domingo, 25 de novembro de 2012

Gerir o Tempo


É, praticamente, um lugar-comum as pessoas dizerem: “Não tenho tempo”, “Quanto tiver tempo eu …”, “Agora estou ocupada/o”, “Vou ver se consigo um tempinho para…”. Sempre a eterna desculpa da “falta de tempo”, quando na verdade o que se deveria dizer é que: “Ainda não consigo gerir o tempo equilibradamente” ou, com toda a humildade, pedir desculpa, quando devido à desorganização reinante, no que respeita à gestão do tempo, não se consegue respeitar os compromissos assumidos.
Com efeito, sabe-se que pelas mais variadíssimas razões e diferentes circunstâncias, o tempo é um bem escasso, que não é suscetível de alterar o seu curso inexorável, porque: “tempo que passa é tempo que não volta”, ele é irreversível, irrepetível e linear, sempre numa sequência lógica de unidades: milénios, séculos, anos, meses, semanas, dias, horas, minutos, segundos. Por isso se atesta, com frequência: “Tempo é Dinheiro”.
Afirmações como: “Recuperar o tempo perdido”, “Ganhar tempo”, “Perder tempo”, “Gerir o tempo”, ouvem-se imensas vezes, e até se tenta executar tal estratégia no sentido de se aproveitar o tempo. Convém notar que a gestão do tempo, em função do que ele representa na vida de cada pessoa, é muito importante e então pode-se dizer que sempre haverá tempo para o que se desejar, certamente que de harmonia com o que se pretende da vida, tendo em conta as prioridades fixadas.
Administrar o tempo é tarefa complexa se não se utilizarem estratégias e metodologias, precisamente depois de se estabelecer prioridades, estas, certamente, em consonância com as exigências da vida moderna e num contexto de imensas solicitações e afazeres, bem como os objetivos que se desejam alcançar, ao longo da existência humana
É sabido que uma incorreta gestão do tempo provoca transtornos e, quantas vezes, graves e irreparáveis prejuízos, não só para quem é responsável por essa má administração do tempo, como também para quem depende, por exemplo, da pontualidade de outra pessoa.
Refletir sobre a inadequada gestão do tempo, no contexto organizacional, seja numa empresa, numa instituição de qualquer outra natureza, família incluída, afigura-se um exercício necessário e pertinente, porém, antes disso, uma breve abordagem sobre a má gestão numa relação entre pessoas.
Na verdade, verifica-se que a má gerência do tempo, pode provocar dificuldades no relacionamento entre duas pessoas que se querem bem, que são amigas de verdade (bom, aqui se realmente há amizade sincera, sempre haverá tempo para dispensar à pessoa que consideramos genuinamente amiga).
Com efeito, se na verdade temos amizade autêntica, se gostamos incondicionalmente de outra pessoa e sabemos que essa mesma pessoa também é nossa amiga, só em muitíssimas poucas circunstâncias é que, transitoriamente, não teremos tempo para estarmos com ela, para a contatarmos, por uma qualquer via. A má gestão do tempo, neste contexto, pode levar à quebra de confiança, à dor, ao sofrimento, ao desgosto, à destruição da amizade da pessoa que sofre esta situação, vinda da parte da/o alegada/o amiga/o.
Muito embora haja a tentação de se chegar atrasado a determinados eventos, presumivelmente porque é “chique”, a verdade é que na maioria das situações o atraso é consequência direta da inadequada gestão do tempo. Esta dificuldade, que muitas pessoas têm, provoca, em determinados âmbitos, desde logo, laborais, grandes prejuízos ao nível, por exemplo, da produtividade.
Sabe-se que: «A perda de produtividade não é o único resultado da falta de pontualidade. As consequências sobre a produtividade de colegas que dependem da pessoa atrasada também devem ser incluídas (…). Devem também ser ponderados outros impactos menos visíveis como: a) as reações negativas de empregados e clientes que esperam (e.g., irritação; menor cooperação; conflitos); b) a imagem de negligência e desrespeito que passa para outros empregados e clientes; c) propagação e incentivo a uma cultura de impontualidade. Alguns outros fazem ainda notar que os atrasos podem ser um dos primeiros passos para outros comportamentos negativos, como o absentismo e a rotatividade.» KOLOWSKY, et al., 1997, in CUNHA, et al., 2010:796).
O incumprimento de diversas obrigações, a ausência, ou a chegada tardia a locais e eventos de vária natureza, porque a gestão do tempo não foi a mais apropriada pode, em certas conjunturas, revelar desconsideração e falta de respeito por quem teve de esperar. O tempo é um recurso natural, cuja boa utilização proporciona a resolução de imensos problemas, (ou agrava situações, quando mal gerido) de resto até se costuma dizer que: “o tempo tudo resolve, tudo cura, que é preciso dar tempo ao tempo”.
Igualmente grave é quando, alegadamente, por falta de tempo, se deixa de conviver com as pessoas que nos querem bem, levando a atitudes que em nada contribuem para o bem-estar e, pelo contrário, por vezes, até prejudicam.
É certo que se vive a um ritmo acelerado, procurando-se fazer várias coisas ao mesmo tempo, assumindo-se compromissos que não se tem a certeza de poderem vir a ser cumpridos, promete-se executar determinadas tarefas, realizar diversos projetos, todavia, como depois nem tudo é feito e cumprido, surge a “tábua de salvação”, abusivamente denominada por: “falta de tempo”. Das duas, uma: ou se assumem compromissos e estes são cumpridos; ou não se deverá comprometer com o que honestamente, e à partida, se sabe ser impossível de concretizar.
Muitas são as teorias para ensinar a gerir o tempo. Ministram-se cursos com tal finalidade. Elaboram-se técnicas de boas-práticas. Há um conjunto muito grande de instrumentos para utilização eficaz do tempo. Compreende-se que seja difícil, de um momento para o outro, corrigir hábitos culturais, porém, compete a cada pessoa saber escolher prioridades, regras, valores e interesses.
A boa gestão do tempo proporciona melhor qualidade de vida, na medida em que facilita a realização do que se deseja. Possibilita melhores relacionamentos pessoais, sociais e profissionais. Ao nível pessoal, que melhor se pode desejar do que uma conversa tranquila, com tempo, com um amigo? Que mais se pode querer do que conviver, direta e presencialmente, com as pessoas de quem se gosta sinceramente, sem ter a violência do cronómetro?
O tempo, bem administrado, vai chegando para tudo o que se considera importante, urgente e necessário. As futilidades também poderão ter o seu tempo, quando os compromissos assumidos estão cumpridos, quando as relações pessoais, especialmente as de amizade, estão satisfeitas, quando as tarefas familiares e profissionais estão realizadas.
O argumento de que não se tem tempo, para com um amigo de verdade, é próprio de quem deseja romper com uma relação pessoal e que pode revelar, também, desprezo e indiferença, para com tal amigo. A má gestão do tempo não deve servir para humilhar ninguém. O tempo, bem gerido, é um dos grandes recursos, a par do capital humano e conduz ao sucesso e à felicidade.

Bibliografia

CUNHA, Miguel Pina et. al., (2010). Manual de Gestão de Pessoas e do Capital Humano. 2ª Edição. Lisboa: Edições Sílabo, Ldª.
 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
 
Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

domingo, 18 de novembro de 2012

A Filosofia Estuda-se?


Um outro problema que nos atormenta, nesta segunda década do século  XXI, tem a ver com a possibilidade, ou não, de se estudar Filosofia? E pelo estudo da Filosofia se chegar a alguma conclusão sobre o que é a Filosofia? Há quem defenda que: «A Filosofia estuda-se como outra matéria qualquer, com algum esforço, algum prazer, alguma disciplina. A organização do estudo é fundamental para que os conhecimentos não apareçam dispersos, desligados uns dos outros e, sobretudo, de nós próprios. Só uma boa organização do estudo permite uma boa compreensão e assimilação do que pretendemos. (...) A Filosofia não tem o monopólio destas ou daquelas ideias, embora exista um modo filosófico de as expressar.» (TAVARES & FERRO, 1983:25)
Tem-se constatado, ao longo de diversas reflexões, quão complexa é a Filosofia, face a outras áreas disciplinares, nomeadamente, com as ciências exatas. De facto, a “máquina humana” é, ainda hoje, um labirinto de incógnitas, pese, embora, o esforço das várias ciências humanas, cada uma com o (s) seu (s) objecto (s) de estudo.
À Filosofia, contudo, não é fácil determinar tal objecto, pois trata-se de: «Uma discussão que já vem de longo tempo entre os filósofos no seu conjunto, e os especialistas das regras da acção humana, quer estes sejam filósofos ou não, mas em nome da moral (religiosa ou não) da política, ou de qualquer Teoria do Comportamento.» (LEGRAND, 1983:176)
Por tudo o que fica analisado, não será difícil aceitar que o filósofo, ao contrário de outros intervenientes no processo humano tem, e terá sempre, o seu trabalho dificultado e inacabado. Sabendo-se, ainda, que os tempos contemporâneos não são nada fáceis, nem favoráveis ao desenvolvimento da Filosofia, pelo menos em Portugal, onde uma certa mentalidade tecnocrata, a vários níveis político-institucionais, procura ignorar este saber tão velho quanto o pensamento humano.
Empresários, políticos, governantes, técnicos e muitos outros sectores da actividade económica do país, olham para os licenciados em Filosofia como os "parentes pobres" da pseudo-intelectualidade salvífica, como uns sonhadores que nada produzem, enfim como desnecessários à sociedade. É contra tal situação que nós, filósofos de todo o mundo, nos devemos indignar e exigir o respeito e o reconhecimento devidos.

Bibliografia
 
LEGRAND, Gerard (Dir.), (1983). Dicionário de Filosofia, Trad. De Armando J. Rodrigues e João Gama, Lisboa, Edições 70.
TAVARES, Manuel; FERRO, Mário, (1983). Guia do Estudante de Filosofia. 4a Ed. Lisboa: Editorial Presença

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

domingo, 11 de novembro de 2012

Justiça, Bússola para a Inclusão


As desigualdades sociais, genericamente consideradas, e nelas se incluindo todas as formas de discriminação, no acesso a bens e serviços públicos, tem sido, ao longo dos séculos, um argumento muito forte para explicar certas situações conflituosas e outras de natureza aparentemente pacíficas, porque se desenvolvem e mantêm no silêncio daqueles que já não são ouvidos pelos responsáveis por muitas destas situações.
A exclusão, qualquer que ela seja, é sempre uma situação deprimente para quem nela se encontra. O processo que pode conduzir a uma certa diminuição deste fenómeno passa pela aplicação de uma justiça retributiva, na distribuição dos rendimentos e da riqueza produzida pela comunidade e/ou a partir da comunidade; passa, também, por uma justiça mais humanizada, na facilitação no acesso e igualdade de oportunidades.
 Como muito bem é sabido, mesmo em tempo de crise, ainda há quem aceda, com facilidade, a certas ocupações, enquanto outros continuam a procurá-las sem conseguirem uma colocação, por mais modesta que seja; justiça, ainda, na avaliação das pessoas, quando no exercício das suas funções profissionais, académicas, sociais, políticas ou outras.
A inclusão plena das pessoas na sociedade é indissociável da aplicação da justiça, porque todo e qualquer indivíduo humano, que seja objeto de injustiças, o que frequentemente resulta é uma certa evolução para a indignação, para atitudes agressivas, violentas, vinganças e perseguições, se não houver uma forma de suster tal progressão, sucessão de práticas que conduzem ao crime, à marginalização, à dificuldade de reintegração na sociedade. Daí à exclusão é, apenas, mais um pequenino ato condenável pela sociedade.
O dever ético-moral e de cidadania consiste, então, na prática de atos justos, de uns para com os outros, das instituições públicas e/ou privadas para com todas as pessoas em geral, sem quaisquer discriminações negativas, aliás, quando se procede ao julgamento de uma pessoa e nele se incluem apenas argumentos negativos, com a intenção premeditada, ou não, de a prejudicar, já se está ao nível da injustiça e, portanto, da exclusão.
A pessoa, em razão de tal apreciação, passa a estar excluída de determinados bens, serviços, liberdades e valores, próprios da sua dignidade, com a consideração que lhe é devida, respeito e solidariedade.
Ora, se a apreciação e consequente decisão fossem justas, provavelmente, as consequências seriam diferentes e no sentido mais favorável e, nestas circunstâncias, talvez não houvesse lugar a nenhuma forma de exclusão.
O conceito de justiça, no sentido da ética kantiana: “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”, parece um bom princípio para cada pessoa aperfeiçoar a sua noção de justiça e agir em conformidade.
Interiorizar este sentimento de justiça, é um projecto que deve começar, o mais cedo possível, na vida das pessoas, e que se vai prolongar por toda a existência, admitindo-se que a justiça, em toda a sua plenitude, não estará acessível ao ser humano, por isso mais uma razão para que sejam feitos todos os esforços para que, pelo menos, não se cometam tantas injustiças, porque se estas forem reduzidas, provavelmente, o número de pessoas excluídas também será reduzido.
Desenvolver um sistema de procedimentos justos em cada cidadão, vai contribuir, a curto prazo, para uma sociedade mais inclusiva. Educar, formar, socializar as pessoas para comportamentos justos, tem de ser um projecto que envolva toda a sociedade em geral e os principais agentes socializadores em particular.
Impõe-se interiorizar no espírito das gerações, a partir da pequena comunidade, até um universo populacional de mais de sete biliões de seres humanos, para as boas práticas de atos justos, em quaisquer situações e circunstâncias, fazendo parte da normalidade e da rotina diárias, naturalmente que é um processo longo, que ocupa a vida inteira de cada indivíduo.
Fomentar-se uma cultura para a “construção de uma nova justiça, não punitiva e igualmente generosa e solidária” (COLETA, 2005:3), sempre que tal for possível e benéfico, conjugadamente com a prática de atos justos e denunciar as arbitrariedades, as discriminações negativas, são comportamentos que ajudam a inclusão das pessoas na sociedade que se pretende, também ela, justa, solidária e inclusiva: uma sociedade de todos, com iguais oportunidades para todos.

Bibliografia

COLETA, António Carlos Dela, (2005). Primeira Cartilha de Neurofisiologia Cerebral e Endócrina, Especialmente para Professores e Pais de Alunos de Escolas do Ensino Fundamental e Médio, Rio Claro, SP – Brasil: Graff Set, Gráfica e Editora.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
 
Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

domingo, 4 de novembro de 2012

A Ética do Poder

 
As solicitações que se colocam a cada pessoa, em todos os contextos em que ela se envolve, são cada vez mais exigentes, pressupõem uma permanente atualização nos domínios em que são necessários ao bom desempenho das tarefas inerentes aos diversos papeis que cada uma é chamada a desempenhar.
E se, por um lado: a relação pessoa-máquina já é difícil, devido à tecnologia cada vez mais sofisticada e multifuncional, obrigando, inclusivamente, a uma formação específica e constantes aperfeiçoamentos, atualizações e especializações; por outro lado, o relacionamento interpessoal torna-se, extremamente, complexo, na medida em que a pessoa humana, para além da componente física, visível e relativamente conhecida, tem uma outra dimensão, inefável, que se pode designar, para uma compreensão simplificada, por psíquica, consciência, espírito ou alma.
A formação da pessoa humana é, portanto, muito exigente, postula uma aprendizagem ao longo da vida e que nunca ficará concluída, no sentido de relacionar-se com os seus pares, de forma exata e infalível, pela simples razão de que não há duas pessoas exatamente iguais. Por enquanto existem dificuldades que são difíceis de superar, desde logo, porque há uma grande diversidade de conceitos sobre uma hierarquia axiológica, a sua importância e necessidade.
Com efeito, cada pessoa tem uma noção diferente sobre determinados valores, que regem a sociedade nas suas múltiplas facetas e estruturas. O elevado grau de subjetividade que persiste, na avaliação de determinados valores, dificulta: por um lado, o relacionamento interpessoal; mas também se pode considerar uma análise positiva, justamente, a partir da diferença de conceitos, que talvez conduza a uma perspetiva, eventualmente, mais adequada à sociedade contemporânea.
O ser humano, aliás, tal como muitos outros animais, busca, ao longo da vida, várias situações, designadamente, aquelas que de alguma forma lhe permitem exercer autoridade, poder, influência sobre os seus semelhantes e, até, sobre os restantes constituintes da natureza.
Mas poder significa, principalmente, liderança, porque só se exerce o poder sobre alguém que, voluntária ou obrigatoriamente, obedece, deixa-se conduzir, aceita as ordens, as sanções, positivas ou negativas. De facto, “quem lidera, pode”.
O poder desenvolve-se, com mais destaque, nas pessoas que, de alguma forma, exercem um cargo, seja de que natureza for que, como é sabido: «O mais conhecido poder de posição é o poder do cargo, outorgado a alguém assim que assume determinadas responsabilidades, numa organização. É o poder instituído, convencionado a um cargo específico, referendado diariamente em todos os atos formais na estrutura organizacional.» (ARAÚJO, 1999:94).
 É indiscutível que, para se exercer o poder, é necessária uma preparação muito específica e rigorosa, de resto, até se pode ter em atenção o que rezam alguns aforismos populares: “Nunca sirvas a quem serviu, nem peças a quem pediu”; “Quem não sabe obedecer, não sabe mandar”, “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Portanto, poder e obediência, ou vice-versa, são situações complementares, e nunca será benéfico que sejam entendidas como adversárias porque, estas sim, conduzem ao conflito.
Na relação interpessoal o poder, ainda que sob a forma tácita, está presente, ou então sob uma qualquer outra dimensão: moral, religiosa, política, técnica, científica, económica, empresarial, profissional, paternal, entre outras. Há sempre uma parte que tem mais poder, evidentemente, num contexto de estatutos sócio-profissional, cultural, ou qualquer outro, porque enquanto pessoas humanas, não poderá haver qualquer superioridade: «Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei» (CRP, Artº 13º, nº 1).
Qualquer líder que se preze de exercer o poder, seja qual for, por exemplo: democrático, político, militar, religioso, empresarial, docente, económico, entre outros, sempre que os seus liderados têm sucesso, numa determina ação, todo o mérito deverá ser atribuído a eles, que devem ser elogiados; todavia, em caso de fracasso, o líder deverá saber tomar a atitude correta, porque: «Assumir a responsabilidade é tomar para si o controlo de determinada situação, comprometendo-se com o seu resultado. É muito saudável e vital para relações que se pretendem produtivas.» (Ibid:100)
O exercício do poder não envolve, apenas, determinadas caraterísticas, tais como liderança democrática, prudência, sabedoria, humildade e sentido de justiça. O poder também exerce influência nos sentimentos, quer do líder e, principalmente, dos liderados, na medida em que: «Os sentimentos e, em especial, o medo interferem muito na relação de poder e no desempenho. Sentimentos de frustração, vitória, incapacidade, confiança, humilhação ou reconhecimento estão profundamente conectados com a disposição de enfrentar obstáculos e desafios.» (Ibid.)
O exercício do poder democrático, em qualquer organização, deve obedecer a uma Ética própria, por forma a, em circunstância alguma, humilhar. É importante assumir uma Ética do poder e para isso é preciso merecer o poder e não conquistá-lo a qualquer preço, porque realmente: «Poder, reconhecimento e respeito se conquistam por merecimento. Não vem de graça. São os comportamentos, as ações do dia-a-dia que demonstram quando somos confiáveis, quando merecemos – de facto – o poder que está nos sendo atribuído.» Ibid:173).
O exercício do poder, com Ética, implica, ainda, a exigência de cada pessoa se conhecer a si própria, saber escutar-se e ouvir atentamente o tribunal da sua consciência. As razões que cada pessoa apresenta para justificar as suas atitudes têm de ser escutadas porque: «Ao escutarmos os outros, descobrimo-nos a nós mesmos como seres singulares, distintos, dotados de ideias próprias e capazes de delimitar fronteiras e espaços de convergência com o outro.» (TORRABLDA, 2010:182).
A tentação do exercício do “poder-pelo-poder” é uma caraterística do ser humano, todavia, é essencial que também haja um esforço de grande humildade, de gratidão para com aquelas pessoas sobre quem se exerce algum tipo de poder, porque lideres e liderados são uma única dimensão do poder: uns não existem sem os outros. O apreço deve ser sempre recíproco.
A estima e consideração mútuas, a gratidão, a solidariedade, a amizade, a lealdade, a cumplicidade e a reciprocidade serão, talvez, os melhores ingredientes para que desta relação, entre líder e liderado, frutifique bons e duradouros frutos, entre as pessoas que, realmente se querem bem, independentemente dos estatutos que tenham na vida.
A amizade sincera e incondicional, quando for possível e desejável pelas partes, deverá ser o núcleo duro das relações entre as pessoas, independentemente dos cargos e situações que detenham na sociedade. Assumida uma amizade pura, entre duas pessoas, tudo o resto decorre com alegria e felicidade, com aceitação da crítica justa, amiga, corretora, sempre no sentido do aperfeiçoamento.

Bibliografia

ARAUJO, Ane (1999). Coach: Um parceiro para o seu sucesso. 6ª Ed. São Paulo: Editora Gente
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA, (2004), Versão de 2004. Porto: Porto Editora.
TORRABLDA, Francesc, (2010). A Arte de Saber Escutar. Trad. António Manuel Venda. Lisboa: Guerra e Paz, Editores S.A. 
 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

domingo, 28 de outubro de 2012

Felicidade Social


A complexidade da sociedade exige, de qualquer cidadão, uma capacidade praticamente ilimitada para se adaptar às inúmeras situações que, não só ao longo da vida, mas também num só dia, se apresentam. O poder de flexibilização de comportamentos, dentro dos limites da dignidade, dos princípios, dos valores e dos sentimentos, será tão necessário como o cumprimento das mais elementares normas sociais, consuetudinárias e jurídicas.
Sobrevier numa sociedade onde diversos ”valores” começam a crescer com muita força: sofisticação, aparência, soberba, domínio, irresponsabilidade, hipocrisia, deslealdade, manipulação, entre muitos outros – faz todo o sentido que as gerações mais velhas se esforcem por compreender as alterações rápidas que tais “valores” implicam no relacionamento uns com os outros, porque: «A predisposição natural para nos relacionarmos, alimenta o motor da sobrevivência, contribui para a vontade de viver e faz parte de um instinto de conservação. A nossa capacidade para criar e manter laços de afeto é inata.» (MARCOS, 2011:57).
O relacionamento interpessoal, digno, verdadeiro, coerente, assertivo e leal, genericamente considerado, é praticamente impossível, admitindo-se, contudo, a sua possibilidade entre pessoas que pautam as suas relações pelo respeito, pela reciprocidade e que entre elas exista um sentimento de sincera e incondicional amizade, que estão sempre ao lado umas das outras, em permanente defesa da honra, da reputação, com solidariedade e mutualidade.
Uma sociedade como a acima descrita poderá parecer uma utopia, pelo menos na sua análise total. O mundo dos humanos e dos restantes seres nunca foi pacífico, nem coerente e muito menos alguma vez foi perfeito, isto é sobejamente conhecido. Mas o que é que tem sido feito para se alterar as situações mais degradantes que têm afetado a pessoa humana.
Claro que há conjunturas que o homem não prevê, e se prevê não evita parte das consequências, quantas vezes, catastróficas para grandes aglomerados populacionais – sismos, vulcões, tsunamis, tempestades, furacões e outros fenómenos devastadores que a Natureza desencadeia, sem “pedir licença” a ninguém.
Mas no que ao homem pertence fazer, o que é que ele tem resolvido para evitar guerras, fome, criminalidade, injustiças, para além de outras misérias como a prostituição, a pedofilia, o tráfico de menores, a droga, a comercialização de armas? Que sociedade é esta que tendo entrado na segunda década do século XXI, parece que caminha para a pobreza extrema, a vários níveis, principalmente axiológicos e materiais?
Os detentores dos vários poderes: político, económico, financeiro, empresarial, mercantilista e religioso que mandam e, alguns dos quais até subjugam o mundo, sem dó nem piedade. A especulação e agiotagem desenfreadas bem como todo um conjunto de práticas inadequadas, vêm conduzindo os povos à mais degradante situação que um ser humano jamais deveria chegar, porque todos têm direito à saúde, ao trabalho, à constituição de família com dignidade, à velhice confortável e respeitável, à tranquilidade e à paz.
É evidente que a responsabilidade poderá ser um pouco de todos, mas é, seguramente, na sua maior parte, dos detentores dos diversos poderes, os quais deveriam ter a sensibilidade social e a formação técnico-científica para resolverem os problemas existentes, e evitar que surjam novas situações prejudiciais ao bem-comum. É, também, uma questão de consciência moral bem formada e de boa vontade. No fundo é um problema de cidadania.
Jamais haverá paz no mundo enquanto não forem repostas as condições mínimas da dignidade humana que, como já foi referido, passam, integralmente, pela manutenção dos mais elementares direitos de sobrevivência da pessoa humana. É injusto e imoral retirar direitos a quem já os tinha e para os quais contribuiu uma vida inteira e muito mais imerecido não alargar tais direitos à totalidade da população.
Na verdade: «Praticar a paz, fazer a paz viver dentro de nós é cultivar ativamente a compreensão, o amor e a compaixão, mesmo em situações de confusão e conflito.» (HANH, 2004:8). Acrescenta-se que tais sentimentos e comportamentos, partindo de uma pessoa e/ou grupo, terão de ser aceites e correspondidos pela outra pessoa e/ou grupo, porque a reciprocidade é fundamental para o sucesso da felicidade humana.
A sociedade atual corre, freneticamente, em busca de tudo (e de nada). Os “valores” do “Ter”, sobrepõem-se aos do “Ser” pessoa verdadeiramente humana. Procura-se o caminho mais curto, mais fácil, sem nenhum obstáculo que impeça a maior velocidade possível para se chegar primeiro ao alvo, não importando os meios, desde que os fins sejam alcançados.
O mundo como que parece que “foge”, que vai acabar amanhã, criando uma mentalidade do “máximo rendimento para o mínimo de esforço”. Mas, apesar de tantas dificuldades, de inúmeras situações de injustiças, da existência de extremos radicalizados, ainda será possível tentar-se, ao longo das gerações, presente e vindouras, alterar, significativamente, o contexto global em que vive a humanidade, proporcionando a todas as pessoas o que de mais elementar elas necessitam: saúde, trabalho, educação/formação, habitação, lazer, segurança na velhice, paz, tranquilidade e felicidade.
Bem se sabe que alguns dos valores agora enunciados são relativamente subjetivos: paz e felicidade podem diferir em função da condição social, política, religiosa, profissional, eventualmente, entre outras. Em todo o caso, é necessário que os responsáveis pelos diversos setores de atividade, avancem com medidas concretas, a bem de objetivos verdadeiramente humanistas.
Ninguém, nenhum grupo, nenhuma comunidade e nenhum país se pode fechar na sua “redoma”, porque a globalização, em quase todos os domínios, é um facto irreversível, portanto, o poder de resiliência de todos em geral e de cada um em particular é fundamental para, paralelamente, se mudar, para melhor, a atual sociedade.
Provavelmente, começar a mudança pela educação/formação será uma estratégia que em poucas décadas contribuirá para alterar mentalidades, práticas e respetivos resultados. Talvez, e para começar, seja pertinente implementar um conceito simples de “Felicidade Social”, seguida das respetivas boas-práticas, delimitando-se, então, este interessante conceito: «Aqui considera-se que todos os seres humanos são iguais, não importado a cor, a etnia, raça, credo, religião, nível social, cultura, poder económico, cargo político, fama, origem, aspeto físico, capacidade ou habilidade. (…). A felicidade social é a expressão máxima na saúde relacional social, pois eleva-se acima das restantes felicidades. Tolerância, solidariedade, compaixão, sabedoria e não-violência fazem parte da felicidade social.» (TIBA, 2002:72)
É evidente que neste período conturbado da História da Humanidade se torna, para já, muito difícil, interiorizar este conceito de “Felicidade Social”, e ainda mais complexo implementar e exercitar, cada pessoa em particular e a sociedade em geral, para as práticas necessárias em ordem a viver-se com “Felicidade Social”, porém, esta felicidade, há que o reconhecer, também inclui outros tipos como as felicidades: egoísta, familiar, comunitária, igualmente, entre outras possíveis.
Independentemente do tipo de sociedade em que se deseje viver, dos seus conteúdos, dos seus valores, práticas e objetivos, há dimensões da pessoa humana que são essenciais para uma sociedade moderna, justa e feliz.
Há princípios, valores e sentimentos que não podem ser ignorados, sob pena de a pessoa se transformar num animal qualquer, ou num simples objeto que, depois de utilizado, se atira para o lixo ou, na melhor das hipóteses, faz-se a sua “reciclagem”.
Deve-se, portanto, caminhar para uma sociedade de regras, de princípios, de valores, de sentimentos, numa perspectiva altruísta, em que o bem seja praticado, reconhecido e retribuído, sempre com mais e melhor qualidade e rigor, numa sociedade governada por pessoas sensíveis à dignidade humana, bem-formadas, ética e moralmente, com experiência, em suma, pessoas sábias e humildes, porque assim se chegará à “Felicidade Social”.

Bibliografia

HANH, Thich Nhat, (2004). Criar a Verdadeira Paz. Cascais : Pergaminho
MARCOS, Luís Rojas, (2011). Superar a Adversidade, O Poder da Resiliência. Trad. Maria Mateus. Lisboa: Grupo Planeta.
TIBA, Içami, (2003). Quem Ama, Educa! Lisboa: Pergaminho.
 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

domingo, 21 de outubro de 2012

Gestão do Capital Humano


A estruturação da sociedade envolve várias vertentes e, em todas elas, a componente humana vai estando presente, seja de forma direta e/ou indireta. Não é despiciendo considerar que a pessoa humana, verdadeiramente assumida e considerada como tal, é o motor de toda a organização societária, na medida em que sem a sua intervenção, possivelmente, apenas a natureza, respeitando os seus ciclos, cumpriria as respetivas funções e o mundo não teria evoluído até ao ponto em que hoje é conhecido, com todas as suas grandezas e misérias que, afinal, constituem os dois extremos, partir dos quais se procura, incessantemente, o equilíbrio que se deseja cada vez mais estável.
A intervenção humana, praticamente em todas as áreas que lhe são conhecidas ou sob investigação, tem sido notável, para o bem e para o mal, todavia, e pelo menos, verifica-se que ao longo dos milénios tem havido uma evolução cada vez mais acelerada, de tal forma que, atualmente, é impossível acompanhar-se, em simultâneo, o avanço da ciência e da técnica. O ser humano, seguramente, está dotado de capacidades que ele próprio, também e ainda desconhece, bem como a diversidade de situações em que é capaz de intervir e que é incomensurável.
Mas se organizar e gerir certas conjunturas lhe está relativamente acessível e até consegue, com mais ou menos sucesso, nomeadamente, a modificação de parte da natureza, outro tanto não conquista, em pleno, quando a intervenção tem por objeto as pessoas, seja qual for o contexto em que estas se encontrem: familiar, social, político, religioso, económico, empresarial, porque não é possível a experimentação absoluta, das pessoas, em laboratório, e muito mais difícil estabelecer leis científicas e universais para certos comportamentos humanos.
A sociedade, através dos seus atores e dos instrumentos que são adequados às mais diversas situações, naturalmente, que se vai organizando com a busca ininterrupta dos equilíbrios necessários, a fim de ser possível chegar-se ao bem-comum, à paz e à felicidade. Por isso a elaboração, a aplicação e controlo de regras, em todos os domínios, é essencial. Gerir pessoas é uma ciência e uma arte que não estão acessíveis a qualquer cidadão, independentemente da sua vontade e recursos disponíveis. Ninguém ignora que o capital humano, em qualquer organização: da família à empresa, passando pela sociedade na sua imensa diversidade, é o bem mais valioso que existe no mundo.
A sociedade de hoje está organizada em múltiplos e complementares setores de atividade, logo, nesse sentido, toda a pessoa tem capacidades para dar o seu melhor, num determinado contexto de intervenção: «As capacidades das pessoas são geralmente consideradas no âmbito das suas funções, havendo pouco conhecimento daquilo que um indivíduo é capaz de fazer fora do seu departamento ou seção. Assim se desperdiçam competências disseminadas pela organização, se desmotivam as pessoas, se perdem oportunidades de negócio e se desperdiça potencial competitivo.» (CUNHA, et. al., 2010:64)
O que se aplica às empresas públicas e privadas, pode-se, muito bem, adotar para a sociedade em geral, obviamente, com as devidas adaptações, na medida em que esta é composta, precisamente, por indivíduos, inseridos numa qualquer instituição ou, provisoriamente, num determinado contexto ou, ainda, numa situação específica, porém, sempre dotado de capacidades diversas, evidentemente enquanto detentor das respetivas faculdades, conhecimentos e práticas. Por isso, todas as pessoas são necessárias e valiosas.
E se ao responsável de uma determinada instituição, de uma específica natureza e com funções e objetivos bem determinados, se lhe pede que saiba gerir e valorizar os seus recursos humanos, idêntica exigência se deve colocar aos poderes político-institucionais, no sentido de não só prepararem pela educação e formação os seus cidadãos, como também proporcionar-lhes as melhores condições de vida, para estes poderem intervir equilibradamente na sociedade, em ordem ao bem-comum. Os governos não podem desperdiçar o seu capital humano e, muito pior, exportá-lo como se de uma mercadoria qualquer se tratasse.
Educar e formar uma pessoa, nas suas diversas dimensões, é uma tarefa que envolve meios complexos e avultados, qualitativa e quantitativamente considerados. Preparar a pessoa, verdadeiramente humana, para intervir em várias frentes: família, sociedade, profissão, instituições culturais, religiosas e de lazer, com sentido responsável e cívico, implica, por sua vez, um conjunto de recursos materiais e humanos que devem ser disponibilizados pelo Estado de Direito Democrático e também com grande envolvimento das próprias pessoas.
Pese embora um conjunto de grandes dificuldades que atravessa todas as sociedades de diferentes naturezas: familiar, económica, laboral política e axiológica, a verdade é que a gestão das capacidades positivas, individual e/ou grupalmente consideradas, não estarão a ser usufruídas, optando-se, provavelmente, (mal) por se ignorar estes fatores de desenvolvimento do país, apelando-se à saída da pátria ou então a enviá-las para uma existência de ócio e inutilidade social, o que até constitui uma grande ofensa a quem deseja colaborar na reconstrução da sociedade.
O desperdício que resulta da inatividade dos cidadãos e do conformismo perante a adversidade constituem, por si sós, uma perigosa descrença quanto à possibilidade que realmente existe de um futuro melhor. O exercício de valores, atualmente tão esquecidos, ajuda a vencer as dificuldades em que o mundo se encontra. É fundamental acreditar-se de que se pode vencer, com estudo, trabalho, poupança, investimento e boas-práticas cívicas.
Na verdade, e a título de estímulo, pode-se afirmar, sem vergonha que: «A sociedade entendida como sentimento de fraternidade, de adesão, de fidelidade e de compreensão que nos impele a cuidar, apoiar, animar mutuamente, é uma força natural que incute confiança, segurança, esperança e fomenta uma perspetiva mais comunitária do mundo, menos individualista.» (MARCOS, 2011:122)
A gestão do capital humano, seja em que âmbito for, não pode visar, exclusivamente, resultados materiais quantificáveis numa determinada unidade monetária mas, paralelamente, haver uma forte preocupação pela realização pessoal de cada pessoa, pelo seu bem-estar familiar, profissional, económico, social e por uma interiorização do valor espiritual que cada uma transporte consigo mesma, enfim, por uma convicção bem consolidada da importância e insubstituabilidade de cada ser humano. Princípios e valores, não se negoceiam. A felicidade não se mede, sente-se, vive-se e transmite-se solidariamente.
Atualmente, segunda década do século XXI, não poderá haver mais lugar para a desordem, para o divisionismo do capital humano, que é o mesmo que dizer, colocar pessoas contra pessoas, porque os resultados familiares, sociais, políticos, económicos, religiosos e empresariais são, seguramente, desastrosos e, eventualmente, definitivos, deixando feridas insanáveis que jamais deixarão de sangrar e doer.
Uma boa gestão do capital humano, em todos os contextos da intervenção da pessoa, passa pela conjugação de todas as sinergias, pela educação e formação, por objetivos bem claros e, previamente, definidos, sempre reiterados, no caminho que conduz à realização suprema de cada pessoa em particular e da sociedade global em geral. Numa sociedade que, maioritariamente, busca o gozo dos mais elevados valores, gerir este valiosíssimo património humano é fundamental, para que, pelo menos, as próximas gerações tenham uma vida digna.
Superintender este capital humano deve conduzir, entre outros, a valores universais que conduzam à paz e à felicidade. Mas governar este capital passa, em primeiro lugar, por cada pessoa, porque tem de ser ela a gerir-se a si própria, obviamente com as regras societárias que estão estabelecidas e sevem aqueles valores, a outros que enaltecem a dignidade humana, seria demasiado irresponsável exigir aos outros o que em primeira instância pertence ao próprio, ou seja, cada pessoa deverá ser bom exemplo para outra e assim sucessivamente.
A interiorização de valores altruístas e a sua prática começa por ser da livre vontade de cada pessoa de bem, porque: «Se nós transformarmos a nossa consciência individual começaremos o processo de mudança da consciência coletiva. Transformar a consciência do mundo não é possível sem a mudança pessoal. O coletivo é feito de indivíduos, o indivíduo é feito do coletivo, e todo e cada indivíduo tem um efeito direto na consciência coletiva.» (HANH, 2004:60)

Bibliografia

CUNHA, Miguel Pina e, et. al., (2010). Manual de Gestão de Pessoas e do Capital Humano. 2ª Edição. Lisboa: Edições Sílabo, Ldª.
HANH, Thich Nhat, (2004). Criar a Verdadeira Paz. Cascais : Pergaminho
MARCOS, Luís Rojas, (2011). Superar a Adversidade, O Poder da Resiliência. Trad. Maria Mateus. Lisboa: Grupo Planeta.
 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

domingo, 14 de outubro de 2012

Docência com Espírito Apostólico


Exercer a docência com espírito apostólico começa a ser um imperativo intransponível na formação de uma sociedade de valores, que se torna indispensável num mundo em permanente evolução técnico-belicista, pese embora os esforços de alguns responsáveis mundiais e pessoas anónimas para contrariar este surto de violências físicas, psicológicas, egocêntricas, económicas e étnico-culturais, sobre pessoas, populações, nações e continentes.
A luta contra os valores irracionais que imperam um pouco por todo o mundo deve ser reforçada, não pela força das armas, sim pela coerência e justeza dos argumentos, através do diálogo sincero e frontal, pela harmonia das posições moderadas, pela compreensão das opiniões diferentes, quando razoáveis, lógicas e sensatas, pela tolerância com que devem ser interpretadas atitudes menos corretas e, finalmente, pela cooperação entre os povos.
É neste quadro que ganha realce o papel do professor-formador, quaisquer que sejam as origens, estatutos e escalões etários dos seus alunos-formandos que, num futuro próximo, serão os cidadãos do mundo moderno e complexo que se avizinha. Ser professor-formador, para preparar estes futuros cidadãos do mundo, não vai ser tarefa fácil, nem ao alcance de todos os atuais docentes.
 Neste século que se iniciou há mais de uma década, não serão suficientes os conhecimentos científicos e as mais avançadas tecnologias, porque: “Na perspectiva da função missionária da educação, salienta-se a urgência de um projecto educativo que implique princípios filosóficos, um sistema de valores a promover e a defender, objectivos gerais, um perfil de aluno e opções pedagógicas. Nesta lógica de ideias, ser professor, hoje, implica ter amor pelos alunos, agir com carinho e autoridade, ser competente e saber trabalhar em equipa.” (REIMÃO, 2005:230).
Construir este magnífico e transcendente edifício, denominado Cidadão do Mundo, não é a mesma coisa que fabricar bombas atómicas, elaborar teorias que poucos entendem, muitos ignoram e ninguém beneficia ou, ainda, desenvolver estratégias globais que apenas aproveitam a poderosos grupos favorecidos e, finalmente, muito menos, idealizar, aprovar e executar leis que privilegiam grupos minoritários, mesmo que, democraticamente eleitos pela maioria, em prejuízo dos mais necessitados.
As transformações sociais mais profundas e justas passam, inexoravelmente, pela construção de um novo cidadão do mundo. Este cidadão-paradigma deve ser formado em permanência, isto é, desde o dia em que nasce até ao dia em que morrer, enquanto pessoa e ser humano único, irrepetível e infalsificável. Vários são os técnicos e agentes chamados para darem o seu contributo nesta magnânima construção: família, Igreja/Religião, empresas, comunidade de vizinhos e sociedade, entre outros.

 
Bibliografia

 
REIMÃO, C. (2005). Ética da Profissão Docente, 10ªs Jornadas Psicopedagógicas de Gaia. Resumo das Intervenções sobre o tema: “Deontologia e Desempenho Profissional”, in Psicologia, Educação e Cultura. Carvalhos: Colégio Internato dos Carvalhos. Vol. X, (1), Maio-2006, pp. 229-236
 
 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
 
Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)