segunda-feira, 25 de maio de 2026

VALORES E PRUDÊNCIA NA VIDA SOCIAL

              Apesar de, alegadamente, se considerar um lugar-comum, a verdade é que o ser humano não consegue viver separado: seja dos seus semelhantes, da natureza e até, em certas circunstâncias e limites, de uma entidade Divina, muito menos, e de ora em diante, terá condições para se isolar, levar uma existência sem estar em permanente contacto com a humanidade, sem se relacionar em diversos contextos e situações da vida, tudo pela simples e verídica razão de que ele é um ser limitado, frágil e degradável, designadamente na sua compleição física e mental.

O relacionamento interpessoal em diferentes âmbitos da sua existência, naturalmente que conduz a diversas situações, através dos: princípios, valores, práticas, sentimentos e emoções que, tanto quanto se julga saber, só ele possui e desenvolve, precisamente no quadro da sua organização social, esta, por sua vez, composta por diferentes e articulados parâmetros, desde logo ao nível da amizade e dos afetos.

Com efeito: «A amizade é a base na qual a consciência grupal é edificada e a cooperação é aprendida e praticada. O sucesso dos esforços de cooperação e consciência grupal depende da qualidade dos relacionamentos entre as pessoas. Sua nação é uma espécie de amizade, sem amizade não há nação.» (SARAYADARIAN, in: CARVLHO, 2007:47).

As relações sociais, nesta sociedade extremamente complexa, competitiva e dinâmica, seja qual for o domínio pelo qual se pretende analisar, tornam-se, por isso mesmo, singularmente difíceis e, por vezes, com elevados níveis de melindre, e/ou então, a partir de estratégias pouco claras, para se atingirem objetivos irreveláveis, recorrendo-se, para tanto, a uma linguagem verbal e não-verbal dos estilos passivo, manipulador e agressivo, enfim, valerá tudo menos o comportamento assertivo, transparente, compreensivo, tolerante e amigável.

No livro da minha autoria: “Valores e Prudência na Vida Social” (2015), que, obviamente não se pretende que seja um manual de práticas impositivas, de afetadas boas-maneiras, mas que se deseja possa contribuir para alertar e sensibilizar as/os leitoras/es, no sentido de se precaverem contra situações que ocorrem, cada vez com mais frequência, no contexto das relações sociais, na medida em que os exercícios, bem elaborados de hipocrisia, cinismo, bajulação, “jogos de cintura”, falinhas mansas, por vezes escondem intenções ética e moralmente condenáveis e são cada vez mais recorrentes.

Ensina-nos a experiência da vida, ao longo de mais de seis décadas, no desempenho de diversos papéis: familiares, académicos, profissionais, políticos, associativismo, sociais, educativo-formativos e religiosos que, por distintas vezes, temos na nossa presença imensos falsos “cordeiros” para se apoderarem dos nossos conhecimentos, influências, apoios e todo o tipo de colaboração que lhes é necessário para alcançarem os seus objetivos, eventualmente, os mais ignóbeis e, quando atingidos, revelam-se verdadeiros “lobos”, que passam a atacar-nos ferozmente, tentando destruir a nossa credibilidade, reputação, e até a própria família, aliando-se, de seguida a outros “lobos” constituindo-se assim em perigosíssimas “alcateias” de lobos humanos.  

 Valores e Prudência na Vida Social não significa, de forma alguma, uma descrença total na sociedade no seu todo, muito menos nas pessoas verdadeiramente humanas, pelo contrário, pretende-se enaltecer a autenticidade, a generosidade, a solidariedade, a amizade, a lealdade e outros valores culturais, éticos e morais, justamente, porque: “nem sempre se diz o que se pensa; e nem sempre se pensa o que se diz”, logo para se evitarem mal-entendidos, ofensas, mágoas, toda a precaução será pouca, porque depois da palavra dita, escrita, caricaturada ou por qualquer outro meio divulgada, as consequências serão imprevisíveis, por tudo isto, é fundamental que exista uma excelente base para se desenvolver e consolidar relações sociais do mais elevado nível civilizacional.

Valores e Prudência na Vida Social” deverá revelar-se como sendo um comportamento a praticar-se permanentemente, não só como um processo de inquestionável transparência, como também numa perspetiva de autodefesa, na medida em que: «Descobrir os pontos fracos e fazer com que eles não se tornem flancos, dando margem a investidas danificadoras, é uma missão difícil mas necessária. É pela fraqueza que se escraviza e manipula um cargo, função ou sentimento. Isso ocorre de diversas maneiras – a mais comum é a chantagem.» (ROMÃO, 2000:70-71).

Na sociedade moderna construída, sempre e alegadamente melhorada, conservada a partir dos seus últimos desenvolvimentos, verifica-se que os relacionamentos interpessoais vão passando para segundos, terceiros e últimos planos. A corrida ao TER, ultrapassa a meta do SER, as ambições pessoais, e de grupo, quantas vezes ilegítimas e ilegais, praticamente, não têm limites: «A competição é antissocial, hoje e outrora, porque implica a negação do outro, a recusa da partilha e do afeto. A sociedade moderna neoliberal, especialmente o mercado, se assenta na competição. Por isso é excludente, desumana e faz tantas vítimas. Essa lógica remete-nos a uma sociedade enferma que impede o bem-estar dos seres humanos, já que lhes nega a sua satisfação essencial.» (MATURANA, in: CARVALHO, 2007:53).

Seja qual for o enquadramento em que a pessoa humana se coloque, a verdade é que cada vez se torna mais necessário adotar uma firme e leal “Prudência na Vida Social”, sem subterfúgios nem hipocrisias, porque será suficiente revelar que a maioria das situações, com que se é confrontado diariamente exige uma, ainda que muito breve, reflexão, para se poder decidir sobre o que as pessoas e a vida colocam perante cada um, porque resolver o que quer que seja apressadamente, por vezes, conduz a autênticas catástrofes pessoais, grupais, e/ou humanitárias, à escala mundial.

Evidentemente que há situações, atividades, envolvimentos e intervenções cujas decisões: ou se tomam em frações de segundo, com todas as consequências resultantes e a respetiva assunção de responsabilidades, para o bem ou para o mal; ou se protelam tais resoluções para mais tarde, porque é possível adiá-las e até se pode calcular resultados e riscos. Claro que não decidir, no momento, ou nunca, também é uma opção que se coloca, em determinadas circunstâncias.

Valores e Prudência na Vida Social” normalmente revela, por parte de quem é cauteloso, alguma sabedoria, experiência de vida, mas também, em determinados contextos, e com objetivos, inconfessavelmente bem definidos, alguma astúcia, hipocrisia e até deslealdade e, aqui, uma vez mais, dir-se-á que se está perante os tais “cordeiros vestidos de lobos”. Quem tem de se relacionar com este tipo de pessoas, indiscutivelmente que todas as precauções são necessárias e, ainda assim, nunca serão demais.

Importa, portanto, desenvolver, no bom sentido, esta característica, ou capacidade das pessoas, que aqui se designa por “Prudência”, se possível, em todos os domínios da atividade humana, porque permitirá que cada indivíduo tenha as melhores condições para agir com alguma segurança, com benefício para as partes envolvidas e, no limite, para melhorar o relacionamento interpessoal, no seio da sociedade complexa, em que hoje se vive.

Valores e Prudência na Vida Social debruça-se sobre dezenas te temas/situações que, entre muitos outros, fazem parte da vida real quotidiana, para os quais é desejável a máxima atenção, a maior “Prudência” possível, para se evitarem erros, injustiças, discriminações, deslealdades, conflitos, mágoas, sofrimento, dor e, contingentemente, até a morte prematura. Neste trabalho, cuja leitura não obedece a qualquer sequência, também se pretende partilhar experiências de vida, princípios, valores, sentimentos e emoções, que o seu autor tem vivenciado, e/ou de que tem conhecimento direto.

Aconselha a “Prudência” que não se mencionem nomes, que não se identifiquem locais, que não se revelem situações e que se omitam decisões, todavia o recurso à investigação através da literatura conseguida, para os diversos temas, garante, precisamente, a atualidade das afirmações e, prudentemente, demonstra, a quem ler esta reflexão, a importância da moderação, dos relacionamentos assertivos, do não envolvimento com pessoas que, de alguma forma, pelos mais diversos meios, se revelam, com excessiva frequência, muito precipitadas, por vezes com inqualificável indecência, sem respeito pelo próximo, nem sequer pelos amigos, então, nestas circunstâncias, uma vez mais, aconselha a ”Prudência” que nos afastemos delas, porque de contrário, perde-se o que existe de mais valioso na pessoa humana: dignidade, credibilidade, honorabilidade e reputação.

Valores e Prudência na Vida Social é um trabalho que vem na sequência de outros, nomeadamente: “O Desafio de Viver em Sociedade”; “S. Bento: Pescador de Homens”; “Direitos Humanos: Alicerces da Dignidade”; “A Nobreza do Poder Local Democrático” e “Lealdade nas Relações Pessoais”, que versam temas atuais da sociedade, no âmbito das relações humanas, nos seus diferentes contextos, e que antecede outras obras que apontam na linha dos grandes problemas nacionais, em particular, e do mundo em geral.

O conjunto de reflexões que integram Valores e Prudência na Vida Social” pretendem, finalmente, dar testemunho das profundas preocupações que afligem: a humanidade, em geral; e os portugueses, em particular. É, enfim, um muito modesto contributo ao incentivo para o pensamento positivo, a partir da realidade que nos circunda, para as possibilidades de construção de um mundo melhor, uma sociedade mais humana, justa, solidária, fraterna, amiga e tolerante, com Prudência, Verdade, Lealdade, Respeito, Afeto, entre seres que, no fim das suas existências terrenas, terão todos o mesmo destino, a morte, e que, para além dela, fica a pairar o incerto, o misterioso e, possivelmente, para muitas pessoas, o não-retorno, por isso sejamos, generosa e sabiamente prudentes. 

BIBLIOGRAFIA 

CARVALHO, Maria do Carmo Nacif de, (2007). Gestão de Pessoas. 2ª Reimpressão. Rio de Janeiro: SENAC Nacional

ROMÃO, Cesar, (2000). Fábrica de Gente. Lições de vida e administração com capital humano. São Paulo: Mandarim.

 

 

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

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Venade/Caminha – Portugal, 2026

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Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

 

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PATRONO-FUNDADOR DA ALSPA – ACADEMIA DE LETRAS DE SÃO PEDRO DA ALDEIA - 2026

 

EMBAIXADOR CULTURAL PERPÉTUO. BRASIL. ANGOLA. CABO VERDE. GUINÉ BISSAU. MOÇAMBIQUE. S. TOMÉ E PRÍNCIPE. EMBAIXADA CULTURAL BRASIL ÁFRICA. 2025

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PRÉMIO ORGULHO PAULISTA DE LITERATURA 2024, NO ÂMBITO LITERÁRIO, SOCIOCULTURAL, HISTÓRICO, PEDAGÓGICO E ACADÉMICO.

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ACADÉMICO FUNDADOR E TITULAR DA CADEIRA PERPÉTUA N º 1, “AD IMMORTALITATEM” sendo Patrono, o Poeta Luís Vaz e Camões, da Academia de Letras, História e Genealogia da Inconfidência Mineira, – Órgão Cultural da Ordem dos Cavaleiros da Inconfidência Mineira, Correspondente Internacional na República Portuguesa. 2024

terça-feira, 19 de maio de 2026

20 DE MAIO. DIA DA MARINHA PORTUGUESA:

 Altruísmo e Espírito de Missão

Servir na Armada Portuguesa, de facto, não era para qualquer pessoa.

Esta circunstância alimentou, e reforçou a autoestima de um jovem humilde, pobre, mas que não virou as costas a um sonho, lutou, correu atrás dele e venceu, sempre convicto de que seria capaz de atingir este primeiro desiderato na sua vida, foi um pouco como refere o adágio popular: “O homem sonha; Deus quer e a obra nasce”, neste caso, o projeto, concretiza-se.

Um de Abril de mil novecentos e sessenta e seis, data histórica, que prevalece na memória de um cidadão, hoje, pai e avô, que continua a orgulhar-se do privilégio de ter servido na Armada Portuguesa, com total empenho, desvanecimento incontido e, acima de tudo, um grande respeito pelos valores que continuam a orientar todas as pessoas, nas diversas especialidades, com as diferentes patentes e motivações, que excedem todas as expetativas, continuam a “Amar” a nossa Armada.

O lema que continua a orientar a vida deste cidadão: “A Pátria Honrae que a Pátria vos Contempla”.

A escolha, feita há sessenta anos, considera-a, ainda hoje, como sempre, a mais acertada, isto é: “servir a Armada Portuguesa, foi a forma que considerou a mais abnegada, de amar o seu país”, nada pedindo, então, em troca.

No dia um de Abril de mil novecentos e sessenta e seis (que não foi nenhuma mentira), aquele jovem sonhador apresentava-se no Corpo de Marinheiros no Alfeite, onde adquiriria todo o fardamento necessário, para, de imediato, e ainda no mesmo dia, receber a respetiva “Guia de Marcha” e dirigir-se para o Grupo Número Um de Escolas da Armada, em Vila Franca de Xira, onde se processaria a preparação militar dos mancebos, e também dos recrutas, que se prolongou até quinze de Julho DE MIL NOVECENTOS E SESSENTA E SEIS, data do “Juramento de Bandeira”, a que correspondia o fim da recruta.

O contingente de abril de mil novecentos e sessenta e seis era composto por mais de mil homens: cerca de quinhentos e cinquenta, mancebos voluntários, com dezassete/dezoito anos; os restantes, jovens recrutados na idade normal para o serviço militar, com vinte/vinte e um anos de idade.

Na época, cumprir o serviço militar na Armada Portuguesa, como de resto, nos restantes ramos das Forças Armadas, era, naturalmente, uma imposição que pendia sobre todos os jovens Portugueses, todavia, existia a outra alternativa, que já foi identificada: a emigração que, até ao vinte e cinco de abril de mil novecentos e setenta e quatro, era feita sob a “capa” da clandestinidade, com imensos riscos, incluindo perigo de vida, para os Portugueses que optavam por sair do país.

O cumprimento do serviço militar na Armada Portuguesa constituía e, continua a ser, uma incomparável “Escola de Vida Excecional”. Aqui se cultivavam os valores da solidariedade, da camaradagem, da lealdade, do humanismo, do respeito, da tolerância, da compreensão, da disciplina e da entreajuda; nela, na Armada, se cumprem: com rigor, profissionalismo e atualização, as diversas funções que cabem a cada mulher e a cada homem; neste ramo das Forças Armadas o “espírito de missão”, o altruísmo com que se realizam as gratificantes tarefas, por mais “penosas” que possam parecer, é uma constante e uma honra.

