domingo, 17 de maio de 2020

Argumentos para o Sucesso

Regras, princípios, valores, sentimentos e comportamentos, são alguns dos ingredientes para se tentar ultrapassar metas, conseguir objetivos e traçar novos projetos. Àqueles se adicionam determinadas faculdades pessoais como: criatividade, capacidades físicas, cognitivas, confiança, determinação, fé e, por que não, alguma sorte. O sucesso na vida está sempre ligado a tais ingredientes e faculdades, sem o que, não parece possível que seja alcançado.
Desde já se considera importante uma atitude interior e também exterior de confiança, na medida em que: «Confiar implica abrir mão das nossas defesas e controlos, colocar os nossos recursos à disposição do outro e acreditar que ele não se utilizará disso para levar vantagem sobre nós, nem nos prejudicar. Significa acreditar nos discursos e promessas que nos fazem e isso é tudo o que não queremos (…). A desconfiança isola as pessoas, impede que experimentem e arrisquem, restringe a sua expansão (…). No âmbito individual, a confiança predispõe a sonhar com objetivos mais elevados, ousar, enfrentar desafios, assumir riscos, desenvolver-se, expandir-se.» (NAVARRO e GASALLA, 2007:15).
O êxito, qualquer que seja a dimensão humana, é um bem que se adquire através da tomada de consciência de cada pessoa em particular, no sentido de ela própria se saber autoavaliar. Para o efeito: «Devemos entender a consciência como um processo de conhecimento, opção e ação que implica melhoramento e aprendizagem contínuos (…). Hoje exige-se de todos nós uma maior consciência do que somos e do que acreditamos.» (NAVARRO, 2000:114).
A responsabilidade da consciência bem-formada é, portanto, fundamental para o sucesso da existência humana em geral, e de cada pessoa em particular. Por exemplo: uma consciência cívica nacional, relativamente ao exercício de deveres e direitos, no desempenho de cargos públicos ou privados, estes, porém, ao serviço das comunidades e das pessoas, é condição para um desenvolvimento sustentável que conduz à felicidade, na perspectiva, e no conceito, de uma melhor qualidade de vida para a sociedade.
Neste “caldo” de ingredientes para o sucesso, também se deverá incluir a dimensão ética do ser humano, desde logo para um comportamento verdadeiramente digno da condição da pessoa humana. Com efeito, torna-se necessário refletir e agir em conformidade, nomeadamente: «Sei quem sou …, respeito-me. Essa consciência de mim mesmo resulta, inevitavelmente, numa maior consciência do outro e num comportamento definido pela ética.
Se quero ser ouvido, consultado, aceite, reconhecido, preciso, antes de mais devo ouvir, consultar, aceitar e reconhecer o outro. Essa é a base do diálogo e das parcerias bem-sucedidas. Se estou efetivamente determinado a conseguir melhor qualidade de vida para mim e para aqueles que amo, certamente terei um comportamento ético, de respeito pelo mundo em que vivemos e pelos seus habitantes. Nesse sentido a ética associa-se à cidadania.» (ibid.:115).
Convém não ignorar que o êxito é tanto mais reconhecido e aceite, quanto mais humilde e grato for quem o alcança. Humildade e Gratidão andam sempre de “braço-dado”, são duas virtudes, das maiores, que só dignificam quem as possui e, sem complexos nem vergonhas, as exterioriza e aplica na sociedade.
É pela humildade que melhor se compreendem certas situações. Esta magnífica virtude, também conduz à solidariedade, à amizade e à lealdade, e que, em “cúmulo axiológico” fortalecem as atitudes de gratidão, e proporcionam ensinamentos de vida, que não se aprendem em nenhuma escola.
Na verdade, e a partir daqueles valores, constata-se que: «Por trás das nossas perdas estão ganhos e lições de valor incalculável, que as nossas deceções e frustrações propiciam crescimento, que as pessoas que mais nos prejudicam são os nossos melhores mestres e que diante de cada situação devemos sempre perguntar: o que tenho de aprender com isto?» (Ibid.:116).
Muitas são as virtudes, os valores e até os sentimentos que podem contribuir para o sucesso, porque o ser humano constrói-se ao longo da vida das pessoas, dos povos e das nações. O sucesso é transversal a toda a sociedade, e quanto maior ele for, em todas as dimensões da pessoa humana, tanto melhor se viverá num mundo tão complexo, quanto difícil. O sucesso mundial passa pelos êxitos individuais e, neste sentido, cada pessoa terá de saber exercer, com rigor, com honestidade e com determinação as respetivas funções, desde logo, no quadro do relacionamento interpessoal.
Na relação pessoal entre pessoas, que se respeitam, se consideram e se estimam, é necessária uma atitude de cada uma delas saber colocar-se no lugar da outra, para assim melhor compreendê-la e ajudá-la. Com efeito: «Desde o princípio dos tempos, todos os grandes mestres da humanidade pregaram o amor e a compreensão nas nossas relações e nas nossas comunidades. Não desperdiçaram o seu tempo a instruir-nos sobre o modo de acumularmos um excesso de bens materiais; não nos ensinaram a sermos maldosos, egoístas, rudes e arrogantes.» (BRIAN, 2000:139).
As manifestações e boas práticas de sentimentos nobres, como o amor, a compaixão, a caridade, entre outros, só dignifica quem os possui e, indiscutivelmente, ajuda quem deles precisa, o que vai contribuir para o sucesso das partes assim envolvidas, porque quando se fala em êxito, em ganhar, em vencer, pode-se considerar que neste resultado final, também entram elementos de natureza imaterial, como os princípios, os valores, os sentimentos e as relações interpessoais, que à voltam deles giram.
Na caminhada para o sucesso, que toda a pessoa deseja fazer e atingir bons resultados, um requisito é fundamental: ser-se honestamente competente. É necessário que tudo o que tiver de ser perfeito, para se alcançar o sucesso, deve pressupor exigência, rigor, afinal, competência: seja na execução de funções práticas, concretas, mensuráveis; seja na aplicação assertiva, íntegra e firme de valores e sentimentos, considerando que estes se enquadram em contexto abstrato, próprios de cada pessoa, ou seja: os valores e os sentimentos não são mensuráveis, nem iguais em duas pessoas, mas são determinantes para o êxito.
Como nota final, talvez meditar um pouco sobre a influência de determinadas atitudes no alcance, ou não, do sucesso: «O Dinheiro, faz homens ricos; o Conhecimento, homens sábios; e a Humildade, faz grandes homens. Existem pessoas que não tem absolutamente nada, mas porque ocupam um determinado cargo em alguma grande, média ou pequena empresa, acham-se no direito de se sentirem superiores aos demais.
Em bom rigor são pequenos e só conseguem sentir-se grandes, humilhando, pisando, ridicularizando o seu semelhante, isso está sendo plantado em muitas empresas e o que colhem são pessoas amargas, doentes e determinadas a vencer a qualquer preço. Na verdade, se tornam pessoas infelizes e incapazes de realizações simples. "Não é riqueza ou o dinheiro que nos trazem felicidade, e sim a interpretação da vida.» (Autor Desconhecido, 2012).

Bibliografia.

BAKER, Mark W., (2005). Jesus o Maior Psicólogo que já Existiu. Tradução, Cláudia Gerpe Duarte. Rio de Janeiro: Sextante.
BRIAN L. Weiss, M.D. (2000). A Divina Sabedoria dos Mestres. Um Guia para a Felicidade, alegria e Paz Interior. Tradução, António Reca de Sousa. Cascais: Pergaminho.
NAVARRO, Leila e GASALLA, José Maria, (2007). Confiança. A Chave para o Sucesso Pessoal e Empresarial. Adaptação do Texto por Marisa Antunes. s.l., Tipografia Lousanense
NAVARRO, Leila, (2000). Talento para Ser Feliz. 10ª Edição. S. Paulo: Editora Gente. Direitos Cedidos para Edição portuguesa à Editora Pergaminho, Ldª., 1ª Edição. Cascais, 2002

Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

sábado, 9 de maio de 2020

10 DE MAIO. DIA DA MÃE NO BRASIL.


O Estatuto Sublime e Dignificante da Mãe

O “Dia da Mãe”: para muitas pessoas, até passa despercebido; para outras, é mais um dia em que os órgãos da comunicação social dão algum destaque; e para outras, é um dia que dedicam à Mãe, com algum convívio, uma possível “prendinha” e, finalmente, há aquelas pessoas que, realmente, este dia apenas culmina outros trezentos e sessenta e quatro de amor, de dedicação e carinho à sua Mãe, não lhes sendo necessário este dia para mostrar que amam aquela que lhes deu a vida.

A condição de Mãe, contudo, por si só, é superior a quaisquer iniciativas para atribuir à “Mulher-Mãe” um dia por ano, para ser recordada, sendo certo que de nada vale tal evento, cerimónias alusivas, discursos muito bem elaborados, com grande eloquência, se depois, ao longo do ano, essa mesma Mãe não tem recursos mínimos para alimentar, educar, agasalhar e proteger os seus filhos.

Quando se interroga uma pessoa, sobre o que pensa, o que faz, o que deseja, relativamente à sua Mãe, as respostas, invariavelmente, e na sua maioria, vão no sentido de se defender o melhor do mundo para a ela, de revelar que se ama aquela Mulher, como a nenhuma outra, e que ela representa o que de melhor pode haver no universo, para aqueles filhos. Claro que não se duvida que ter a Mãe como nossa protetora, confidente e companheira, será o máximo a que talvez possamos (e devamos) aspirar.

Apesar do estatuto de Mãe, provavelmente, entre muitos outros, ser o mais sublime e dignificante para a Mulher, convém não ignorar que, nem todas as mães (como nem todos os filhos), poderão ser motivo de tão distinta honra, porque também existem aquelas (felizmente muito poucas, que são a exceção) que, perante um conjunto de alegadas “razões”, abandonam os seus filhos e, no limite extremo, talvez no desespero, de uma situação complexa, os abandonam ou assassinam

A verdade, porém, é que descontadas aquelas terríveis exceções, a mãe é um fator de estabilidade, de fiel da balança, de moderadora no seio da família, assumindo-se, carinhosamente, como a defensora dos filhos e até do marido, quando a razão está de um dos lados, admitindo-se que, por vezes, se incline um bocadinho mais, na defesa dos filhos, principalmente, dos mais frágeis, o que até é bem compreendido pelo marido, especialmente, quando este ama, sem reservas a esposa e os filhos, quando a coesão, o amor, o respeito e a felicidade da família, são valores consistentes e a preservar.

A todas as Mães do mundo, em geral e, particularmente, às Mães Brasileiras, deixo aqui uma palavra de amizade, também de admiração profunda, pela forma como elas enfrentam a vida, quais GUERREIRAS, numa guerra sem fim. Uma palavra de profunda GRATIDÃO para todas as mães lusófonas. Um Beijinho com muito carinho e respeito, para todas vós.

Continuemos a acreditar: na Fé, na Medicina, na Ciência, na Tecnologia e profissionais, porque são compatíveis. Reforcemos, também a nossa capacidade de resiliência. Tenhamos confiança nestes cinco pilares da existência humana, e naqueles que estão a esforçar-se ao máximo para nos salvar a vida. Boa semana seguindo as Recomendações da Direção Geral de Saúde Portuguesa e acate as instruções legais do Governo para o Estado de Emergência em que nos encontramos. «VAMOS VENCER O VÍRUS. CUIDE DE SI. CUIDE DE TODOS». Festejemos a Saúde, a Vida, o Trabalho e o Amor com alegria e Esperança. Com a ajuda recíproca de todos nós, venceremos

«As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da 
Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte»
CAMÕES, Os Lusíadas, Canto I»


Venade/Caminha – Portugal, 2020
Com toda a minha FÉ, peço a Deus para que possamos sobreviver, a esta PANDEMIA.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal


domingo, 3 de maio de 2020

Mãe: eu te glorifico

Respeitando-se algumas opiniões, segundo as quais todos os dias são dias comemorativos, de um qualquer evento, a verdade é que, na realidade, tal nem sempre se verifica, ou seja: por exemplo, quando se aborda a efeméride relacionada com o “Dia da Mãe”, isso representa ,que para além de todos os dias serem, ou que deveriam ser, dias da Mãe, ainda assim, haverá um, em todo o ano, que se destaca, com  maior relevância  e dignidade merecidas: o tributo que é devido às Mães; e a importância que elas têm nas nossas vidas, independentemente da sua natureza: biológica, adotiva ou aquela que nos cria, educa, protege e defende com amor e carinho.

Quem está minimamente informado, e tem uma formação familiar, assente em bons princípios, valores e sentimentos, sabe muito bem que o papel da Mãe, nesta sociedade pós-moderna, complexa e algo materialista, é fundamental: para orientar os filhos; natural e desejavelmente em conjunto com o Pai; para o casal enfrentar aquela mesma sociedade que, atualmente, é muito pouco tolerante, e bastante fingida, designadamente para algumas pessoas, que não olham a meios para obterem determinados fins, quantas vezes injustos, ilegítimos e até ilegais.
Ser Mãe, neste emaranhado de interesses, conflitos e dificuldades sem fim, é muito complicado, por isso nunca será demais amarmos as nossas Mães, a quem devemos a vida, o maior ou menor conforto, dependendo das possibilidades económico-financeiras que ela possui e, que no dia que lhe é consagrado, a possamos abraçar, beijar e agradecer-lhe o amor que sempre nos dá, não olhando a sacrifícios, inclusive, privando-se, ela própria, quantas vezes, de bens que tanto gostaria de ter, mas que para ajudar os filhos, deles abdica generosa e amorosamente.
A Mãe, muitas vezes, mais do que o Pai, é, quase sempre: o grande baluarte da família; aquela que, à mínima dificuldade não abandona os seus filhos, salvo raras e excecionais situações; a mulher que para além de Mãe é amiga, companheira, parceira, confidente, protetora e cúmplice, por isso, as instâncias governamentais, em vez de retirarem os filhos às respetivas Mães, deveriam avaliar muito bem, ao nível técnico-científico, económico-financeiro e ainda psicossocial, a situação, e só depois tomarem decisões, evitando medidas drásticas, como tantas a que se tem vindo a assistir.
É preciso mais humanismo na análise das circunstâncias em que se encontram muitos agregados familiares. É fundamental dar dignidade à pessoa humana, (veja-se o que já se vem fazendo com os animais, e muito bem, em que o Estado disponibiliza cerca de dois milhões de euros para um projeto de acolhimento de animais abandonados, medida que se aplaude, sem quaisquer reservas mentais), todavia, não se queira colocar ao mesmo nível a pessoa humana, desde logo a Mãe, o Pai os Filhos, enfim, a família, por muito respeito e amizade que tenhamos para com os animais, sejam de companhia ou selvagens até porque nem é isso que está em causa.
         O mundo, quase sem exceções, vive semanas de grande aflição, de medo, de desorientação, porque a pandemia COVID-19 nos apanhou de surpresa, sem estarmos suficientemente preparados. Os infectados e os óbitos são às dezenas de milhares por dia, mas em muitas situações, as nossas mães estão a morrer sem que nos possamos “despedir” delas ou vice-versa. Muitos de nós, que poucas vezes, ou nenhumas, soubemos valorizar a nossa protetora, hoje choramos de saudades ou, quem sabe, de remorsos. Resta-nos pedir a Deus que junto das nossas mães, interceda para que nos perdoe os nossos erros, talvez demasiado egoísta.
Neste “Dia da Mãe”, é nossa obrigação refletir em todas estas conjunturas, acabar com todas as situações humilhantes, em que cerca de dezoito a vinte por cento da população portuguesa vive, estatística e tecnicamente, no denominado “limiar da pobreza”. As pessoas não podem ser colocadas em níveis de indigência, em que têm de lutar por alguma sobrevivência e, em muitos casos, efetivamente, abaixo do conforto e proteção que são concedidos aos restantes animais.

Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

domingo, 26 de abril de 2020

Confiança na Felicidade

As sociedades, que atualmente compõem o mundo contemporâneo, vivem em situações difíceis, independentemente dos estatutos sócio-profissionais e económico-financeiros dos seus membros, excetuando-se, certamente, algumas minorias, detentoras de um qualquer poder influenciador no decurso das vidas das maiorias, embora, e por vezes, tais minorias privilegiadas, também acabem por cair no mundo das muitas desgraças, normalmente: ou por um determinado tipo de abuso do poder; ou porque a ganância as levou a arriscar demasiado, ou, ainda, porque perderam a confiança em valores que sustentavam os seus poderes e intervenções.
A confiança é, portanto, um sentimento ou uma convicção que fortalece as pessoas, para desenvolverem os seus projetos, desempenharem com segurança os diversos papéis que a vida lhes exige ou, ainda, o autoconhecimento das suas próprias capacidades. Sem confiança naquilo em que se acredita, nada se consegue na vida. Sem a confiabilidade recíproca, as pessoas dificilmente se entendem.
O sucesso individual, organizacional, comunitário, societário e universal, pressupõe sempre uma grande participação do elemento confiança. Confiar é uma atitude difícil, num mundo em permanente tensão, mas na verdade, sem esse espírito, pouco ou nada se consegue, inclusivamente ao nível das relações interpessoais, em todos os contextos da vida. A confiança, seguramente que implica outros valores, igualmente fundamentais na boa ligação entre pessoas.
As relações humanas, desejando-se assertivas, pressupõem que as partes envolvidas num qualquer relacionamento, confiem suficientemente, uma na outra, porque sem um tal espírito de abertura, de sinceridade, de lealdade, de reciprocidade, de confiabilidade mútua, de dádiva e de cumplicidade, jamais se conseguirá atingir uma boa relação.
Por vezes: «Aprendemos a confiar em quem demonstra gostar de nós ou estar aberto para nós; é um fenómeno emocional, baseado em empatia, sensações e sentimentos (…). Que bom seria se o mundo fosse assim tão simples; confiar nas pessoas amorosas, não cofiar nas mal-encaradas … o facto é que a realidade é bem mais complicada. Aqueles em quem confiamos às vezes se mostram indiferentes, ou irritados, negam o que queremos, não agem de acordo com a nossa vontade (…). A partir do relacionamento com as pessoas mais próximas, testamos e desenvolvemos um conjunto de comportamentos que geram os retornos desejados.
Conforme crescemos, entendemos cada vez melhor que a confiança não está apenas relacionada com os nossos instintos e sentimentos, mas também com as nossas atitudes em relação aos outros e às dos outros em relação a nós. Entendemos que a confiança se conquista, se inspira e se constrói num plano de interesses em comum, objetivos compartilhados, afinidades de valores, respeito e consideração. É a confiança baseada na razão.» (NAVARRO e GASALLA, 2007:19-20).
Abordar a Felicidade, como uma possibilidade de sucesso para uma vida digna, é uma tarefa árdua, porém, aliciante e que se torna gratificante pelo facto de se tratar de um tema que a toda a pessoa interessa. Quem não deseja ser feliz, à sua maneira, é claro? Até porque: «Todo o homem quer ser feliz; mas para o conseguir, seria necessário começar por saber o que é a felicidade.» (ROUSSEAU, in: RICARD, 2003:11).
Numa abordagem conceptual muito simples a Felicidade poderá considerar-se que existe quando: «Uma Pessoa sente-se em harmonia com o mundo que a rodeia e consigo própria. Para quem vive tal experiência, como passear numa paisagem de neve, os pontos de referência habituais desvanecem-se: além do ato simples de caminhar, nada espera de particular: está, simplesmente aqui e agora, livre e aberto.» (in: RICARD, 2003:14). Claro que a ideia bucólica de Felicidade é interessante, todavia, torna-se necessária uma abordagem mais profunda, sentimental e vivida intensamente.
Refletir sobre a Felicidade revela-se de grande dificuldade, mas viver a Felicidade será algo que transporta a pessoa que a experiencia, para um mundo que se poderia aproximar do transcendental, ou mesmo do sobrenatural porque, provavelmente, a Felicidade pura, que também se desconhece, não existirá, além de que cada pessoa tem o seu conceito deste supremo bem, não havendo, por isso mesmo, uma definição fechada, e ainda bem, porque se houvesse, tal seria redutora para outras concepções e até para uma dimensão supra-universal.
Apesar das dificuldades em conceptualizar a Felicidade, é necessário acreditar que ela existe, é importante confiar nas suas virtualidades, que muitas pessoas dizem ser felizes. É essencial crer na felicidade que, de diversas formas, cada pessoa vive. Sim, porque se há quem se considere infeliz, então, nesta afirmação, está implícito o oposto: a Felicidade existe.
É possível, no meio de tanta indefinição, dúvidas e incertezas, encontrar uma ideia pacífica para descrever a Felicidade, como por exemplo: «A verdadeira felicidade provém da bondade essencial que deseja, do fundo do coração, que cada um descubra um sentido para a sua existência. É um amor sempre disponível, sem ostentação nem cálculo. A simplicidade imutável de um coração bom.» (RICARD, 2003:30).
Há quem defenda que, por um lado: «Não é possível viver feliz se não se levar uma vida bela, justa e sábia, nem levar uma vida bela, justa e sábia sem se ser feliz» (EPICURO, in: RICARD, 2003:242) e, por outro lado: «A ética nasceu como a ciência da felicidade. Para ser feliz vale mais ocupar-se dos outros ou pensar exclusivamente para si?» (LUCA e CAVALLI-SFORZA, in: Ibid.), ou ainda: «Portanto, deve-se renunciar a todo o prazer egoísta – a que não se poderia dar o nome de felicidade – que só se pode conseguir em detrimento de outrem. Em contrapartida convém realizar um ato que contribua para a felicidade de outrem, ainda que no momento o sintamos como desagradável. É certo que por fim ele concorrerá igualmente para a nossa verdadeira felicidade, isto é, para a satisfação de ter agido em conformidade com a nossa natureza profunda.» (RICARD, 2003:243).
Na linha axiológica-racional que se tem vindo a seguir, poder-se-á inferir que a Felicidade é um bem partilhado, na medida em que ela só é possível numa pessoa quando isenta de egoísmo e sempre que envolva, igualmente, a Felicidade de outra ou outras pessoas, ou seja, não se pode desejar a Felicidade própria à custa da infelicidade de outrem e, quando se pugna pela Felicidade, deve-se ter o cuidado, se possível, ajudar que outra ou outras pessoas consigam também ser felizes, sem quaisquer sentimentos ou atitudes de inveja.
Como corolário e ideia central estatística pode-se admitir, como primeira hipótese de trabalho que: «A felicidade aumenta com a intervenção social e a participação em organizações beneficientes, a prática do desporto e música e a pertença a um clube que proponha actividades diversas. Está estreitamente ligada à presença e à qualidade das relações privadas. As pessoas casadas ou que vivem maritalmente são quase duas vezes mais felizes do que os solteiros, os viúvos ou os divorciados que vivem sós.» (Ibid.:217


NAVARRO, Leila e GASALLA, José Maria, (2007). Confiança. A Chave para o Sucesso Pessoal e Empresarial. Adaptação do Texto por Marisa Antunes. s.l., Tipografia Lousanense
RICARD, Matthieu, (2005). Em Defesa da Felicidade. Tradução, Ana Moura. Cascais: Editora Pergaminho, Ldª.

Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

domingo, 19 de abril de 2020

Cidadão Luso-Brasileiro


Assumir a cidadania plena, em qualquer parte do mundo, em geral, e no próprio espaço, em particular, postula um conjunto de requisitos institucionais e também uma capacidade multifacetada, para colocar ao serviço da sociedade, todas as potencialidades do cidadão, enquanto tal considerado.
Igualmente fundamental, é a sensibilidade com que cada pessoa se deve munir para poder enfrentar as mais difíceis e diversas situações. O mundo atravessa um período crítico no que concerne aos valores que enobrecem a pessoa humana; os países, isoladamente considerados, confrontam-se, diariamente, com problemas complexos que, quando não são resolvidos com reflexão, com bom senso, conhecimentos e empenhamento, conduzem a situações perigosas, de autêntica violação dos mais elementares direitos humanos.
A complexidade social, que vem afetando pessoas, famílias, comunidades, sociedades, nações inteiras, continentes e o mundo, obriga a uma paragem na caminhada para o sucesso material, na satisfação dos egoísmos mais absurdos, para se pensar um pouco mais sobre o que cada um é, o que quer, e como deve prosseguir para alcançar objetivos mais nobres, mais humanos, mais razoáveis.
É fundamental ter-se a noção de que não se pode conduzir a humanidade para o apogeu do irracional, do horror e do holocausto. Impõe-se, não um, mas muitos apelos à Paz, a todos os níveis, e em todos os sentidos, em todos os momentos da vida. A indiferença que alguns setores, mais renitentes à mudança, ainda manifestam, deve ser substituída por uma abertura ao mundo global, de forma a facilitar o melhor aproveitamento das sinergias dos tecnocratas positivistas, e dos pensadores idealistas.
Positivismo científico e subjetivismo filosófico, não são incompatíveis e, a moderá-los, envolver-se-ão as Ciências Sociais e Humanas comandadas pelas Ciências da Educação, umas com mais objetividade e rigor quantitativo; outras com menor objetividade, mas maior rigor qualitativo.
Angolanos, brasileiros, cabo-verdianos, guineenses, moçambicanos, portugueses, são-tomenses e timorenses, bem como alguns macaenses e indianos, orgulhar-se-ão deste cidadão que se comunica, se interrelaciona e se emociona na língua de Camões.
Que maior privilégio se poderia alcançar, do que este simples reconhecimento de uma língua comum, e uma história parcialmente partilhada por cerca de trezentos milhões de seres humanos, pelas quais se sentem, afetiva e emocionalmente, ligados? Que maior honra do que ser-se cidadão do mundo com a marca da lusofonia?
Sejam quais forem os regimes político-institucionais, acredita-se que os seus responsáveis tudo farão para que este valor, que é a lusofonia, se aprofunde e consolide, para que o novo cidadão, dele emergente, seja o produto final, que todos desejarão interiorizar e imitar.
O cidadão luso-brasileiro que se construirá ao longo de várias reflexões, será um dos homens e mulheres de boa vontade e, nesse sentido, preparar-se-ão com total empenhamento, responsabilidade e competência, canalizando todos os seus conhecimentos, experiências e sensibilidade para os valores consagrados numa democracia de verdadeira cidadania, onde cada cidadão exercerá os seus direitos e cumprirá com os inerentes deveres, sem perder de vista os valores do progresso, do desenvolvimento, do bem-estar da sociedade, onde cada vez haja mais lugar à inclusão: social, política, económica, profissional, cultural religiosa e universal, para que todos possam beneficiar da Paz, da Justiça, da Educação, da Solidariedade, da Tolerância e da Democracia.
Uma sociedade onde não haja mais lugar aos linchamentos públicos por força dos pensamentos, convicções, ideologias político-partidárias, religiosas e outras, que cada um tem o direito de professar. É este o cidadão global que se deseja para o mundo deste novo século XXI, desde logo a desenvolver-se a partir dos espaços luso-brasileiro, lusófono e ecuménico. Um cidadão de: princípios, valores, sentimentos, emoções, crenças, convicções, trabalho, autoestima. Um cidadão solidário, amigo, leal, grato, humilde. Um novo e respeitável cidadão do mundo.

Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

domingo, 12 de abril de 2020

Páscoa de Benevolência. Caridade. Amor

Pensemos a Páscoa como uma nova oportunidade para: nos redimirmos dos erros que temos exercido; das discriminações negativas que vamos fazendo; das prepotências, humilhações e descartes ignóbeis contra pessoas que, eventualmente, vamos praticando; assumamos, este evento, como mais uma possibilidade de ajudarmos quem mais necessita de nós: espiritual, ética, moral e materialmente.

Recusemos proclamar a Páscoa: como se fosse um tempo exclusivo dos cristãos, mas antes como um dia privilegiado para a concórdia, para o respeito pela dignidade humana; glorifiquemos a Páscoa como um dia único em cada ano para reconstruirmos a vida, laços familiares, relações de amizade interrompidas ou desfeitas; prestar solidariedade, lealdade e gratidão a quem sempre tem estado do nosso lado, sem quaisquer tipos de reservas mentais, materiais, éticas, morais ou outras.
A Páscoa, para a sociedade, no seu todo, deve ser: um tempo especial, de reencontro, entendimento pelas dificuldades dos nossos irmãos humanos; de apoio incondicional aos mais desfavorecidos, frágeis e desprotegidos, porque, independentemente das religiões que cada pessoa, grupo, povo ou nação professam, está a dignidade da pessoa humana, que não pode ser ofendida, em circunstância alguma.
Celebremos, portanto, a Páscoa: de todos, com todos e para todos; em união fraterna e solidária; com espírito aberto, de acolhimento ao outro; com benevolência; com caridade e amor. É assim que deveremos festejar a Páscoa, não como se fosse a última Ceia de Cristo, com os seus Apóstolos, mas a primeira “refeição” entre todos nós humanos.
Nesta Páscoa, ficam aqui os votos muito sinceros do autor desta reflexão, que pretendem apontar no sentido de desculpabilizar todas as pessoas que, por algum meio e processo, o prejudicaram, ofenderam e magoaram, não significando esta atitude: “passar uma esponja”; esquecimento total, mas apenas a vontade de reconciliação, de tentar novos diálogos, novas abordagens, para um melhor e mais leal relacionamento.
Nesta Páscoa, também o autor tem o dever de implorar que o desculpem por algum erro, involuntariamente cometido, porque jamais terá sido sua intenção voluntária e ostensiva, prejudicar, seja em que sentido for, alguma pessoa que com ele se tenha relacionado em quaisquer contextos.
A todas as pessoas: Páscoa Muito Alegre e Feliz.


Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

TÍTULO NOBILIÁRQUICO DE COMENDADOR, condecorado com a “GRANDE CRUZ DA ORDEM INTERNACIONAL DO MÉRITO DO DESCOBRIDOR DO BRASIL, Pedro Álvares Cabral” pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística  http://www.minhodigital.com/news/titulo-nobiliarquico-de

COMENDADOR das Ciências da Educação, Letras, Cultura e Meio Ambiente Newsmaker – Brasil

TÍTULO HONORÍFICO DE EMBAIXADOR DA PAZ pelos «serviços prestados à Humanidade, na Defesa dos Direitos as Mulheres. Argentina»

DOCTOR HONORIS CAUSA EN LITERATURA” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos.

domingo, 5 de abril de 2020

Reflexão para o Domingo de Ramos


«Jesus entra em Jerusalém, montado em um jumentinho. Isso significa que entra na cidade que é sua para fazer com toda a Humanidade, uma missão de paz, ainda que essa paz tenha como preço sua própria vida.
Padre César Augusto, SJ
O Senhor é aclamado como se faz a um general romano ou a um herói egípcio quando de sua chegada a sua cidade, à sua terra, após uma gloriosa vitória. Apenas algumas diferenças: o Senhor ainda vai consumar sua luta e, enquanto os vencedores trazem consigo o espólio dos vencidos e os próprios vencidos como troféus, será o Senhor o próprio espólio, o grande serviçal, o escravo de todos nós.
Esse gesto nos recorda um trecho da segunda leitura de hoje, da Carta de São Paulo aos Filipenses, que diz: “Não deveis fazer nada por egoísmo, ou para sentir-vos superiores aos outros, mas cada um de vós, com toda a humildade, considere os outros superiores a si mesmo, ninguém procure o próprio interesse, mas antes o dos outros.” O Senhor buscou apenas o nosso interesse, ou melhor, o interesse do Senhor é a nossa salvação.
Jesus entra em Jerusalém, montado em um jumentinho. Isso significa que entra na cidade que é sua para fazer com toda a Humanidade, uma missão de paz, ainda que essa paz tenha como preço sua própria vida.
Cristo entra em Jerusalém para entregar-se como oferta ao Pai, em nome de cada um de nós. Ele se coloca em nosso lugar e sofre as consequências que nosso egoísmo, nossa falta de amor e de perdão ocasionaram. Ele é o verdadeiro cordeiro pascal, a verdadeira vítima. Seu corpo é o pão e seu sangue é o vinho. Somos redimidos, para sempre, por seu sangue derramado de fato, Jesus Cristo é o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.
Outro ensinamento, agora colhido da leitura da Paixão, este ano, a de São Mateus, é sobre a retaliação e a paz. Jesus impede que Pedro continue sua ação de punir o soldado que o ofendera e diz a ele: “Guarde a espada na bainha!” e cura Malcolm. Somos filhos da paz! Nosso Rei é o Príncipe da Paz, o Pacificador.
Que este início da Semana Santa nos comprometa com o projeto de Jesus para nós. Sejamos irmãos, sejamos filhos do mesmo Pai de nosso Senhor.
Que a humildade e a paz sejam nossos tesouros, recebidos através do sacrifício redentor do Filho de Deus!
Nossa libertação do egoísmo e da ira, da raiva, custou o sangue inocente de Jesus.
Valorizemos, com gratidão e amor, o sacrifício do Senhor por nós.»

Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal