Altruísmo e Espírito de Missão
Servir na Armada Portuguesa, de facto, não era para qualquer pessoa.
Esta circunstância
alimentou, e reforçou a autoestima de um jovem humilde, pobre, mas que não
virou as costas a um sonho, lutou, correu atrás dele e venceu, sempre convicto
de que seria capaz de atingir este primeiro desiderato na sua vida, foi um
pouco como refere o adágio popular: “O homem sonha; Deus quer e a obra nasce”,
neste caso, o projeto, concretiza-se.
Um de Abril de mil
novecentos e sessenta e seis, data histórica, que prevalece na memória de um
cidadão, hoje, pai e avô, que continua a orgulhar-se do privilégio de ter servido
na Armada Portuguesa, com total empenho, desvanecimento incontido e, acima de
tudo, um grande respeito pelos valores que continuam a orientar todas as
pessoas, nas diversas especialidades, com as diferentes patentes e motivações,
que excedem todas as expetativas, continuam a “Amar” a nossa Armada.
O lema que continua a
orientar a vida deste cidadão: “A Pátria
Honrae que a Pátria vos Contempla”.
A escolha, feita há
sessenta anos, considera-a, ainda hoje, como sempre, a mais acertada, isto é:
“servir a Armada Portuguesa, foi a forma que considerou a mais abnegada, de
amar o seu país”, nada pedindo, então, em troca.
No dia um de Abril de
mil novecentos e sessenta e seis (que não foi nenhuma mentira), aquele jovem
sonhador apresentava-se no Corpo de Marinheiros no Alfeite, onde adquiriria
todo o fardamento necessário, para, de imediato, e ainda no mesmo dia, receber
a respetiva “Guia de Marcha” e dirigir-se para o Grupo Número Um de Escolas da
Armada, em Vila Franca de Xira, onde se processaria a preparação militar dos
mancebos, e também dos recrutas, que se prolongou até quinze de Julho DE MIL
NOVECENTOS E SESSENTA E SEIS, data do “Juramento de Bandeira”, a que
correspondia o fim da recruta.
O contingente de abril
de mil novecentos e sessenta e seis era composto por mais de mil homens: cerca
de quinhentos e cinquenta, mancebos voluntários, com dezassete/dezoito anos; os
restantes, jovens recrutados na idade normal para o serviço militar, com
vinte/vinte e um anos de idade.
Na época, cumprir o
serviço militar na Armada Portuguesa, como de resto, nos restantes ramos das
Forças Armadas, era, naturalmente, uma imposição que pendia sobre todos os
jovens Portugueses, todavia, existia a outra alternativa, que já foi
identificada: a emigração que, até ao vinte e cinco de abril de mil novecentos
e setenta e quatro, era feita sob a “capa” da clandestinidade, com imensos
riscos, incluindo perigo de vida, para os Portugueses que optavam por sair do país.
O cumprimento do
serviço militar na Armada Portuguesa constituía e, continua a ser, uma
incomparável “Escola de Vida Excecional”. Aqui se cultivavam os valores da
solidariedade, da camaradagem, da lealdade, do humanismo, do respeito, da
tolerância, da compreensão, da disciplina e da entreajuda; nela, na Armada, se
cumprem: com rigor, profissionalismo e atualização, as diversas funções que
cabem a cada mulher e a cada homem; neste ramo das Forças Armadas o “espírito
de missão”, o altruísmo com que se realizam as gratificantes tarefas, por mais
“penosas” que possam parecer, é uma constante e uma honra.
“A Pátria honrae que a Pátria vos Contempla”.
E não há que ter
complexos ao se escrever, e/ou pronunciar a palavra “Pátria”, porque ela
significa o Território, a Língua, a História, a Cultura, com as suas tradições,
usos e costumes, os objetivos, enfim um Destino comum.
Tudo isto se defende
no serviço militar, em geral e na Armada em particular.
É muito importante,
para a formação da pessoa, verdadeiramente humana, que, as/os jovens
Portugueses, cumpram um período, ainda que de alguns meses, de serviço militar,
mesmo que seja em regime de voluntariado, sem prejuízo das suas atividades
profissionais, pelo menos em tempo de paz, porque não há melhor escola na vida,
do que tudo o que se aprende na Escola Militar.
Venade/Caminha
– Portugal, 2026
Com
o protesto da minha permanente GRATIDÃO
Diamantino
Lourenço Rodrigues de Bártolo
Patrono Fundador Perpétuo da ALSPA. Cadeira Nº 01
ALSPA – Academia de Letras de São Pedro
da Aldeia
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