sexta-feira, 17 de abril de 2026

COMPETÊNCIAS QUE FACILITAM O MANDATO POLÍTICO.

              O exercício de quaisquer funções, pressupõe um mínimo de características individuais que, à partida: ofereçam alguma credibilidade; inspirem confiança e facilitem uma opção, relativamente conscienciosa e a mais acertada possível, quanto à pessoa, força ou coligação política a escolher, para o desempenho de determinadas tarefas: políticas, empresariais, associativas ou outras.

É essencial que os mais destacados responsáveis, pela seleção de candidatos, pela elaboração de programas, e/ou manifestos de ação, tenham plena consciência das consequências que podem resultar das escolhas que decidem fazer, porque tais decisões implicam a assunção plena das respetivas responsabilidades.

Uma atenção muito especial, em todo o processo de convocação de candidatos, conceção de programas, estratégias, formulação de objetivos e verificação de recursos, prende-se com uma preocupação que deve ser dominante, que tem a ver com um comportamento que não seja danoso para ninguém.

Prejudicar moral, material e psicologicamente quem quer que seja, significa, à partida, que os intervenientes com tal comportamento, não merecem a mínima confiança, nem oferecem as garantias suficientes para o exercício de atividades isentas, competentes, produtoras de bons resultados, para o bem-comum.

Concorda-se que: «Não prejudicar implica evidentemente não matar nem roubar ou mentir às pessoas. Implica igualmente não sermos agressivos – não sermos agressivos nos nossos actos, na nossa linguagem ou na nossa mente. Aprender a não nos prejudicarmos a nós nem aos outros é um ensinamento budista básico sobre o poder de não agressão.» (CHODRON, (2007:51).

Salvaguardada uma primeira preocupação – não prejudicar ninguém –, afigura-se relevante, quer para o candidato a quaisquer funções, quer para as pessoas que vão ser servidas por ele, que este ofereça, sem margem para dúvidas, garantias suficientes dos conhecimentos que possui, acerca do trabalho que vai desenvolver, que devem ser tanto mais profundos e consolidados, quanto maior for o seu grau de responsabilidade.

Isto não significa que, quem não tem conhecimentos específicos sobre uma determinada situação, função, cargo ou título, não deva ter a humildade de o reconhecer, e garantir que tudo fará para, rapidamente, adquirir as competências que lhe são exigíveis para o bom exercício da respetiva atividade, inclusivamente, para sua própria segurança.

Conhecimentos e informações práticas, tanto ou mais do que uma grande cultura enciclopédica e universal, meramente teórica, embora se considere, igualmente interessante, desde logo, do ponto de vista da facilitação do relacionamento interpessoal, em contextos protocolares e elitistas.

Com efeito, seria contraproducente descurar a formação integral da pessoa contemporânea, retirando-lhe o direito inalienável de, pela educação, conhecimento, instrução, formação, treino e cultura, progredir na sua vida profissional, social e económica.

A decisão justa e a estratégia correta, apontam no sentido de conceder a oportunidade a todos os cidadãos, para se prepararem, convenientemente, para uma participação ativa e competente, no seio da sociedade. A intervenção democrática, esclarecida e habilitada na sociedade, pressupõe que os interventores, sejam titulares de conhecimentos, de informações e de técnicas para os saber operacionalizar, favoravelmente, em benefício do bem-comum da população-alvo.

Nessa perspetiva, o cuidado a ter na seleção de candidatos, por exemplo, a funções políticas, com poderes: legislativo, executivo e fiscalizador, reveste-se da maior acuidade, porque, muito dificilmente, um analfabeto, um leigo nas matérias específicas, a que se candidata, terá as melhores condições para uma boa governação.

É verdade que: «O conhecimento é produto de maior peso e significado, porque é resultado de muitos processamentos intelectuais, de associações, refinamentos e amadurecimentos mentais, e principalmente por causa de suas aplicações mais objectivas e específicas na orientação da vida, no desenvolvimento das ciências e tecnologias, nas artes, nas actividades sociais no trabalho, nos negócios. (…) Considerado como uma competência (…) é o produto da experiência, de aprendizagem, de busca de informações e de elaborações mentais aplicadas objectiva e eficazmente. O domínio do conhecimento e sua aplicação útil, com propriedade, senso de oportunidade e habilidade, representa um dos factores mais importantes da competência pessoal.» (RESENDE, 2000:68-69).

 É claro que ninguém nasce ensinado. É sabido que nem todos os titulares de muitos, profundos e atualizados conhecimentos são os melhores gestores, os bons governantes, os paradigmas de uma qualquer perfeição. A pessoa humana nasce, desenvolve-se e extingue-se sem jamais saber tudo, continuando ao longo da sua existência a buscar o conhecimento, a construir-se no Saber-ser, no Saber-estar, no Saber-fazer e no Saber-conviver-com-os-outros, nunca alcançará a totalidade do saber, nem a perfeição do comportamento social. A pessoa-humana é, por definição, um ser limitado, insatisfeito, inacabado e impreparado, no que se refere aos absolutos universais.

O conhecimento e o reconhecimento destas insuficiências constituem, por si sós, uma atitude de humildade, a qual se revela muito importante, não só no exercício de quaisquer funções, como também no relacionamento interpessoal. Neste contexto real e aceitando esta verdade evidente, quando se iniciam funções numa determinada atividade, fique-se ciente que, alguma vez terá de ser a primeira, logo, os erros poderão ser muitos.

Não havendo os conhecimentos suficientes, a experiência bastante, o hábito de boas-práticas, então, o que se exige, não será liminarmente a recusa dessa pessoa, mas que ela, no mínimo, tenha a coragem de ser humilde, de querer aprender e de se rodear de pessoas experientes, que dominem as matérias com as quais vai ter de trabalhar, de tomar decisões e de cumprir, como os demais cidadãos, todas as normas jurídicas e societárias em vigor.

Conhecimento, informação, atualização, formação moral, ética e deontológica, entre outras capacidades da pessoa humana, constituem, evidentemente, boas garantias à partida, para todos aqueles que desejam participar ativa e democraticamente na construção de uma nova sociedade.

O caminho, em princípio, está limpo, sem obstáculos, todos os cidadãos podem “circular”, sem restrições, no quadro legal e legítimo de um território livre, afinal, num Estado de Direito Democrático, cujos fundamentos, eventualmente mais genuínos, estão justificados e verificados no exercício do Poder Local Democrático.

Esse caminho poder ser percorrido utilizando vários “veículos”, importando, aqui, referir aquele que oferece mais oportunidades e igualdade de acesso – o da educação -, no conceito de formação para a vida, em todos os seus sentidos: familiar, profissional, social, religioso, político, comunitário.

Não se duvida que: «A actual mutação científica e técnica e as suas repercussões em cadeia sobre a vida quotidiana reclamam uma procura incessante de formas de educação cada vez melhor adaptadas às necessidades de variáveis dum mundo em perpétua evolução. Mais que nunca, a educação é, com efeito, uma obra comum que deve mobilizar, por sua vez, todas as forças vivas da grande comunidade dos homens: a família, os mestres, os agrupamentos sócio-culturais, as associações profissionais, enfim, todos actuando com generosidade e desinteresse para o prosseguimento desta grande obra ao serviço do bem-comum.» (BROCHADO, (1973:45-46).

Percorrer um caminho que, apesar dos benefícios, exige muita determinação, esforço, paciência e uma dose inesgotável de otimismo, certamente, garante grandes possibilidades de sucesso, em quaisquer atividades. A aquisição de conhecimentos, de informação sempre atualizada, tendo por objetivo exercer, competentemente, um determinado cargo, na circunstância, político, designadamente, ao nível do Poder Local Democrático, requer cidadãos sensibilizados para um imenso conjunto de situações, com as quais vai ter de saber lidar, resolver e, sempre que necessário, avaliar, para, se conveniente, alterar, reatualizar, enfim, melhorar aquelas soluções que não facilitaram alcançar todos os objetivos.

Um cidadão preparado para confrontar determinadas situações, resolver os conflitos daquelas resultantes, precisa, desejavelmente, possuir, para além dos conhecimentos específicos, informações atualizadas, recursos adequados, em meios humanos, técnicos e financeiros, um espírito ou, se é possível, uma formação otimista, que lhe permita acreditar no sucesso dos seus projetos, na bondade das suas propostas e estratégias.

 É necessário considerar que: «O optimismo não será panaceia para todos os males, nem é desejável um optimismo a todo o custo, um optimismo ilusório, que ultrapasse um são realismo. Deve tratar-se de um optimismo realista ou de um optimismo flexível e não irrealista ou cego. Se assim for – e o optimismo também se pode aprender (optimismo aprendido) – poderá constituir um remédio altamente benéfico para a saúde pessoal e social.» (SELIGMAN, 1992 in: OLIVEIRA, 2007:133).

 Neste sentido, entende-se que a pessoa otimista pode reunir algumas características muito especiais, nomeadamente: «Sociabilidade, sentido de eficácia pessoal, objectivos precisos na vida, saber sair-se bem dos insucessos, internalidade em termos de locus de controlo e de atribuições, perseverança, responsabilidade, sentido de humor, realismo (não perfeccionismo). Inimigos do optimismo são: atitudes perfeccionistas, baixa auto-estima, medo de arriscar e outras atitudes psíquicas» (OLIVEIRA, 2007: 133).

Reconhecer, humildemente, sem complexos de inferioridade, nem vitimização ou de culpabilidade, que ninguém é perfeito, que todos erram, e que qualquer atividade constitui um processo de permanente aprendizagem, naturalmente que credibiliza quem assim proceder. São políticos com estas características que se desejam. Políticos que reconhecem as capacidades dos seus opositores, que valorizam as ideias e disponibilidade dos seus adversários. Políticos que colocam os superiores interesses das populações que os elegeram, acima de disputas político-partidárias. Políticos que utilizam, afinal, uma linguagem assertiva, que defendem os valores da verdadeira cidadania.

 

BIBLIOGRAFIA

 

ARISTÓTELES, (s.d.). Ética Nicomaqueia, in: MILCH, Roberto, (1966). Aristóteles Ética Nicomaqueia. Tradução de Clarisse Tavares. Mem Martins: Publicações Europa-América

BROCHADO, Alexandrino, (1973). Sim e Não a Muita Coisa. Porto: Edição do Autor

CHODRON, Pema, (2007). Quando Tudo se Desfaz. Palavras de coragem para tempos difíceis. Tradução de Maria Augusta Júdice. Porto: ASA editores.

FRIED, Morton H. (1967) A Evolução da Sociedade Política: Um Ensaio sobre Antropologia Política. Tradução de Luís F.D. Duarte. Rio de Janeiro/RJ: Zahar Editora.

OLIVEIRA, José Barros, (2007). “Perdão e Optimismo: Abordagem Intercultural”, in: Psicologia, Educação e Cultura. Carvalhos: Colégio Internato dos Carvalhos. Vol. XI (1), Maio-2007, págs. 129-146

RESENDE, Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Autoajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark

  

“NÃO, ao ímpeto das armas; SIM ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”

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Venade/Caminha – Portugal, 2026

Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

 

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TÍTULO DE LORDE, POR MÉRITO CULTURAL” a quem devem ser prestadas as Honras da dignidade atribuída aos membros desta Casa Real de Borgonha – Afonsina, bem como o direito ao uso de armas distintivas. Dado e assinado, no Gabinete do Chefe da Casa Real, em 27 de Dezembro de 2025.

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TÍTULO NOBILIÁRQUICO DE COMENDADOR.

CONDECORADO COM A “GRANDE CRUZ DA ORDEM INTERNACIONAL DO MÉRITO DO DESCOBRIDOR DO BRASIL,

Pedro Álvares Cabral” pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística

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EMBAIXADOR CULTURAL PERPÉTUO. BRASIL. ANGOLA. CABO VERDE. GUINÉ BISSAU. MOÇAMBIQUE. S. TOMÉ E PRÍNCIPE. EMBAIXADA CULTURAL BRASIL ÁFRICA. 2025

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