A Pátria honrae que a Pátria vos Contempla”.

E não há que ter complexos ao se escrever, e/ou pronunciar a palavra “Pátria”, porque ela significa o Território, a Língua, a História, a Cultura, com as suas tradições, usos e costumes, os objetivos, enfim um Destino comum.

Tudo isto se defende no serviço militar, em geral e na Armada em particular.

É muito importante, para a formação da pessoa, verdadeiramente humana, que, as/os jovens Portugueses, cumpram um período, ainda que de alguns meses, de serviço militar, mesmo que seja em regime de voluntariado, sem prejuízo das suas atividades profissionais, pelo menos em tempo de paz, porque não há melhor escola na vida, do que tudo o que se aprende na Escola Militar.

 

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Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Patrono Fundador Perpétuo da ALSPA. Cadeira Nº 01

ALSPA – Academia de Letras de São Pedro da Aldeia

sábado, 16 de maio de 2026

Titulares do Poder: responsáveis pelas boas, e/ou más práticas.

 O poder democrático, ao serviço do bem-comum, que o mesmo é dizer, do povo, independentemente dos estatutos individuais, pode constituir um chavão eleitoral, uma utopia, ou uma promessa demagógica em campanha política. O título em destaque seria suscetível de interpretação político-partidária se não se esclarecesse que o termo “socializante” é aqui utilizado na dimensão social do homem, da comunidade e do poder.

Exercer o poder democrático, sem preocupações sociais, também aqui considerando as diversas vertentes da socialização, designadamente: cultura, educação, religião, trabalho, saúde, formação, entre outras, revelaria, por parte de quem o exerce, a grande insensibilidade, e constituiria uma inaceitável injustiça, que não se coadunam com os valores da democracia, entre estes, a liberdade, a igualdade e a fraternidade, até porque o homem é um ser naturalmente social, e não teria condições para viver à margem da sociedade, mesmo que em certas situações pudesse estar muito afastado das normas, regras, condutas e valores societários.

Os titulares do poder: civil, miliar, político, empresarial, religioso, bem como quaisquer outras formas de domínio, serão sempre os primeiros responsáveis pelas boas ou más práticas, no exercício das respetivas funções. Nesta perspetiva, devem preocupar-se com a sua própria formação, e também cultivar um espírito de serviço público social, obviamente, sem prejuízo dos objetivos e finalidades da instituição que dirigem, no contexto da sociedade em que se inserem, porque o poder democrático socializante, no sentido já definido, é compatível com quaisquer atividades, inclusivamente, no âmbito militar, principalmente em tempo de paz.

Se se considerar que toda a pessoa sempre exerce algum tipo de poder, público ou privado, incluindo-se aqui na própria família, rapidamente se pode verificar que, utilizando-se princípios de: sabedoria, prudência, moderação, compreensão, tolerância, respeito e responsabilidade, os resultados serão favoráveis para todos os intervenientes.

Comportamentos sociais, democráticos, virtuosos, estes no sentido da objetividade, das realidades existentes e no relacionamento interpessoal, podem estabelecer a diferença entre: a construção de uma sociedade moderna, humanista, motivada e disponível para abraçar as grandes causas, na prática de atos altruístas; e uma outra sociedade cujos dirigentes enveredam pelo autoritarismo, pela prepotência, pela perseguição e eliminação político-social dos que, ideologicamente, se lhes opõem.

O poder totalitário, persecutório e ditatorial, muito dificilmente reunirá condições que contemplem a maior parte das diversas vertentes sociais: da educação à formação; da cultura ao lazer; da saúde à habitação; do emprego à reforma; da religião à axiologia. Estas práticas despóticas, também se verificam ao nível de muitas instituições, inclusivamente, daquelas que até têm uma natureza religiosa, de solidariedade social, cultural, desportiva e outras similares.

Importa, portanto, destacar as virtualidades do poder democrático, obviamente, sem perda da autoridade que lhe é devida e até vantajosa, aceitando-se a orientação segundo a qual: «A ordem social não pode ser mantida sem autoridade, mas esta não significa força bruta, porque a força bruta é apenas manifestação excepcional de autoridade e não pode ser permanente. (...) Autoridade pessoal é baseada nas qualidades do indivíduo, no seu magnetismo às vezes extraordinário, nos dotes pessoais que possui. É a autoridade exercida pelos líderes pessoais, que conseguem espontaneamente a colaboração dos liderados.» (TORRE, 1983:178-179). 

Em bom rigor, é oportuno destacar que parte significativa do sucesso do poder democrático socializante depende: das capacidades, conhecimentos, experiências e, principalmente, da sabedoria, prudência e sensibilidade dos dirigentes, em particular; e de todos os indivíduos, em geral, para administrar a justiça na repartição dos bens sociais, o que implica um total sentido ético-moral, justamente para que as virtualidades do poder não se desconfigurem.

A justiça é dos caráteres bem formados, prudentes e sensibilizados para as situações que afetam os mais desfavorecidos, os carenciados e os que, de alguma forma, estão marginalizados, porque também é verdade que: «A injustiça é encontrada em todas as partes algumas vezes consequência de ações conscientes de pessoas de má índole ou mal intencionadas, algumas vezes consequência de julgamentos ou decisões parciais ou protecionistas, algumas vezes resultantes de preconceitos e outras vezes, de erros involuntários, deficiências ou ausência de critérios de conceder ou repartir alguma coisa.» (RESENDE, 2000:186).

O poder democrático socializante, que se vem defendendo, naturalmente, e por si só, não será suficiente para implementar e demonstrar todas as suas virtualidades. Ele carece de executores preparados, sensibilizados e competentes na perspetiva dos melhores resultados sociais, com justiça e oportunidade, no tempo e no espaço. E se nas sociedades alargadas, multiculturais, urbanizadas, onde os seus membros se conhecem, ou então serão mesmo estranhos entre eles, outro tanto não se verificará nas comunidades locais ao nível das Freguesias e Concelhos portugueses.

 

BIBLIOGRAFIA

 

RESENDE, Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Auto-Ajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark

TORRE, Della (1983). O Homem e a Sociedade. Uma Introdução à Sociologia. 11ª Edição. São Paulo: Companhia Editora Nacional

 

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TÍTULO DE LORDE, POR MÉRITO CULTURAL” a quem devem ser prestadas as Honras da dignidade atribuída aos membros desta Casa Real de Borgonha – Afonsina, bem como o direito ao uso de armas distintivas. Dado e assinado, no Gabinete do Chefe da Casa Real, em 27 de Dezembro de 2025.

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

13 DE MAIO. INVOCAR MARIA COM HUMILDADE E GRATIDÃO.


Há momentos na vida de uma pessoa que, independentemente de convicções religiosas, mais intensas, ou não, percebe-se que existe uma outra dimensão, imaterial, metafísica que, no mínimo, nos leva a refletir sobre: o que realmente somos; o que estamos a fazer neste mundo terrestre; de onde viemos e para onde iremos pós-morte biológica?

Questões que, de alguma forma, nos intrigam e nos deixam algo inseguros, porque nos faltam as “certezas rigorosas e técnicas”, a chamada “verdade científica”.

No presente ano de 2026 e, mais concretamente, a treze de maio, celebram-se os cento e nove anos da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima, aos Pastorinhos, na Cova da Iria, em Fátima. 

Há quem acredite, quem duvide, quem não acredite, ou este tema lhe seja indiferente.

Obviamente que se respeitam todas as posições, como de igual modo se pede que reverenciem as convicções daquelas pessoas crentes que, sem quaisquer dúvidas, aceitam as Aparições de Fátima.

Nesta reflexão, comemorativa de uma data tão importante para os crentes católicos, permitam-me analisar o evento pela perspetiva da Fé em Deus, através de Nossa Senhora de Fátima, na medida em que:

«Fátima é uma das manifestações mais espetaculares da presença de Deus na História da Humanidade ao longo do século XX e com uma clara projecção para o nosso século XXI. Estamos perante um acontecimento que, quer queiramos quer não, faz parte da nossa memória coletiva e da nossa História não só nacional, mas do mundo. A História da Igreja em Portugal, a História de Portugal e mesmo a História Universal não podem ser escritas sem fazer uma referência a Fátima.» (TRINDADE, Manuel de Almeida (Bispo Emérito de Aveiro), in: CARVALHO, 2017:21).

Escamotear, ridicularizar, denegrir e humilhar os crentes cristãos, por estes vivenciarem, intensa e publicamente, a Fé em Nossa Senhora de Fátima, parece configurar uma atitude, incompreensivelmente, preconceituosa, de alegada e infundamentada superioridade racional, como, ainda, para algumas destas pessoas, entenderem que possuem um coeficiente intelectual muito elevado, quando, em boa verdade, no seio da população mundial crente, se multiplicam, precisamente, pessoas do mais alto nível racional e intelectivo, ocupando, na sociedade, posições de imensa responsabilidade, a que ascenderam, justamente, pelas suas inigualáveis capacidades: inatas e adquiridas; pelas competências profissionais e pelas dimensões pessoais: seja no âmbito material; seja no círculo mais íntimo da espiritualidade.

Invocar Maria, todos os dias do ano, todos os segundos da nossa vida, revela humildade, fragilidade humana para a qual pedimos, incessantemente, proteção, porque se a “Fé é que nos salva”, então devemos ser coerentes e não nos recordarmos d’Ela, apenas, quando estamos aflitos, de resto como refere o aforismo popular:

“Só nos lembrarmos de Santa Bárbara quando troveja”.

A dimensão espiritual da pessoa humana, revela-se em todos os momentos da vida, mesmo naquelas criaturas não-crentes, porque sendo elas, igualmente racionais, inteligentes e pensantes, reconhecem, ainda que para si próprias, que existe “Algo” para além de toda a materialidade de que se compõe o corpo humano, e tudo o que o rodeia.

Nesta dimensão espiritual, a figura santificada de Nossa Senhora de Fátima, é incontornável, e pode-se considerar que o seu Santuário, é um dos mais visitados do mundo, com uma afluência de peregrinos, impressionante.

Fátima, “arrasta” multidões de todas as idades, etnias, estatutos, condições socioprofissionais, crentes de todo o mundo, muitos dos quais têm um sonho na vida: visitar este simples, mas imponente, “Altar do Mundo”, o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal.

Com efeito: «É evidente que Fátima tem uma importância especial, única, que não tem outros Santuários. A importância de Fátima deriva da importância da Mensagem, que é, antes de mais, um apelo à fé. Num mundo em que a fé está a desaparecer, em que os ateus aumentam, é um apelo ao mundo de hoje para viver a fé que os cristãos professam, não só teoricamente, mas concreta, vivida, existencial.» (MARTINS, D. José Saraiva, Prefeito Emérito da Congregação Para as Causas dos Santos, 2016, in: CARVALHO, 2017:117-118).

É justo invocar aqui alguns Santuários Marianos no mundo, igualmente muito importantes:

«Santuário de Nossa Senhora Aparecida é o maior templo católico do Brasil e o segundo maior do mundo, atrás apenas da Basílica de São Pedro, no Vaticano. É dedicado à Virgem Aparecida, hoje padroeira do país, cuja imagem de terracota foi encontrada por pescadores no Rio Paraíba, em 1717.

Hoje atrai milhares de fiéis ao interior paulista, no Vale do Paraíba, que vão em busca de curas e agradecimentos.

A devoção a Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, surgiu em 1917 quando três pastorinhos (Lúcia, Francisco e Jacinta) avistaram a Virgem sob uma grande árvore. Um pedido especial, entre tantos: a oração do terço. Desde então a pequena vila tornou-se um local de peregrinação de fiéis do mundo inteiro.

Na França, a devoção Mariana está no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes. Tudo começou com as aparições da Virgem Maria a uma menina muito simples chamada Bernadette Soubirous, em 1858. A jovem, que não sabia quem era a mulher que aparecia a ela, perguntou e obteve a resposta: era a Imaculada Conceição.

Das mãos de Bernadette brotou uma fonte que jorra água até os dias de hoje e é local de muitas curas. A Rainha da Paz é uma atribuição de Maria mais recente, surgida em 1981 na pequena vila de Medjugorge, na Bósnia-Herzegovina.

É um local que recebe cada vez mais peregrinos, sendo considerada uma das mais famosas aparições do século XX. As crianças às quais a Virgem Maria apareceu ainda estão vivas e podem ser vistas frequentando o santuário. São chamadas de videntes e rezam junto com os fiéis.

Na Croácia, a devoção a Nossa Senhora é antiga. Relatos da presença de imagens da Virgem Maria em Marija Bistrica remontam ao século XVI. Hoje a devoção reúne centenas de milhares de peregrinos do mundo inteiro, inclusive brasileiros que têm descoberto o destino como parte do turismo religioso.

Nossa Senhora de Guadalupe é muito mais do que a principal devoção mexicana. É também a padroeira da América Latina. Seu santuário foi construído aos pés do monte Tepeyac, o principal da Cidade do México. Suas aparições foram para o índio Juan Diego, além de uma ao seu tio, Juan Bernardino, no início do século XVI.»

BIOGRAFIA. 

CARVALHO, José, (2017). Francisco e Nossa Senhora. Um Amor Incondicional. S. Pedro, do Estoril: Prime Books

(PF, ouvir: http://www.terrasantabrasil.com.br/blog/1023/conheca-6-santuarios-marianos-importantes-pelo-mundo.html

 

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TÍTULO DE LORDE, POR MÉRITO CULTURAL” a quem devem ser prestadas as Honras da dignidade atribuída aos membros desta Casa Real de Borgonha – Afonsina, bem como o direito ao uso de armas distintivas. Dado e assinado, no Gabinete do Chefe da Casa Real, em 27 de Dezembro de 2025.
 

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segunda-feira, 27 de abril de 2026

DIA 03 DE MAIO. DIA DA MÃE.

 O Estatuto Sublime e Dignificante da Mãe

Todos os estatutos, nas diferentes áreas societárias, têm a sua relativa importância, hierarquizando-se, por vezes, um conjunto, mais ou menos vasto, nos diversos contextos da vida: pessoal, familiar, social, cultural, político, religioso, social, empresarial, entre muitos outros, todavia, colocar, no topo da pirâmide, a condição de Mãe, parece não ser preocupação de maior, muito embora se estabeleça um dia, apenas um, no ano, para recordar a detentora do mais elevado estatuto, a par do pai que, numa sociedade culta e ciente dos seus valores, certamente, festeja.

