Apesar de ser considerado um lugar-comum, dizer-se
que o “Dia da Mãe” deveria ser comemorado todos os dias, a verdade é que assim
não acontece. E se há milhões de pessoas que todos os dias convivem, contactam
e recordam as suas mães, provavelmente, outras, as tratam muito mal: seja
afetiva; seja moral; seja fisicamente. Há de tudo um pouco, feliz ou
infelizmente.
Também se costuma afirmar que: “Mãe há só uma”
sendo esta assertiva muito dirigida à mãe biológica, contudo, nem sempre corresponde
à verdade, no sentido de esta mãe ser a melhor do mundo, porque também nas mães
adotivas se encontram exemplos de autêntico e abnegado amor profundo, para
sempre.
Vamos, hoje, enaltecer a Mãe, aquela mãe
extremosa, que: cuida dos seus filhos com inexcedível desvelo; que é capaz de
cortar com toda e qualquer relação com outras pessoas, quando tais conexões
possam vir a prejudicar o orgulho, o bom-nome, a honra e dignidade dos seus filhos;
aquela mãe que se priva de quase tudo para que, na medida do possível, nada
falta aos seus amados filhos; a mãe que, nos bastidores da vida, protege,
apoia, ama e sofre; enfim, aquela mãe que por eles dá a vida, se necessário for.
Neste dia muito especial e extremamente
significativo, não se desenvolverá muito a crítica às mães que, realmente, só o
são de nome, que na verdade se limitaram a procriar e “parir” os filhos, para
depois os abandonarem, sem acautelarem o futuro deles, muito embora e numa
tentativa de compreensão e benevolência, se procure entender certas situações
de manifesto e incontrolável desespero, por parte de algumas dessas mães que
assim procederam.
Quaisquer tentativas para, de alguma forma, e/ou
processo, elaborar, “á priori”, juízos de valor, condenações na praça pública e
outros instrumentos de humilhação das mães que, por alguma circunstância de
força maior, por incapacidades diversas, por vicissitudes da vida, não foram
capazes de cuidar dos seus filhos, acabam por resultar, num ainda maior
afastamento entre a mãe e os filhos, não sendo bom para o futuro deles.
O “Dia da Mãe”, para além de uma comemoração
simbólica, também deve ser preenchido com profundas reflexões sobre a relação
existente entre a mãe e os filhos, bem como, se for o caso, uma atitude de
maior aproximação, de perdão por eventuais erros cometidos por qualquer das
partes. É um dia para ser celebrado com alegria, em harmonia e felicidade.
Ser mãe, nos tempos modernos, não é uma missão
nada fácil, na medida em que a sociedade está em permanente evolução, que tem
vindo a implementar um conjunto de exigências, difíceis de satisfazer na maior
parte das famílias, técnicas sofisticadamente agressivas, direcionadas para o
consumo em geral e para as crianças em particular.
Também o sistema educativo constitui uma outra
preocupação, com grande impacto no presente e no futuro das crianças e dos
jovens. Habitualmente, a mãe é a encarregada de educação., que ajuda nos
trabalhos de casa. Atualmente, e não obstante o acesso gratuito ao ensino,
educação e formação, até ao nível secundário, estar ao alcance das famílias,
ainda assim, nem todas conseguem colocar os seus filhos na escola, durante os
ciclos obrigatórios, precisamente por falta de recursos financeiros, na medida
em que há despesas que não são suportadas, integralmente, pelo sistema educativo.
Por outro lado, no que se refere à saúde, também
aqui a mãe desempenha um papel fundamental porque, normalmente, ela é a
primeira a detetar algum mal-estar: físico, psicológico e mental, nos seus filhos,
muito embora o pai, aquele que se assume autenticamente como tal, de igual
forma, partilhe destas situações e preocupações. Invoca-se mais a mãe,
justamente porque, em regra, é ela que passa grande parte do tempo com os
filhos, não que se preocupe mais do que o pai, até pode acontecer,
pontualmente, o contrário.
É muito antigo o provérbio popular segundo o qual:
“Quem tem uma mãe, tem tudo; quem não tem
uma mãe, não tem nada”. Em bom rigor, os filhos, em geral, amam a sua mãe,
também são capazes de dar a vida por ela, abdicar de muitas oportunidades, bens
e regalias, para poderem estar com elas, de resto, o amor filial é muito forte,
obviamente, quando verdadeiro e incondicional.
Convém não desconhecer que neste “Dia da Mãe”
também há muitos filhos que, ignobilmente, esquecem aquela que lhes deu tudo na
vida e, se razões de mágoa houver, ao menos, um dia no ano, tenham uma atitude
de carinho, de respeito, com um pouco de amor pela mãe.
A exemplo da comemoração de muitos outros dias
simbólicos, ao longo do ano, este, em especial, deveria ser vivido intensamente,
todos os dias, principalmente por aquelas pessoas que ainda têm a felicidade de
ter a sua mãe, também o pai, vivos, porque não há maior riqueza neste mundo, e
nesta vida, do que termos junto de nós os nossos pais.
Pensando bem na dignidade e insubstituabilidade da
mãe, seja ela biológica ou adotiva, e verificando-se que ao longo do ano
existem diversos feriados, tolerâncias de ponto, dispensas e outras formas de
assinalar um dado evento, não estará na altura de os nossos decisores darem maior
relevo ao “Dia da Mãe”, não só através da comunicação social e outras
iniciativas particulares e semioficiais?
Ser Mãe é uma condição única, sublime e exclusiva
da mulher que, em condições normais de procriação natural, mais ninguém
consegue. Acompanhar os seus filhos, ao longo de muito tempo: primeiro, no interior
do seu próprio organismo; depois, na vida extra-uterina dos filhos, prepará-los
para enfrentar a vida e o mundo, também é uma tarefa que, em muitos casos, ela
assume e desempenha sozinha porque, entretanto, o pai, irresponsavelmente,
abandona o lar, sem assumir a sua quota-parte na saúde, educação e formação dos
filhos.
Estatisticamente sabe-se que são muito mais as
mães que ficam com os filhos nos braços, do que os pais. Na verdade, o pai, em
muitos casos bem conhecidos, infelizmente, cada vez em maior número, e depois
de várias desavenças, violências domésticas, maus tratos físicos e
psicológicos, ofensas e humilhações à esposa, mãe dos seus filhos, fogem,
covardemente, do lar e a esposa e mãe, muitas vezes com os avós maternos,
acabam por ficar, amorosamente a criar os filhos e netos.
A condição de mãe tem, por tudo isso, que ser
valorizada, não só moral, como também materialmente, pelo Estado, porque no
fundo estas crianças: primeiro, não pediram para nascer; segundo, são o futuro
da sociedade; terceiro, é necessário prepará-las para que não cometam os mesmos
erros que as gerações anteriores praticaram.
Nesta sociedade do século XXI, onde proliferam os
mais diversos perigos, como também ocorrem as melhores oportunidades de sempre,
pese embora a difícil situação de empregabilidade, de fome e miséria, só com um
amor imenso, uma dedicação quase exclusiva é que uma Mãe consegue preparar os
seus filhos para uma vida digna.
Neste “Dia da Mãe” festejemos e glorifiquemos a
sua dimensão amorosa, o seu papel insubstituível no mundo e, tenhamos respeito
pela sua superior condição, porque será ela a luz das nossas vidas, o exemplo
da doação sem limites, o porto seguro, quando estamos perdidos no mundo. Amemos
as nossas Mães.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Telefone:
00351 936 400 689
Imprensa
Escrita Local:
Jornal: “O
Caminhense”
Jornal: “Terra
e Mar”
Blog Pessoal: http://diamantinobartolo.blogspot.com
Portugal: http://www.caminha2000.com (Link’s Cidadania e Tribuna)
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