Na verdade, o regime democrático, com todos os
seus defeitos, como qualquer outro, deveria incentivar todo o cidadão a dar o
seu contributo para o bem-comum, sem sofrer quaisquer tipos de pressões, a
favor de alinhamentos político-ideológicos, nem estar sujeito às disciplinas
partidárias, especialmente ao nível local, porém, sempre com preservação da
própria consciência do cidadão-político, ao serviço da comunidade total.
Evidentemente que, este princípio vem reforçar
a afirmação da necessidade dos partidos políticos, no sentido em que estes,
pelos seus dirigentes mais destacados, deverem estimular os seus militantes e
simpatizantes para a participação com um espírito de serviço público, a favor
das comunidades, que neles confiam.
Nesta linha de orientação: «Podemos estar devidamente gratos à
democracia sem permitir que a nossa gratidão nos cegue para os seus defeitos, e
sem esquecer que o processo de melhoramento pode ser continuado por outros
sistemas, politicamente mais satisfatórios.» (HUXLEY, s.d. 119).
Considera-se essencial, até para consolidação
da democracia, na sua pureza original, contudo, atualizada aos tempos deste
novo século, aceitar, sem preconceitos, nem processos de intenção, que qualquer
cidadão possa, num dado momento da sua vida, num contexto bem definido, optar
por soluções de participação na vida pública, à margem das organizações político-partidárias,
ou integrado em listas de forças diferentes, daquela em que até um determinado momento
militou, quando verificar que tem melhores condições para servir a comunidade,
à qual pretende apresentar o seu projeto político e, depois de sufragado,
executá-lo, com total estabilidade.
Aceite o princípio da mobilidade política,
justamente, por se verificar que, ao longo dos tempos, os partidos e forças
políticas alteram, por vezes, de forma significativa, os seus programas, e/ou
estatutos político/ideológicos, podendo, ao fim de um determinado período, e/ou
inclusivamente, tentar acompanhar, adaptar-se aos novos valores, estratégias e
mentalidades dos tempos modernos, sendo necessário, do ponto de vista dos respetivos
dirigentes responsáveis, alterar a matriz ideológica, e a designação da força
política.
Com efeito, até se pode
concordar: « (…) o cristão, ao optar por
um determinado sistema ou partido político, deve escolher aquele em que vê uma
maior possibilidade de acção (…). Uma opção pode ser tomada com clara
consciência de que se trata unicamente daquela opção que parece ser a melhor, relativamente;»
(CABRAL, 1974:55).
Para evitar que ocorram
transferências de militantes de um partido para outro, ou que adoptem e se integrem
em listas de independentes, os responsáveis pela organização partidária local,
distrital e nacional, têm que revelar mais sensibilidade, tolerância e
solidariedade para com os seus correligionários e compreender, inclusivamente,
que as dificuldades em contexto local, são acrescidas pelas posições que vão
sendo tomadas, quando contrárias ao poder imediatamente superior instituído e,
para evitar “fugas”, devem proporcionar-lhes melhores condições de atuação,
compreendendo os motivos daquelas atitudes.
Justifica-se, sem mais
qualquer dúvida, que os partidos políticos, os movimentos cívicos, bem como as
populações em geral, só têm a beneficiar quando se lhes propõem candidatos bem
preparados, não só ao nível dos conhecimentos teórico-científicos, como também
no plano de serem portadores de experiências polivalentes, muita sensibilidade
e vocação para os valores da liberdade ideológica, da humildade, da tolerância,
solidariedade, humanismo e, essencialmente, para as questões sociais e respetivas
soluções das mesmas.
Pelo facto de uma pessoa
alterar o seu percurso prático, no plano político e, eventualmente, da
ideologia na qual militou durante determinado tempo da sua vida, isso não significa
que deva ser desconsiderada pelos seus anteriores colegas de partido, pelo
contrário, deve ser objeto de respeito e até de orgulho, porque a matriz
ideológica daquela pessoa, nos seus valores fundamentais, matem-se idealmente
vinculada à organização que, ideologicamente, contém aqueles valores. Nesse
sentido, tudo deve ser feito para recuperar tal cidadão para o seio da
organização, proporcionando-lhe, sem quaisquer restrições, as condições para
desenvolver um trabalho que beneficie a comunidade, e a própria força política.
Ela, a pessoa,
eventualmente marginalizada por alguns políticos da força em que militou,
continua a ser um sujeito, pessoa humana, com deveres, direitos e
responsabilidades, um cidadão no pleno uso das suas capacidades políticas e,
como tal, merece e tem o direito para ser, no mínimo, respeitada nas suas
convicções, nas suas opções, na sua dignidade.
Em bom rigor: «Nessa perspectiva, o ser-sujeito é o cidadão-consciente
dos seus direitos e deveres –, ser que reivindica, que luta por superar a dependência,
ser responsável, capaz de compreender a cidadania como participação social e
política, ser capaz de assumir seus deveres políticos, civis e sociais,
adoptando no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às
injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito.» (GONÇALVES,
(1999:13, Apud, PCN, 1997, Vol. 9, p.7).
CABRAL, S.J., Roque, (1974).
Socialismos, textos cristãos. Porto: A.I.
COLETA, António Carlos Dela, (2005). Primeira
Cartilha de Neurofisiologia Cerebral e Endócrina, Especialmente para
Professores e Pais de Alunos de Escolas do Ensino Fundamental e Médio, Rio
Claro, SP – Brasil: Graff Set, Gráfica e Editora
HUXLEY, Aldous, (s.d.). Sobre a Democracia e outros
Estudos, Tradução, Luís Viana de Sousa Ribeiro, Porto: Círculo de Leitores,
Lda.
GONÇALVES, Francisca dos
Santos (Org.), (1999). Formação do ser-sujeito: desafio à prática da cidadania,
Belo Horizonte: Imprensa Universitária/UFMG.
MIRANDA, Pontes de, (1979). Democracia, Liberdade, Igualdade: Os Três Caminhos. 2a
Ed. São Paulo: Saraiva. Pp.588-607.
“NÃO,
ao ímpeto das armas; SIM ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=924397914665568&id=462386200866744
Venade/Caminha – Portugal, 2026
Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras
e Artes de Portugal
http://nalap.org/Directoria.aspx
https://www.facebook.com/ermezinda.bartolo
http://diamantinobartolo.blogspot.comhttps://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1
TÍTULO
DE LORDE, POR MÉRITO CULTURAL” a quem devem ser prestadas as Honras da
dignidade atribuída aos membros desta Casa Real de Borgonha – Afonsina, bem
como o direito ao uso de armas distintivas. Dado e assinado, no Gabinete do
Chefe da Casa Real, em 27 de Dezembro de 2025.
https://www.facebook.com/photo/?fbid=3280847158747673&set=pcb.3280849792080743
https://www.facebook.com/photo/?fbid=3286626388169750&set=pcb.30113390628317777
TÍTULO
NOBILIÁRQUICO DE COMENDADOR.
CONDECORADO
COM A “GRANDE CRUZ DA ORDEM INTERNACIONAL DO MÉRITO DO DESCOBRIDOR DO BRASIL,
Pedro Álvares
Cabral” pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística