre os projetos que promete em campanha eleitoral, facto que desacredita quem nela se envolve, desincentiva os cidadãos mais novos a darem o seu contributo, favorecendo com esta atitude aqueles que, mandato após mandato, sempre nos mesmos cargos, vão construindo uma carreira política, por vezes estática, dificultando a renovação, a execução de projetos diferentes e, desejavelmente, uma maior abertura à cidadania democrática.

A dimensão social da pessoa humana verifica-se ao longo da história da humanidade, no entanto ela acentua-se, mais profundamente, em períodos de crise, por isso é necessária uma atenção renovada dos governantes em geral, e daqueles que são diretamente responsáveis por este setor. A cidadania plena exige que a redistribuição das riquezas naturais nacionais e também mundiais, seja melhor aplicada, por exemplo na erradicação da pobreza, pelo trabalho e pelo estudo.

A cidadania, na sua vertente social, deve constituir um desígnio universal, interpretado por aqueles que detêm o Poder, por isso: «Necessário se faz alertar para que sejam evitadas lideranças de quem pretenda, de maneira oportunista, tirar proveitos políticos e insistir em dar ao movimento carácter ideológico político. Já está provado que essas influências mais enfraquecem do que fortalecem movimentos. As ideologias que precisam ser desenvolvidas são as da participação democrática, do espírito de cidadania, do sentido de união, da ética, da solidariedade.» (RESENDE, 2000:202).

As lideranças locais, nacionais e mundiais têm, portanto, de aplicar todas as suas faculdades e disponibilidade, em simultâneo com algumas competências, experiências, conhecimentos, princípios e valores, para debelarem as crises, quantas vezes provocadas, precisamente, por quem não querendo demonstrar aquelas características, permite que outros se aproveitem de situações resultantes da elaboração de leis iníquas, ou mal preparadas, e assim, ainda que involuntariamente, beneficiem determinados grupos.

É urgente parar e refletir sobre o que se tem feito, corrigir o que está mal, redistribuir o que ainda resta, pelos mais carenciados, incentivar o espírito de solidariedade daqueles que sempre foram privilegiados, para agora serem estes a dar o seu contributo na resolução de problemas sociais gravíssimos. Isto é o mínimo que se pode esperar de uma Filosofia Política para a cidadania social.

Qualquer projeto que direta, ou indiretamente, envolva ou se destine às pessoas humanas, deverá prever diversas dimensões da qualidade de vida, nomeadamente, dimensão: económica, cultural, laboral, educacional, saúde, ambiente, entre outras, e que no seu com junto podem contribuir para uma cidadania plena, no âmbito de um mundo civilizado e humanista.

Conceber um qualquer empreendimento, sem nele se incluírem aquelas e outras dimensões da pessoa humana, é ignorar realidades que são comuns a todos os cidadãos. Hoje, (2024) primeiro quarto do século XXI, quando se vive um gravíssimo período de crise, o caminho para uma sociedade mais justa e para se sair da situação em que a humanidade vive, é “muito estreito, mas existe”, segundo as palavras de Sua Excelência o Presidente da República, por ocasião da sua mensagem de Ano Novo (2009) dirigida aos Portugueses.

A cidadania não é, apenas, a liberdade de expressão, de religião, de votar e ser votado, do exercício de deveres e fruição de direitos, em plena democracia. A cidadania deve ir mais fundo na realização de projetos, no alcance de objectivos e na distribuição dos resultados obtidos, de forma justa, se possível, discriminatória, porém, pela positiva, beneficiando aqueles que mais precisam.

 

BIBLIOGRAFIA

 

RESENDE, Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Autoajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark

 

 

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=924397914665568&id=462386200866744

 

  

Venade/Caminha – Portugal, 2024

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente Honorário do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

site@nalap.org

http://nalap.org/Directoria.aspx

http://nalap.org/Artigos.aspx

diamantino.bartolo@gmail.com

http://diamantinobartolo.blogspot.com

https://www.facebook.com/ermezinda.bartolo

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         https://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1                                                                                                                                                                       

domingo, 21 de janeiro de 2024

Luís António Verney.

Luís António Verney era oriundo de uma família francesa. Nasceu em Lisboa em 1713, sendo desde logo de prever uma certa educação, justamente, à maneira francesa, beneficiando do apoio de professores particulares e, mais tarde, dos estudos dos jesuítas e dos oratorianos.

Formou-se em Teologia pela Universidade de Évora em 1736, adquirindo várias orientações pedagógicas a que tinha estado submetido, partindo nesse mesmo ano para o estrangeiro.

Em Roma empreende uma vastíssima obra para renovação de alguns aspetos culturais em Portugal. A partir de 1758, as suas obras são subsidiadas pelo novo monarca português, D. José. Em 1760, devido à rutura ocorrida entre a Santa Sé e a corte portuguesa, todos os portugueses residentes em Roma devem retirar-se.

Verney instala-se então, em Pisa. Em 1765, a corte portuguesa lembra-se dele, entretanto esquecido, para o consultar sobre certos problemas políticos, que o envolvem numa correspondência extensa, mas não conseguindo, ainda, a publicação da sua obra. 

Em 1768, voltam a lembrar-se dele, para missões meramente políticas, as quais culminam com o seu desterro para San Meniato, em 1771.

Desterrado e desfeiteado pelo Marquês de Pombal, teve de esperar pela morte de D. José a fim de obter uma revisão da sua situação, que obtém, posteriormente, regressando a Roma e aqui virá a ser nomeado sócio da Academia de Ciências e deputado honorário da Mesa da Consciência e Ordens. 

Morre em 1771, no silêncio a que, entretanto, se tinha remetido. Este grande agitador de ideias foi profundamente ignorado pelo Marquês de Pombal, não obstante este se ter servido da sua obra pedagógica.

Luís António Verney programou uma vastíssima obra, muito embora não tivesse conseguido ver publicados todos os seus volumes. O programa da obra pedagógico-filosófica-cultural, sob o título: “Verdadeiro Método de Estudar”, na qual propõe uma reforma geral dos estudos portugueses preparatórios e secundários.

Da grande obra programada, conhecem-se alguns manuais: “De Orthographia Latina Liber Singularis (1747); “Apparatus ad Philosophiam et Theologiam” (1751); “Gramática Latina (1758). Como já foi referido, do seu programa bibliográfico destaca-se, contudo, o “Verdadeiro Método de Estudar”, que se tentará analisar a seguir, primeiro, numa perspectiva geral; depois, incidindo num capítulo específico.

 

Bibliografia

 

VERNEY, Luís António, (1746). Verdadeiro Método de Estudar, para ser útil à República e à Igreja. Cap. IX, Carta XVI - Estudo das Mulheres. Valensa-Oficina de António Balle. Ano de MDCCXLVI

ARRIAGA, José de, (1980). A Filosofia Portuguesa. 1720-1820. História da Revolução Portuguesa de 1820. Lisboa: Guimarães & Cª. Editores.

 

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=924397914665568&id=462386200866744

 

 

 

Venade/Caminha – Portugal, 2024

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente Honorário do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

site@nalap.org

http://nalap.org/Directoria.aspx

http://nalap.org/Artigos.aspx

diamantino.bartolo@gmail.com

http://diamantinobartolo.blogspot.com

https://www.facebook.com/ermezinda.bartolo

https://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1

domingo, 14 de janeiro de 2024

EDUCAÇÃO PARA A PAZ

Como ponto prévio e para que tudo fique desde já esclarecido: «1. Toda a pessoa tem direito à educação. (...); 2. A educação deve visar a plena expansão da personalidade humana e o esforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos...» (DECLARAÇÃO UNIVRSAL OS DIREITOS HUMANOS (DUDH) 1948: Artº 26º)

Todos os dias, nos meios de comunicação social, muita gente fala dos Direitos Humanos, no entanto, ninguém desconhece como eles são ignorados, quando não espezinhados, violados e deturpados, em alguns países do mundo, todavia, ainda assim, vale a pena lembrar o que tem sido, ao longo dos séculos XX e XXI, a luta pelos direitos, pelas liberdades e garantias fundamentais da pessoa humana.

 Esta luta não é só do nosso tempo, ela mergulha as suas raízes na mais remota antiguidade, mesmo quando os costumes, a mentalidade e a organização política de então, aceitavam com fatalidade histórica a tirania, a escravidão, a morte.

Muitas são as instituições/associações que ao longo dos tempos lutam contra a violação dos Direitos Humanos: Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Comissão Europeia e Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, Liga Francesa para a Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, Amnistia Internacional, etc.

Estas instituições devem a sua credibilidade à sua força moral, à circunstância de não pouparem qualquer país onde periguem os Direitos Humanos, porém, os apelos, as investigações, as denúncias, as sugestões que tais associações divulgam, pouco são ouvidos, e muito menos seguidos por parte de diversos países, instituições e até pessoas individualmente consideradas.

A dicotomia que, na verdade, parece existir em muitos países, e que leva a que: uns, deem importância aos direitos civis e políticos; outros, aos direitos económicos, sociais e culturais, conduz, afinal, a duas conceções políticas diferenciadas, que bipolarizam as nações no mundo e que se conectam com a própria definição de democracia e, sem bebermos na etimologia grega, diríamos que as democracias ocidentais, felizmente, envolvem o pluralismo político, a liberdade de expressão, o direito de associação e de reunião, a ausência de polícia política, a garantia de liberdades individuais constantes nas constituições, livremente votadas pelos cidadãos.

Não foi inocente a escolha deste tema, porque na dupla qualidade de Cidadão Português, Professor-Formador e agora também Escritor, não poderia ficar indiferente, neste primeiro quarto  de milénio, no âmbito das investigações que venho fazendo, sobre estes temas, bem como dos valores protegidos pelas diversas Declarações de Direitos Humanos, quando se sabe que situações de: a) Conflitos - Que conduzem a que uma oposição consciente entre sujeitos ou nações, perseguindo objetivos incompatíveis, originam, muitas vezes, agressividade, que leva a confrontos sangrentos, de consequências irreparáveis; b) Violência - De entre outras definições, poder-se-ia escolher, genericamente, como sendo : «a causa da diferença entre o potencial e o efectivo», pois ela está «presente quando os seres humanos são influenciados de tal maneira que as suas realizações, anseios, e esperanças afectivas, somáticas e mentais estão abaixo das suas realizações potenciais.» (GALTUNG, 1985:30).

A razão do presente trabalho é, portanto, a apologia de uma Pedagogia de Paz, que resumiria num conjunto de enunciados, ou regras: dirigidos à educação dos indivíduos, para que atuem de modo a criar a base de um espírito mais humanista, inspirado no respeito e exercício dos Direitos Humanos; no trabalho em prol da proteção do meio ambiente; nas práticas sociais para o fortalecimento da convivência e da solução pacífica dos conflitos e da violência, quaisquer que sejam: físicos, materiais, psicológicos ou outros.

Uma educação para a paz, modernamente, deve apresentar as seguintes características, entre muitas outras, possíveis e, quiçá, melhores: «a) Aceitar e implementar um processo de socialização, por valores que aumentem o processo social e pessoal; b) Questionar o acto educativo, desligando-se do ensino meramente transmissivo, em que o aluno é um mero receptor, isto é, o acto educativo como processo activo-criativo, em que os alunos são agentes vivos de transformação (cf. Educação Cívica de António Sérgio); c) Enfatizar, tanto na violência directa como na estrutural, facilitando o aparecimento de estruturas pouco autoritárias, não autistas, que possibilitem o espírito crítico, a desobediência, o autodesenvolvimento e a harmonia pessoal dos participantes; d) Procurar coincidir fins e meios, a fim de chegar a conteúdos distintos através de meios distintos, fazendo do conflito e da aprendizagem da sua resolução não-violenta o ponto central da sua actuação; e) Combinar certos conhecimentos substantivos com a criação de uma nova sensibilidade, de um sentimento empático que favoreça a aceitação e compreensão do outro.» (APDME-CIP 1990:20).

É, naturalmente, com este espírito que parto para o trabalho que me propus elaborar, o qual abordará algum aspeto da visão geral da Filosofia em Portugal no Século XIX, uma análise à posição de António Sérgio, com a necessária incursão à sua obra “Educação Cívica”, uma rápida reflexão sobre a educação cívica em Portugal no ensino básico e, certamente, concluirei com uma opinião muito pessoal, seguramente discutível, porque não se tratará de uma verdade dogmática.

 

Bibliografia

 

APDME - CIP, (1990). Seminário de Educação para la Paz, Educar para la Paz. Una Propuesta Posible Madrid:

GALTUNG, Johan, (1985). Sobre la Paz. Barcelona: Fontamara

ONU-ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (1948). DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM, Lisboa: Amnistia Internacional, Secção Portuguesa, 1998.

 

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=924397914665568&id=462386200866744

 

 

 

Venade/Caminha – Portugal, 2024

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente Honorário do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

site@nalap.org

http://nalap.org/Directoria.aspx

http://nalap.org/Artigos.aspx

diamantino.bartolo@gmail.com

http://diamantinobartolo.blogspot.com

https://www.facebook.com/ermezinda.bartolo

https://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1

domingo, 7 de janeiro de 2024

CRISE IMPLICA CONSIDERAÇÃO.

Assiste-se, com relativa facilidade, à mais incompreensível falta de Consideração por todos aqueles que, em várias frentes, estiveram ao serviço de um ideal, de um futuro, para eles e para as gerações vindouras. Foram os Seniores de hoje que, ao longo das suas vidas, contribuíram, generosamente, com esperança, com boa-fé, para que os seus filhos, netos e todas as gerações futuras, pudessem vir a ter uma melhor vida, com mais conforto e dignidade.

Foram eles, os Seniores que, quantas vezes, privando-se de bens essenciais, de algum lazer, trabalharam, incansavelmente, pouparam até aos limites da avareza e investiram em muitos daqueles que hoje governam: seja através da atividade política, empresarial, religiosa ou associativa.

CONSIDERAÇÃO por aquelas pessoas é um valor e uma atitude que, tudo indica, está a ser insensivelmente afastada por alguns eleitos que, hoje, ocupam lugares proeminentes: em parte, por mérito próprio; em parte, por influências e, em grande parte, por quem lhes proporcionou uma educação e formação necessárias, para ascenderem aos mais altos cargos dos diversos poderes.

Onde está, pelo menos, a Consideração devida a estas pessoas, a quem, hoje, lhes retiram direitos adquiridos, para os quais contribuíram com grandes sacrifícios. Mas é claro que a falta de Ponderação para com quem nos faz bem, infelizmente, até parece que “está na moda”, que se exibe como sinónimo de autonomia, de poder que, em alguns casos, se aproxima da arrogância, própria de quem se julga superior, e não mais necessitar de quem, no passado, os ajudou com grande generosidade, simpatia, amizade e boa-fé.

O que é a Consideração para tais pessoas? Será que quem hoje está num determinado poder, pensa que jamais vai precisar do apoio dos seus semelhantes? Entenderão tais pessoas que quem as ajudou, afinal já não tem qualquer importância e influência na sociedade? É evidente que a falta de Consideração se equipara à ingratidão e esta atitude revela bem o caráter de quem é mal-agradecido.

Deve-se parar um pouco para refletir, porque: «É preciso sempre ajudar os fracos, mesmo sabendo, antecipadamente, que aqueles a quem se faz o bem não agradecerão. Sabei que, se aquele a quem prestastes um benefício esquecer o bem que recebeu, Deus o levará mais em conta do que se tivésseis sido recompensados pelo reconhecimento do vosso beneficiador.» (KARDEC, 2010:278).

 Nesta linha de pensamento, e numa apreciação objetiva, que parece oportuno fazer-se, também importa referir que a falta de Consideração devida à comunidade Sénior, em certa medida, conduz a uma outra atitude, que se pode entender, também, como falta de Respeito, porque isso é bem patente nos procedimentos legais, não, necessariamente, legítimos e muito menos justos, que os detentores do poder estão a manifestar contra aqueles que, precisamente, os elegeram, com esperança, acreditando na palavra dada, consubstanciada nas promessas feitas quando buscavam, desesperadamente e a todo o custo, o poder.

 

Bibliografia

 

KARDEC, Allan, (2010). O Evangelho Segundo o Espiritismo: contendo a explicação das máximas morais do Cristo, sua concordância com o Espiritismo e sua aplicação nas diversas situações da vida. Tradução, de Albertina Escudeiro Sêco. 4ª Edição. Algés/Portugal: Verdade e Luz – Editora e Distribuidora Espírita.

 

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=924397914665568&id=462386200866744

 

  

Venade/Caminha – Portugal, 2024

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente Honorário do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

site@nalap.org

http://nalap.org/Directoria.aspx

http://nalap.org/Artigos.aspx

diamantino.bartolo@gmail.com

http://diamantinobartolo.blogspot.com

https://www.facebook.com/ermezinda.bartolo

                                                                                                       https://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1 

domingo, 31 de dezembro de 2023

O Mandato no âmbito do Voluntariado.

               Começo por desejar a todas as pessoas, independentemente da sua condição social, que ao longo dos últimos doze anos me têm acompanhado, estimulado e acarinhado, um próspero Ano Novo de 2024, extensivamente a todos os membros das suas famílias, amigos e pessoas das suas relações. BOM ANO DE 2024.

Qualquer pessoa, ao longo da sua vida, exerce diversos mandatos: seja de natureza obrigatória, no desempenho de uma atividade profissional; seja através do cumprimento de funções cívicas, políticas, religiosas, em regime de voluntariado, quantas vezes, a título gracioso e, neste caso, apenas existe, eventualmente, algum tipo de retribuição monetária e possíveis benefícios de ordem social, com objetivos de estímulo e também reconhecimento pela dedicação generosa, a uma causa, a um serviço público ou privado, em favor da sociedade e do bem comum.

O voluntariado, em Portugal, está regulamentado por legislação específica, na qual se estabelecem obrigações e incentivos para os participantes, incluindo, em algumas entidades e serviços, o cumprimento de horários e a responsabilização pela prática de quaisquer infrações, porque o facto de se ser voluntário, em qualquer tipo de intervenção, não significa que deixe de haver o cumprimento de normas, princípios e valores, pelo contrário, o voluntariado envolve a pessoa num estatuto, que sendo reconhecido como muito importante e necessário, exige um certo nível de boas práticas humanistas, e não só.

A Lei N. 71/98 de 3 de novembro, que estabelece as Bases do Enquadramento Jurídico do Voluntariado, determina no seu articulado o seguinte: «O voluntário é o indivíduo que de forma livre, desinteressada e responsável se compromete, de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar acções de voluntariado no âmbito de uma organização promotora.» Artº 3º nº 1) e, mais à frente: «O Estado reconhece o valor social do voluntariado como expressão do exercício livre de uma cidadania activa e solidária e promove e garante a sua autonomia e pluralismo.» (Artº 5º).

O ser humano, apreciado em todas as suas capacidades, pode-se considerar como vivendo em grande liberdade, e só não será total porque há fenómenos naturais e, eventualmente, sobrenaturais que ele não prevê, nem domina, todavia, excetuando-se alguns imponderáveis, ele é livre e, portanto, senhor dos seus atos voluntariamente assumidos, embora, e em relação aos quais, tenha de arcar sempre com as possíveis consequências, quando elas ocorrem.

Assim, ao aceitar desempenhar determinados cargos, a que correspondem o exercício de funções inerentes, a pessoa investida em tais tarefas, tem conhecimento que esta decisão implica um compromisso, por um certo tempo, em condições previamente estabelecidas, sendo de esperar que, em circunstâncias normais, nomeadamente as que vivia aquando da aceitação do cargo, irá desenvolver a respetiva atividade, até ao final do período fixado para o exercício das funções que lhe são atribuídas.

Mas a vida está repleta de imponderáveis. Ninguém pode utilizar a palavra “Nunca”, isto é: nunca serei isto; nunca farei aquilo; nunca aceitarei tal atividade; nunca estarei doente; nunca deixarei de viver e de estar bem na vida; nunca precisarei de alguém. A palavra “Nunca”, os sentimentos e atitudes que ela envolve, constituem um grande risco para o nosso comportamento, para a palavra dada, para a assunção de compromissos e as responsabilidades intrínsecas.

Poucas são as situações em que se utiliza a palavra “Nunca”, aceitando-se, todavia, a título de exemplo que, talvez se possa afirmar: “eu nunca mais voltarei a nascer”, porém e ainda assim, com alguma reserva mental, quanto a tal afirmação, considerando-se uma análise em várias perspetivas: biológica, religiosa, filosófica e metafísica.

Portanto, o melhor será mesmo evitar a palavra “Nunca” e, no limite, mandam o bom-senso e a prudência que, possivelmente, apenas seja cordato e revelando alguma humildade, afirmar-se que: “nunca saberei tudo”. Aqui, e talvez noutras circunstâncias, haja alguma justificação para o uso deste vocábulo que, apesar de tudo, e por vezes, nos pode atraiçoar.

Com um tal princípio, então será lícito afirmar-se que é impossível garantir que alguém consiga cumprir, integralmente, os seus compromissos, justamente porque é muito provável que situações imprevistas venham a impedir o cumprimento da palavra dada, obviamente aqui no âmbito do “Mandato”, e/ou a aconselhar a mudança de atividade, funções e localização geográfica, para o exercício das respetivas tarefas em novas funções, ou seja, toda a pessoa está sujeita aos imponderáveis da vida.

Diz o povo, talvez com alguma razão, proveniente da sabedoria popular que: “Quem se muda, Deus ajuda”. Com efeito, a vida física terrestre é tão curta que não há tempo a perder, quando as oportunidades surgem, e desde que os visados entendam que tais ocasiões devem ser aproveitadas, porque delas resultará melhores condições de vida, um estatuto diferente, um futuro mais promissor.

Deve-se evitar criticar uma pessoa por esta procurar um bem-estar que até então não tinha, na medida em que não há situações profissionais, políticas e sociais que durem para sempre. Quase tudo na vida é efémero, e um dos nossos grandes erros é pensar que estaremos sempre no domínio das situações, aliás, hoje em dia, e no que respeita ao emprego, a insegurança é total.

É neste contexto, e com esta lógica, que se afigura legal e legítimo que qualquer detentor de: um cargo, uma profissão ou uma situação, para que voluntária, generosa e, quantas vezes, graciosamente concorreu, tenha de cumprir até ao final o respetivo mandato, ou seja, desde que nenhum imprevisto impeça o cumprimento integral das funções que, entretanto, assumiu.

 

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=924397914665568&id=462386200866744

 

 

 

Venade/Caminha – Portugal, 2023

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente Vitalício (Não Executivo) do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

site@nalap.org

http://nalap.org/Directoria.aspx

http://nalap.org/Artigos.aspx

diamantino.bartolo@gmail.com

http://diamantinobartolo.blogspot.com

https://www.facebook.com/ermezinda.bartolo

https://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1

 

 

TÍTULO NOBILIÁRQUICO DE COMENDADOR.

 Condecorado com a “GRANDE CRUZ DA ORDEM INTERNACIONAL DO MÉRITO DO DESCOBRIDOR DO BRASIL,

Pedro Álvares Cabral” pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística

http://www.minhodigital.com/news/titulo-nobiliarquico-de

domingo, 24 de dezembro de 2023

NATAL: FESTA DA FAMÍLIA, DO AMOR E DA PAZ.

Recuso-me a transcrever, para esta reflexão, dedicada a um dos dias mais simbólicos do ano, em que a saudade pelos ausentes se faz sentir de forma particularmente dolorosa, muitas das inúmeras notícias sobre o estado profundamente degradante em que vivem milhões de pessoas por esse mundo fora em geral e, milhares de outras que, em Portugal, sofrem as mais cruéis privações de uma vida que nem sempre lhes sorriu, e que não podemos, nem devemos, ignorar esta realidade que a todos, de alguma forma, também nos culpabiliza.

Natal é festa da família, de alegria, de esperança num futuro melhor, no acreditar que temos capacidades, determinação e entusiasmo suficientes para vencermos, uma vez mais, as dificuldades presentes e reconstruirmos um futuro digno da pessoa humana, novos horizontes de prosperidade, com saúde, paz, amizade, trabalho e felicidade. Nós, portugueses, já demos provas ao mundo do que somos capazes, eventualmente, em situações bem mais complexas.

Os valores que tanto nos caraterizam, alguns dos quais sentidos e vividos por forma muito singular, como a saudade por todos aqueles que, por diversas circunstâncias da vida, não nos podem acompanhar neste dia que, apesar de tudo, teremos de nos esforçar para que seja de festa: com mais ou menos abundância material; com mais ou menos conforto; mas que possa ser de Amizade sincera e de perdão, no calor do amor dos que verdadeiramente se amam, qualquer que seja a natureza desse amor: conjugal, maternal, paternal, filiar, fraternal e naquele que também nos deverá acompanhar diariamente que é o «Amor-de-Amigo».

Festa da família, tempo para refletirmos no passado, no presente e no que tencionamos ser, fazer e viver, num futuro que, no presente, projetamos com esperança, com projetos, com desejos, com ambição legítima, para nós, para os nossos familiares, mas também para os nossos verdadeiros amigos, sim porque estes, quando leais, solidários, confidentes, conselheiros, cúmplices e que, sempre e inequivocamente estão do nosso lado, são como os nossos familiares mais íntimos.

Tempo de Paz, de Saudade, de Amor, de Felicidade e de Solidariedade, sentimentos entretanto mitigados pelos que nos são especialmente queridos, estando fisicamente longe, ou que já partiram para uma vida eterna, mas que continuam nos nossos corações, bem presentes, bem vivos, que nos acompanham e protegem, lembrando-se e intercedendo por nós, “onde quer que estejam”.

O mundo, nas pessoas das mais destacadas entidades políticas, empresariais, religiosas e da sociedade civil em geral, não pode aceitar esta quadra natalícia como mais uma festividade que o calendário assinala e, passada que seja, tudo volta às mesmas situações durante mais 360 dias. Todos, de mãos dadas, teremos de dizer um rotundo NÃO a quaisquer situações que degradam a pessoa humana. O Natal da Família e do Amor, não comporta nenhum tipo de humilhação.

Chegou o tempo de banirmos, irreversivelmente, ódios, vinganças, obscurantismo, fome, guerras e a morte resultante daqueles «sentimentos» e situações. Está na hora da inversão de tudo quanto é indigno para o ser humano, a começar em cada um de nós, até para connosco próprios. É tempo de dar voz ao «tribunal» da nossa consciência, porque é o único que nos julga imparcialmente, mesmo que, depois, não tenhamos a coragem de cumprir a «pena» ou seguir os seus conselhos.

Mas, é claro: todos os dias deveriam ser Natal; todos os dias deveríamos refletir na vida e na morte; na nossa origem, mas também no nosso destino; no que fazemos e no que deveríamos fazer; pensarmos que a vida é efémera; que não somos os donos do mundo, nem da verdade, nem da vida de ninguém, nem sequer da nossa própria existência. De Onde Vimos? Quem Somos? Para Onde Vamos?

Independentemente das nossas convicções políticas, filosóficas, religiosas ou outras, a verdade é que não nos conhecemos suficientemente bem para, enquanto pessoas humanas, detentoras de imensas capacidades, poderes e oportunidades, sabermos tomar as melhores decisões, quantas vezes, nem sequer somos capazes de orientar as nossas próprias vidas, com sentimentos verdadeiramente altruístas, em proveito dos nossos semelhantes e dos benefícios que nos dizem respeito.

Em boa verdade, ALGUÉM nos deu tantas faculdades, tantas ocasiões, tanto domínio, infelizmente, nem sempre aproveitados da melhor maneira e, então, surgem os dias festivos, na circunstância, o Natal, para revelarmos, uns aos outros e ao mundo, de que estamos solidários, temos boas intenções para resolver as situações mais prementes dos que estão abaixo do limiar da dignidade humana.

No rigor da consciência de cada um, todos sabemos que não somos absolutamente perfeitos, que gostaríamos de ser melhores familiares, amigos, cidadãos. Eu próprio me considero um «pecador» em todos os sentidos, porque sou fraco, não tenho a coragem suficiente para impor a mim próprio o cumprimento integral dos valores que defendo, mas luto a cada momento da minha vida, por aquilo em que acredito, pelo exercício dos sentimentos que nutro pelas pessoas que me são especialmente queridas, pelo bom relacionamento que deve existir na sociedade em geral, e no exercício dos diversos papeis que vou desempenhando ao longo do dia e da vida. Natal também pode ser este esforço permanente.

A festa da família é, afinal a festa do mundo, porque este é constituído por famílias, extensas, nucleares e também por pessoas que vivem sozinhas, quantas vezes nas margens da sociedade: ou porque esta os excluiu impiedosamente; ou porque as próprias pessoas se autoafastaram, por já não acreditarem em nada, nem em si próprias. Natal, também deverá ser a reconciliação com a vida, com os nossos semelhantes, com a natureza em geral.

Pensar o Natal: não tanto no tradicionalismo do consumo, embora este seja necessário, desde logo para aqueles que podem; para outros que têm possibilidades de adquirir os bens materiais de primeira necessidade, para doarem aos que não têm esta capacidade; mas, ainda, no sentido da construção de um mundo mais justo, mais tolerante, mais humano. Um Natal com humanismo, no respeito pela nobreza da pessoa humana, que nasce portadora de iguais direitos de liberdade e dignidade.

Caminhar para Natais de progresso a todos os títulos, no aprofundamento, consolidação e boas-práticas dos mais elementares Direitos Humanos, desde logo os direitos: à vida; à saúde, em condições justas, com especiais preocupações para as pessoas mais carenciadas; à educação e formação; ao trabalho; à habitação em condições dignas; à justiça, enfim, aos direitos consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A Humanidade está cansada de discórdias, de injustiças, de exclusões de toda a natureza. A comunidade global não pode continuar no rumo que tem vindo a seguir, onde o «porto seguro» não se vislumbra. O mundo não pode desperdiçar as pessoas de boa vontade, que desejam e lutam pela Paz, pela Amizade, pela Felicidade e pela Harmonia entre todos os seres. O Natal é isto mesmo.

