domingo, 29 de setembro de 2019

Natureza e Ciência. Conceitos nas Gerações de Avis


O último quartel do século XIV marca, indelevelmente, a História de Portugal, como sendo o marco histórico-temporal da expansão portuguesa, à qual ficou intrinsecamente associada a geração de Avis. Na verdade, inicia-se um dos maiores feitos dos portugueses, consumado nos Descobrimentos, cuja empresa esteve na origem de profundas alterações económicas, políticas, sociais e culturais, verificando-se que os reflexos se fizeram sentir, posteriormente, por alguns séculos.
Várias são as críticas sobre os Descobrimentos Portugueses e, desde já, pode-se dizer que foram o elemento mais importante para caracterizar o Renascimento Português. Poderá significar tal empresa uma aventura civilizacional, uma empresa coletiva, que marcou o destino nacional, movimentação de pessoas, um voltar-se para o mar, contactos com civilizações diferentes, aquisição de novos conhecimentos e uma nova e mais alargada visão do homem. A renovação e a descoberta de novas técnicas, correção de conhecimentos antigos. O desenvolvimento da Ciência e da Experiência são factos inegáveis. Confirma-se que:
a) Quanto à Ciência – A matemática, como ciência, com a matematização do real, introdução do algarismo árabe, racionalização da experiência. Inicia-se a pré-história da experiência científica. À experimentação alia-se e acentua-se a Razão. A autoridade dos conhecimentos antigos era contestada e as correções e atualizações eram introduzidas.
Embora a nível filosófico se continuasse o aristotelismo, numa visão qualitativa do universo, a mentalidade portuguesa está marcada pelo saber do mar e, como tal, a experiência é valorizada, ela é a “Madre de todas as coisas”. O conhecimento é fundamentado epistemologicamente na experiência concreta, e esta constitui um novo critério de verdade e certeza.
O homem é uma “Tábua Rasa” que recebe as novas experiências, mas não as elabora. Vive-se uma época de ambiguidade, com o despontar de uma nova mentalidade quantitativa.
Antropologicamente, a descoberta de civilizações diferentes, do outro civilizacional, perspetivam um espírito inovador, embora o mesmo não se venha a verificar, porque o heterocentrismo acentua a civilização europeia, e tudo o que é diferente, é desvalorizado, importando impor a civilização ocidental aos outros povos, numa mentalidade tipicamente medieval, com base na fé cristã.
O conhecimento é igual à visão. Não se ultrapassa o nível meramente empírico, não obstante a grande abertura provocada pelos Descobrimentos. O conceito de ciência, nesta época, é algo de racional e empírico, consiste numa dialética entre os conhecimentos antigos e os modernos, embora prevalecendo, ainda, a visão qualitativa, teocêntrica e dogmática, própria da escolástica, embora com profundo espírito de abertura aos novos conceitos.
b) Quanto à Natureza – É vista numa época racional, e como elemento fundamental para o saber humano, desde logo a partir do mar, cujos conhecimentos dele extraídos eram integrados no sistema qualitativo já existente, num plano de fundo medieval.
A noção de natureza consistia nos conhecimentos qualitativos. A experiência da natureza é um conceito-chave. Visão sintética que delimitava o conceito de natureza em dois elementos: O Cristianismo e a Bíblia e os autores antigos, sobretudo Aristóteles. Visão racional, hierarquizada, criada por Deus, dotada de sentido, que se dirigia de volta ao Criador, porque a Natureza é uma criação de Deus.
O conceito de Natureza, a nível particular, aparece, também, ligado ao sentido de uma região, ao mar, à fauna. É o ordenamento de todo o fenómeno, com vários significados: poder criador e estruturado de toda a realidade, das capacidades do homem, e ordem de movimento de todos os corpos. É uma espécie de organismo universal, “mãe de todas as coisas” e do “Homem”. É como que uma ponte entre a Ciência e a Filosofia, na qual Deus estabelece a medida entre o Homem e a Natureza.
Nesta Filosofia da Natureza os elementos aristotélicos e franciscanos estão ligados ao empirismo. A experiência-visão são as fontes de relação do ser qualitativo e ainda não quantitativo. O conhecimento é uma harmonização com o real. O conhecimento que antes era coletivo, de construção de grandes sistemas, transmitidos com autoridade é, agora, individual, a partir de vivências fundadas nos sentidos, imediatas, quantitativo. Os antigos já não são um dogma.

Bibliografia

ARRIAGA, José de, (1980). “A Filosofia Portuguesa 1720-1820”, in: História da Revolução Portuguesa de 1820, Coleção Filosofia e Ensaios, Lisboa: Guimarães Editores.
PRAÇA, J. J. Lopes, (1988). História da Filosofia Em Portugal. 3ª Edição. Lisboa: Guimarães Editores.

Venade/Caminha – Portugal, 2019

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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DOCTOR HONORIS CAUSA EN LITERATURA” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos.


sábado, 21 de setembro de 2019

Ser e Verdade

O Essente (essência) como ponto de partida do objeto da Ontologia, é o Ser que, não abrangendo o absoluto, permite, contudo, uma primeira reflexão filosófica que, evoluindo por várias vias, atinge, inevitavelmente, o Ser Absoluto e Supremo, no qual se consubstancializam os valores universais de unidade, verdade e bondade.
A Ontologia é, portanto, a ciência do Ser enquanto Ser, isto é, do Essente enquanto Ser, logo, excluindo o absoluto. O Ser está implicado em tudo, invade tudo e, como tal, está no Essente, embora este não permaneça no Ser Absoluto porque, de contrário, deixaria de ser Essente.
O Homem é um Essente, diferente de todos os outros Essentes, ou até mesmo um Ser em Potência, a caminho da absolutização, principalmente no que se refere à sua parte espiritual. Não pode o homem aceitar incluir-se, apenas, no mundo animal, pelo facto de apresentar uma bioestrutura orgânica, com movimentos próprios e específicos e, por razões diferentes, não pode, agora, aspirar à perfeição do seu Criador.
Entre os dois extremos desta verticalidade ontológica, digamos que o homem tenta situar-se na compreensão do mistério do Ser, saber o que é Ser e como o Ser se espelha nos essentes. A sua posição é, assim, como que a de uma ponte, entre a Natureza e a Divindade. Portanto, se o homem não é Ser absoluto, mas é mais do que Essente, então o homem é Ser como tal, tomado onticamente.
O Ser Absoluto, é aquele que possuindo a verdade ontológica, tem consciência da sua presença, e conhece da existência e essência de todos os essentes, porque enquanto alguns destes apenas conhecem a verdade lógica, aquele conhece a verdade em toda a sua extensão, eles identificam-se com a verdade, ela é a verdade.
O Ser mesmo em si, possui a verdade projetiva, porque ela projeta-se na criação, como um artista projeta a sua verdade, o seu objeto, realizando-se, também e primeiro, o Ser mesmo a realizou. Mas o Ser mesmo, por outro lado, transparece no juízo pois ele é condição da sua possibilidade. O juízo é o característico ato de pensar humano, logo o Ser revela-se no homem, ele é o laço unitivo sujeito-predicado, expresso pelo verbo “ser”.
O Ser Absoluto é revelado na síntese do juízo, porque o Ser que se cause para que possa ser pensado, não é um ser lógico, um ser real, mas também, e principalmente, um ser absoluto, porque é válido para qualquer ser cognoscente, de uma maneira absoluta, é uma síntese absoluta, carácter absoluto de verdade e, ainda que relativize a verdade, é uma relatividade absoluta.
A Verdade, numa concepção tradicional, só se entende como uma coincidência entre a faculdade pensante e a coisa em si, a mente. Numa posição teórico-académica, pode-se distinguir várias modalidades de verdade, designadamente: a verdade projetiva ou constitutiva, quando não pressupõe nenhum objeto dado, pelo contrário, quando o pressupõe, então diz-se objetiva ou apreensiva e ainda, neste caso, poderá apresentar três formas distintas: a verdade lógica, que está na mente enquanto relacionada com o objeto, será o intelecto em ato; a verdade ôntica, se apenas está na coisa e é susceptível de se tornar acessível à mente, isto é, de ser inteligível; finalmente, a verdade ontológica, se está, simultaneamente, na mente e na coisa, coincidindo o inteligível em ato com o intelecto em ato.
Em última análise, a verdade implica sempre uma relação de conformidade, entre a inteligência e o ser. Naturalmente que a verdade mais perfeita, mais incontestada, reside na união esplendorosa da mente e da coisa, é a verdade ontológica.
O Ser mesmo, é verdade porque aquilo que se opõe à verdade do ser mesmo, seria opaco, e a verdade é transparência absoluta, verdade ontológica, plena. O Essente também é verdade ontológica, porque se o Essente só é enquanto nele transparece o Ser, e o Ser é verdade, então o Essente é verdade em si, e é verdade ontológica no sentido análogo.
