Refere o autor, logo no prólogo, que os seus
leitores devem possuir faculdades superiores às da humanidade, para poderem
entender o alcance do seu projeto, por isso, terão de ser uns predestinados.
Efetivamente, pela avalanche de afirmações, conceitos e princípios, que o autor
vai defender nos primeiros dez números da obra, só um ser tão dotado de razão,
profundamente hermético aos valores fundamentais da pessoa humana, poderá
perfilhar tal doutrina.
Nietzsche considera o
cristianismo o maior mal do mundo e do homem, na medida em que o torna
fanático, piedoso, fraco e niilista. As situações e as pessoas que são objeto
de piedade, devem ser erradicadas do mundo e não se justificam como vida, que
deve ser plenamente aproveitada.
Este autor entende que a
Filosofia está irremediavelmente afetada pela Teologia dos padres, pela verdade
que eles próprios propalam, mas não sabem esclarecer e, mesmo os grandes
filósofos, tais como Leibniz ou Kant, são outros tantos Luteros: «Um freio à integridade alemã já tão pouco
sólida» (NIETZSCHE, 1977:22).
Friedrich
Nietzsche defende, portanto, uma vida materialmente concreta, uma seleção
humana dos mais fortes, um reino de homens superiores, sem religião, sem
valores espirituais, sem ideais abstratos.
A virtude deve ser uma
necessidade pessoal, uma condição vital, uma invenção de cada um, de acordo com
as leis da conservação. A Razão prática kantiana, não é mais do que uma forma
de corrupção da consciência intelectual. O Imperativo Categórico de Kant: “tu
deves” é uma razão “Ad Hoc”, onde a moral fala no imperativo, sob a capa dos
deveres sagrados, num plano ou hierarquia superior, tornando o filósofo uma
extensão do padre.
O homem não é um
descendente do puro espírito da divindade, mas um animal astucioso, que se
encontra ao mesmo nível de outros animais, mais imperfeito porque se desviou
dos seus verdadeiros instintos e, por isso, o mais falhado, porquanto o
espírito é um sintoma de imperfeição do organismo.
O autor termina a sua
análise do comportamento cristão com uma condenação do cristianismo, porque: o
seu Deus é fraco, porque bom; porque está ao lado dos doentes; porque está em
contradição com a vida. O homem precisa de um Deus forte, no sentido de
conhecer a maldade, a cólera, a injustiça, a inveja, a vingança.
Um Deus sem estes
atributos, não é desejável, pois significa a decadência, a corrupção de um povo
que o adora. Os deuses apenas têm duas alternativas: «Ou são a vontade da potência e então serão deuses de um povo; ou são a
impotência da potência e neste caso tornar-se-ão necessariamente bons …»
(Ibid:34).
Nietzsche considera que o
budismo é uma religião niilista, de decadência, tal como o cristianismo, no
entanto pensa que aquele é mais realista, verdadeiramente positivo, enquanto
religião, age no campo das realidades, tais como: lutar contra o sofrimento;
vida ao ar livre, e o egoísmo torna-se um dever, uma coisa necessária.
O autor da obra enumera
alguns aspetos sobre o cristianismo, que contrapõe ao budismo e assim, quanto à
primeira religião ele afirma que: «Promete tudo mas não cumpre nada, existe o
instinto submisso dos oprimidos, castas mais baixas, que é a causa do pecado, a
inquisição da consciência, a oração é o êxtase
perante Deus, desprezo pelo corpo e pela higiene, crueldade para consigo próprio
e para com os outros, a grande pompa dos cultos». (Ibid: 52)
Pelo contrário, o budismo: «Não promete, mas cumpre, é mais verídico, mais objetivo e mais frio,
não consta o sofrimento, coloca-se para além do bem e do mal, combate a
depressão fisiológica pela vida ao ar livre, pela temperança, pelas precauções
contra as bebidas espirituosas. A oração está excluída e não implica nenhuma
obrigação.» (Ibid:52).
Contrapondo, assim, o cristianismo ao budismo, Nietzsche afirma que, a origem do primeiro,
reside na afirmação de coisas que não sejam realidades, tais como: uma
esperança no além; a castidade como reforço da interioridade do instinto
religioso; o amor como um estado que transforma as coisas naquilo que elas não
são, suportando-se todos os sofrimentos por amor. As três virtudes cristãs que
o autor chama de “três prudências cristãs”: Fé, Amor e Esperança, fundamentam,
portanto, o aparecimento do cristianismo.
A História de Israel é
analisada por uma perspetiva religiosa, considerando: «Javé Deus de Israel e da Justiça, lógica de todo o povo que possui o
poder e desse poder tem a tranquila consciência.» (Ibid.:52), tecendo
fortes críticas aos padres judaicos, os quais teriam transformado a história de
Israel na Bíblia Sagrada, fazendo do seu passado, um instrumento de salvação.
Considera, seguidamente, que a vida de Jesus de
Nazaré não é mais do que «um movimento
insurrecional, uma repetição do instinto judaico, contra a realidade do padre»
(Ibid: 57), resultando, por isso, uma revolta contra a Igreja Judaica, contra a
casta, o privilégio, a ordem, um não contra tudo quanto era padre e teólogo,
acabando Jesus por ser condenado à morte na cruz, precisamente por ter
desprezado os ricos, lutado contra a ordem estabelecida, considerado, portanto,
como um criminoso político, numa sociedade impolítica.
O retrato psicológico que faz do Salvador, leva-o a
concluir que o arrependimento, a oração, o pedir perdão, não são caminhos para
Deus, porque só a prática evangélica é que conduz até Deus, ela é que é Deus.
O Evangelho descreve uma vida nova, mas não uma
nova fé. O reino dos céus é um estado do coração, e o reino de Deus é uma
experiência do coração, está em toda a parte e em parte nenhuma, Jesus morreu
como ensinara e vivera, tendo deixado aos homens a prática da vida, recusando
qualquer atitude que pudesse culpabilizar alguém sem resistir ao mal,
deixando-se morrer na cruz.
Assim, a história do cristianismo não passa de uma
interpretação desfasada do simbolismo primitivo. Segundo Nietzsche, teria sido S. Paulo o autor da
destruição da vida de Jesus, em proveito do cristianismo, porque a antevisão do
Juízo Final, não é mais do que uma ideia de que Cristo ressuscitará, para
castigar os pecadores, tendo a partir desta ideia instaurado a «tirania sacerdotal para formar rebanhos: a
fé na imortalidade, a doutrina do juízo» (Ibid:85)
O autor de “O Anticristo” continua o seu pensamento
e disserta, então, sobre a autenticidade e aplicabilidade dos Evangelhos, que
considera documentos de corrupção da comunidade, à qual se apela pela moral,
pela virtude, pelo bem, pela verdade, pela luz e pelo reino de Deus, para
manter e estender uma determinada confissão, transcrevendo para o efeito,
passos dos Evangelhos, comentando, ironicamente, os mesmo, concluindo com
algumas acusações contra S. Paulo, nomeadamente a de que: «S. Paulo veio pôr fim à sabedoria do mundo: os seus inimigos são os
bons filólogos e os médicos da escola de Alexandria (…) porque (…) ninguém é
simultaneamente filólogo e médico sem ser anticristo.» (Ibid: 99).
Nietzsche acha que, no
contexto do cristianismo, a ciência é a coisa proibida e a génese do pecado
original, porque o homem, ao tornar-se cientista, rivaliza com Deus, logo, é
preciso expulsar o homem do paraíso e não deixar que ele tenha pensamentos, por
isso, o padre inventa toda uma série de desgraças, misérias, horror, de tal
maneira graves, que o homem, efetivamente, não pode pensar coisas más em termos
de ciência, no entanto, o conhecimento desenvolve-se, a emancipação do jugo
sacerdotal vai-se tornando uma realidade.
Então Deus toma a decisão
de afogar o homem, e na sequência desta lógica, entrou no mundo a ideia de
pecado, de culpabilidade e de punição, devendo o homem sofrer, de molde a ter
sempre necessidade para o perdão do padre, porque é preciso um salvador que
conduza a humanidade para o perdão, e para a graça e, assim, o padre reina pela
invenção do pecado, nisto assentando a sua psicologia que, afinal, consiste na
representação do Salvador, e na deteção dos poderes supremos de perdoar.
A psicologia da fé,
fundamenta-se na doença dos espíritos fanáticos, na sua dependência de uma
moral do sacrifício, em ordem a uma prudência e a uma vaidade de vontade fraca,
mas convicta da verdade que subjaz à ideologia fideísta. A mentira é o suporte
da fé, é a convicção, que afinal define essa mesma fé.
É assim que, contra esta
convicção, contra a fé tradicional e contra o livro sagrado da Bíblia, se
destaca o Código de Manu, no qual se resume a «prática, a prudência e a moral experimental (…) concluindo e não criando
mais nada» (Ibid:120). Este Código utiliza o imperativo – “Tu Deves” – que é a condição primeira
para se fazer obedecer.
Friedrich
Nietzsche termina a sua obra com as mais audazes acusações, contra a Igreja
Cristã, responsabilizando-a por todas as misérias, pela corrupção, pela
falsidade, culimando esta verborreia caluniosa com a equiparação do
cristianismo a: «um estigma vergonhoso da
humanidade» (Ibid:138)
BIBLIOGRAFIA
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Falou Zaratustra. Tradução, M. de Campos. Lisboa: Europa-América
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“NÃO, ao ímpeto
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Venade/Caminha –
Portugal, 2026
Com o protesto da
minha permanente GRATIDÃO
Diamantino
Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente
HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
http://nalap.org/Directoria.aspx
TÍTULO DE
LORDE, POR MÉRITO CULTURAL” a quem devem ser prestadas as Honras da dignidade
atribuída aos membros desta Casa Real de Borgonha – Afonsina, bem como o
direito ao uso de armas distintivas. Dado e assinado, no Gabinete do Chefe da
Casa Real, em 27 de Dezembro de 2025.
https://www.facebook.com/photo/?fbid=3280847158747673&set=pcb.3280849792080743
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TÍTULO NOBILIÁRQUICO DE COMENDADOR.
CONDECORADO COM A “GRANDE CRUZ DA ORDEM INTERNACIONAL
DO MÉRITO DO DESCOBRIDOR DO BRASIL,
Pedro Álvares Cabral” pela Sociedade Brasileira de
Heráldica e Humanística
https://www.caminha2000.com/jornal/n925/venade.html
EMBAIXADOR CULTURAL
PERPÉTUO. BRASIL. ANGOLA. CABO VERDE. GUINÉ BISSAU. MOÇAMBIQUE. S. TOMÉ E
PRÍNCIPE. EMBAIXADA CULTURAL BRASIL ÁFRICA. 2025
https://www.facebook.com/photo/?fbid=864391462845141&set=pcb.864391572845130