A fixação de “Dias”: nacionais, internacionais e/ou mundiais, vem sendo uma prática corrente e, poder-se-á afirmar que, praticamente, cada dia do ano, tem um simbolismo específico, que alude a um acontecimento, a uma figura, ou à descoberta de uma solução para uma determinada situação, ou ainda, às ciências e às diversas atividades humanas, como por exemplo, os “Dias” alegóricos: ao Trabalhador, à Filosofia, à Música, entre outros pelo meio, para chegarmos ao “Dia da Mãe” que, na circunstância, é o que mais importa na presente reflexão.

Quando nos referimos às mães em geral e, particularmente, à nossa Mãe, seguramente que nos invade um profundo sentimento de amor, um carinho sem limites e um imenso respeito, de resto, é a atitude responsável, mas também de gratidão, que devemos manifestar, perante e para com aquela Mulher que, para nos defender, seria capaz de dar a própria vida.

O “Dia da Mãe”: para muitas pessoas, até passa despercebido; para outras, é mais um dia em que os órgãos da comunicação social dão algum destaque; e para outras, é um dia que dedicam à Mãe, com algum convívio, uma possível “prendinha” e, finalmente, há aquelas pessoas que, realmente, este dia apenas culmina outros trezentos e sessenta e quatro de amor, de dedicação e carinho à sua Mãe, não lhes sendo necessário este dia para mostrar que amam aquela que lhes deu a vida.

A condição de Mãe, contudo, por si só, é superior a quaisquer iniciativas para atribuir à “Mulher-Mãe” um dia por ano, para ser recordada, sendo certo que de nada vale tal evento, cerimónias alusivas, discursos muito bem elaborados, com grande eloquência, se depois, ao longo do ano, essa mesma Mãe não tem recursos mínimos para alimentar, educar, agasalhar e proteger os seus filhos.

Quando se interroga uma pessoa, sobre o que pensa, o que faz, o que deseja, relativamente à sua Mãe, as respostas, invariavelmente, e na sua maioria, vão no sentido de se defender o melhor do mundo para a ela, de revelar que se ama aquela Mulher, como a nenhuma outra, e que ela representa o que de melhor pode haver no universo, para aqueles filhos. Claro que não se duvida que ter a Mãe como nossa protetora, confidente e companheira, será o máximo a que talvez possamos (e devamos) aspirar.

Apesar do estatuto de Mãe, provavelmente, entre muitos outros, ser o mais sublime e dignificante para a Mulher, convém não ignorar que, nem todas as mães (como nem todos os filhos), poderão ser motivo de tão distinta honra, porque também existem aquelas (felizmente muito poucas, que são a exceção) que, perante um conjunto de alegadas “razões”, abandonam os seus filhos e, no limite extremo, talvez no desespero, de uma situação complexa, os abandonam ou assassinam

A verdade, porém, é que descontadas aquelas terríveis exceções, a mãe é um fator de estabilidade, de fiel da balança, de moderadora no seio da família, assumindo-se, carinhosamente, como a defensora dos filhos e até do marido, quando a razão está de um dos lados, admitindo-se que, por vezes, se incline um bocadinho mais, na defesa dos filhos, principalmente, dos mais frágeis, o que até é bem compreendido pelo marido, especialmente, quando este ama, sem reservas a esposa e os filhos, quando a coesão, o amor, o respeito e a felicidade da família, são valores consistentes e a preservar.

 

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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quinta-feira, 23 de abril de 2026

25 DE ABRIL: O ANTES E O DEPOIS.

 Diamantino, um jovem ainda imberbe, com apenas 17 anos resolve alistar-se na Armada Portuguesa, no dia 01 de Abril de 1966. Na época, foi uma opção que tinha por objetivo servir a Pátria, porque o regime de então, não oferecia outra alternativa. Vivia-se um período, já longo, de perseguição política, a quem fosse denunciado ter posições antigovernamentais. Nestas circunstâncias, muitos jovens decidiram emigrar, passando à situação de refratários, impossibilitados de regressarem ao seu país, durante vários anos.

Portugal, a nível internacional, era um país praticamente isolado, devido à sua política antidemocrática, expansionista, que através dos seus navegadores, foram descobertos outros territórios e os ocupavam, provavelmente contra a vontade os povos autóctones, impondo-lhes severas obrigações, tentando dominá-los pela evangelização, porém, recorrendo também, em alguns casos, à escravatura, apesar da abolição do tráfico de seres humanos, se verificar em 29 de Abril de 1875, em todos os territórios ocupados pelos portugueses.

Em 09 de agosto de 1969, o jovem marinheiro radiotelegrafista, embarca para Angola, a bordo do navio Índia, chegando a Luanda e seguindo posteriormente para o Comando das Forças de Marinha no Leste de Angola, na cidade do Luso (hoje, Luena), onde desempenhou as suas funções até 17 de Novembro de 1972, regressando ao Continente, para, finalmente, em 08 de Janeiro de 1973 lhe ser dada baixa do serviço militar ativo. Devido à situação de guerra, com as então colónias portuguesas, este jovem deu o seu contributo à Pátria, colocando a sua vida em risco durante mais de 3 anos.

Já em Portugal continental e desligado da vida militar, tentou trabalhar e dirigindo-se a uma repartição pública da área do seu concelho foi-lhe entregue um questionário para preencher. Verificando que tinha dificuldade em responder a algumas questões políticas, dirigiu-se à delegação da Direção Geral de Segurança (Ex-PIDE), para solicitar os esclarecimentos que lhe faltavam. Houve um desentendimento com o chefe da Delegação que, logo ali, pretendia prende-lo, não fosse a intervenção de um familiar, solicitar que tal não acontecesse.

O jovem Diamantino, já casado e com uma filha, após um concurso para trabalhar como operador de comunicações em Angola, e tendo obtido bons resultados nos exames, apresentou-se na companhia que o contratou, situada no Leste de Angola, iniciando funções no final de 1973. A companhia tinha uma estação diretora de comunicações e dispersos por vários pontos do território, havia postos de comunicações.

Na noite de 24 para vinte e cindo de abril de 1974, no turno da meia-noite às seis da manhã, o radiotelegrafista Diamantino estava de serviço, em escuta permanente, na frequência atribuída a esta função. Cerca das 5 horas da manhã, uma mensagem emitida pela agência noticiosa France-Presse, transmitida em morse acústico, despertou a atenção do telegrafista, que logo começou a escrever a mensagem com o seguinte teor: “Golpe de Estado Militar em Portugal.

As Forças Armadas Portuguesas derrubaram o Governo fascista, autoritário, autocrático e corporativista que vigorava desde 1933. Mário Soares e Álvaro Cunhal seguem de comboio, a partir de Paris, para Portugal, onde devem desembarcar na estação de Santa Apolónia.

Na localidade do Dundo, onde trabalhava Diamantino e onde existia uma delegação da PIDE/DGS, bem como nas diversas divisões da companhia e empregados, ninguém sabia nada, do que se estava a passar no Continente, só no dia 25 de abril à noite é que começou a propagar-se o rumor da existência do Golpe de Estado em Lisboa.

Entretanto o Serviço de Vigilância e Controlo da companhia onde trabalhava Diamantino, terá dado ordens para que a PIDE/DGS, desarmasse e partisse para Portugal. O jovem radiotelegrafista regressaria também ao Continente, em setembro de 1975, a título de férias, porque a companhia não queria perder os seus técnicos.

Felizmente, como em tudo na vida, sempre há um princípio, um meio e um fim e, paulatinamente, os ditadores vão caindo dos pedestais, em que se colocaram, ilegítima e ilegalmente, porque a paciência, a dor, o sofrimento e a humilhação têm limites, que não podem ser ultrapassados. Os Portugueses atingiram esse limite e, só lhes restava derrubar um regime que não cumpria com a maior parte dos mais elementares e sagrados Direitos Humanos.

O espírito e capacidade de adaptação dos Portugueses acabaram por resolver este drama da descolonização. O Estado-Governo que se seguiu à “Revolução dos Cravos” enquadrou e integrou nos seus quadros, milhares de funcionários, assim como as grandes empresas e bancos, entre outras. Resta, passados cinquenta anos, indemnizar os Portugueses que perderam os seus bens: imobiliários, financeiros, empresariais e empregos.

Apesar de todas as dificuldades, Portugal pode orgulhar-se da sua “Revolução dos Cravos”, da implementação de um regime democrático com amplos direitos, liberdades e garantias, que, ainda hoje, faz inveja a muitos outros países. Não há dúvida que somos um “povo de brandos costumes”, pacífico, hospitaleiro e humanista, um povo resiliente, sem dúvida nenhuma.

A “Revolução dos Cravos” proporcionou aos Portugueses uma vida nova, com esperança num futuro de desenvolvimento, emprego e justiça social, porque Democracia é isto mesmo: igualdade de oportunidades, redistribuição justa da riqueza nacional, cuidar de todos os cidadãos de igual modo, sem discriminações negativas, nem marginalização dos mais fracos.

A “Revolução dos Cravos”, ainda não terminou, todos os projetos então prometidos, possibilitou retirar o país do isolamento internacional, em que já se encontrava. Abriu as portas para a integração na União Europeia, com todos os deveres e direitos que tal implica, reconhecendo-se hoje, terceira década do século XXI, que valeu a pena correr os riscos que uma revolução pode suscitar, para aqueles que nela se envolvem.

Portugal, hoje, é um país pacífico, onde se pode olhar o futuro com otimismo, um território cujo povo se revela profundamente humanista e bondoso, basta analisar a nova política de acolhimento de refugiados, oriundos de países em guerra, de regimes extremistas, nos quais a dignidade e os direitos humanos perderam ilegítima e ilegalmente qualquer sentido.


“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM, ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

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