A humanidade caminha, inexoravelmente, para a Verdade, muito embora julgue poder encontrar verdades na satisfação das mais humilhantes futilidades. Pensa-se na “verdade do luxo”, na “verdade da ostentação”, na “verdade da gula”, na “verdade da vingança”, na “verdade pecuniária”, na “verdade da técnica instrumental”, na “verdade material”.
Estes conceitos patológicos de verdade, que afetam a moderna civilização é, no fundo, a “verdade” da escravidão, do vício, da perversão, da deslealdade, da falta de solidariedade, da ausência da reciprocidade, da ingratidão, da desumanização.
Esta, ou estas, são em concreto as nossas verdades, pelas quais nos digladiamos e, até nos matamos. Este é o ser verdadeiro idolatrado pelas multidões, embriagadas pela ganância material. A verdade está, finalmente, na luta pelo poder, pelo domínio dos homens por outros homens, pelo esmagamento de tudo e de todos os que estorvam os nossos pérfidos desígnios.
Eis a verdade da falsidade, que um pouco por toda a parte se vai defendendo, como valor fundamental do êxito pessoal, profissional, social, político, económico e, até, veja-se bem, da cultura. Vale tudo para sermos importantes, notados, solicitados e dominadores. Viva o “Salve-se-quem-puder”.
Mas a verdade é coisa bem diferente, como bem diferente desta humanidade alienada é o Ser que lhe deu origem. Verdade e Ser são, antes de mais, duas dimensões éticas, profundamente imbricadas, e cuja ação humana jamais destruirá, por mais técnicas que invente e utilize.
O Ser é Verdade, porque Ele assim o disse. A Verdade é o Ser, porque ela é transparente, clarividente, infalsificável e plena de absolutização. Quer isto dizer que, por um raciocínio lógico, o homem pode, ainda, inverter a sua marcha de forma a encontrar o trilho que conduz à verdade, bastando que para tanto tenha bem acesa a chama interior da fé.
Sim, porque a fé é uma verdade que move multidões, porque a fé no sobrenatural é-nos revelada no quotidiano, porque a fé no Algo infinito e Misterioso nos incute respeito e temor e, por que não, nos subjuga perante a grandeza catastrófica dos fenómenos naturais e espirituais, por mais explicações científicas e técnicas que se lhes queiram dar.
Ser e Verdade são, portanto, como que a essência indestrutível do misterioso, do indecifrável, do divino, do infinito. Não significa isto, porém, que em cada homem não exista um ser pleno de verdade, mas pelo contrário, é no homem que devemos encontrar a imagem verdadeira transmitida por Ele, pelo Ser Supremo Absoluto. É no homem que a figura do “demiurgo” (Artífice ou criador, divindade responsável pela criação do universo físico) se materializa em tudo o que de verdadeiro se concretiza.
Ser e Verdade, Deus e Homem, são os binómios que jamais se poderão dissociar, de contrário correr-se-á o risco da total destruição. Poderá parecer que esta reflexão esteja influenciada pela verdade agostiniana, todavia, afigura-se mais correto afirmar-se que a verdade defendida se prende com a carência cada vez mais sentida da implementação dos valores fundamentais, a principiar pelos valores religiosos cristãos, porque, afinal, o homem para além de “homos philosophicos” é, também, “homo religious”.
Poderemos estar em condições para, face às convicções filosóficas de muitas pessoas, à profundidade da fé, ao espirito abnegado mas firme que se incute nos atos praticados, e ao repúdio que as atitudes extremistas sempre suscitam, se afirmar que a Verdade é a totalidade do Ser, que se encontra numa conduta reta, justa e favorável ao bem comum da humanidade.
Poder-se-á ser apelidado de utópico, sonhador, de irrealista mas, na verdade, quando com ela se é confrontado, através dos mais horrendos crimes, tais como: a guerra, a pedofilia, as violações dos direitos fundamentais de toda e qualquer pessoa, é impossível não se pensar que nos encontramos num mundo de falsidades, num mundo do “não-ser”, porque a Verdade que nos foi legada é totalmente diferente, é oposta à verdade apregoada pelos vendilhões de “valores e bem-estar”.
Seguramente que se deve procurar não se ser cético e, com otimismo, admitir que existe a Verdade, não a verdade matemática do tipo: ”dois mais dois, são quatro”, mas a verdade do que cada um pensa e manifesta pelas palavras, pelos seus atos, para que considere estar perante a verdade, pelo menos, perante a “sua verdade”.


