O exercício de quaisquer funções, pressupõe um mínimo de características individuais que, à partida: ofereçam alguma credibilidade; inspirem confiança e facilitem uma opção, relativamente conscienciosa e a mais acertada possível, quanto à pessoa, força ou coligação política a escolher, para o desempenho de determinadas tarefas: políticas, empresariais, associativas ou outras.
É essencial que os mais destacados responsáveis,
pela seleção de candidatos, pela elaboração de programas, e/ou manifestos de ação,
tenham plena consciência das consequências que podem resultar das escolhas que
decidem fazer, porque tais decisões implicam a assunção plena das respetivas
responsabilidades.
Uma atenção muito especial, em todo o processo de convocação
de candidatos, conceção de programas, estratégias, formulação de objetivos e
verificação de recursos, prende-se com uma preocupação que deve ser dominante,
que tem a ver com um comportamento que não seja danoso para ninguém.
Prejudicar moral, material e psicologicamente quem
quer que seja, significa, à partida, que os intervenientes com tal comportamento,
não merecem a mínima confiança, nem oferecem as garantias suficientes para o
exercício de atividades isentas, competentes, produtoras de bons resultados,
para o bem-comum.
Concorda-se que: «Não prejudicar implica evidentemente não matar nem roubar ou mentir às
pessoas. Implica igualmente não sermos agressivos – não sermos agressivos nos
nossos actos, na nossa linguagem ou na nossa mente. Aprender a não nos
prejudicarmos a nós nem aos outros é um ensinamento budista básico sobre o
poder de não agressão.» (CHODRON, (2007:51).
Salvaguardada uma primeira preocupação – não
prejudicar ninguém –, afigura-se relevante, quer para o candidato a quaisquer
funções, quer para as pessoas que vão ser servidas por ele, que este ofereça,
sem margem para dúvidas, garantias suficientes dos conhecimentos que possui,
acerca do trabalho que vai desenvolver, que devem ser tanto mais profundos e
consolidados, quanto maior for o seu grau de responsabilidade.
Isto não significa que, quem não tem conhecimentos
específicos sobre uma determinada situação, função, cargo ou título, não deva ter
a humildade de o reconhecer, e garantir que tudo fará para, rapidamente,
adquirir as competências que lhe são exigíveis para o bom exercício da
respetiva atividade, inclusivamente, para sua própria segurança.
Conhecimentos e informações práticas, tanto ou mais
do que uma grande cultura enciclopédica e universal, meramente teórica, embora
se considere, igualmente interessante, desde logo, do ponto de vista da
facilitação do relacionamento interpessoal, em contextos protocolares e
elitistas.
Com efeito, seria contraproducente descurar a
formação integral da pessoa contemporânea, retirando-lhe o direito inalienável
de, pela educação, conhecimento, instrução, formação, treino e cultura,
progredir na sua vida profissional, social e económica.
A decisão justa e a estratégia correta, apontam no
sentido de conceder a oportunidade a todos os cidadãos, para se prepararem,
convenientemente, para uma participação ativa e competente, no seio da sociedade.
A intervenção democrática, esclarecida e habilitada na sociedade, pressupõe que
os interventores, sejam titulares de conhecimentos, de informações e de técnicas
para os saber operacionalizar, favoravelmente, em benefício do bem-comum da
população-alvo.
Nessa perspetiva, o cuidado a ter na seleção de
candidatos, por exemplo, a funções políticas, com poderes: legislativo,
executivo e fiscalizador, reveste-se da maior acuidade, porque, muito
dificilmente, um analfabeto, um leigo nas matérias específicas, a que se
candidata, terá as melhores condições para uma boa governação.
É verdade que: «O conhecimento é produto de maior peso e significado,
porque é resultado de muitos processamentos intelectuais, de associações,
refinamentos e amadurecimentos mentais, e principalmente por causa de suas
aplicações mais objectivas e específicas na orientação da vida, no
desenvolvimento das ciências e tecnologias, nas artes, nas actividades sociais
no trabalho, nos negócios. (…) Considerado como uma competência (…) é o produto
da experiência, de aprendizagem, de busca de informações e de elaborações
mentais aplicadas objectiva e eficazmente. O domínio do conhecimento e sua aplicação
útil, com propriedade, senso de oportunidade e habilidade, representa um dos
factores mais importantes da competência pessoal.» (RESENDE, 2000:68-69).
É claro que
ninguém nasce ensinado. É sabido que nem todos os titulares de muitos, profundos
e atualizados conhecimentos são os melhores gestores, os bons governantes, os
paradigmas de uma qualquer perfeição. A pessoa humana nasce, desenvolve-se e
extingue-se sem jamais saber tudo, continuando ao longo da sua existência a buscar
o conhecimento, a construir-se no Saber-ser, no Saber-estar, no Saber-fazer e no
Saber-conviver-com-os-outros, nunca alcançará a totalidade do saber, nem a
perfeição do comportamento social. A pessoa-humana é, por definição, um ser
limitado, insatisfeito, inacabado e impreparado, no que se refere aos absolutos
universais.
O conhecimento e o reconhecimento destas
insuficiências constituem, por si sós, uma atitude de humildade, a qual se
revela muito importante, não só no exercício de quaisquer funções, como também
no relacionamento interpessoal. Neste contexto real e aceitando esta verdade
evidente, quando se iniciam funções numa determinada atividade, fique-se ciente
que, alguma vez terá de ser a primeira, logo, os erros poderão ser muitos.
Não havendo os conhecimentos suficientes, a
experiência bastante, o hábito de boas-práticas, então, o que se exige, não
será liminarmente a recusa dessa pessoa, mas que ela, no mínimo, tenha a
coragem de ser humilde, de querer aprender e de se rodear de pessoas experientes,
que dominem as matérias com as quais vai ter de trabalhar, de tomar decisões e de
cumprir, como os demais cidadãos, todas as normas jurídicas e societárias em
vigor.
Conhecimento, informação, atualização, formação
moral, ética e deontológica, entre outras capacidades da pessoa humana,
constituem, evidentemente, boas garantias à partida, para todos aqueles que
desejam participar ativa e democraticamente na construção de uma nova
sociedade.
O caminho, em princípio, está limpo, sem obstáculos,
todos os cidadãos podem “circular”, sem restrições, no quadro legal e legítimo
de um território livre, afinal, num Estado de Direito Democrático, cujos
fundamentos, eventualmente mais genuínos, estão justificados e verificados no
exercício do Poder Local Democrático.
Esse caminho poder ser percorrido utilizando vários
“veículos”, importando, aqui, referir aquele que oferece mais oportunidades e
igualdade de acesso – o da educação -, no conceito de formação para a vida, em
todos os seus sentidos: familiar, profissional, social, religioso, político,
comunitário.
Não se duvida que: «A actual mutação científica e técnica e as suas repercussões em cadeia
sobre a vida quotidiana reclamam uma procura incessante de formas de educação
cada vez melhor adaptadas às necessidades de variáveis dum mundo em perpétua
evolução. Mais que nunca, a educação é, com efeito, uma obra comum que deve
mobilizar, por sua vez, todas as forças vivas da grande comunidade dos homens:
a família, os mestres, os agrupamentos sócio-culturais, as associações
profissionais, enfim, todos actuando com generosidade e desinteresse para o prosseguimento
desta grande obra ao serviço do bem-comum.» (BROCHADO, (1973:45-46).
Percorrer um caminho que, apesar dos benefícios,
exige muita determinação, esforço, paciência e uma dose inesgotável de otimismo,
certamente, garante grandes possibilidades de sucesso, em quaisquer atividades.
A aquisição de conhecimentos, de informação sempre atualizada, tendo por objetivo
exercer, competentemente, um determinado cargo, na circunstância, político,
designadamente, ao nível do Poder Local Democrático, requer cidadãos sensibilizados
para um imenso conjunto de situações, com as quais vai ter de saber lidar,
resolver e, sempre que necessário, avaliar, para, se conveniente, alterar, reatualizar,
enfim, melhorar aquelas soluções que não facilitaram alcançar todos os objetivos.
Um cidadão preparado para confrontar determinadas
situações, resolver os conflitos daquelas resultantes, precisa, desejavelmente,
possuir, para além dos conhecimentos específicos, informações atualizadas,
recursos adequados, em meios humanos, técnicos e financeiros, um espírito ou,
se é possível, uma formação otimista, que lhe permita acreditar no sucesso dos
seus projetos, na bondade das suas propostas e estratégias.
É necessário
considerar que: «O optimismo não será
panaceia para todos os males, nem é desejável um optimismo a todo o custo, um
optimismo ilusório, que ultrapasse um são realismo. Deve tratar-se de um
optimismo realista ou de um optimismo flexível e não irrealista ou cego. Se
assim for – e o optimismo também se pode aprender (optimismo aprendido) –
poderá constituir um remédio altamente benéfico para a saúde pessoal e social.»
(SELIGMAN, 1992 in: OLIVEIRA, 2007:133).
Neste
sentido, entende-se que a pessoa otimista pode reunir algumas características
muito especiais, nomeadamente: «Sociabilidade,
sentido de eficácia pessoal, objectivos precisos na vida, saber sair-se bem dos
insucessos, internalidade em termos de locus de controlo e de atribuições,
perseverança, responsabilidade, sentido de humor, realismo (não
perfeccionismo). Inimigos do optimismo são: atitudes perfeccionistas, baixa
auto-estima, medo de arriscar e outras atitudes psíquicas» (OLIVEIRA, 2007:
133).
Reconhecer, humildemente, sem complexos de
inferioridade, nem vitimização ou de culpabilidade, que ninguém é perfeito, que
todos erram, e que qualquer atividade constitui um processo de permanente
aprendizagem, naturalmente que credibiliza quem assim proceder. São políticos
com estas características que se desejam. Políticos que reconhecem as
capacidades dos seus opositores, que valorizam as ideias e disponibilidade dos
seus adversários. Políticos que colocam os superiores interesses das populações
que os elegeram, acima de disputas político-partidárias. Políticos que
utilizam, afinal, uma linguagem assertiva, que defendem os valores da
verdadeira cidadania.
BIBLIOGRAFIA
ARISTÓTELES, (s.d.). Ética
Nicomaqueia, in: MILCH, Roberto, (1966). Aristóteles Ética Nicomaqueia. Tradução de Clarisse Tavares. Mem
Martins: Publicações Europa-América
BROCHADO, Alexandrino, (1973). Sim e Não a Muita Coisa. Porto: Edição do Autor
CHODRON, Pema, (2007). Quando Tudo se Desfaz. Palavras de coragem
para tempos difíceis. Tradução de Maria Augusta Júdice. Porto: ASA
editores.
FRIED, Morton H. (1967) A Evolução da Sociedade Política: Um Ensaio sobre Antropologia Política. Tradução de Luís F.D. Duarte. Rio de Janeiro/RJ:
Zahar Editora.
OLIVEIRA,
José Barros, (2007). “Perdão e Optimismo: Abordagem Intercultural”, in:
Psicologia, Educação e Cultura. Carvalhos: Colégio Internato dos Carvalhos. Vol.
XI (1), Maio-2007, págs. 129-146
RESENDE,
Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A
melhor Autoajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro:
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“NÃO,
ao ímpeto das armas; SIM ao diálogo criativo/construtivo. Caminho para a PAZ”
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=924397914665568&id=462386200866744
Venade/Caminha – Portugal, 2026
Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras
e Artes de Portugal
http://nalap.org/Directoria.aspx
https://www.facebook.com/ermezinda.bartolo
http://diamantinobartolo.blogspot.comhttps://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1
TÍTULO
DE LORDE, POR MÉRITO CULTURAL” a quem devem ser prestadas as Honras da
dignidade atribuída aos membros desta Casa Real de Borgonha – Afonsina, bem
como o direito ao uso de armas distintivas. Dado e assinado, no Gabinete do
Chefe da Casa Real, em 27 de Dezembro de 2025.
https://www.facebook.com/photo/?fbid=3280847158747673&set=pcb.3280849792080743
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TÍTULO
NOBILIÁRQUICO DE COMENDADOR.
CONDECORADO COM
A “GRANDE CRUZ DA ORDEM INTERNACIONAL DO MÉRITO DO DESCOBRIDOR DO BRASIL,
Pedro Álvares
Cabral” pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística
http://www.minhodigital.com/news/titulo-nobiliarquico-de
EMBAIXADOR
CULTURAL PERPÉTUO. BRASIL. ANGOLA. CABO VERDE. GUINÉ BISSAU. MOÇAMBIQUE. S.
TOMÉ E PRÍNCIPE. EMBAIXADA CULTURAL BRASIL ÁFRICA. 2025
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