domingo, 8 de setembro de 2013

Os Cidadãos: O Partido mais Importante


A Democracia é um regime político que, em princípio, mais se abre à participação dos cidadãos, muito embora apresente diversas fragilidades, desde logo: a dificuldade na organização de equipas, (principalmente a nível do Poder Local das Freguesias) que, concorrentes aos diferentes órgãos do Poder, seja este legislativo e/ou executivo, à partida possam dar algumas garantias de sensibilidade social.
 A título de enriquecimento, inclui-se o Poder Moderador ou Magistratura de Influência, que é exercido, unipessoalmente, pelo Presidente da República. Este Órgão de Soberania, muito discreto, mas fundamental na democracia, para além das responsabilidades nacionais e internacionais, desenvolve ações de promoção de consensos, estabelece pontes, medeia conflitos institucionais, entre muitas outras elevadas e nobres funções constitucionais.
O bom funcionamento da Democracia implica o envolvimento dos cidadãos, integrados em forças políticas, constitucionalmente denominadas partidos políticos, movimentos cívicos, grupos de cidadania, organizações de cidadãos independentes, entre outras designações, para concorrerem aos diversos órgãos do poder colegial legislativo e executivo, no âmbito nacional e europeu.
A única eleição para um órgão do poder unipessoal é para a Presidência da República, para o qual concorrem, isoladamente, cidadãos que reúnam determinadas condições, desde logo a idade que, constitucionalmente, estabelece os 35 anos. Claro que há outros órgãos do poder, como os Tribunais, Provedor de Justiça, Tribunal Constitucional, Supremo Tribunal Administrativo, entre outros, para cujos cargos também há eleições e escolhas democráticas, muito específicas, e nas quais não participam, diretamente, os cidadãos.
Importa, nesta reflexão, concentrar a atenção na disputa dos poderes: presidenciais, legislativo, executivo, autárquico e europeu, porque: quer a organização das listas, quer os objetivos, quer as estratégias e os recursos, para se tentar alcançar a vitória são diferentes; todavia, os decisores que vão contribuir para o êxito de uns e o insucesso de outros são sempre os mesmos: os cidadãos eleitores.
 Indica, portanto, todas as pessoas maiores de dezoito anos, que não estejam impedidas do exercício da cidadania plena, o que significa estarem nas plenas capacidades, legal e psicológica, para exercerem os seus deveres e direitos cívicos. No término, é o povo anónimo que decide o seu próprio destino, nos vários níveis dos poderes democráticos, constitucionalmente consagrados na Lei Fundamental e legislação complementar, reguladora dos respetivos processos eleitorais.
Partindo-se de um “lugar-comum” (principalmente sob o ponto de vista de quem viveu mais de duas décadas num regime totalitário e depois mais de três dezenas num sistema democrático), segundo o qual, não haverá democracia sem partidos políticos, a verdade é que estas instituições são constituídas por pessoas, que têm as suas próprias opiniões, que sabem e querem viver num regime plural (numa perspetiva de uma análise generalista), que possuem, ou não, os seus valores político-ideológicos e, portanto, com posições definidas, é indispensável que nunca se perca o respeito pelos cidadãos: quer sejam considerados individualmente; quer enquadrados nas organizações políticas.
O Poder Político tem de estar sempre ao lado do povo, autonomamente, livre das ideologias dos diversos detentores, estes não devem, em circunstância alguma, servir-se da boa-fé e generosidade do povo para, depois de eleitos, ignorarem as dificuldades de quem os elegeu e/ou, pior do que isto, agravarem, ainda mais, as condições de vida das comunidades, com destaque para aqueles grupos mais vulneráveis, crianças, desempregados reformados, pensionistas, idosos, excluídos da sociedade por um qualquer preconceito ou situação.
Quando assim acontece, ou seja, quando os titulares de cargos públicos, alcançados por votação democrática, não cumprem o que prometeram, ou escusam-se a melhorar as condições de vida dos seus eleitores, no fundo estão: não só a revelar incumprimentos da palavra dada; mas também, a atraiçoar o maior partido que existe em qualquer parte do mundo: Os Cidadãos.
Com esta preocupação e como linha de orientação, considera-se que seria inadmissível dividir a sociedade em cidadãos de primeira, de segunda ou terceira categorias, porque cada pessoa, no pleno exercício das suas prerrogativas cívico-políticas, vale um voto, independentemente do seu estatuto sócio-profissional, político-religioso, cívico-cultural, económico-financeiro. Em concreto e objetivamente, tanto vale: o voto do rico como do pobre; do letrado e do analfabeto; do doutor e do sapateiro; ou seja, o princípio máximo, legítimo, legal e justo será, logicamente: uma pessoa, um voto, logo, porque são os cidadãos que decidem quem os deve governar.
Neste contexto democrático, é essencial que os cidadãos, candidatos ao exercício do poder, num determinado órgão do sistema político, tenham especial cuidado no desenvolvimento de todo o processo eleitoral: desde logo, por respeito aos cidadãos; depois, por uma questão de cumprimento de regras, princípios, valores, projetos.
 Nesse sentido, devem analisar com os eleitores as suas próprias ideias, estratégias, métodos e recursos, porque é tudo isto que se torna verdadeiramente importante, é sobre estes aspetos que os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos: com lealdade, com exatidão e com solidariedade.
Compreende-se muito bem, aceita-se dentro de determinadas balizas e deseja-se que os partidos, e outras formações políticas, concorrentes aos diversos cargos, apresentem e defendam os seus projetos, mas exige-se que, depois de eleitos, os cumpram, o mais completamente possível, e/ou expliquem, claramente, por que não os executam, em todo o caso, poder-se-á considerar inaceitável quando os cidadãos, integrantes de uma determinada lista, recorrem à calúnia, ao ataque pessoal dos seus adversários e/ou se colocam, exclusivamente, ao serviço da organização, em prejuízo da comunidade que o elegeu.
Terminada uma campanha eleitoral com o ato eletivo, deve-se respeitar, aliás como sempre, o maior partido, constituído por todos os cidadãos, sem qualquer discriminação negativa, sem quaisquer comportamentos retaliativos contra os cidadãos: sejam estes da linha vencedora; sejam os adversários que perderam a eleição.
A partir da publicação oficial dos resultados e da tomada de posse para os cargos até então em disputa, devem ser guardados todos os símbolos político-partidários e labutar-se pelo bem-estar dos militantes do único partido: O Partido dos Cidadãos, para o qual se deverá trabalhar, ou seja, para todos os Cidadãos, sem exceção, porque este é que é o grande partido.
No limite de todas as estratégias – táticas e técnicas – de um qualquer processo eleitoral, em que estão envolvidas diferentes forças políticas, está o imenso partido dos cidadãos, na circunstância, os Portugueses: quando os processos eleitorais são de nível nacional; depois estão as respetivas populações; grandes e pequenos aglomerados; urbanos e rurais; de um concelho, de uma freguesia, e por isso mesmo os adversários devem respeitar-se e lutar, apenas e tão-só, pelo bem-estar das comunidades onde se integram, porque o resto poderá ser considerado como atitudes irresponsáveis, ataques pessoais, jogo “batoteiro”, enfim, tudo menos transparência, educação, respeito, tolerância e dignidade, que a todas as pessoas são devidos.
A dimensão dos líderes avalia-se, desde logo: pelo seu caráter, aqui entendido como sendo uma postura de vida que respeita o seu semelhante; reagindo com firmeza às injustiças, à desconsideração, à deslealdade, às pressões suportadas em interesses exclusivamente pessoais, às chantagens, à defesa do bom-nome e honra, reputação e dignidade pessoais; e que, ainda assim, tem capacidade para tentar compreender aqueles comportamentos e, se necessário for, ter a coragem de se afastar dos ambientes de falsidade e cinismo, sem prejudicar com isso os superiores, legítimos e legais interesses do coletivo. O bom líder, não persiste na teimosia, apenas para demonstrar o seu poder egocêntrico.
Sendo os Cidadãos, o partido mais importante, numa sociedade democrática, eles não têm condições físicas de espaço, tempo e recursos, para todos serem governantes e governados (neste caso estaríamos numa democracia direta), por isso mesmo é que se organizam em instituições diversas, para desenvolverem e aplicarem projetos que sirvam o interesse coletivo, resultando desta circunstância a necessidade de, entre eles, escolherem aqueles que consideram estar em melhores condições para conseguirem atingir os objetivos, que satisfaçam os justos anseios dos seus concidadãos.
Partindo-se destes princípios básicos, seria incompreensível, e inadmissível, que os escolhidos para os vários grupos que vão disputar o poder, se envolvessem em processos, vulgarmente designados por “baixa política”, ou de “jogo rasteiro”, ou ainda o recurso à intromissão na vida privada uns dos outros, à difamação, à humilhação e atitudes de vária natureza.
Com estes comportamentos estão, afinal, a descredibilizar o grande partido dos Cidadãos, o regime político-democrático, no caso em apreço, estão a faltar ao respeito: aos seus conterrâneos e concidadãos; à sua família e amigos; no limite, a si próprios.
Os líderes em quem se pode confiar são aqueles que utilizam métodos, estratégias, processos e recursos transparentes, com: afabilidade, solidariedade em relação aos mais vulneráveis; amizade no sentido da consideração e estima; lealdade, sem subterfúgios; humildade e tolerância, sabendo escutar, com generosidade, as dificuldades que os seus semelhantes lhes vão apresentando, trocando impressões e ideias, se necessário, com outros líderes, a fim de encontrar e aplicar as melhores soluções.
Antes, durante e depois de qualquer disputa eleitoral para um determinado cargo político, deve-se: por um lado, colocar o símbolo do “interesse coletivo”, do “bem-comum”, porque não haverá muitas outras formas de se credibilizar mais, certas atividades e os seus agentes diretos; por outro lado, cumpre a todos os atores, neste palco da vida, agirem com ética e deontologia profissionais, sim, igualmente com: rigor, princípios, valores, sentimentos e emoções; sempre numa perspetiva positiva, em que as diversas dimensões, verdadeiramente humanistas, sejam os pilares de uma vida digna para todos os componentes deste grande partido: os Cidadãos, que estão primeiro que os números, as estatísticas e outros interesses.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

Portugal: http://www.caminha2000.com (Link’s Cidadania e Tribuna)

domingo, 1 de setembro de 2013

Política com Lealdade


Enquanto valor e atitude, a Lealdade é uma dimensão humana que importa enaltecer e praticar, sistematicamente, em quaisquer contextos da intervenção da pessoa verdadeiramente humana. A Lealdade poderá, também, ser uma virtude, se se considerar que colocada ao serviço do bem-comum produz resultados que, em parte, conduzem à harmonia, à paz e à felicidade entre as pessoas que se querem relacionar de forma saudável, sem azedumes, sem invejas, sem ódios.
Na política, tal como noutras atividades humanas, exige-se valores e comportamentos compatíveis com a dignidade individual e coletiva, respeitadores das ideias, opiniões e intervenções dos adversários, partindo-se do pressuposto que todos são pessoas de bem, com direito inquestionável à honra, reputação e bom-nome. “Até prova em contrário, todas as pessoas são inocentes”.
Na política, como noutras atividades, a Lealdade fará parte, certamente, de um processo, este entendido como o conjunto de boas-práticas, de organização, de aplicação de normas éticas e morais, de transparência e de respeito pelos adversários. Respeito como valor cívico e civilizacional.
O exercício da atividade política implica, por parte de quem se envolve na vida pública, ao serviço da comunidade, a maior isenção e rigor no que respeita ao relacionamento com os cidadãos em geral, e com os adversários em particular. Com efeito, quem se predispõe, voluntariamente, a servir o povo, não pode, nem deve, valer-se da sua posição, do poder que detém e das influências que conquista, discriminar quem não comunga das suas ideias.
Desempenhar uma função política exige qualidades de liderança competente, assertiva e, fundamentalmente, grande nobreza de caráter. É necessário considerar que antes de se ser líder político, possivelmente, desempenharam-se outras tarefas na vida, como simples cidadão e que, certamente, nesta qualidade, não gostaria de ser humilhado, marginalizado e, tão pouco, devassado na sua vida privada.
O cidadão/político que se envolve na “luta” pela conquista do poder, tem consigo toda uma equipa de colaboradores que, evidentemente, tem de liderar, com humildade e segurança, também com firmeza e generosidade: «A verdadeira generosidade não é evento ocasional. Vem do coração e permeia todos os aspetos da vida de um líder, tocando o seu tempo, dinheiro, talento e bens. Os líderes eficazes, o tipo que as pessoas vão querer seguir, não juntam as coisas apenas para si próprios, fazem-no para dar aos outros. Cultivam a qualidade da generosidade nas suas vidas. (…) A generosidade requer que se coloque os outros em primeiro lugar.» (MAXWEL, 1999:62).
O líder político age, portanto, com valores essenciais à dignidade da pessoa humana, independentemente de serem os seus fiéis seguidores ou os seus adversários políticos, religiosos, profissionais ou de quaisquer outras atividades e estatutos e em diferentes contextos.
É, naturalmente, inconcebível e intolerável que, em pleno século XXI, ainda se utilizem “recursos e técnicas” de inaceitável comportamento. O líder que hoje recorre à difamação, ao ataque pessoal e à ofensa da honra, reputação e bom-nome dos seus adversários, amanhã fará o mesmo em relação àqueles que tiverem a infelicidade de estarem debaixo do seu poder, sempre que o contrariarem.
Regra geral, toda a pessoa tem a obrigação de ser educada, correta, amável, tolerante. Em concreto, todo o líder político tem o dever ético-moral de ser generoso, leal e compreensivo para com os seus adversários e, nesse sentido, deve preocupar-se em apresentar, claramente, as suas ideias, os seus projetos, informando e prometendo com verdade o que tenciona realizar, efetivamente, sem demagogias nem populismos ocasionais.
O debate democrático das ideias e dos projetos é o melhor processo para respeitar os adversários e o povo eleitor, de contrário o descrédito da política e dos políticos é a consequência natural e que, rapidamente, se concretizará, para prejuízo de todos. Ao que as sondagens indicam, parece o que está a acontecer um pouco por todo o lado: a difícil aceitação da atividade política e seus agentes.
A lealdade na política pressupõe, portanto, atitudes que sejam entendidas como preocupações que o líder/candidato tem para com a comunidade que, voluntária e generosamente, quer servir. Ações de grande transparência, sinceridade e humildade, nas quais se possa acreditar como sendo próprias de uma pessoa bem-formada, sem preconceitos, de uma qualquer superioridade.
A lealdade não é compatível com intervenções improvisadas, ilusórias e de pura e sedutora duplicidade. A lealdade em política deve, inclusivamente, contribuir para a credibilização, para a dignificação de todos os agentes no processo democrático, em todos os setores da vida das comunidades.
É pela lealdade que se incute a confiança, seja nos concorrentes, seja no povo anónimo. Em princípio, quem não é leal para com os seus adversários, muito menos o será para com os cidadãos comuns, pelo que estes devem estar muito atentos em relação ao que é dito, prometido e exequível de realização, pelos diversos candidatos, a um determinado cargo público.
O líder leal será sempre uma pessoa que procurará a verdade, que sabe esclarecer com clarividência todas as suas posições, que não recorre a métodos que humilham as pessoas em geral, e os seus adversários em particular. O líder leal, assertivo e justo deve apoiar-se na sua própria convicção, acerca de uma ideia, de um projeto, de grandes princípios, valores e sentimentos, até porque este líder deverá ser uma pessoa portadora de diversas dimensões humanas, familiares, religiosas, políticas, profissionais, sociais, entre tantas outras.
A lealdade, em política, paga um preço muito alto, quando confrontada com a deslealdade dos adversários, com os ataques pessoais, vilipendiosos, difamatórios e intimidatórios. Mas o povo é sábio, prudente e justo, pelo que saberá muito bem que se um líder/candidato não é leal para com os seus concorrentes, jamais o será para com a comunidade em geral.
A mentalidade da promessa fácil e enganosa, do sorriso forçado, do cumprimento forçado, do denegrir os adversários para “conquistar” simpatias, entre outros “truques”, tem os seus dias contados, porque, em bom rigor: “Quem hoje me quer mal a mim; amanhã quererá o teu mal”; ou ainda: “Quem é amigo do meu adversário, não pode ser meu amigo, nem estar do meu lado com lealdade”.
O líder que se pauta pela lealdade, preoupa-se com o respeito pelos seus adversários, solidariza-se com eles quando são vítimas de injustiças, de ataques pessoais, de comportamentos que humilham e ofendem. A lealdade na política coloca-se acima de meros interesses político-partidários, egoísmos e oportunismos. A lealdade não é solidária com jogos duplos, nem compatível com posições ambíguas, neutras, de mero comportamento de circunstância. Lealdade implica firmeza, verticalidade, transparência, tolerância e solidariedade.
O líder/candidato a um cargo público, através do voto livre e democrático, tem de ser uma pessoa com formação cívico-institucional e democrática, bem consolidada, porque o respeito pelos valores da cidadania, exercidos pelos adversários e eleitores, é o núcleo central, à volta do qual deve funcionar todo o processo democrático
Com efeito: «Cidadania é um estado de espírito e uma postura permanente que levam as pessoas a agirem, individualmente ou em grupo, com objetivos de defesa de direitos e de cumprimento de deveres civis, sociais e profissionais. Cidadania é para se praticada todos os dias, em todos os lugares, em diferentes situações, com variadas finalidades.» (RESENDE, 2000:200).
Como corolário, pretende-se deixar bem vincado que a lealdade em política passa, necessariamente, pelos valores cívicos, pelos comportamentos democráticos, pelas atitudes corretas, educadas e amáveis, rejeitando, liminarmente, toda e qualquer intervenção que vise devassar a vida privada, profissional, social, cultural, religiosa e empresarial dos adversários, dos seguidores e da população em geral.
O líder leal é o que orienta a sua atividade política dentro dos valores democráticos, no respeito pela dignidade, ideias e projetos dos seus adversários, que é solidário com estes, sempre que forem vítimas de injustiças, humilhações e ofensas. O líder leal terá de ser a pessoa com quem a sociedade pode contar, para o bem e para o mal, confiar e socorrer-se, sempre que seja necessário.
O líder lela e democrático, em circunstância alguma, se for bem formado, recorrerá à injúria, à humilhação, à devassa da vida dos seus adversários, familiares, seguidores e colegas. O líder leal, suscita confiança, estima, consideração, solidariedade e, por que não, amizade, e recebe também idênticos valores e sentimentos de todos os que como ele intervêm na sociedade

Bibliografia

MAXWELL, John C., (1999). As 21 Indispensáveis Qualidades de um Líder. 1ª Edição Portuguesa, 2010.Trad. Paula Alexandra. Lisboa:SmartBook. 
RESENDE, Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Auto-Ajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

         www.caminha2000.com (Link’s: Cidadania e Tribuna)
         http://www.caminhense.com

domingo, 25 de agosto de 2013

Comunicação: Chave para o Sucesso


Entendido o sucesso como a realização positiva dos projetos idealizados e executados, ao longo da vida, seja da pessoa individualmente considerada, ou da instituição, qualquer que seja a natureza dos resultados, materiais e/ou imateriais, preenchendo, portanto, os requisitos constantes dos objetivos, seguramente que nesse êxito, uma parte significativa resulta do trabalho desenvolvido, justamente e também, o trabalho comunicacional.
Pela comunicação se estabelecem contactos, se negoceiam condições, se encontram soluções, novos conhecimentos foram adquiridos, outras relações se estabeleceram. A comunicação sempre esteve presente nas relações que, ao longo do projeto e da vida, foram necessárias e desenvolvidas, implícita ou explicitamente, com objetivos pré-estabelecidos ou alterados e fixados no decurso da comunicação. Sempre, e uma vez mais, a comunicação a conduzir os destinos da humanidade em geral, e do indivíduo em particular.
Toda a pessoa, as instituições e os povos de todo o mundo vivem em permanente conflito, seja consigo próprio, no mais íntimo da sua interioridade, seja com o vizinho, o colega de trabalho, o amigo, a família, as organizações.
A decisão que cada um entender adotar e executar, para resolver um conflito, interno ou externo, implica, por uma lado, assumir a responsabilidade pelas consequências resultantes e, por outro, alcançar o objetivo que se propôs, pelo desenvolvimento e desfecho do conflito, sendo certo que este estado latente de conflitualidade, pode contribuir para clarificação de muitas situações individuais, coletivas, institucionais e organizacionais. Pode-se aplicar aqui o adágio popular: “Do conflito, nasce a luz”.
A comunicação, no sentido mais utilitarista, desempenha na condução de qualquer conflito, um papel nuclear, na busca de soluções. Pelo relacionamento interpessoal e interinstitucional, pela aplicação de regras, métodos e estratégias transparentes, é sempre possível tentar a aproximação das posições.
Um dos segredos para o sucesso comunicacional poderá residir na aplicação de uma ética do diálogo, aqui considerada como uma deontologia, isto é, um conjunto de deveres que os interlocutores devem assumir, como se se tratasse de uma situação profissional. O diálogo profissional, entendido como um conjunto de capacidades e competências, no respeito por deveres recíprocos, na perspectiva assertiva.
Uma das possíveis chaves para o sucesso pode, então, passar por uma atividade comunicacional do tipo relações públicas, com ética, com assertividade, com total comunhão de valores, princípios, regras, deveres e direitos, ou, na impossibilidade de tal convergência, no respeito pelas diferenças. Exige-se que a comunicação seja de nível profissional, com técnicas adequadas e verdadeiras, como se impõe em qualquer atividade e entre pessoas civilizadas.
Adoptar, neste âmbito, os padrões da conduta profissional das relações públicas, pode ser uma boa estratégia para o êxito do diálogo, porque: «Temos o dever positivo de observar os padrões mais elevados na prática das relações públicas. Além disso, temos a responsabilidade pessoal, em todas as ocasiões, de lidar justa e honestamente com o cliente, empresário e empregados, passados ou presentes, com os colegas, com os meios de comunicação e, sobretudo, com o público.» (GARCÍA, 1999:152).
Este padrão de conduta, no quadro das relações públicas, é susceptível de adaptação à comunicação entre vários interlocutores, nos diferentes papéis em que estão investidos e com objetivos estabelecidos para as partes, sem que, necessariamente, alguém perca ou ganhe tudo, mas, pelo contrário, que se verifique um resultado do tipo “ganha/ganha”.
Outra das chaves possíveis para o sucesso, aqui num quadro conflitual, pode passar por uma conduta baseada no interesse, no respeito e na atenção que se manifesta, em relação ao interlocutor que expõe as suas razões, sobre o conflito em análise. Neste caso, o diálogo com base no saber escutar, pode funcionar.
A verdade absoluta é um conceito cuja concretização, ao nível da descoberta, não está totalmente ao alcance do ser humano. Extremar argumentos, sem fundamentação lógica, coerente e verdadeira, é uma prática muito utilizada, que não tem conduzido a resultados genuinamente verídicos, porque são falseados na disputa pela vitória, que cada interlocutor procura a todo o custo, não só para alcançar destaque e protagonismo pessoais, como também para humilhar o seu alegado adversário. Neste tipo de condutas, em que ninguém ouve ninguém, em que a escuta ativa não faz parte do diálogo, certamente que o sucesso das partes fica comprometido, ou nem sequer é alcançado.
A verdade, como a virtude e outros valores, não sendo absoluta para o indivíduo humano, no que respeita à certeza, pode, contudo, encontrar-se no meio-termo, na perspectiva das partes atingirem o máximo consenso, sem vitórias nem derrotas, sem protagonismo nem discricionariedade.
A competência reside no saber escutar o outro, compreender as suas motivações, os seus anseios, as informações potencialmente verídicas que possui, ou não, a emoção colocada no assunto e/ou conflito em discussão, na sua genuína transparência. Se houver uma escuta ativa, atenta, interessada, amiga, se necessário solidária, em cada interlocutor e/ou ouvinte, então, tudo ficará mais fácil, porque mais claro e mais verdadeiro.
 De facto: «Os ouvintes atentos pensam melhor porque sabem escutar e percebem melhor os factos e as opiniões. Porque os ouvintes atentos vêem melhor os problemas e combinam o que aprendem das formas mais imprevisíveis, são mais capazes de ideias surpreendentes. Finalmente, os ouvintes atentos estão em melhor sintonia com o rumo das situações e o modo como os produtos, o talento e as técnicas devem evoluir para o acompanhar. Por isso é especialmente útil adquirir a capacidade de escutar, mas ser um ouvinte eficaz não é tão fácil como parece.» (WILSON, 1993:144). Saber escutar com as características que se citaram é fundamental para o sucesso de qualquer comunicação.
O sucesso da comunicação, elevado ao seu mais alto expoente, pode traduzir-se na obtenção da paz, esta considerada como uma situação que proporciona a cada um, e à comunidade em geral, um bem-estar a todos os níveis da existência humana: bem-estar moral, social, profissional, económico, físico-mental, religioso, político e ambiental, entre outras classificações possíveis.
Uma paz que não é definida pela ausência da guerra, mas uma paz ativa, numa sociedade responsável, constituída por pessoas de valores, princípios e sentimentos, capacitada para anular problemas latentes e resolver conflitos em ato, ou potencialmente em deflagração.
Vai ser pelo respeito dos direitos e deveres de cada um que se poderá alcançar um pouco mais de harmonia, a começar nas atitudes comunicacionais, precisamente a partir da competência de escutar, o que envolve uma grande serenidade de espírito, para não estar preocupado consigo próprio, enquanto deveria estar a ouvir atentamente o seu interlocutor.
Implica, também, lutar contra a tentação de fazer juízos de valor, sobre a pessoa que fala, evitar a todo o custo a preparação, premeditada e intencional, para produzir uma resposta que, objetivamente, vai desrespeitar o interlocutor que discursa e destruir todos os seus argumentos, por mais sérios, corretos e lógicos que estes sejam.
Se a omissão, em certas circunstâncias, é compreensível, nomeadamente em determinado tipo de negócios e competições, porque não provoca prejuízos nem ofende a outra parte, já a mentira, (que implica deslealdade, falta de solidariedade e intransigência), muito dificilmente, será compreendida e aceite, ressalvando-se sempre o conceito quando elevado ao nível do absoluto, porque a omissão e a mentira absolutas, também, tal como a verdade, não estão ao alcance da capacidade humana, existindo, muitas vezes, algum relativismo: o que hoje é verdade, amanhã poderá não o ser; o que ontem era mentira, hoje será verdade; o que foi omisso no passado, poderá ser declarado no futuro.
Sejam quais forem as circunstâncias, as estratégias, os recursos e os objetivos, a comunicação deve revestir as características de: clareza, objetividade, assertividade, escuta ativa, sem preconceitos; sem formulação de juízos de valor; deve utilizar uma linguagem correta, do ponto de vista das regras e simplicidade, para uma boa compreensão.
A formação no domínio da comunicação verbal e não-verbal, deve ser considerada uma prioridade mundial e um investimento altamente rentável, a médio prazo, para o êxito de todas as atividades humanas, inclusive para a obtenção do sucesso de cada um em particular, mas também de quase todos e da paz universal, no sentido em que aqui lhe é dado.
Deseja-se, por tudo o que se expôs, uma elevada competência no comportamento comunicacional para a melhoria das relações interpessoais, na dignificação da pessoa humana, no respeito pelas opiniões diferentes, na compreensão de atitudes e condutas. Nunca perder de vista que o ser humano é altamente falível e como tal: “reação, gera reação”.
Evitem-se, portanto, os confrontos agressivos, vexatórios e persecutórios, bem como todo e qualquer procedimento que ofenda a honra, o bom nome e a nobreza das pessoas. “Esta vida são dois dias”. Tudo é efêmero neste mundo terreno e para a posteridade ficam registadas apenas: as nossas ações: boas e más; as nossas amizades; os nossos princípios, valores, sentimentos e emoções sinceramente sentidos e vividos, conforme a nossa consciência, de cujo julgamento não escapamos, mesmo que tenhamos enganado todo o mundo.

Bibliografia

GARCIA, Manuel Moler, (1999). As Relações Públicas, Trad. Duarte Nuno Bettencourt da Câmara, Lisboa: Estampa (BP)
WILSON, Graham & LODGE, Derek, (1993). Resolução de Problemas e Tomada de Decisão: Inovação, Trabalho de Equipa, Técnicas Eficazes. Trad. Isabel Campos. Lisboa: Clássica. 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

domingo, 18 de agosto de 2013

Civismo Eleitoral


A política, enquanto atividade voluntária, ao serviço do bem-comum, não pode sobrepor-se, negativamente, aos mais nobres princípios, valores, sentimentos, emoções, usos, costumes e tradições da sociedade e das pessoas.
A política é tanto mais credível, quanto mais respeitáveis forem os seus agentes diretos, porque a pessoa de caráter não utiliza recursos que colidem com a dignidade dos seus semelhantes, pelo contrário, sabe conviver, observando, com tolerância e compreensão e, se necessário, com solidariedade, as posições e conceitos dos seus opositores ideológicos.
É muito provável que determinados candidatos a um cargo público, no mundo do poder político, recorram a esquemas traiçoeiros para angariação de votos, pela humilhação dos seus adversários.
Uma campanha eleitoral deve pautar-se pelo respeito, atenção, tolerância e, por que não, solidariedade entre os diferentes candidatos, porque é no exercício daqueles valores, a que lhes correspondem atitudes e comportamentos ético-morais e cívico-políticos. Uma campanha eleitoral destina-se a esclarecer, divulgar ideias e projetos, a desenvolver durante o exercício do cargo para que está a concorrer e na eventualidade de ser eleito.
Antes e durante a campanha eleitoral existirá entre as pessoas em geral, e os candidatos em particular, um determinado relacionamento interpessoal, possivelmente, de consideração, de estima e até de amizade, portanto, não faz qualquer sentido e, pelo contrário, poderá revelar que, ao serem desrespeitados aqueles valores e inerentes atitudes, afinal tudo não passava de hipocrisia, de falsidade, de cinismo, porque: princípios, valores, sentimentos, emoções e amigos, são inegociáveis ou, quando verdadeiros, devem ser rigorosamente preservados, evitando tudo o que possa feri-los e violá-los.
A amizade, quando verdadeira e vivida afetivamente, não é compatível com outros interesses que a prejudiquem, por mais legítimos e legais que possam parecer. A amizade entre duas pessoas não pode, em circunstância alguma, ser traída e não há política que justifique uma tal deslealdade (nem entre as pessoas que se querem bem), até porque quase tudo na vida é efémero e muito pouco importante, se compararmos com determinados valores, como, por exemplo: amizade/amor, saúde, família, trabalho, felicidade e a Graça Divina, entre outros.
Quem busca o poder: por processos transparentes; com respeito pelas pessoas em geral, e pelos adversários em particular; com elevação cívica; com ideias e projetos exequíveis; defendendo com convicção os valores essenciais da dignidade humana, acredita-se que tais candidatos são merecedores da credibilidade, da confiança, da consideração e respeito.
Estes candidatos são os que mais e melhores perspectivas e esperanças criam para uma boa governação e é neles que devemos depositar o nosso voto, porque quem hoje me faz bem a mim, amanhã poderá fazer-te a ti. O contrário também poderá ser verdadeiro.
O tempo da violência verbal, física, psicológica, por quaisquer processos e instrumentos, está ultrapassado, ou deveria ser “enterrado”, porque quem procede com violência e desrespeito pelos mais legítimos e legais direitos dos outros, não poderá ser considerado capaz, competente, credível e suficientemente educado para gerir o que quer que seja, e muito menos para desenvolver e consolidar um relacionamento interpessoal verdadeiramente compatível com o cargo e com a dignidade dos governados.
De resto, até se pode partir da vida não política de cada pessoa, e tentar confirmar como ela se comporta: na família, com os amigos, colegas de trabalho, no associativismo, na sociedade em geral, porque lá diz o ditado: “Quem não é na vida privada, também não o vai ser na vida pública”, isto é: conforme uma pessoa se comporta, em regra, numa determinada situação, poderá ter idênticas atitudes noutros contextos, por isso é preciso distinguir muito bem: o “trigo do joio”; a lealdade da traição; o trabalho do ócio; a boa educação/formação das arrogâncias e fanfarronices populistas.
Igualmente é muito importante que ao formar-se uma equipa, com o seu líder à cabeça, se analise muito bem os perfis individuais, as capacidades de cada elemento, o seu histórico ético-moral, sócio-profissional, cívico-axiológico, teórico-prático, porque tais cuidados na seleção resultam, mais tarde, na credibilização da atividade política, e dos respetivos integrantes dessa equipa, para além de uma garantia prévia de que, independentemente dos resultados, dessa equipa ficar no poder ou na oposição, seguramente, dela se pode esperar um trabalho profícuo, competente e sério.
As campanhas eleitorais servem não só para os candidatos apresentarem as suas ideias, projetos, recursos e objetivos a atingir, para o bem-comum, como também para o eleitorado ter tempo de analisar as propostas e os respetivos candidatos, não sendo necessário que estes optem por “esquemas censuráveis” impróprios para uma sociedade que se deseja pacífica e pacificada e, muito menos, que utilizem o ataque pessoal com atitudes atentatórias da dignidade, honra e bom nome dos adversários.
Independentemente da generosidade do povo, da sua tolerância e eventuais simpatias particulares, ou político-partidárias, os candidatos devem-se, reciprocamente, respeito, lealdade, solidariedade perante injustiças e calúnias vindas de outras pessoas e equipas.
Os candidatos têm a obrigação de ser o exemplo de como se deve exercer o poder, isto é: com educação, respeito firmeza, sentido social bem claro, tolerância e espírito de missão porque, a política é nobre quando é superior às atitudes e comportamentos mesquinhos e oportunistas. Em Política, tal como na vida, “Não Vale Tudo”.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
 
Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

domingo, 11 de agosto de 2013

Gestão da Comunicação


Gerir a comunicação, competentemente, é uma tarefa de todos, nas suas relações interpessoais e inter-grupais e, mais exigentemente, naqueles que exercem atividades de alguma ascendência sobre todos os outros, sejam subordinados e/ou dependentes. Aqueles que têm a obrigação de comunicar correta e educadamente.
De uma gestão competente da comunicação, podem resultar situações favoráveis para as pessoas abrangidas pela comunicação, desenvolvida no seio de uma organização, qualquer que seja a sua natureza: política, religiosa, social, empresarial, pública ou privada, nacional ou internacional.
Gerir a comunicação é uma condição para o sucesso individual e coletivo, na perspectiva da obtenção de resultados que, na circunstância, equivale, também, a resolver problemas que afetam as pessoas, individualmente consideradas, e as próprias comunidades onde elas se inserem.
Um dos conceitos de gestão, retirado do contexto empresarial, leva à ideia, segundo a qual: «A gestão é um processo que visa obter resultados através de uma melhor utilização dos recursos humanos, financeiros e materiais à disposição da organização e de cada gestor. Por outro lado a gestão preconiza acrescentar valor a esses recursos, sendo que este valor acrescentado depende da competência e do compromisso das pessoas responsáveis pela gestão do negócio.» (ARMSTRONG, 2005:3)
Cada pessoa é gestora de si própria, de tudo quanto idealiza, planifica executa, valida pelos objetivos fixados e atingidos e, correlativamente, responsável pelos sucessos e pelos fracassos. Quanto melhor preparada a pessoa estiver, tanto mais  e excelentes serão as probabilidades de êxito.
Quanto melhor souber aplicar os seus conhecimentos, experiências e emoções, tanto melhor conseguirá integrar-se num determinado contexto sócio-cultural, politico-institucional e técnico-profissional.
Os princípios gerais que se aplicam à gestão empresarial, em geral, podem adaptar-se à gestão da comunicação, em particular. Saber gerir a comunicação, no tempo, no espaço e numa dada situação concreta é, de facto, uma ciência, muito importante nos dias conturbados que as sociedades atravessam e as pessoas sofrem, sem culpa, quantas vezes, sem saberem porquê.
Gerir a comunicação significa: utilizar bem os recursos linguísticos em ambientes de transparência recíproca, isto é: emissores e receptores da comunicação, devem utilizar os mesmos códigos, canais iguais, semânticas idênticas, em contextos reais de relacionamento interpessoal assertivo no ato comunicacional, para se chegar a resultados satisfatórios para os interlocutores.
Num tempo e num espaço que se desejam de profunda harmonia, compreensão, tolerância, solidariedade e paz, desenvolver estratégias que visem resultados do tipo “ganha/perde”, em que uma das partes ganha tudo e a outra perde tudo, poderá não ser a melhor gestão da comunicação, porque o adágio, segundo o qual: “Vencido mas não convencido”, a médio prazo, pode trazer retornos de consequências imprevisíveis.
Vencer o interlocutor com base em argumentos: falaciosos, porque falsificados; agressivos, porque intimidatórios; manipuladores, porque hipócritas; passivos, porque, comodamente, indiferentes e, aparentemente, inofensivos, vão criar novas situações, mais complexas, porque suscita a dúvida, a incerteza, a desconfiança e o sentimento de desforra.
Gerir a comunicação implica um discurso assertivo, um diálogo que conduz a reações positivas no sentido do respeito recíproco. A assertividade começa, portanto, em cada pessoa, por sua livre e intencional vontade: «Ser assertivo significa defender os nossos ideais. Terá que acreditar em si próprio e no que está a fazer, explicando as suas convicções de uma forma confiante e sem hesitações. Trata-se de recorrer à sua capacidade de persuasão.» (Ibid.:28).
Parte relevante da conflitualidade, hoje existente um pouco por todo o mundo, deve-se ao uso, e abuso, de uma comunicação agressiva, demagógica e descontextualizada. Entre outras situações possíveis de serem identificadas, quer ao nível particular, quer no domínio público, verifica-se, em certas atividades, objetivamente na política, que a comunicação pretende e, em muitos casos, consegue, influenciar os cidadãos para a tomada de posições num determinado sentido, favorável ao grupo e/ou candidato que usa a comunicação ambígua e desfasada das realidades: sócio-cultural, económica e profissional, em que é transmitida.
Resultados idênticos acontecem quando a comunicação e o relacionamento interpessoal, deles resultantes, assumem aspectos conflituosos, no sentido mais negativo do termo conflito, dando origem a desentendimentos, a maior confusão e ao sentimento de vingança.
O conflito civilizado é necessário quando ajuda a esclarecer, quando encontra soluções favoráveis ao todo, no respeito pelas diversas partes. A comunicação conflituosa, desde que assertiva, constitui um caminho possível, quando ela resulta, apenas, de pontos de vista divergentes que urge aproximar de uma nova posição consensual, entre as partes em desacordo, o que se consegue democrática, tolerante e compreensivamente.
O princípio da comunicação esclarecedora, formativa, pedagógica e inclusiva dos pontos de vistas consensuais, dos diversos interlocutores, constitui um bom método para a resolução de conflitos, para solucionar problemas que, inicialmente, se apresentavam insolúveis, bem como para obtenção de resultados que favorecem a compreensão e o respeito entre os cidadãos, os quais têm que ser competentes, no relacionamento interpessoal, através da comunicação verbal e não-verbal, para que o resultado final “ganha/ganha” seja alcançado.
Também aqui se exige competência no Saber-ser e no Saber-estar, simultaneamente com este Saber-fazer a comunicação, justamente, no respeito pelas regras que estabelecem o uso da língua, que orientam para os valores essenciais da sociedade democrática, solidária e culta, entendendo-se aqui a cultura no seu sentido antropológico, no respeito pela diversidade das demais culturas.
Nenhuma cultura superior; nenhuma cultura inferior, mas, todas diferentes, todas enriquecedoras e complementares para a formação cívica do cidadão, deste novo e fascinante mundo em que a humanidade vive. Neste sentido também se pode gerir a comunicação e considera-se uma boa gestão quando estes resultados são expressos pelos valores que se acabam de enunciar.
Seria, pelo menos a curto prazo, utópico desejar-se uma comunicação universal consensual. Cada pessoa é um mundo diferente, com valores, princípios, sentimentos, emoções, aspirações e possibilidades diversas, para atingir objetivos idealizados. Obviamente que é manifesta a impossibilidade de conciliar os objectivos individuais e convertê-los em projetos universais, com resultados iguais para todos.
A harmonização da comunicação é, também ela, uma dificuldade praticamente insuperável, mas possível de, minimamente, se compatibilizar com os superiores desígnios universais, ao nível dos grandes grupos nacionais, no contexto das respetivas nações.
A condução deste processo é da responsabilidade de todos os agentes envolvidos: o indivíduo, as instituições e seus sistemas; os responsáveis políticos, religiosos, financeiros, cientistas, técnicos e a comunidade internacional, congregada na sua organização máxima que é a ONU – Organização das Nações Unidas, através dos diferentes Departamentos especializados para as diversas situações.

Bibliografia:

ARMSTRONG, Michael, (2005). Como Ser Ainda Melhor Gestor. Trad. Geraldine Correia e Raquel Santos. Lisboa: Edição Actual Editora
 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

Portugal: www.caminha2000.com (Links Cidadania e Tribuna)

domingo, 4 de agosto de 2013

Escutar, também é Amar


O relacionamento humano, verdadeiramente sentido, assente em princípios, valores, sentimentos e emoções, é tanto mais profícuo quanto melhor se desenvolver o contacto com quem se deseja conviver, precisamente, a partir de atitudes de respeito, amabilidade, generosidade e atenção máxima, prestada à pessoa que pretendemos para o nosso convívio, de acordo com o contexto em que a relação se desenvolve, sendo certo que a escuta ativa, interessada e reciprocamente partilhada, será sempre um bom começo de conversa e relacionamento duradouro.
É verdade que a consideração e a estima por alguém, com quem se ambiciona iniciar, desenvolver e consolidar uma relação leal, ou manter uma já existente, revelam respeito e também carinho, o que facilita o aprofundamento de uma saudável cumplicidade que, balizada naqueles e noutros valores, manter-se-á, praticamente, indestrutível.
É muito importante dar-se a oportunidade para que alguém possa confiar em nós, demonstrar que somos sóbrios, rigorosos e credíveis, o que se consegue através de uma postura de total entrega, de compreensão e de sigilo de tudo quanto nos é confiado. São uma ética e uma deontologia da amizade.
Sabendo-se que é cada vez mais difícil, conquistar-se e garantir uma amizade sincera, e que depois de a conseguir as manifestações de reconhecimento, de gratidão e dádiva devem ser permanentes, isso implica, de facto, estar-se disponível para prestar todo o apoio, de qualquer natureza, revelar por pensamentos e ações preocupações pelo bem-estar da pessoa com quem desejamos uma relação de convivência, a todos os níveis.
Acredita-se que é possível construir uma relação que conduza a um elevado nível de colaboração, a uma amizade de tal forma intensa que, cada vez mais, as pessoas, assim envolvidas, revelem o seu amor, também através da escuta atenta e carinhosa, porque: «Escutar é uma forma de amar. É um modo de mostrar ao outro que o que ele diz tem valor, que aquilo que comunica não cai no saco vazio, que tem interesse. (…) Quem ama está, em última análise, disposto a escutar o seu par, os seus filhos, os seus amigos e os seus concidadãos. (…) Amar é render-se completamente ao outro, comprometer-se a ajudá-lo, a fazê-lo crescer, e potenciá-lo em todos os sentidos. Amar é cultivar o bem do outro.» (TORRALBA, 2010:143).
Quem não gosta de ser escutado, com respeito, com atenção, com bondade, com paciência e compreensão? Quem não gosta de confidenciar seus problemas, aspirações, sentimentos, alegrias, tristezas, dor e sofrimento, a uma pessoa em quem possa confiar plenamente, que sabemos ser nossa amiga verdadeira? Quem não gosta de enviar/receber uma palavra de conforto, de estímulo, de gratidão, um conselho sincero, um gesto de carinho, uma promessa de ajuda efetiva, um ombro amigo, no qual se possa descansar com segurança?
Onde está a pessoa que, amavelmente, esteja disponível para nos escutar e orientar, quando estamos desalentados, quando somos rejeitados, discriminados, humilhados nos nossos mais nobres e límpidos sentimentos para com outra pessoa que até a tínhamos por nossa amiga?
Pensa-se que o diálogo aberto, sem complexos nem inibições, sem reservas, com aquelas pessoas que ao longo do tempo se mostraram credíveis e confiáveis, será o caminho a seguir para que exista um relacionamento interpessoal sério e frutuoso.
O melhor diálogo, sem dúvida alguma é a escuta ativa e alternada, porque em bom rigor: «Encontrar uma pessoa que sabe escutar as outras é algo maravilhoso. Sem percebermos exatamente a razão, desejamos estar com ela todo o tempo possível. Agrada-nos poder explicar calmamente o que temos no coração, previamente seguros do silêncio e da confiança do outro. É uma felicidade quando somos escutados com atenção, sem azedume nem vontade fiscalizadora.» (Ibid.:11).
Quantos problemas não se resolvem, quantos conflitos deflagram, quantos mal-entendidos se criam e quantas represálias, difamações, ódios, vinganças se desenvolvem, por não sabermos escutar quem deseja conversar connosco, desabafar uma situação incómoda, confidenciar um segredo, pedir um conselho mais íntimo, receber uma palavra de ânimo, perante uma situação de infortúnio, de doença, de infelicidade?
Quantos alegados diálogos se iniciam e, logo de seguida, se interrompem ou terminam, precisamente, porque toda a gente quer falar ao mesmo tempo, colocar as suas ideias em prática, considerando-as melhor do que as dos outros e, ainda, porque, frequentemente, não existe a humildade e o bom-senso de escutar primeiro os outros.
Há uma tendência muito negativa para ostentarmos as nossas pseudo-verdades, para exibirmos os nossos dotes, quantas vezes de pura “vaidade narcisista e balofa” de, a todo o custo, impormos, até com alguma arrogância, os nossos “superiores e atualizados” conhecimentos e não concedemos espaço e tempo para que os nossos semelhantes tenham a oportunidade de divulgar os seus pontos de vista.
Esta terrível tentação, de tudo querermos dizer, como se só nós fossemos importantes, e tivéssemos as ideias e realizações mais brilhantes do mundo, os maiores e inigualáveis sucessos, revela, afinal, uma total falta de respeito pelos outros, uma inaceitável falta de consideração e de estima, no limite, manifesta não ter qualquer tipo de amizade ou mesmo alguma condescendência pelo direito à palavra, que toda a pessoa tem.
Por razões diversas, certamente justificáveis e verdadeiras, acontece, designadamente, numa situação que já se tornou recorrente em muita boa gente, e que também revela inqualificável desconsideração, quando, por exemplo, uma pessoa está a conversar com outra e surge uma terceira a interromper, cortando, abruptamente, raciocínios, conclusões e decisões, que seria possível extrair de uma conversa.
O que é correto, até em termos de boa educação, é saber esperar que lhe seja dada a palavra e, até que esse momento chegue, depois de pedir licença para permanecer e ouvir a conversa em curso, assumir uma postura de escuta atenta e ativa, no sentido de, quando se proporcionar, emitir o seu parecer, dar a sua sugestão, enfim, participar responsavelmente, na discussão do tema, porque saber escutar é o melhor diálogo que se pode desenvolver entre pessoas que se querem muito bem, que se respeitam e que se amam, aqui no contexto de um bem definido amor, por exemplo, de um “Amor-de-Amigo”.
A escuta serena, atenta, participativa e leal, seguramente, também conduz à felicidade dos conversadores. Na verdade, saber escutar similarmente é um gesto de humildade, esta, aqui e agora, considerada como: «Uma atitude essencialmente voltada para os outros e para o seu bem-estar. (…). Paradoxalmente, a humildade favorece a força de carácter: o humilde toma as suas decisões consoante o que acha ser justo e assim se mantém, sem se inquietar com a sua imagem ou opinião de outrem.» (RICARD, 2005:169).
Saber escutar é, portanto, um exercício difícil, talvez uma das virtudes mais complexas de se compreender e aplicar na vida prática, mas o certo é que, normalmente, um bom relacionamento, entre duas ou mais pessoas, tem sempre subjacente um comportamento de escuta humilde, interessada, carinhosa e estimulante para quem tem a necessidade de ser escutado. Consiste na predisposição de ajudar, porque só escutando, com magnanimidade e compreensão, é que se pode interiorizar e entender o que nos está a ser relatado.
Escutar não significa estar indefinidamente calado, durante todo o tempo em que alguém fala para nós, pelo contrário, revela empenhamento da nossa parte para assimilar, corretamente, uma situação, uma informação, uma confidência, e só depois estaremos capacitados para emitirmos uma opinião, darmos um conselho, ajudarmos quem em nós confiou.
Tudo isto é amor, se preferirmos, um amor muito singular, de verdadeiros amigos, porque a amizade sincera não tem parentesco, ela gera-se, desenvolve-se e consolida-se (ou não) entre as pessoas que, quantas vezes, nem sequer se conheciam e que a partir de determinadas situações passam a ser amigas inseparáveis, em que se juram fiéis amigas para toda a vida.
Aceita-se, sem quaisquer complexos, que se confia muito mais rápida e duradouramente numa pessoa que revela por nós consideração e estima, que aprecia a escuta atentamente as nossas conversas, do que uma outra pessoa, extremamente prolixa que, como se costuma dizer: “fala pelos cotovelos”, que fala por ela e pelos outros, porém, quase sempre, utilizando o auto-elogio, a incessantemente procurada notoriedade, protagonismo, porque o seu ego, a sua vaidade, não têm limites.
Tais pessoas, de facto, não sabem, não querem e tudo fazem para não escutarem os outros, porque os problemas destes, para elas, nada significam, por muito dramáticos que sejam, aliás, provavelmente, nem lhes convém escutar, porque assim pensam que se esquivam a dar a sua ajuda, se lhes for solicitada.
Decididamente, estas pessoas, que sempre querem dominar tudo e todas as conversas, muito dificilmente virão a ser amigas verdadeiras de quem quer que seja, manifestar sentimentos de amor para com o próximo, possivelmente, não os terão, porque saber escutar é amar verdadeiramente a pessoa que escutamos.
Hoje, a preocupação é “parecer”, se possível, “parecer importante”, insubstituível, inimitável. Vive-se muito em função de aparências e para darmos suporte a este tipo de “estratégias” e/ou mentalidades, monopolizamos as pessoas, seja por algum poder ou ascendente que temos sobre elas, seja pela palavra, utilizando, quase sempre, o pronome pessoal “eu”, mesmo quando se faz parte de uma equipa.
Hoje, as pessoas não são ignorantes e apercebem-se muito bem de certas situações, no decorrer de uma simples conversa, fica-se com uma ideia de quem está a conversar connosco, porque se a pessoa nos escuta mais do que fala, mas com oportunidade, respeito, bom-senso e sobriedade, acompanha a conversa e, sem ênfases fingidos, emite as suas opiniões, então é provável que estejamos perante uma pessoa que sabe conversar e, se assim acontece, essa pessoa manifesta por nós os valores da consideração, da estima e da interiorização dos assuntos que se vão abordando.
E se a escuta atenta, ativa, interveniente, parte de um nosso verdadeiro amigo, então poder-se-á afirmar que esse amigo gosta mesmo de nós, que ele nos quer muito bem, que aprecia a nossa companhia, que nele podemos confiar, obviamente, depois dos sinais que ele nos vai dando sobre a sua integridade.

Bibliografia.

RICARD, Matthieu, (2005). Em Defesa da Felicidade. Trad. Ana Moura. Cascais: Editora Pergaminho, Ldª.
TORRALBA, Francesc, (2010). A Arte de Saber Escutar. Trad. António Manuel Venda. Lisboa: Guerra e Paz, Editores S.A. 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
 
Portugal: www.caminha2000.com (Links Cidadania e Tribuna)