Venade/Caminha – Portugal, 2019

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Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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domingo, 15 de setembro de 2019

O Poder Cognitivo

Na vida do ser humano, praticamente, tudo se adquire, tudo se perde, ao longo de toda uma existência física. As sucessivas aquisições iniciam-se bem cedo na vida de cada pessoa: andar, falar, integrar-se, desenvolver-se física, espiritual e intelectualmente. Também a partir de uma determinada fase da existência da pessoa humana, na velhice, se vai perdendo, tudo o que se obteve, incluindo a própria vida.
A capacidade aquisitiva do intelecto, bem cedo começa a encontrar dificuldades, concretamente ao nível da memorização, ainda que, relativamente compensado pela faculdade da compreensão, com o resultado da experiência.
A fórmula é das mais simples: tudo o que nasce morre. Apesar de disso, há algumas aquisições que, de facto, só a doença e a morte (absoluta ou relativa) retiram ao homem.
Pode-se perder o emprego, os bens, os amigos, a família, a liberdade, qualquer que esta seja, mas o poder do conhecimento, esse, efetivamente, só algumas doenças e a morte é que o destrói.
Conhecer, em abstrato, com subjetividade, e em concreto, objetivamente, uma determinada área, domínio ou parcela da realidade é uma forma de “Poder”, para o bem e para o mal: “Conhecer é Poder”.
A influência de cada agente socializador é diferente, sendo difícil avaliar qual o mais decisivo: qualitativa e quantitativamente, reconhecendo-se, porém, a Escola, através do sistema educativo, como fundamental para o exercício do poder intelectual e de realização concreta de projetos de vida real.
O conhecimento teórico aliado à prática, e/ou vice-versa, são os carris por onde circulará o comboio da vida, ainda que parcial, para o sucesso e para o bem-comum da humanidade.
Teoria e prática, bem utilizadas, sem preconceitos de uma ou de outra, devem coexistir no homem de poder, de contrário, não haverá poder, ou, então, este não é reconhecido pelos outros.
É, também, no poder cognitivo da pessoa humana que reside a sua supremacia.

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domingo, 8 de setembro de 2019

Gestão e Liderança Humanizada das Pessoas


Há um recurso natural, valiosíssimo, o mais importante, o mais complexo, também em extinção em muitos países do mundo. Um recurso que, paradoxalmente, é consumidor de todos os outros recursos naturais, destruidor de importantes recursos e também proporcionador de novos recursos, na busca de um equilíbrio natural que parece querer fugir-lhe.
Destaca-se no contexto de todos os recursos, naturais e/ou artificiais, o recurso humano – a pessoa. Esta, a pessoa humana, profissional, social, política, religiosa, técnica, científica, polivalente, constitui o recurso mais valioso que existe neste planeta, aliás, sem este recurso, todos os outros não teriam qualquer utilidade para a humanidade, embora alguns deles, a tivessem para o restante reino animal. O mundo jamais seria como é sem o recurso humano.
Gerir pessoas implica, desde logo, saber gerir-se a si próprio, é um pouco como governar uma instituição, um país, porque quem não sabe governar a sua vida, como vai fazê-lo em relação à vida dos seus semelhantes? (Cabe aqui um espaço para se refletir acerca dos critérios utilizados para a escolha dos políticos, governantes, gestores e para atividades similares).
A pessoa humana, na sua dignidade, é insuscetível de programação prévia, de automação técnica, de substituição parcial orgânica. Além disso, pressupõe uma relação com o gestor que obedece a regras específicas e extremamente complexas, não só no local do trabalho, mas desejavelmente, em todas as circunstâncias.
O gestor, dirigente ou superior hierárquico, não pode utilizar este recurso através de um qualquer manual de instruções, embora se possa aceitar, como um equivalente a este, um conjunto muito vasto de procedimentos permanentes, em diversos contextos: no trabalho e em todas as restantes situações que envolvem o ser humano, cada um dos quais objeto de um tratamento adequado, porém, sempre com boas-práticas de relacionamento humano.
Como em muitos outros domínios da atividade humana, é essencial uma boa preparação em relações humanas, assente numa comunicação, tanto quanto possível, assertiva e o exercício permanente de boas-práticas de convivência com os seus semelhantes, enquanto pessoas com dignidade idêntica.
Nenhum gestor, líder ou colega tem o direito de humilhar, desrespeitar, desvalorizar e/ou desconsiderar a pessoa com quem tem de se relacionar, enquanto integrados no mesmo grupo de trabalho, bem como em quaisquer outras circunstâncias.
Gerir e/ou liderar recursos humanos, envolve grande empenhamento, por parte do responsável a quem cabe esta função, no sentido de se esforçar permanentemente para, até por antecipação, detetar e resolver situações próprias da condição humana que, de alguma forma, afetam o trabalho e o relacionamento das pessoas sob as ordens do líder.
Uma outra característica, indispensável ao gestor e/ou líder, situa-se ao nível do seu relacionamento intercomunicacional com o grupo, seja o grupo de trabalhadores da empresa, consumidores, fornecedores e quaisquer outras entidades públicas e privadas.
A comunicação humana é uma prerrogativa única em todo o universo animal, porque de facto, o homem tem vindo a construir o seu próprio sistema de comunicação, criando-o, melhorando-o e atualizando-o, enfim, dinamizando-o, ao contrário de todos os outros indivíduos existentes no mundo que, no essencial, mantêm o mesmo processo e procedimentos para se comunicarem.
O gestor e/ou líder necessita, então, de uma boa equipa de colaboradores, nos quais não só possa confiar, como delegar muitas das tarefas. A equipa, todavia, desenvolverá tanto melhor o seu trabalho quanto mais motivada estiver e esclarecida com simplicidade, rigor e verdade, sobre os objetivos a atingir e previamente informada, de que no final será avaliada no seu todo e, se oportuno e justo, cada elemento, individualmente considerado.
O gestor e/ou líder, antes de se preocupar com o seu sucesso, protagonismo e ganhos materiais próprios, tem de vencer todo um processo de aprendizagem, de relacionamento, de cooperação, de tolerância, de solidariedade e de humildade para melhorar a colaboração dos seus colaboradores.

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domingo, 1 de setembro de 2019

Gestão e Liderança - Atividade de Expectativas


O exercício da atividade de gestão e/ou de liderança é tanto mais difícil quanto o aumento da preocupação com a satisfação dos interesses subjacentes, e a administração dos recursos disponíveis, desde logo, a componente humana. Gerir e/ou liderar implica ter projetos, dispor de meios, criar expectativas quanto aos resultados a obter e a atingir ou mesmo ultrapassar tais previsões.
Criar, alimentar e realizar as expectativas, não só divulgadas como também as que são geradas em cada colaborador da instituição, é sempre uma atividade de grande risco, e tanto mais grave quanto a diversidade e complexidade humana, porque: por mais bem elaborados que sejam os projetos; por mais abundantes e sofisticados que sejam os recursos; por mais alegadamente comprovadas que sejam as teorias e respetivas aplicações práticas, a variante humana é muito imprevisível quanto ao seu comportamento ao longo do projeto.
O gestor e/ou o líder necessita, então, de uma boa equipa de colaboradores, nos quais não só possa confiar, como delegar muitas das tarefas. A equipa, todavia, desenvolverá tanto melhor o seu trabalho quanto mais motivada estiver esclarecida com simplicidade, rigor e verdade, sobre os objetivos a atingir e previamente informada, de que no final será avaliada no seu todo e, se oportuno e justo, cada elemento, individualmente considerado.
Quando o gestor e/ou o líder cria expectativas nos seus colaboradores, ele deve conhecer, no mínimo, os instrumentos que fundam a respetiva teoria da expectativa, que pretende incutir e aplicar na sua equipa, partindo da posição de que: «Trata-se de uma teoria cognitiva, segundo a qual cada pessoa, funciona como um decisor racional na questão da quantidade de esforço que despende na situação de trabalho a fim de obter as recompensas adequadas. Por outras palavras, esta teoria defende que o impulso para agir de uma determinada maneira depende da expectativa no resultado da situação e no grau de atratividade de tal resultado.» (DIOGO, 2004: I-33).
Considera-se, portanto, crucial um esclarecimento inequívoco a toda a equipa, quanto à natureza e quantidade dos resultados a alcançar, porque em função deles os colaboradores vão criar determinadas expectativas que, de todo, convém não serem frustradas, mesmo que isso resulte num eventual menor ganho para a instituição.
Além disso, o gestor e/ou o líder tem o dever de informar que, no final do projeto, a equipa será avaliada com os instrumentos adequados, face aos resultados e às expectativas, entretanto criadas, resultando da avaliação uma análise do desempenho da equipa que, por sua vez, pode motivar, ou desmotivar, os colaboradores para a sua maior aplicação, ou não, em futuros projetos.
Se não houver motivação, certamente que as expectativas serão muito baixas ou mesmo nulas, então a responsabilidade do gestor e/ou do líder aumenta exponencial e inversamente proporcional à redução das esperanças dos seus colaboradores.
Para evitar uma avaliação de desempenho desfavorável, o gestor e/ou o líder, pode tomar algumas iniciativas: «Um primeiro passo para corrigir o desempenho insatisfatório deve ser a clarificação das expectativas, se o seu colaborador não está consciente do que se espera dele, dificilmente poderá apresentar um bom desempenho. Caso não seja o desconhecimento das expectativas o problema, aí, você deve investigar o porquê de ele não fazer melhor e acordar um plano de ação com o avaliado para ultrapassar o problema.» (ALMEIDA, 1999:86).
O gestor e/ou o líder, antes de se preocupar com o seu sucesso, protagonismo e ganhos materiais próprios, tem de vencer todo um processo de aprendizagem, de relacionamento, de cooperação, de tolerância, de solidariedade e de humildade, para melhorar a colaboração dos seus colaboradores.


ALMEIDA, Fernando Neves de, (1999). O Gestor. A arte de Liderar. 2ª Ed. Lisboa: Editorial Presença.
DIOGO, Rita (2004). Relações Humanas. Lisboa: IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional

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sábado, 24 de agosto de 2019

Certas Exigências Desejáveis no Gestor e no Líder


Aceitando-se gestão e liderança como duas âncoras que garantem a segurança da instituição, e de quem dela depende; reconhecendo-se que o respetivo gestor, e/ou líder, é competente, na perspectiva de atingir os melhores resultados, para todos quantos estão ligados à empresa, importa destacar que na base de uma boa gestão e idêntica liderança, o responsável por estas funções deve reunir diversas caraterísticas, para além das que já foram enunciadas noutras reflexões anteriores.
Sendo o gestor, e/ou líder: aquele que, em princípio, mais se apresenta em público e perante os colaboradores, como representante, e/ou líder, dono da instituição; direta ou indiretamente mais contactos terá com todo um público que se relaciona com a empresa; perante outras instituições, públicas, e/ou líder, privadas se responsabiliza, e/ou líder, é responsabilizado pela sua própria instituição; se preocupa (ou deveria preocupar-se) com o progresso da empresa, o bem-estar de todos os seus colaboradores e a qualidade do produto final, desejam-se, certamente, múltiplas competências pessoais, sociais, profissionais e ético-morais.
Com efeito, conhecimentos ao nível das relações públicas, consideram-se uma exigência a ser satisfeita pelo gestor, e/ou líder, no sentido de saber relacionar-se com o público-alvo dos produtos da instituição que representa, bem como da própria imagem que pretende passar para o exterior, quer da empresa, quer de situações que a ela dizem respeito.
O papel de relações públicas, nas grandes instituições é, normalmente, desempenhado por um técnico-especialista neste domínio, porém, nada impede que nos atos mais significativos, e de maior responsabilidade, e/ou líder, nas médias e pequenas empresas, aquelas funções sejam desempenhadas pelo próprio gestor, e/ou líder, líder, (empresário, e/ou líder, patrão) aliás, em certas circunstâncias protocolares, deverá ser ele a assumir tal papel.
O gestor, e/ou líder, quando no exercício de funções de relações públicas, terá de passar a melhor imagem, com verdade e obra feita, à qual se possa associar a empresa e, nesse sentido: «(…) é necessário possuir honra, integridade, carácter, inteligência, imaginação, capacidade de escrever ou falar em público, capacidade administrativa, amplos conhecimentos gerais, um sentido de ética muito elevado, compreensão, capacidade de liderança, juízo rigoroso, ideias e valor.» (HEERBERT e LLOYD, in: GARCIA, 1999:119).
Por outro lado, o líder, e/ou líder, gestor, tem todo o interesse em congregar, na sua pessoa, no exercício de funções de gestão, e/ou líder, de liderança, capacidades e qualidades que lhe facilitem o melhor relacionamento interpessoal com todos os utentes da instituição em geral e, particularmente, com aqueles públicos-alvo mais sensíveis: chefias, colegas, restantes trabalhadores da empresa, clientes, fornecedores,  entidades públicas e privadas, órgãos de comunicação social, com os quais a instituição tem de se relacionar.
Muito sensível é, sem dúvida, o relacionamento com os trabalhadores, porque: «Qualquer empregado e operário da empresa espera que o seu trabalho seja apreciado com justiça, mesmo que não faça parte das decisões económicas importantes e não passe eventualmente de uma tarefa rotineira insignificante. (…) A crítica mesquinha ou agressiva de um dirigente fere geralmente a dignidade individual do subordinado.» (KILIAN, s.d.:158).
Uma outra característica, indispensável ao gestor, e/ou líder, situa-se ao nível do seu relacionamento intercomunicacional com o grupo, seja o grupo de trabalhadores da empresa, consumidores, fornecedores e quaisquer outras entidades públicas e privadas.
A comunicação humana é uma prerrogativa única em todo o universo animal, porque de facto, o homem tem vindo a construir o seu próprio sistema de comunicação, criando-o, melhorando-o e atualizando-o, ao contrário de todos os outros indivíduos existentes no mundo que, no essencial, mantêm o mesmo processo e procedimentos para se comunicarem.
O homem inventou uma linguagem, verbal e não-verbal que, por vezes, se torna complicada, dúbia, intrigante e difícil. O gestor, e/ou líder, deve cuidar muito bem desta faculdade superior que é a comunicação escrita e/ou líder, falada, verbal e/ou líder, não verbal, na medida em que: «O contexto relacional diz respeito ao ambiente próprio da comunicação e à sociedade em condições tais que esse clima é apelativo à convivência dos sujeitos uns com os outros. Referimo-nos ao contexto psicossocial que agrega os atores grupais à volta de um objecto comum da atenção, independentemente da opinião dos sujeitos, ou, então, em torno do prazer do silêncio.» (DIAS, 2004:201).
Sendo difícil o relacionamento humano, bem como a relação intercomunicacional, o gestor, e/ou líder, líder deve utilizar a linguagem verbal e não-verbal, com o máximo rigor, clareza, simplicidade, firmeza e assertividade, para assim facilitar os contactos, e a relação comunicacional ser mais transparente, eficaz e sóbria.
Nestas circunstâncias, o gestor, e/ou líder, será tanto mais convincente quanto melhor exercer o seu papel de facilitador da compreensão das mensagens, trocadas entre ele e os diversos públicos-alvo, com quem tem de se relacionar.
Facilitador não significa descurar as mais elementares regras da comunicação, de postura psico-física de respeito e consideração pelo interlocutor. Facilitador, neste contexto, significa: compreender pontos de vista; argumentar com clarividência e verdade; colocar-se na posição do outro; conciliar posições, interesses, objetivos, procedimentos e estratégias.
Um facilitador que saiba moderar, que mantenha os equilíbrios necessários à conclusão de quaisquer assuntos, e encontrar as soluções mais justas para as partes envolvidas porque: «Espera-se do facilitador um comportamento responsável, equitativo, sério, honesto – numa palavra, um comportamento congruente em todos os momentos da dinâmica do grupo, para que os seus participantes sintam confiança, nutram respeito e credibilizem a pessoa e o papel do facilitador.» (Ibid.:204).

Bibliografia

DIAS, Fernando Nogueira (2004). Relações Grupais e Desenvolvimento Humano. Lisboa: Instituto Piaget
DIOGO, Rita (2004). Relações Humanas. Lisboa: IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional
GARCÍA, Manuel M., (1999). As Relações Públicas. Tradução, Duarte Nuno Bettencourt da Câmara. Lisboa: Editorial Estampa
KILIAN, Hans, (s.d.). Breviário para Dirigentes e para quantos pretendam vir a sê-lo. Tradução, Miriam Passanha Pereira. Lisboa: Editorial Pórtico.
  
Venade/Caminha – Portugal, 2019

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Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal


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DOCTOR HONORIS CAUSA EN LITERATURA” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos.

sábado, 17 de agosto de 2019

Gerir e Liderar com Arte e Ciência


A superior e inultrapassável diferença entre gerir e liderar pessoas, e administrar outros recursos, como máquinas, capitais, objetos, coisas, mercados e situações técnico-científicas, localiza-se, imediatamente, na comunicação e relacionamento interpessoais: pura e simplesmente, a relação pessoa-objeto situa-se a um nível inferior e instrumental ao da relação pessoa-pesssoa, ou pelo menos, assim deveria ser.
Acredita-se que será impossível gerir e liderar pessoas sem a comunicação com elas, e entre elas, suportada num genuíno processo de relações humanas, seja no campo estritamente profissional, seja num quadro mais abrangente, nos contextos da família, da escola, da Igreja, da comunidade, inclusivamente no âmbito da ocupação dos tempos livres e de lazer.
Comunicação e relacionamento humanos, são faculdades que toda a pessoa deverá cultivar, como se de uma competente atividade profissional se tratasse, porque o indivíduo humano é portador de capacidades inatas, mas também tem de aprender, no seio do grupo, e da comunidade de que faz parte, todo um vasto conjunto de procedimentos, que o tornam único num mundo onde muitos outros seres se movimentam.
Isto mesmo, embora utilizando uma terminologia científica, se estuda em vários autores, porque em bom rigor: «Ao nascer, qualquer ser humano é enquadrado num grupo ou numa comunidade de pessoas, que o precede e das quais vai depender para poder crescer e desenvolver-se. Embora cada indivíduo seja portador de um conjunto de características genéticas e orgânicas próprias, só o meio social lhe permitirá moldar as suas funções psíquicas, de forma a permitir-lhe ser um sujeito diferenciado.» (DIAS, 2004:76).
Estabelecer o equilíbrio, por vezes precário, entre os diferentes e até contrários pontos de vista e conciliar os interesses, legítimos e legais, das partes envolvidas num dado projeto, constitui uma tarefa que exige bom senso, prudência, arte e criatividade.
É desejável que o gestor, e/ou líder, seja um autêntico camaleão, no sentido positivo do termo, isto é, capacitado para se adaptar, eficazmente, às diversas situações que lhe vão surgindo.
Como em muitos outros domínios da atividade humana, é essencial uma boa preparação em relações humanas, assente numa comunicação, tanto quanto possível, assertiva, e o exercício permanente de boas-práticas de convivência com os seus semelhantes, enquanto pessoas com dignidade idêntica.