Enfim, a minha reflexão muito especial, muito particular, vai no sentido público, como uma espécie de contributo, para que o Natal seja verdadeiramente a Festa da Família Humana, mas a começar por mim próprio, pela minha família, amigos e todas as pessoas que comigo se relacionam.

Aproveito esta oportunidade: primeiro, pedir desculpa por algum erro que, involuntariamente, tenha cometido e, com ele, magoado alguém; depois para desejar um Santo e Feliz Natal, com verdade, com lealdade, com gratidão, seja no seio da família, seja com outras pessoas, com aquela amizade de um sincero «Amor Humanista» e muito reconhecimento pelo que me tem ajudado, ao longo da minha vida, compreendendo-me e nunca me abandonando.

É este Natal, praticamente simbólico, que eu desejo festejar com a alegria possível, pesem embora as atuais restrições e condicionalismos, impostos por um conjunto de situações cruéis, que atiram cada vez mais pessoas para a miséria, fome e morte.

Finalmente, de forma totalmente pessoal, sincera e muito sentida, desejo a todas as pessoas que, verdadeiramente, com solidariedade, amizade, lealdade e cumplicidade, me têm acompanhado, através dos meus escritos, um próspero Ano Novo e que 2024 e, desejavelmente, as muitas dezenas de anos que se seguirem, lhes proporcionem o que de melhor possa existir na vida, que na minha perspetiva são: Saúde, Trabalho, Amizade/Amor, Felicidade, Justiça, Paz e a Graça Divina. A todas estas pessoas aqui fica, publicamente e sem reservas, a minha imensa GRATIDÃO. 

 

 

“NÃO, à violência das armas; SIM, ao diálogo criativo. As Regras, são simples, para se obter a PAZ”

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=924397914665568&id=462386200866744

 

 

Venade/Caminha – Portugal, 2023

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente Vitalício (Não Executivo) do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

site@nalap.org

http://nalap.org/Directoria.aspx

http://nalap.org/Artigos.aspx

diamantino.bartolo@gmail.com

http://diamantinobartolo.blogspot.com

https://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1

                                                                                                             https://www.facebook.com/ermezinda.bartolo 

domingo, 17 de dezembro de 2023

A VELHA SABEDORIA

 Muitos pensadores têm definido a Filosofia, como a “Velha Sabedoria” ao longo de mais de dois milénios. Alguns responsáveis políticos, e educadores, com maior ou menor ênfase, procuram manter esta área do saber, algumas vezes, em função das intencionalidades ideológicas dos regimes políticos, consagrando-lhe os instrumentos legais e as orientações que em cada época são mais adequados, às situações e aos regimes que as suportam.

Naturalmente que a organização curricular e seus programas, devem obedecer a uma política de educação, delineada nas suas grandes linhas, na Constituição Política do País, nas leis específicas e sua regulamentação. A Filosofia deve inserir-se, inequivocamente, em qualquer política da educação, com objetivos bem definidos e que possam conduzir o homem para as atividades reflexivas, críticas, construtivas e responsáveis, sem demagogias, nem aproveitamentos político-partidários e ideológicos.

O curso elementar de Filosofia, elaborado por A. Ribeiro da Costa e cuja segunda edição data de 1866, da qual se resumiu o capítulo consignado à Filosofia do Direito – Direito Natural, certamente teve em conta as disposições constitucionais portuguesas da época e, possivelmente, os valores e princípios que foram proclamados na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 em França.

Ao longo do período compreendido entre a Revolução Francesa de 1789 e a correspondente tradução na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, do mesmo ano, e a segunda década do século XIX, ou seja, durante cerca de cem anos, Portugal procurou sempre ampliar e aperfeiçoar o seu Direito, através dos instrumentos legais ao dispor dos seus Governantes, quer ao nível constitucional, quer no âmbito educacional.

Filosofia e Direito parecem “condenados” a complementarem-se, independentemente de setores/áreas de atividade da sociedade humana, aos quais se poderia acrescentar um outro pilar que, de resto, já vem, igualmente, da antiguidade: a Religião. Verifica-se, inclusivamente, nas Constituições Portuguesas, uma forte referência legal ao instituto da religião, ainda que, por vezes, a imparcialidade do Estado não seja uma realidade, quando defende como religião oficial a “Católica, Apostólica, Romana”, não proibindo, embora condicionando quaisquer outras, pelo menos aos estrangeiros, conforme prescreve o «Artº 26º – A Religião Católica, Apostólica, Romana continuará a ser a religião do Reino. Todas as outras religiões serão permitidas aos estrangeiros com o seu culto doméstico, ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de Templo.» (in: PEREIRA, 1993:74)

Acontece que, pese embora o esforço para se compreender a mentalidade da época, hoje, terceira década do século XXI, não é correto conceber uma tal situação discricionária, designadamente no contexto da defesa dos Direitos Humanos e, efetivamente, através do Direito, da Filosofia e da Religião, evolui-se para uma sociedade moderna, tolerante, aberta aos valores e princípios que devem reger, em harmonia, as comunidades restritas e as sociedades alargadas.

A Organização Curricular e Programas de Filosofia para o Ensino Secundário, vem na linha dos grandes Valores e Princípios Constitucionais, em matérias que de facto podem contribuir para o desanuviamento e bem-estar da humanidade, contudo, há a sensação que a Filosofia não estará a ser devidamente considerada por alguma tecnocracia reinante, na medida em que, cada vez mais, há quem valorize as ciências exatas e a técnica, em detrimento das áreas socioculturais. Isto nota-se, de uma forma privilegiada, nas Escolas Profissionais e nos debates e avaliações que nelas ocorrem.

Em todo o caso, parece oportuno e justo destacar, no âmbito deste trabalho, alguns conteúdos programáticos, do Programa de Filosofia para o Ensino Secundário: I – Unidade Inicial – A Intenção Filosófica e a Diversidade dos Saberes: Do vivido ao Pensado; O lugar da Filosofia: II- Unidade Antropológico-Axiológico - A Dinâmica do Ser Humano no Mundo; A Acção e a Questão dos Valores: A Ação Humana; Os Valores; Multiplicidade dos Campos de Valores; Situações/Problemas do Mundo Contemporâneo: Conflito de Gerações; Responsabilidade Ecológica; Busca de Felicidade; Direitos Humanos; Violência e Agressividade; Manipulação e Mass Media; III - Unidade Histórico-Problemática - A Filosofia no Tempo: O Problema da Filosofia e da sua História; Tradição e Inovação em Filosofia

Pode-se aceitar que se trata de um programa interessante, contudo, dificuldades de vária ordem, nomeadamente: carga horária insuficiente, saídas profissionais excessivamente reduzidas (praticamente, para o ensino e que não abrange todos os licenciados), demasiada tecnocracia; maior importância dada ao saber fazer em detrimento do Saber-ser e Saber-estar, têm contribuído para que a Filosofia em Portugal não ocupe o lugar que por mérito, tradição ancestral e necessidade lhe cabe, de direito e de facto, nas atuais sociedades contemporâneas.

Importa incluir nesta reflexão justamente o que de mais importante sugere a advertência da 2ª. Edição, feita pelo autor do compêndio que se acaba de analisar, destacando-se, a título de reforço da defesa da vitalidade filosófica, a dimensão insubstituível da formação do homem, no início de um novo milénio. Refere A. Ribeiro da Costa: «o corpo da obra encontrarão também os leitores alguns acrescentamentos, tais como, na Introdução, a doutrina relativa à utilidade e relações de Philisophia com as outras sciências, e às condições e elementos da sciência;» (bid.:1)

Depois, mais à frente, sob a epígrafe “Índole e ponto de visa superior da Philosophia”, Ribeiro da Costa, reforça, obviamente, com total autoridade, praticamente, a século e meio do tempo atual, o que se pretende defender na Filosofia, ou seja, a faculdade superior que ela encerra na condução das vidas humanas, e, invocando a necessidade da divisão das ciências, refere a dado passo: «As explicações parciais não satisfazem plenamente; de porquê em porquê o espírito humano vai subsistindo, até chegar à razão última, à unidade ao que se chama synthese. É este ponto de vista superior, esta unidade, esta explicação ou synthese mais geral dos seres, que sempre a philosophia teve por missão achar. Neste sentido, a philosophia, para nos servirmos de uma imagem, é como o espectador que do alto da montanha, abraça com a vista as diversas porções do território, que se estendem até ao horizonte, e sem distinguir a diversidade dos seus produtos e habitantes, vê distinctamente brotar a seus pés as fontes da vida, que animam e vivificam essas diversas regiões.» (Ibid.:3)

Prosseguindo na sua apresentação introdutória, o mesmo autor tenta uma definição de Filosofia, dando, então, a sua posição: «A Philosophia é a sciência que se ocupa de resolver estes três problemas (Quem sou eu? Qual é a minha origem? O porquê da minha existência, ou onde está o meu fim ou o para quê da minha existência); solução que é o ideal a que o homem aspira e do qual se aproxima incessantemente, sem poder jamais chegar à solução completa. Deste modo, a philosophia pode definir-se a sciência que procura expor a natureza, atributos e faculdades das substâncias espirituais, consideradas em si mesmas, e nas suas relações geraes com as outras substâncias.» (Ibid.:7).

Finalmente, conclui a sua introdução, resumindo da seguinte forma: «I. A Philosophia como todas as sciências, provém d’uma inclinação natural que o homem tem de procurar conhecer-se a si e ao que o rodeia; (...) VII. A philosophia é para as outras sciências como o tronco para os ramos da árvore, ou como a vida para os diversos órgãos e funções do organismo humano.» (Ibid,: 12-13).

Bibliografia

COSTA, António Ribeiro da, (1866). Curso Elementar de Philosophia. 2a Edição. Porto: Typographia de António J. S. Teixeira.

 

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=924397914665568&id=462386200866744

 

 

 

Venade/Caminha – Portugal, 2023

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente Vitalício (Não Executivo) do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

site@nalap.org

http://nalap.org/Directoria.aspx

http://nalap.org/Artigos.aspx

diamantino.bartolo@gmail.com

http://diamantinobartolo.blogspot.com

https://www.facebook.com/ermezinda.bartolo

https://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1