domingo, 9 de outubro de 2016

A Força do Empreendedorismo

O mundo global da competitividade apresenta-se-nos hoje como uma inevitabilidade, da qual temos de saber tirar o melhor proveito, no sentido de, pelo menos, atenuar os efeitos de uma crise profunda, que teima em manter-se e atingir com invulgar gravidade, os mais fracos, os mais carenciados, aqueles que, praticamente, não têm quem os defenda, pese embora e, justiça seja feita, a uma ou outra organização, a um ou outro político, verdadeiramente preocupados com este caos económico, financeiro e mercantil.
O ser humano, querendo, possui recursos abundantes para, através do empreendedorismo, resolver esta situação dramática, em que uma parte significativa da sociedade mundial está a viver no limiar da pobreza, portanto, a situação económica, os défices, e outras anomalias financeiras, não se vencem com austeridade sobre austeridade, impostos sobre impostos, redução de salários previamente contratualizados, cortes nas pensões e reformas, acordadas há décadas com um Estado que se presumia “pessoa coletiva de bem”.
Hoje, primeiro quarto do século XXI, o combate ao desemprego, à pobreza, à fome e à exclusão, qualquer que esta seja, está no poder de compra dos cidadãos, mas para isso é necessário que aufiram salários e pensões compatíveis com um adequado nível de consumo, em qualidade e quantidade, porque, “sem poder de compra, pouco ou nada se pode adquirir” (Verdade de Monsieur de La Palice).
Empreender, produzir, consumir, reinvestir e modernizar são conceitos-chave que urge desenvolver no plano prático. É claro que o empreendedor também precisa do apoio do Estado, sob diversos aspetos: orientação administrativo-burocrática, acesso ao capital em condições favoráveis ao negócio, como o próprio investidor igualmente carece, na medida do possível, de conhecimentos e experiências.
Ao analisarmos o papel do empreendedor, não será difícil concordar com o seguinte conceito: «As empresas nunca precisaram tanto de verdadeiros empreendedores quanto nos dias atuais. Cada funcionário deve ter atitudes e comportamentos de dono do negócio, e as empresas de sucesso são aquelas que têm em seus quadros esses verdadeiros empreendedores.» (MARINS, 2005:64).
Uma sociedade pobre, e/ou a caminho da penúria, leva a consumos mínimos de bens e serviços, que por sua vez afeta o escoamento dos produtos fabricados pelas empresas e pelos diversos setores de atividade económica, entra-se na tal “espiral recessiva” ou, se quisermos utilizar uma outra imagem, ainda mais compreensível, ruma-se para a pauperização das pessoas, da comunidade, dos países.
Portanto, os incentivos aos investidores, devem constar do conjunto de medidas que visem restituir direitos adquiridos dos cidadãos e, entretanto, imoralmente, retirados. Mas os empreendedores precisam de diversos instrumentos e, em qualquer organização, os recursos humanos de alta qualidade são essenciais: «A grande verdade que não pode ser ocultada de quem pense com objetividade e inteligência, é que, para terem condições de competir no mercado atual, com possibilidades reais de vencer, as empresas precisam de um ativo fundamental: gente talentosa. O talento é hoje o recurso mais escasso e valioso das corporações. O capital pode, cada vez mais, ser obtido com boas ideias e bons projetos.» (BERNARDI, 2003:20-21).
Em bom rigor, de entre os diversos recursos que o empreendedor deve possuir, nem sempre o capital financeiro é o mais importante sendo, todavia, necessário para se adquirirem os bens adequados ao lançamento e funcionamento do projeto, no entanto, sem haver recursos humanos acima da média, ou pelo menos, fortemente motivados, que se sintam, também eles, como se fossem os próprios investidores, não haverá sucesso da empresa.
Não há que recear esta nova posição dos funcionários, no seio da sua própria empresa. Eles, realmente, sentem-se mais responsabilizados se forem considerados partes integrantes do empresariado, ou até na qualidade de acionistas e, neste papel, como que se auto-exigem mais rigor, mais qualidade, mais produtividade, porque sabem que no final de cada exercício, poderão obter maiores lucros, além dos respetivos salários poderem ser melhorados.
Nos tempos difíceis que correm, um pouco por todo o mundo, nos domínios da economia, do emprego, do poder de compra e da assistência aos mais idosos, qualquer investimento é sempre envolvido em maior ou menor risco, todavia, uma das características do empreendedor é assumir riscos, relativamente controlados, mas que a médio longo prazos contribuam para o retorno dos investimentos, a retirada de lucros e uma parcela para modernização, expansão e consolidação da empresa.
O empreendedor inteligente sabe que a evolução positiva e sustentada da sua empresa não depende, em grande parte, dos recursos financeiros que investiu no projeto, mas sim nas pessoas que o vão acompanhar, numa equipa multidisciplinar, coesa e competente.
Hoje em dia: «Nenhuma organização revoluciona ou conquista mercados se não transformar pessoas e conduzi-las ao crescimento. Eis aí a empresa viva: aquela que se preocupa com a vida de sua atividade e daqueles que a exercem. Mesmo no futuro virtual, deverá existir um fator humano por trás das telas de computador, pois, se não houver, os relacionamentos serão tão fracos que despertarão o saudosismo das emoções.» (ROMÃO, 2000:157).
Na permanente valorização, que é necessário ter para com os recursos humanos, importa destacar o papel, cada vez mais relevante, da mulher no seio das sociedades modernas, deste século XXI, porque, sem pretender fazer uso do argumento de que realmente estão, numericamente, em maioria, a verdade é que as provas de grande capacidade de trabalho, de rápida adaptação às mais diversas profissões, algumas das quais até há bem pouco tempo, exclusivas do homem, e porque, em regra, funcionam muito bem com uma intuição extremamente peculiar, em certas situações e setores.
Acontece que o empreendedor moderno, sábio e prudente, já não pode, nem deve deixar-se influenciar por determinados preconceitos, assentes numa mentalidade arcaica, da superioridade do género, na circunstância, masculino, porque: «As mulheres assumem, de maneira cada vez mais vigorosa, o comando da liderança do mundo. Intuição, um novo sentido de poder, objetivos diferentes para o dinheiro, despojamento, equilíbrio, crenças psicossociais diferenciadas formam um leque de atributos e qualificações com enorme compatibilidade e adequação a este novo mundo (…). No marketing o amor, a intuição, a família e o papel de mãe passarão a ser fatores críticos de sucesso.» (VIANA & VELASCO, 1998:133).
Certamente que, devido aos atributos femininos, o empreendedor ficará tentado a constituir a sua equipa de colaboradores maioritariamente feminina. Trata-se, a enveredar por tal opção, de uma decisão que deverá ter em conta algumas variáveis, em função da natureza da empresa, sua missão, objetivos, público-alvo, princípios e valores a observar, designadamente e por exemplo: forças militares e de segurança, construção civil, indústrias extrativas do tipo minas, pescas, entre outras, na medida em que a compleição física é muito importante.
Mas há setores dentro da empresa em que o empreendedor também deve estar atento, nomeadamente às projeções: local, nacional e internacional da instituição e isto faz-se através da qualidade e preço dos produtos, cumprimento de prazos, marketing da melhor qualidade e um bom serviço e/ou profissional de relações públicas, porque assim as possibilidades de chegar ao mercado e o atendimento ao cliente saem beneficiados.
Por muito reduzida que seja, é praticamente impossível dispensar a publicidade, o que exige técnicos especialistas e depois os interventores diretos no mercado, lançando os produtos e apresentando-os aos potenciais compradores e aqui entram as Relações Públicas que: «Complementam todos os elementos, de um negócio, mas especialmente as outras funções de marketing. Boas Relações Públicas ajudarão a criar uma imagem positiva de um produto, o que por sua vez encorajará o mercado a procurá-lo (auxilia a distribuição): fará os clientes valorizá-lo (apoia o preço) e encorajá-los-á a mostrá-los aos amigos (impulsiona a promoção).» (AUSTIN, 1993:24).


Bibliografia

AUSTIN, Claire, (1993). As Relações Públicas com Sucesso. Trad. Manuela Madureira. Lisboa: Editorial Presença.
BERNARDI, Maria Amália, (2003). A Melhor Empresa. Como as Organizações de Sucesso atraem e mantêm quem faz a diferença. Rio de Janeiro: Elsevier.
MARINS, Luiz, (2005). Homo Habilis. Você como empreendedor. São Paulo: Editora Gente.
ROMÃO, Cesar, (2000). Fábrica de Gente. Lições de vida e administração com capital humano. São Paulo: Mandarim.
ROMÃO, Isabel, (2000). A Igualdade de Oportunidades nas Empresas. Gerir para a Competitividade. Gerir para o Futuro. Lisboa: Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres – Presidência do Conselho de Ministros. Coleção Bem-estar, Nº 1
VIANA, Marco Aurélio Ferreira, & VELASCO, Sérgio Duarte, (1998). Futuro: Prepara-se. Cenários e Tendências para um Mundo de Oportunidades. 3ª Edição. São Paulo: Editora Gente.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
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domingo, 2 de outubro de 2016

A Sociedade Ética Internacional

A sociedade das pessoas, que é uma construção do génio humano, continua complexa, apesar de toda a evolução da sua organização estratégica, da proliferação e aplicação de regras. Uma sociedade complicada, difícil e conflituosa, gerando situações que já não são compatíveis com o estatuto superior que deveria corresponder à dignidade da pessoa humana, enfim, numa sociedade que tem a obrigação de se conduzir pelos princípios, valores e sentimentos, que são referenciais desta superior espécie. 
O homem (abrangendo, obviamente, os dois géneros: feminino e masculino) que ao longo da sua história, a partir do seu mais remoto antepassado, cientificamente denominado por “hominídeo”, considerando, ainda, a sua evolução nas abordagens filogenética e ontogenética, certamente que tem sido objeto de um progresso, a todos os títulos notável, que nenhuma outra espécie animal terá conseguido.
A incapacidade para o homem alcançar os absolutos não significa, de modo algum, uma situação de total relativismo, porque dentro das limitações humanas, existem situações, princípios, valores, sentimentos, direitos e deveres que não devem ser relativizados, de contrário, duvidar-se-ia das realizações que a ciência, o conhecimento, a técnica e os resultados concretos têm revelado ao homem; este duvidaria, no limite, da sua própria existência. 
O que se pretende alertar é para a precariedade da espécie humana, com o dramatismo que lhe é dado viver, justamente por conhecer as suas próprias insuficiências e limitações concretas. Afigura-se, portanto, difícil, afirmar que uma determinada pessoa é, absolutamente, ética, moral, honesta, perfeita ou qualquer outro atributo sublime.
Descobrir, aplicar e validar a fórmula mágica para pacificar a sociedade humana são tarefas que, decididamente, não se vislumbram com facilidade, e até se pode questionar se alguma vez isso será possível, pelo menos sem a vontade e determinação de todos os indivíduos.
Parece haver todo um longo e relativamente difícil caminho a percorrer, cujo início terá de se estabelecer na base de uma formação inicial, bem cedo na vida, continuando com uma atualização persistente, sustentada, ao longo da existência humana, nos domínios da Cidadania, considerada esta em todas as suas dimensões: política, cívica, religiosa, profissional, cultural, entre outras que se tornaria exaustivo mencionar aqui.
Lançar as bases para uma “Nova Ordem Internacional Cívica”, elegendo a Cidadania como um imperativo universal, no que ela contém de deveres, direitos, valores e princípios, ou, e se se preferir, uma ética comprometida com a sociedade, uma ética exercida com competência por todos os cidadãos, independentemente do seu estatuto.
Vivenciar e usufruir dos benefícios da Cidadania, numa sociedade democraticamente livre será, porventura, a situação que todo o cidadão responsável e competente deseja. O cidadão moderno, culto, no sentido antropológico que o conceito de cultura implica, capaz de utilizar, para o bem-comum, todas as suas capacidades cognitivas, técnicas e humanas, deverá ser formado, rapidamente, através e pelas diversas instituições da sociedade global: família, escola, Igreja, comunicação social, comunidades, vizinhos, empresas e até pela “Instituição” Natureza, que tanto pode ensinar, quando o homem lhe presta atenção.
Atitudes de confiança nas capacidades humanas e no desenvolvimento de boas-práticas, constituem algumas das estratégias possíveis para se erradicarem do indivíduo, da comunidade e do universo, diversas patologias preconceituosas, que impedem o homem de se manifestar pelo seu lado bom, que até lhe será inato. O processo que pode, em grande parte, contribuir para uma sociedade melhor, no sentido da justiça, da paz e do bem-estar coletivos, passa, também e necessariamente, pela educação e formação éticas.
Haverá, porventura, alguma falta de sensibilidade para os valores da solidariedade, da caridade e da entreajuda; alguma ausência de ética para o dever de proteger os mais fracos e discriminados. Interiorizar um conjunto de valores, no domínio da ética social, que conduzam às boas-práticas da convivência humana, digna entre cidadãos, que deveriam ter todos o mesmo estatuto de Cidadania, poderá ser uma outra estratégia que, apoiada em diversos recursos humanos e financeiros, eliminaria esta chaga social, que alastra com o aumento da discriminação e da exclusão social, política, laboral, cívica, religiosa e outras, mais se aproximando de uma “globalização da exclusão”, porque remete milhões de cidadãos (grande parte dos quais deram, enquanto novos, o seu melhor à sociedade que agora os exclui) para os guetos da miséria, do esquecimento e do ostracismo.
A comunidade em geral, e o indivíduo em particular, devem preparar-se, também, para a construção de uma nova “Ordem Internacional para a Ética e para a Justiça”, que imponha a igualdade no respeito pelas diferenças, sem discriminações: sejam privilégios; sejam exclusões negativas, num espírito de solidariedade, cada vez mais abrangente, aceitando, naturalmente, as diferenças entre indivíduos e povos, porque ela é natural e caracteriza cada parte.
A igualdade deve ser estabelecida, precisamente, no que respeita ao relacionamento interpessoal, no acesso às oportunidades e aos bens comuns, porque no restante, é muito complexo, eventualmente, injusto, tratar de forma igual aquilo que é desigual. O conceito de Justiça, a partir do respeito pelas diferenças, pode ser um atributo das democracias modernas.
Uma ética societária que apele para o compromisso do dever e motive para o cumprimento dos deveres sociais de solidariedade, de respeito pela dignidade de toda a pessoa humana e recuperação/integração de todos quantos estão excluídos, constitui, no início deste século XXI, um imperativo universal.
Assuma-se, inclusivamente, a Ética no seu sentido pragmático, de boas práticas, porque o importante e decisivo é que todo o cidadão interiorize o conceito do dever, como uma boa metodologia, ao serviço daqueles que mais necessitam. Uma Ética dos valores religiosos, políticos, sociais, económicos profissionais e cívicos.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
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domingo, 25 de setembro de 2016

Educação e Formação para o Desenvolvimento

Começo por pedir à/ao leitora/r que leia até ao final, porque a situação difícil que o mundo atravessa, particularmente Portugal, não se resolve a partir de medidas brutais e iníquas de austeridade, de cortes nos rendimentos dos mais fracos. Em qualquer parte do mundo, as dificuldades económicas, financeiras e empresariais vencem-se por investimentos substanciais e permanentes na Saúde, Educação-Formação, Trabalho e Assistência Social. Estes são os pilares para o desenvolvimento sustentável.
Coloque-se, num duplo centro, dois elementos insubstituíveis e privilegiados: professor-formador; aluno/formando, quaisquer que sejam as situações de um e de outro. Mais complexamente, admitam-se a inversão e o poder dos intervenientes: hoje, professor; amanhã, aluno; depois, formador, mais tarde, formando. Os ciclos e alternâncias devem suceder-se ao longo da vida, deste novo cidadão do mundo, o qual nunca estará numa posição de dominância definitiva.
É fundamental ter-se presente que: «O desenvolvimento profissional envolve todas as experiências espontâneas de aprendizagem e as actividades conscientemente planificadas, realizadas para o benefício directo ou indirecto do indivíduo, do grupo ou da escola e que contribuem através destes, para a qualidade da educação na sala de aula. É um processo através do qual os professores, enquanto agentes de mudança, revêem, renovam, ampliam o seu compromisso com os propósitos morais do ensino.» (GUEDES & MIRANDA 2005:2).
A aprendizagem significa, também, algum risco de errância, de aventura e de abertura ao diferente. Implica, ainda, um esforço, face ao ritmo alucinante da produção científica, que é paradigma do tempo pós-moderno. É por isso que se exige, como requisito fundamental, o imperativo da promoção de uma vigorosa cultura de aprendizagem permanente, transformando a informação em conhecimento útil, funcional, que responda às solicitações da vida prática quotidiana, alimentando, porém, uma referência obrigatória do sentido que deve prender a uma bem determinada e, paradoxalmente, realística dose de utopia humana.
No processo de formação ao longo da vida, que a todos diz respeito, o professor/formador não é um aprendiz qualquer, na medida em que lhe cabe liderar, responsavelmente, os processos de aprendizagem e projetos concebidos por outros seres humanos, seus semelhantes. O estatuto ético-profissional justifica a disponibilidade e determinação para percorrer um caminho de formação, quantas vezes solitário e pessoal.
E se um dos objetivos da educação poderá equivaler a um produto, com o qual é necessário lidar, com competências e planificações, capazes de levar a resultados previamente conhecidos e calculados, então um daqueles objetivos da educação é obter um bom produto final, consubstanciado na pessoa, no cidadão, no profissional: «Educar vai ser então esse esforço para levar à reflexão sobre a escala de valores que melhor corresponda às exigências da pessoa humana, visando um aprimoramento não apenas no pensar, mas especialmente no agir do homem.» (WERNECK 1994:74).
Paralelamente, ser professor, poderá significar: tomar decisões com capacidade crítica e criativa; ser capaz de utilizar conhecimentos, experiências e valores, em contexto pedagógico; utilizar conhecimentos científicos na tomada de resoluções, tal como qualquer outro profissional autónomo, independentemente de regulamentação oficial, implicando um comportamento profissional, relacionado com a capacidade de, a partir da sua formação inicial, desenvolver e ampliar o seu campo de saber, e de desempenhar as funções sociais, e até políticas, que a sociedade dele espera.
Se se considerar a experiência, como sendo uma das primeiras fontes da educação, então o professor/formador, em determinada fase da sua vida profissional, é sujeito do seu próprio desenvolvimento, em que a reflexão sobre a experiência é uma prática fundamental, isto é, um investigador na sala de aula, em vez de um técnico, ou seja: ele, o professor/formador, será um prático reflexivo, porque a teoria por si só, é insuficiente para orientar a rotina docente.
No sentido de dar corpo ao que se vem defendendo, o autor destas linhas, ele próprio, se expõe à avaliação pública nacional e à crítica, através da sua participação num concurso promovido, justamente, pela Administração do portal “Forma-te”. No âmbito deste concurso nacional: “Formador do Ano-2013”, promovido pelo referido Portal “Forma-te”, foram selecionados três finalistas, um dos quais o autor desta reflexão.
Tratou-se de um concurso aberto a todos os formadores do país, no qual, não só o nosso Concelho, como toda a região norte, foram representados pelo autor destas meditações, considerando que já foi selecionado, por um júri idóneo, para um dos três primeiros lugares e, finalmente, atribuídos três primeiros prémios, “Ex aequo: Componente Científica; Componente Tecnológica e Componente Sociocultural.
Refletir sobre as vantagens de um esforço de autoformação, de um currículo mais espaçoso, onde caibam também a educação e formação para os valores e o humanismo de alunos e professores, assim como entender a sala de aula enquanto espaço privilegiado de interação, entre o vivido e o novo, um cruzamento de vivências, de culturas e de diversidade.
Não se pode ignorar que: «A função da escola inclui um fundamental elemento de socialização: de recriação dos laços sociais, o que faz com que cada pessoa constitua também uma comunidade, um povo, uma nação. A tarefa da escola não se esgota na transmissão de conhecimentos, nem tão-pouco só na educação de valores, mas estas dimensões estão intimamente ligadas …” (BERGOGLIO, 2013:99).


Bibliografia

BERGOGLIO, Jorge, Papa Francisco, (2013). O Verdadeiro Poder é Servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Tradução de Maria João Vieira /Coord.), Ângelo Santana, Margarida Mata Pereira. Braga: Publito.
GUEDES, J. A. D. e Miranda, M. R. (2005). A Capacidade de Auto-aprendizagem do Professor, no domínio da Formação e Desenvolvimento Profissional dos Professores. (Curso de Pós-Graduação em Administração Escolar). Vila Nova de Gaia: ISPGaya – Instituto Superior Politécnico Gaya.
SILVA, E. D. M. (2005) O Professor Reflexivo. (Curso de Pós-Graduação em Administração Escolar). Vila Nova de Gaia: ISPGaya – Instituto Superior Politécnico Gaya.
WERNECK. V. (1994). “Pessoa e Educação”, in Revista da Universidade Católica de Petrópolis. Petrópolis: Universidade Católica, Vol. 2 (6) Janeiro-Abril, pp.67-78

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
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domingo, 18 de setembro de 2016

A Verdade nas Relações Humanas

Devo começar por dizer que as relações humanas interpessoais, no domínio do diálogo, são extremamente complexas porque, apesar de se utilizar, por exemplo, o mesmo código linguístico verbal, este, ainda assim, normalmente, é acompanhado por uma linguagem não-verbal, muito significativa, que tanto pode confirmar o que estamos dizendo, como contrariar o nosso discurso, ou seja: a lealdade que tem subjacente a verdade, pode ser atraiçoada por quaisquer gestos, voluntários ou não controlados que transmitem, precisamente, o inverso do que se afirma.
As relações Humanas consideradas no contexto do relacionamento interpessoal coerente, aqui no domínio do diálogo, dos sentimentos e das emoções, que caraterizam uma determinada personalidade que, por sua vez, implica um comportamento relativamente equilibrado, serão possíveis de se exercer com total lealdade, abertura e transparência perante o interlocutor?
A lealdade é um valor que exige, por parte de quem a pretende exercer, grande rigor, uma confiança total no outro, posta a toda a prova nas mais diversas circunstâncias, a confirmação, ou não, de reciprocidade, por parte de quem, em quem se confia totalmente, uma certa intimidade no sentido de haver cumplicidade entre as pessoas que se desejam relacionar com sinceridade, abertura de espírito, comunhão de princípios, valores, desejos e projetos.
Pode-se estabelecer um paralelo entre lealdade e assertividade nas relações humanas ao nível das relações interpessoais e ao refletirmos neste âmbito, então deparam-se grandes dificuldades, designadamente em certas entidades, em que a sinceridade dos diálogos verbal e não verbal ficará muito aquém do minimamente exigível: certo tipo de jogos, negócios, política, concursos, relações de trabalho, na própria família, ou seja: a lealdade nestes relacionamentos, ao longo da vida, poderá, de quando em vez, ser seriamente prejudicada.
Costuma-se dizer que: “O segredo é a alma do negócio”. Tudo indica que sim, porque a sociedade atual, por razões diversas, algumas alheias à própria vontade das pessoas, tem vindo a ignorar certos princípios e valores e até sentimentos, para conseguir atingir objetivos, normalmente materiais, sociais e estatutários que, pela via da sinceridade, jamais alcançariam.
Hoje, praticamente, em certas circunstâncias, vale tudo, e neste vale tudo, a inverdade, a omissão, a hipocrisia, entre outros comportamentos, subsistem, prejudicando o bom relacionamento que é essencial para boa convivência entre as pessoas. Enquanto não houver sinceridade no diálogo e coerência entre este e o pensamento, as relações humanas leais vão ser sempre muito difíceis.
Do exposto acima, que na minha perspetiva corresponde um pouco ao que se passa na sociedade, não se pode inferir, porém, que eu não defenda a maior lealdade possível nas relações humanas e, como orientadora na área da educação, defendo a verdade como valor essencial na formação das nossas crianças, jovens e adultos, sim, porque hoje o conceito é o de aprender ao longo da vida, portanto todos estamos envolvidos na defesa da sinceridade nas nossas relações interpessoais.
É essencial termos sempre a noção de que a mentira, e até mesmo a omissão, normalmente conduzem à desconfiança, ao descrédito, ao conflito que, no seio das famílias, por exemplo, entre cônjuges, revela-se de consequências imprevisíveis, como o vexame, a nódoa e o aproveitamento calunioso que acaba por recair não só no casal, como nos filhos e parentes mais próximos. A deslealdade no matrimónio, de facto, pode provocar efeitos passionais que, em certas situações, destroem toda uma vida, um passado de amor e termina com a morte, quantas vezes violenta, de quem traiu e, não raro, dos cônjuges e filhos.
Naturalmente que não há pessoas perfeitas, projetos ideais, objetivos totalmente conseguidos e, quando assim acontece, várias podem ser as causas, nestas se incluindo, também e eventualmente, a deslealdade, por exemplo, entre: sócios de uma empresa; colegas de trabalho; patrões e trabalhadores; estudantes e professores; concorrentes a um emprego, mas o importante, no meio de tantas lacunas, que cada pessoa possui, tudo se deve fazer para evitar ao máximo o recurso à inverdade, à omissão.
Pretendo com esta reflexão dar um modesto contributo ao novo livro do meu pai, ao qual ele resolveu dar o título, muito atual e preocupante: “Lealdade nas Relações Humanas”, e que eu penso ter fortíssimos e verdadeiros fundamentos, porque conheço muito bem o meu pai e sei que ele não usa a mentira, nem com os seus adversários, embora já tenha sido vítima da deslealdade, até de pessoas a quem ele tanto tem apoiado.
A verdade, como muito bem refere a sabedoria popular, é como o azeite: “vem sempre à superfície/tona da água”, por isso ela deveria ser permanentemente a regra, o princípio, o valor intransigente nas nossas relações humanas. A lealdade arrasta para o consenso, tudo o que há de bom na pessoa verdadeiramente humana.
A lealdade nas relações humanas dignifica quem a utiliza, inspira confiança e adesão aos princípios, valores, sentimentos e emoções, porque tudo é verdadeiro, tudo é sincero e as pessoas acabam por construir autênticos laços de amizade, de solidariedade e de gratidão, logo, todo o relacionamento fica muito mais facilitado.

Liliana Assunção Preto Rodrigues de Bártolo
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domingo, 11 de setembro de 2016

Relações Humanas Afáveis

Para quem vive fora do seu país, na condição de emigrante, o melhor, ou pior, nível das relações humanas com as pessoas do país de acolhimento, estabelecem toda a diferença, entre uma boa, ou má, qualidade de vida, respetivamente e, no meu caso, em concreto, não se trata tanto de uma questão de idioma, porque o relacionamento em português do Brasil pode ser excelente e, desde já o afirmo que é, mas também a afabilidade, a tonalidade melódica com que nos entendemos, ajuda imenso no diálogo que se vai desenvolvendo.
Durante mais de década e meia de permanência no Brasil, o relacionamento humano com as pessoas que diariamente contacto tem sido um autêntico sucesso, porque também no diálogo e, principalmente pelos comportamentos, o já famoso “jeitinho brasileiro” (Ver Nota) está bem presente, quanto a mim, no melhor sentido e, por isso mesmo, as situações, com mais ou menos gravidade, vão-se resolvendo, outras nem tanto, todavia e enquanto cidadã portuguesa imigrante, observo que sou muito estimada, pela generalidade deste povo tão doce, quanto alegre.
A minha participação neste artigo, em colaboração com o meu pai, prende-se, portanto, com esse valor inestimável, porque sem haver confiança mútua entre pessoas que, pelo diálogo, procuram o melhor entendimento e, correlativamente, as melhores decisões possíveis, acerca dos diferentes assuntos que se abordam, não haverá qualquer evolução no sentido de uma sociedade mais aberta, tolerante e humanista.
Obviamente que, no Brasil, como em Portugal, há pessoas com diferentes atitudes, perante os seus compatriotas e imigrantes. No Brasil, verifico que há como que uma predisposição para a amabilidade, também de educação e, principalmente, de alegria quando se conversa, sem que os diálogos mais acalorados não tenham, também, o seu tempo, modo e local, conduzindo, inclusive, a conflitos diversos, no entanto, a tão divulgada insegurança que no Brasil se vive, não resulta, necessária e diretamente, das deslealdades nas relações humanas.
Tentar passar a mensagem de que todos e quaisquer relacionamentos interpessoais são sempre feitos de sinceridade, também não corresponderá, globalmente, à verdade, todavia, o certo é que quando conversamos com este povo maravilhoso, sentimo-nos muito considerados e estimados, inclusivamente, acarinhados e neste comportamento existe muita verdade, daí que a alegria seja uma atitude quase constante e generalizada, a preocupação por viver feliz, um dia de cada vez, é outra característica.
Nas diversas funções que ao longo de mais de dezassete anos tenho desempenhado no Brasil, com o apoio dos meus pais, o relacionamento quase sempre gentil e muito educado, os valores da solidariedade, da amizade e da cooperação, que me têm sido manifestados, levam-me a pensar que existe como que uma magia nas relações humanas.
Sentimos que este povo tem orgulho em conversar com os portugueses, e fazem ponto de honra ao afirmarem que têm um antepassado natural de Portugal e, neste aspeto, não existe qualquer falsidade, porque são os próprios brasileiros a avançar com esta gentileza, quando conversam connosco.
Nos diálogos que diariamente tenho com o povo brasileiro, assim como os meus pais quando me visitam, há como que uma espécie de sedução, através da melodia das palavras, que nos encanta, que acredito sejam verdadeiras, até porque qualquer cidadão, no seu próprio país, não tem necessidade de ser tão gentil para com os imigrantes, por isso é que o relacionamento é fácil, estimulante e simples, para se poder estar a conversar horas a fio, sem quaisquer premeditações mal-intencionadas. Existe uma atração para o encontro, para o diálogo, para a troca de valores, sentimentos e emoções.
Lealdade nas relações humanas, como ela é necessária, sem dúvida alguma, mas se não for acompanhada de outros valores e, principalmente, de sentimentos e emoções verdadeiros, talvez perca algum interesse, porque o diálogo pode tornar-se demasiado árido, pelo menos em relação a alguns assuntos.
Claro que salvaguardam-se sempre que: entre a opção pela verdade, pela sinceridade e pela abertura e o discurso burilado, tentador e fantasiado, a primeira alternativa é muito mais importante, profícua e que, provavelmente, melhor resolve os diferentes problemas que possam existir entre as pessoas.
Como em tudo na vida, em praticamente todas as circunstâncias do nosso dia-a-dia, a lealdade, a frontalidade, a transparência nas relações humanas, que devem ser desenvolvidas, com a maior assertividade possível, é o caminho correto, porque grande parte dos conflitos mundiais, mas também e principalmente pessoais, resultam: ou da falta de diálogo sério e construtivo; ou dos chamados mal-entendidos; ou das inverdades e até das omissões.

Nota:

«O Jeitinho brasileiro de ser e a sua influência no dia-a-dia das organizações. O jeitinho brasileiro está presente no cotidiano das pessoas como uma forma de obter um rápido favor para si, às escondidas, e sem chamar a atenção; por isso, o jeitinho pode ser também definido como "molejo", "jogo de cintura", habilidade de se "dar bem" em uma situação "apertada”, onde a versatilidade é o ponto ideal para encontrar os resultados desejados em curto prazo, principalmente porque quando se fala em jeitinho, a primeira coisa que vem à mente é algo como: suborno, esperteza, ambição.
Mas, nem todo jeitinho é negativo, podendo ser também visto de uma perspectiva positiva. Por outro lado, o jeitinho coloca o sujeito que o pratica em situação de troca, por se sentir obrigado a retribuir o favor recebido, para que não seja chamado de “ingrato” ou ser reconhecido como aquele sujeito que “cuspiu no prato que comeu”.
O jeitinho brasileiro está inserido em outros universos, tais como: familiar, sexual, emocional, financeiro; em outras esferas o jeitinho torna-se difícil por ir de encontro a situações que podemos chamá-las de força maior, e aí, incluiríamos as doenças, os acidentes e a morte.
Em suma, o “jeitinho” é um modo simpático, desesperado ou humano de relacionar o impessoal com o pessoal estando enraizado na cultura brasileira. Não tem jeito, é cultural.» http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/o-jeitinho-brasileiro-de-ser-e-sua-influencia-no-dia-a-dia-das-organizacoes/22249/ (Consultado em 22.10.2013).

Lenira da Assunção Preto Rodrigues de Bártolo
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
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domingo, 4 de setembro de 2016

Relações Humanas Sinceras

Atualmente, em quaisquer contextos da vida das pessoas, um dos pilares essenciais para um relacionamento interpessoal de sucesso, centra-se na lealdade que é necessária para colocar, quando se desenvolve uma qualquer conversa, incluindo aqueles diálogos bem-humorados.
A sinceridade entre interlocutores ajuda à compreensão e, sempre que necessário, à tomada de boas decisões, porque a mentira, a ambiguidade e a omissão, intencionais, para negar, confundir ou esconder, respetivamente, partes importantes do discurso, normalmente conduzem à desconfiança, ao descrédito e ao rompimento de relações e, também, quando existe, ao fim da própria amizade.
As relações humanas sinceras revelam o verdadeiro caráter de quem assim procede. Faltar à verdade é trair quem em nós acredita e nos ouve, é levar as pessoas a formular juízos de valor a propósito de quaisquer interesses, situações e outras pessoas que, assentes na mentira, são errados, injustos, imorais e eticamente condenáveis.
Por vezes, há quem afirme que a mentira (a infração) compensa e talvez, em circunstâncias excecionais, em que se jogam interesses vitais, valha a pena invocar uma inverdade, todavia, sem nunca prejudicar quaisquer outras pessoas, interesses, situações, projetos e resultados, quando legais, legítimos e justos, que visam o bem comum e/ou da própria pessoa.
Faltar à verdade para salvar a própria vida, ou de algum ente querido, ou de um amigo especial, sem incriminar outras pessoas, poderá ser, moralmente, aceitável? Negar um facto para evitar que alguém seja condenado, quando tal episódio não prejudica ninguém, a não ser a própria pessoa, que até se prova ter sido involuntário, impensado, sem premeditação de dolo, poderá ser objeto de castigo? E num teatro de guerra, ou similar, mentir quanto à nacionalidade, religião e quaisquer convicções políticas, filosóficas ou outras, para salvar a vida e o bem-estar daqueles que dependem de nós, constituirá mentira, assim tão gravosa? E, finalmente, num simples jogo, afirmar-se que se possuem determinados elementos, (cartas importantes, estratégias e táticas, por exemplo) para levar o adversário, a cometer erros, e nós ganharmos a partida, tal mentira será condenável?
Na verdade, tudo indica que é necessário avaliar muito bem até onde vai a mentira e começa a lealdade, ou vice-versa, nas relações humanas, ou se em circunstância alguma, a relação entre duas pessoas, que se respeitam, que se gostam, a inverdade, a desconfiança, a deslealdade têm justificação. Nestas circunstâncias a mentira jamais poderá ser utilizada, mesmo quando se diz “piedosa”, como por exemplo no caso de uma doença grave. Aqui, é preferível animar a pessoa nossa amiga, dar-lhe coragem e tudo fazer para que ela se sinta confortada e continue a acreditar na nossa total amizade, que mesmo nos piores momentos da vida estamos ao lado dela com verdade, com lealdade.
Mas em alguns dos exemplos anteriormente mencionados, será possível, ainda assim, evitar ou substituir a mentira pela omissão? Provavelmente sim, porque a omissão, em última análise, revela-se como uma falha, eventualmente, o incumprimento de um dever, no fundo poderá corresponder a não expor uma verdade (enquanto que a mentira é, no mínimo, deturpar a verdade).
A omissão leva a não se dizer tudo quanto se sabe sobre um determinado assunto, às vezes até para salvar uma relação pessoal. Será como uma espécie de mensagem telegráfica: objetiva e, simultaneamente, evasiva quanto a pormenores, responde-se, exclusivamente, ao que nos é perguntado, sem se entrar em detalhes, porque de contrário, novas questões surgem, novas particularidades são pedidas e, poder-se-á chegar a determinada situação em que das duas uma: ou se diz toda a verdade, que até não convém; ou se entra pela mentira que, igualmente, virá a ser prejudicial na maior parte das situações de vida. A opção é difícil e cada pessoa é aquilo que as circunstâncias lhe pedem.
Excluídas, portanto, situações-limite, praticamente de vida ou de morte, determinados tipos de jogos, não esquecer que o negócio, por vezes, também é um jogo, todavia, depois de fechado, não será correto reabri-lo com argumentos falsos e diversas conjunturas onde a omissão é utilizada, nada justificando a mentira e, como diz a sabedoria popular: “A mentira tem a perna curta” ou seja: mais tarde ou mais cedo, ela é descoberta como tal.
Infelizmente, nos tempos conturbados que as sociedades modernas atravessam, com uma flagrante e confrangedora ausência, ou esquecimento, de valores que honram a superior dignidade humana, pode-se afirmar que a ideia, segundo a qual, é necessário cada pessoa colocar as máscaras dos diversos interesses, recorrendo a comportamentos, mais ou menos forçados e/ou intencionais, como a bajulação, o cinismo, a falsidade, as palmadinhas, a hipocrisia, os sorrisos permanentemente “rasgados”, ao uso e abuso da verbosidade contrária ao pensamento coerente e verdadeiro, ao deixar cair um amigo quando já não serve, para agradar a outro e assim alcançar objetivos e interesses próprios, tudo isto se revela com preocupante frequência.
Hoje, praticamente, não se fecham negócios com um simples e vigoroso aperto de mão; hoje, nem o documento escrito é respeitado quando outros interesses, por vezes mesquinhos, se levantam; hoje, o que juramos sob palavra de honra, pela própria saúde e até dos entes mais queridos, pela felicidade, por Deus, amanhã poderá ser negado, na medida em que se ontem havia uma verdade, rapidamente ela poderá ser substituída pela mais descarada e abjecta mentira.
O comportamento humano nestes novos tempos, assumido por muito “boa gente” parece cada vez mais volátil, é o rumo que, para certas pessoas, parece produzir os melhores resultados. Então a mentira utilizada neste tipo de “navegação à vista”, de vidas efémeras, certamente que conduzirá à desconfiança, às desavenças, ao conflito cego e fatal, enfim, ao “naufrágio”.
Nas relações humanas entre pessoas que se respeitam, que se cuidam (e quem cuida, gosta, ama, está sempre ao lado) a mentira, quando descoberta, por quem é vítima dela, dói profundamente, magoa indelevelmente, provoca um sofrimento atroz, para o resto da vida, de quem se sente covardemente atraiçoado e sabe que não merece ser alvo de tão pérfidos comportamentos.
Nas nossas relações humanas diárias, em quaisquer contextos civilizados e humanamente credíveis, deve-se utilizar sempre a verdade, com abertura de espírito, para melhor podermos dialogar com lealdade e, por que não, com amizade? A, verdade, normalmente, é sempre a mesma, não tem alternativa, deve ser utilizada por quem se quer bem, por quem revela consideração e estima por outra pessoa, por quem deseja viver em harmonia consigo e com os seus semelhantes, com felicidade.
Claro que se excetuam aqui certas “verdades” científicas e outras de idêntica natureza, incluindo judiciais, porque através da investigação, mais tarde, pode-se chegar a outras verdades que destronam as anteriores: lembremo-nos do conflito entre a Igreja e Galileu Galilei com a teoria heliocêntrica. Evidentemente que seremos leais nas nossas relações, quando não somos detentores de outros conhecimentos e sinceramente afirmamos o que de facto sabemos e temos consciência de que não existe nada mais para além do que está na nossa posse.
A lealdade nas relações humanas, a partilha de alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, desejos e projetos, é um valor que cimenta a amizade para toda a vida, que abre um “cantinho no coração”, para nele acolhermos quem nos fala verdade, só que às vezes deixamo-nos iludir, corromper por quem nos quer impressionar com uma qualquer aparência, ou posições sociais elevadas, por “lobos vestidos de cordeiros” e somos levados a rejeitar quem sempre nos falou verdade, porque esta lealdade nas relações humanas, para muita gente, é bem difícil, nada conveniente e, por isso mesmo, desvalorizada, ridicularizada, nomeadamente por quem tem objetivos de uma qualquer conquista.

Ermezinda da Assunção Preto de Bártolo
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
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