Nenhum gestor, líder ou colega, tem o direito de humilhar, desrespeitar, desvalorizar e/ou desconsiderar a pessoa com quem tem de se relacionar, enquanto integrados no mesmo grupo de trabalho, bem como em quaisquer outras circunstâncias.
Cada pessoa é, por si só, um mundo interior de múltiplas dimensões, que ela própria, algumas vezes, terá dificuldade em compatibilizar e, quando não o consegue, cria situações que se exteriorizam, em comportamentos, mais ou menos favoráveis, ou não se manifestando de forma evidente, tornam o relacionamento interpessoal mais difícil.
Cabe ao líder proporcionar as condições para que as pessoas que lidera se sintam à-vontade, comuniquem quaisquer dificuldades que surjam e possam prejudicar, no todo ou em parte, o desempenho profissional.
Acontece que, enquanto o gestor aborda as situações de uma forma analítica e sistemática, o líder desenvolve a sua apreciação numa perspectiva de síntese, produz orientações para as mudanças que são necessárias implementar.
Mas gestão e liderança, frequentemente, encontram-se numa só pessoa, o que dificulta o seu trabalho. De fato: «É fundamental que todos os gestores e líderes desenvolvam capacidades para se deslocarem ao longo desse contínuo (nos dois sentidos) a fim de satisfazerem as necessidades das situações com que se deparam. Há ocasiões em que o líder necessita de boas capacidades de gestão e outras onde o gestor tem de ter capacidade de inspirar as pessoas, transmitindo-lhes a sua visão.» (DIOGO, 2004:VI-14).
Infere-se do exposto, que é fundamental uma boa capacidade de comunicação, entre todos os membros do grupo, conjugada com um bom relacionamento humano, porque comunicar entre pessoas, que se relacionam sem dificuldades, nem preconceitos, constitui uma boa plataforma para os possíveis e desejáveis bons entendimentos e, correlativamente, para a busca e aplicação de soluções para os problemas e situações surgidos.
Como estratégia possível, o exemplo de comunicação fluída deve partir de quem detém a liderança, para que todas as demais pessoas, pertencentes a um determinado grupo, fiquem desinibidas, comecem a confiar e exponham, abertamente, os seus problemas, sem reservas nem receios de serem criticadas negativamente.
O líder deve manter-se atento a todo e qualquer indicador que possa denunciar uma situação anormal, o que implica a utilização de um bom método, preferencialmente, o da proximidade, saindo do seu gabinete com frequência, conversando com os seus colaboradores, expondo-lhes, inclusivamente, eventuais situações que a ele, gestor e/ou líder, também o afetam, revelando, assim, que em muitas circunstâncias da vida é igual a qualquer outro trabalhador.
Um processo de permanentes relações humanas, descomplexadas, prudentes e num patamar de maior igualdade e proximidade, ajudará, certamente, ao êxito da equipa.


Bibliografia

DIOGO, Rita (2004). Relações Humanas. Lisboa: IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional

Venade/Caminha – Portugal, 2019

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal


COMENDADOR das Ciências da Educação, Letras, Cultura e Meio Ambiente Newsmaker – Brasil


DOCTOR HONORIS CAUSA EN LITERATURA” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos.